quinta-feira, 8 de março de 2018

Quando ocorrerá a mudança da capital federal para Brasília?

Quando ocorrerá a mudança da capital federal para Brasília?

Por Tânia Battella
A mudança da capital federal para o centro do país teve o objetivo de promover o desenvolvimento para o interior, antes limitado ao litoral.


O concurso público para o projeto da cidade veio com a pressa de quem queria efetivar a mudança do país provocada pela mudança da capital.

O próprio relatório do plano piloto de Brasília, de autoria de Lúcio Costa, vencedor do concurso, afirmava: “A liberação do acesso ao concurso reduziu de certo modo a consulta àquilo que de fato importa, ou seja, à concepção urbanística da cidade propriamente dita, porque esta não será, no caso, uma decorrência do planejamento regional, mas a causa dele: a sua fundação é que dará ensejo ao ulterior desenvolvimento planejado da região.”
 Desde sua inauguração, em 21 de abril de 1960, algumas tentativas ocorreram nesse sentido, incluindo ações no âmbito da União, mas efetivamente nada aconteceu.

E os planos restritos ao Distrito Federal foram sendo elaborados, como se Brasília tivesse que resolver os problemas regionais dentro de seu pequeno espaço físico.

Demandas por habitação, pressão nos equipamentos públicos de saúde, de educação, segurança, e absoluta incompetência dos governos locais em resolverem tal situação, buscando solução política; nem da União, a quem cabe, na verdade, promover planejamento para o desenvolvimento regional. Afinal, a transferência da capital para Brasília, para o centro do país, teve esse objetivo e foi decisão federal.

Em 2009 foi reconstituída a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste – SUDECO, pela Lei Complementar no. 129, para exercer essa competência. Entretanto, toda uma organização foi estruturada e nenhum resultado se efetivou. E o Distrito Federal continua sendo motivo de mobilização e concentração de população e recebendo cada vez mais pressão sobre sua infraestrutura urbana e comunitária.

Agora, todos estão sendo penalizados pela incompetência dos governos da União e Locais, com crise na gestão de água para abastecimento, crise nos sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários, de coleta e depósito final de resíduos sólidos, de drenagem pluvial, tanto o Centro-Oeste quanto o Distrito Federal.

E nenhum instrumento de planejamento, quer de ordenamento territorial, quer de zoneamento ecológico e econômico terá efetividade se não ocorrer de maneira regional, a retomada da função principal de Brasília – Capital Federal, promotora do desenvolvimento regional.

Enquanto o Governo Federal ignorar sua responsabilidade sobre a função de Brasília como Capital Federal, enquanto os Governos Estaduais e do Distrito Federal não levantarem os olhos e derem as mãos para os vizinhos, a água vai acabar, aliás, já acabou, os rios vão ficar totalmente poluídos, e o caos urbano e rural se instalará mais rápido do que se  imaginava.

Aos Governos é preciso responsabilidade e coragem para enfrentar essa situação para não se envergonharem em penalizar ainda mais a sociedade com o ônus de sua incompetência institucional. Afinal, todos eles são nossos servidores e são remunerados para apresentarem soluções à sociedade.

E Brasília só será mesmo transferida quando exercer o papel de promotora do desenvolvimento regional e não de centralizadora, como tem sido, distorcida e equivocadamente, até hoje.

Esperemos dos próximos governantes, Locais e Federal, compromisso para a efetivação na mudança da Capital Federal, que até hoje NÃO OCORREU.


8 de Janeiro de 2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

Concurso de projetos para revitalização da orla do Paranoá mantém inscrições abertas

Concurso de projetos para revitalização da orla do Paranoá mantém inscrições abertas

O prazo para inscrições no concurso de revitalização da orla do Lago Paranoá foi estendido. A data limite passa a ser 8 de março, e não mais 23 de fevereiro. Com isso, o governo de Brasília objetiva estimular a concorrência.
A ideia é receber projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos que indiquem usos, atividades e a configuração do espaço à margem do lago. O valor do contrato está estimado em R$ 2,5 milhões. Toda a documentação necessária está descrita no edital.
“O concurso serve para recebermos um projeto integrado, coerente, coeso, de vanguarda, com ações de curto, médio e longo prazos e que faça jus a Brasília, cidade moderna e tombada”, define o secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade.
O certame foi lançado em dezembro de 2017. O contrato deve ser firmado até 15 de junho.

Prazos e julgamento do concurso para revitalizar a orla do Lago Paranoá
O resultado do concurso será divulgado em 21 de abril, no aniversário de Brasília. A comissão, formada por profissionais com alto grau de conhecimento nas áreas exigidas pela competição, fará o julgamento das propostas de 17 a 20 de abril.

Os cinco melhores trabalhos serão escolhidos e classificados por ordem de mérito. Esses passarão pela fase de habilitação. A equipe mais bem colocada entre as habilitadas sairá vencedora.

As sugestões dos brasilienses, por meio de enquete e consulta pública do Plano Orla Livre, foram consideradas na elaboração do concurso.

De acordo com a Secretaria de Gestão do Território e Habitação, a modalidade de concurso público foi adotada por ser a mais democrática, de grande acesso e publicidade, além de permitir à população conhecer de antemão o que o governo está comprando.

A pasta quer atrair para o certame equipes multidisciplinares que atuam com a elaboração de projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos.

O concurso é um desdobramento do Plano Orla Livre, que tem o objetivo de tornar o Lago Paranoá um ponto de encontro mais acessível, organizado e com diversas opções de lazer, além de pensar em oportunidades de negócios pontuais que fomentem a economia.
A proposta reúne uma série de ações para revitalizar 38 quilômetros de margem do espelho d’água e busca soluções de mobilidade para quem quiser chegar à região.

Fonte: Agência Brasília
1 de Março de 2018

Revisão de estudos revela que árvores de florestas tropicais úmidas estão morrendo mais rápido

Revisão de estudos revela que árvores de florestas tropicais úmidas estão morrendo mais rápido


pesquisa

Por Cristina Amorim, do IPAM

Como se o desmatamento já não fosse suficientemente ruim, uma série de outras ameaças mata num ritmo cada vez mais intenso as árvores da Amazônia e de outras florestas tropicais úmidas da Terra.

Uma revisão de artigos científicos feita por especialistas no tema, incluindo o pesquisador brasileiro Paulo Brando, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), indica que a taxa de mortalidade dessas árvores mostra sinais de aceleração nos últimos anos. Os motivos são o aumento da temperatura, secas longas e piores, ventos mais fortes, incêndios mais extensos, mais cipós e até a abundância de gás carbônico na atmosfera – uma das causas do efeito estufa e elemento fundamental da fotossíntese.
As mudanças climáticas estão relacionadas a todos os problemas apontados. “O trabalho mostra que há indícios fortes que relacionam a mortalidade das árvores de florestas tropicais úmidas às alterações esperadas para essas regiões, em escalas global e regional”, afirma Brando.
O foco do estudo foram as florestas intactas, primárias ou antigas, na América do Sul, África e Sudeste Asiático. Porém, ele tende a focar na Amazônia brasileira, pois é o local mais estudado de todos, com mais volume de dados.
“Na Amazônia, todas essas causas de mortalidade de árvores estão presentes”, diz Brando. “Mas é difícil dizer que uma é mais relevante do que outra, porque todas têm um papel. Secas causam picos de mortalidade, enquanto o aumento de CO2 provoca mudanças de fundo. Já eventos de tempestades de vento impactam mais áreas fragmentadas, e o fogo causa muitos danos no sudeste da Amazônia.”
A equação da morte
É impossível estabelecer qual desses ataques é pior. As secas, por exemplo. Elas têm se tornado cada vez mais longas e severas – na Amazônia, episódios anômalos ocorreram em 1997, 2005, 2010 e 2015. Como defesa imediata, as árvores tomam atitudes extremas, como fechar os estômatos (células por onde ocorre a respiração das plantas) e perder mais folhas.
Essas folhas, por sua vez, se acumulam em abundância no solo e servem de combustível para incêndios florestais, que se alastram facilmente e por mais tempo.
Secas e temperaturas mais altas ainda podem levar as árvores a definharem de fome, também num mecanismo de defesa que acaba se tornando um algoz. Ao fechar os estômatos para salvar água em seu interior, ela deixa de capturar o gás carbônico do ar, sua fonte de alimentação, enquanto consome o que tem dentro.
O regime forçado as deixa mais suscetíveis a ataques de pestes, como insetos, ou à competição por comida com os cipós – que por sua vez têm se proliferado ainda nesses ambientes. E, mesmo que a dieta não aconteça, excesso de gás carbônico no ar também não significa que elas crescerão abundantemente.
“Quando há muito gás carbônico, algumas árvores podem dominar o pedaço e roubar os recursos dos vizinhos. Assim, há um aumento esperado na mortalidade de árvores mas não necessariamente mudanças drásticas nos estoques de carbono”, explica o pesquisador do IPAM. “Outra explicação é que a floresta se torna mais dinâmica com mais CO2; cresce mais rapidamente e morre mais rapidamente, tanto pelo metabolismo quanto por mudanças na estrutura da floresta.”
Tampouco o fato de estarem próximas à linha do Equador traz vantagem para as florestas tropicais úmidas num planeta mais quente: um novo regime de temperatura, esperado para os próximos anos devido às mudanças climáticas, pode mudar o metabolismo das árvores.
Os autores do estudo abrem uma discussão sobre cenários que possam reverter o quadro, como um aumento da precipitação anual, mas não entram na discussão sobre como a ação humana pode reverter o quadro.
Segundo Brando, reduzir a taxa de mudança no clima e estabilizar o processo o quanto antes, que envolve derrubar os níveis de emissão de CO2 mas também do desmatamento, são fatores essenciais para manter as florestas tropicais do mundo. “Quanto menor a área de borda de floresta, comum em paisagens fragmentadas, menor o impacto da seca, fogo e ventos.”
Ele também destaca a importância de se aprofundar as análises. “As redes de observação são extremamente importantes para entendermos se as nossas florestas estão saudáveis, e o Brasil tem feitos avanços importantes”, diz. “Precisamos saber o que realmente está acontecendo, para fechar buracos nas observações que ainda existem e nos preparar para os efeitos das mudanças climáticas.”
A revisão foi liderada por Nate McDowell, do Laboratório Nacional do Noroeste Pacífico (EUA), e publicada na revista científica especializada “New Phytologist” (www.newphytologist.org) neste mês.

Do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/02/2018

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Crises hídricas: A corda arrebenta para todos, artigo de Maurício Dziedzic

Crises hídricas: A corda arrebenta para todos, artigo de Maurício Dziedzic


Reservatório quase esgotado na Cidade do Cabo. Foto: AP/The Times

[EcoDebate] Ao pensar na África, geralmente formamos imagens com exuberância de recursos naturais. Falta de água nos remeteria aos desertos daquele continente, especialmente o Saara, no Norte. No Sul, ficam os desertos do Kalahari e da Namíbia. De resto, não se imaginaria escassez hídrica. Todavia, no extremo sul, a Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul, está vivendo uma das piores crises hídricas urbanas que se tem notícia nos tempos modernos. A cidade de cerca de meio milhão de habitantes foi apontada pelo New York Times em 2014 o melhor lugar do mundo para visitar. Hoje, sua população vive em contagem regressiva para o “Dia Zero”: o dia em que a água da cidade vai acabar. Esta data já foi estimada em abril, passou para maio, e atualmente é 04 de junho de 2018! Em Curitiba, se parasse de chover, considerando cheios os quatro principais reservatórios de abastecimento, teríamos água suficiente para abastecer a população por cerca de dois anos. Isso sem considerar outros usos da água.


Na região da Cidade do Cabo, choveu muito pouco nos últimos três anos e seus habitantes vivem a realidade do racionamento: 50 litros por dia por pessoa, desde o início de fevereiro, e volumes pouco maiores há alguns meses. Esse valor é muito próximo ao considerado mínimo necessário para não aumentar riscos de doenças de veiculação hídrica. Inclui 3 litros para beber, 20 litros para descarga sanitária, 15 litros para banho e 10 litros para cozinhar. Seria possível diminuir esse volume implementando, por exemplo, tecnologias que economizam água na descarga. Entretanto, não estão instaladas na cidade toda, não sendo alternativa viável no presente.


Além das alterações climáticas, responsáveis pela falta de chuva, outros fatores contribuíram para a crise atual. Os técnicos responsáveis pelo planejamento da cidade vêm advertindo os governantes há quase três décadas que a infraestrutura existente não seria suficiente para manter o abastecimento de água da Cidade do Cabo em caso de secas prolongadas. O principal reservatório de abastecimento da cidade fica em uma área em processo crescente de desertificação, claro indicador de mudanças no clima da região. Os governantes optaram por ignorar o aviso, não promover melhorias na infraestrutura, e continuar fomentando o desenvolvimento econômico não sustentável. Em meados de 2017, a crise teve que ser admitida, e em janeiro de 2018 foi determinado que residências que utilizassem mais que 350 litros de água por dia seriam multadas. Além disso, a água para abastecimento da cidade não será compartilhada com os agricultores da região, o que provavelmente vai causar um grande aumento nos preços de alimentos nos próximos meses. Ou seja, a crise hídrica vai desencadear outras crises, como a de abastecimento, a econômica e a sanitária.


Ironicamente, a Cidade do Cabo vai sediar, em maio próximo, a Conferência Internacional sobre Perdas de Água. Essas perdas, principalmente devido a vazamentos nas tubulações de redes de abastecimento, se constituem em um grande vilão hídrico. O percentual de perdas varia bastante entre as cidades e países. Na África do Sul, são da ordem de 30%. Em Curitiba, da ordem de 40%. A crise hídrica de São Paulo, por exemplo, seria resolvida, ou bastante aliviada, com a diminuição das perdas de mais de 30%. No Brasil, a variação é grande, chegando a cerca de 70% em algumas cidades, e com uma média de cerca de 37%. É muito desperdício que, se evitado, pode descartar a necessidade de exploração de outros mananciais.


Tanto aqui, quanto na África do Sul, uma gestão pública séria e preocupada com o bem-estar da população, o que inclui a sustentabilidade, é fundamental para evitar vários tipos de crise. Infelizmente, o que se vê é pouca ou nenhuma preocupação com a questão pública. Os governantes e seus burocratas associados se colocam em luta constante pelo poder e vantagens pessoais – e desdém pela situação alheia. Esquecem que estão forçosamente inseridos na realidade coletiva, e que um dia a corda arrebenta para todos. Aqui, ainda há tempo para agir. Na Cidade do Cabo, vão ter que colar os cacos.


E por onde começar? Pela educação de qualidade e acessível a todos. Além disso, é fundamental mudar o paradigma educacional do Brasil. Precisamos educar visando ao desenvolvimento de capacidade de análise crítica, ao contrário do que se pratica hoje, que é a cultura da memorização e da resposta a perguntas prontas. Os egressos de nossas escolas precisam ser capazes de questionar a pergunta, de investigar os motivos para que ela seja feita. Dessa forma, teremos cidadãos mais conscientes e menos fáceis de manipular. Ao mesmo tempo, é essencial desenvolver no aluno/cidadão os princípios éticos, principalmente pelo exemplo, na escola, em casa e na sociedade.


*Maurício Dziedzic, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental (Mestrado e Doutorado) da Universidade Positivo (UP). É Engenheiro Civil, Mestre em Recursos Hídricos e Doutor em Engenharia Hidráulica.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/02/2018
"Crises hídricas: A corda arrebenta para todos, artigo de Maurício Dziedzic," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/02/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/02/28/crises-hidricas-corda-arrebenta-para-todos-artigo-de-mauricio-dziedzic/.

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Supremo Tribunal Federal (STF) mantém validade da maioria dos artigos do Código Florestal

Supremo Tribunal Federal (STF) mantém validade da maioria dos artigos do Código Florestal


PGR
STF acolheu parte dos pedidos da Procuradoria-Geral da República e do Psol em ações contra a Lei 12.651/2012
Foto: Antônio Augusto/Secom/PGR
STF – Foto: Antônio Augusto/Secom/PGR
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta quarta-feira (28), a análise sobre a constitucionalidade de dispositivos do Código Florestal (Lei 12.651/2012). O tema entrou em debate em julgamento conjunto, iniciado em setembro do ano passado, de ações propostas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelos Partidos Socialismo e Liberdade (Psol) e Progressista (PP). Em novembro, o julgamento foi retomado com o voto do relator, ministro Luiz Fux, mas foi suspenso após pedido de vista, retornando ao plenário nas sessões da semana passada, quando a conclusão foi adiada para a sessão de hoje.
Após análise dos diversos dispositivos questionados, a Corte acolheu parte dos pedidos da PGR e do Psol, em ações contra a norma, e julgou parcialmente procedente a ação ajuizada pelo PP, para declarar a constitucionalidade da Lei 12.651/2012.


Ao longo das cinco sessões de julgamento, os ministros destacaram a importância do julgamento para a preservação do meio ambiente. O ministro Marco Aurélio afirmou, por exemplo, que a Corte está decidindo “um quadro que não diz respeito à geração atual, mas que se projeta às gerações futuras”. Em seu voto, o ministro Luís Roberto Barroso chamou a atenção para o desmatamento da Amazônia. Segundo ele, “o Brasil, e talvez o mundo, deveria pensar em formas de recompensar a Amazônia pela manutenção da floresta. É preciso transformar a manutenção da floresta em algo mais valioso do que a sua derrubada”.


Já na sessão desta quarta-feira, o ministro Celso de Mello, último a votar, defendeu que, se houver dúvida se uma determinada ação prejudicará ou não o meio ambiente e os cidadãos, deve prevaler o princípio “in dubio pro natura”.


Áreas de Proteção Permanente – Um dos principais pontos debatidos no Plenário foi sobre as áreas de preservação permanente (APP). Acolhendo pedido da PGR, os ministros declararam inconstitucionais as expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à realização de competições esportivas estaduais, nacionais ou internacionais”, contidas em dispositivo da norma que trata das intervenções em APPs, na hipótese de utilidade pública . (Artigo 3º, inciso VII, alínea b).


Também seguindo o entendimento da Procuradoria-Geral da República, o STF condiciou a intervenção excepcional em APP por interesse social ou utilidade pública à inexistência de alternativa técnica ou locacional à atividade proposta. (Artigo 3º, incisos VIII e IX)
Sobre os dispositivos que tratam do entorno das nascentes e olhos d’água intermitentes, o STF deu interpretação conforme a Constituição Federal, para que sejam consideradas áreas de preservação permanente e de preservação ambiental. (Artigo 3º, inciso XVII e Artigo 4º, inciso IV).


Reserva Legal – Em relação aos dispositivos que tratam da compensação de área de reserva legal desmatada, prevaleceu o entendimento de que ela está condicionada à existência de identidade ecológica com o espaço correspondente, localizado no mesmo bioma. (Artigo 48, parágrafo 2º)


Ações da PGR – Em 2013, a PGR apresentou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 4901, 4902 e 4903 contra diversos dispositivos do Código Florestal. Um dos principais pontos questionados foi a anistia aos responsáveis por degradação de áreas de preservação, até 22 de julho de 2008, e que aderiram ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). Mas os ministros deram interpretação conforme neste quesito, por entenderem que não se trata de anistia, já que os proprietários rurais ainda podem ser punidos, caso descumpram o acordo firmado ao aderirem ao PRA.


Para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em memorial enviado aos ministros do STF, em novembro do ano passado, o novo Código Florestal “caminha na contramão da ordem constitucional brasileira, em especial, da necessidade de manutenção e promoção de espaços territorialmente protegidos, em virtude da irreversibilidade dos danos e da indisponibilidade dos recursos naturais”.


No documento, Raquel Dodge argumentou que a Lei 12.651/2012 contraria deveres fundamentais impostos ao poder público: a vedação de que espaços territoriais especialmente protegidos sejam utilizados de forma a comprometer os atributos que lhes justificam a proteção; o dever de preservar e restaurar processos ecológicos essenciais; o dever de proteger a diversidade e a integridade do patrimônio genético; e o dever de proteger a fauna e a flora, com proibição de práticas que coloquem em risco sua função ecológica.


Ações do Psol e PP – Na ação proposta pelo Psol (ADI 4937), o partido questionou diversos dispositivos da norma, em especial, a previsão legal da cota de reserva ambiental (CRA). Já o PP, pediu a declaração de constitucionalidade de artigos do Código Florestal por meio da Ação de Declaratória de Constitucionalidade (ADC 42).


Da Procuradoria-Geral da República, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/03/2018

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Rodovia que gera energia solar é inaugurada na China

terça-feira, 2 de janeiro de 2018


A estimativa é que a área gere um milhão de quilowatts-hora de eletricidade em um ano.

A maior estrada solar está em construção em Jinan, capital da província de Shandong, na China. Desenvolvida pela Qilu Transportation Development Group, um quilômetro da via expressa já está aberta para testes.
A estrada possui três camadas: uma camada isolante na parte inferior, a fotovoltaica no meio e por cima foi instalada uma placa de “concreto transparente”. Segundo o designer de projetos Zhang Hongchao, a estrada é capaz de suportar 10 vezes mais pressão do que as estradas normais de asfalto e a estimativa é que a área gere um milhão de quilowatts-hora de eletricidade em um ano.
A primeira estrada solar do mundo foi inaugurada na França em março deste ano, veja aqui, e antes disso uma ciclovia solar já fazia sucesso na Holanda. A questão ainda é em relação ao custo benefício, sempre questionado pelos mais céticos. Isso porque o custo é bastante caro para uma estrutura que deve aguentar o peso de automóveis e caminhões e o retorno em geração energética não é tão alto se comparado aos tradicionais painéis instalados no telhado.
Fonte: Ciclo Vivo

China proíbe totalmente o comércio de marfim

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

China proíbe totalmente o comércio de marfim

A proibição total do comércio de marfim entrou em vigor neste domingo (31) na China, outrora o primeiro mercado para as presas de elefante de contrabando.

“A partir de hoje a compra e venda de marfim e de produtos derivados por parte de mercados, lojas e comerciantes é ilegal”, declarou o Ministério das Florestas em sua conta de Weibo.
“De agora em diante, se um comerciante lhe disser que é um ‘vendedor de marfim autorizado pelo Estado’, estará lhe enganando e violando intencionalmente a lei”, acrescentou.
O ministério detalha que a proibição abrange também o comércio eletrônico e os suvenires adquiridos no exterior.
A agência oficial chinesa Xinhua afirmou que uma primeira proibição parcial do comércio do marfim levou a uma queda de 80% dos confiscos do marfim que entrava no país.
Os preços do marfim bruto na China também caíram 65%, segundo a mesma fonte.
A proibição total foi anunciada no final de 2016.
Em março, a Xinhua informou do fechamento de 67 oficinas e lojas envolvidas no comércio de marfim. As 105 restantes deveriam fechar neste domingo.
A China havia proibido anteriormente as importações de marfim e produtos derivados adquiridos antes de 1975.
O marfim é muito cobiçado na China, onde chegava a custar até 1.100 dólares o quilo, porque é considerado um símbolo de status social.
A forte demanda do país alimentou o massacre de dezenas de milhares de elefantes africanos por ano.
A caça ilegal provocou uma diminuição da população de elefantes de 110.000 exemplares em dez anos, chegando a 415.000, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Fonte: France Presse

Energias limpas são mais lucrativas, diz embaixador da ONU Meio Ambiente

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Energias limpas são mais lucrativas, diz embaixador da ONU Meio Ambiente

O piloto lidera o projeto Impulso Solar que, em 2015, desenvolveu um avião totalmente movido a energia solar, elogiado pelas Nações Unidas.

O embaixador da Boa Vontade da ONU Meio Ambiente, o piloto suíço Bertrand Piccard, disse na segunda-feira  que o mundo deve investir em energias limpas, por estas serem mais lucrativas para investidores e consumidores em mercados emergentes.
Em nota, Piccard afirmou que os tomadores de decisões devem parar de se comprometer com metas minimalistas para a redução da poluição, definindo objetivos baseados em tecnologias modernas.
O piloto lidera o projeto Impulso Solar que, em 2015, desenvolveu um avião totalmente movido a energia solar, elogiado pelas Nações Unidas. Piccard afirmou que o mundo deve desenvolver materiais seguros, como embalagens reutilizáveis, com objetivo de salvaguardar “não só as gerações futuras, mas o bem-estar atual” da humanidade.
Ele lembrou que a poluição do ar, que se tornou o maior risco para a saúde ambiental, mata anualmente 7 milhões de pessoas. Além disso, todos os dias são despejados nos rios cerca de 2 bilhões de toneladas de resíduos humanos contendo produtos químicos que podem ter graves impactos na saúde.
Para o embaixador da ONU para o Ambiente, “existem soluções que podem reduzir a poluição e, simultaneamente, gerar lucro”, que “se fossem implementadas, poderiam reduzir drasticamente as emissões poluentes a nível global, beneficiando as pessoas, o planeta e a indústria”.
Piccard questiona o rumo que a humanidade está seguindo, quando, por exemplo, cerca de 30% dos alimentos produzidos globalmente são perdidos ou desperdiçados, levando a emissões de metano que causam mudanças climáticas.
O embaixador da Boa Vontade da ONU Meio Ambiente afirmou ainda ser preciso traçar metas ambiciosas para que o planeta seja livre de poluição e lembrou que, anualmente, 8 milhões de toneladas de plástico atingem os oceanos, afetando numerosas espécies marinhas.
Fonte: ONU

Em janeiro, Sesc tem programação sobre relação ser humano e meio ambiente

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Em janeiro, Sesc tem programação sobre relação ser humano e meio ambiente

São Paulo faz 464 anos, completando uma trajetória de quase 500 anos de muita criação e muita destruição de paisagens.

O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, em São Paulo, abre sua programação de janeiro com uma discussão sobre a relação do ser humano e o meio ambiente. A partir do conceito de Paisagem Cultural, a unidade propõe atividades que trazem reflexões, experiências e práticas sobre o tema, por meio de palestras, oficinas e cursos.




Essa interação pode se dar pela permanência de atividades sociais e econômicas que contribuem para a preservação de determinadas paisagens, pela criação de outras formas de habitar, assim como pelas interferências humanas que destroem as paisagens.



Para a unidade, esse debate se torna oportuno no mês em que a cidade de São Paulo faz 464 anos, completando uma trajetória de quase 500 anos de muita criação e muita destruição de paisagens.   


Entre os destaques da programação estão o curso Permacultura urbana, que aborda novas formas de habitar a paisagem, no dia 8 de janeiro. No dia 10, o curso de ilustração científica ensina técnicas de representação botânica, passando por uma apresentação da configuração da paisagem da cidade de São Paulo.



O artista plástico e professor Rubens Matuck fala sobre sua formação e experiências artísticas, relacionando conceitos de paisagem com aspectos da história da arte, em palestra no dia 22 de janeiro. Fotografia de paisagem natural e urbana é o curso que acontece a partir do dia 23 de janeiro, no qual são apresentados os passos para a construção de uma reportagem fotográfica sobre um lugar de interesse paisagístico.


Na véspera do feriado, dia 24, inicia o curso Desenho de observação do paisagismo urbano, que apresenta noções básicas de desenho de observação, luz e sombra, perspectiva e representação gráfica de plantas e árvores, além de outras técnicas, e que inclui um passeio, no dia do feriado, 25,  da Praça 14 Bis ao Parque do Trianon.



A programação é voltada para o público em geral. Confira:



Permacultura urbana: novas formas de habitar a paisagem
Dias 8/1 e 5/2, segundas, das 14h às 16h
De 15 a 29/1, segundas, das 10h às 16h
R$80,00 / R$40,00 / R$24,00





As cidades tornaram-se grandes adensamentos populacionais, mas na época em que foram criadas não se pensou nas consequências deste modelo para a vegetação, as águas, os solos e as relações humanas. Esse curso tem o objetivo de refletir acerca de alternativas criadas para diminuir o impacto das pessoas na cidade.





Neste percurso, além de discussões em grupo, acontecem passeios a três espaços: a “Morada da Floresta” localizada no Jardim Peri Peri na zona Oeste de São Paulo; a “Casa do Alpendre” localizada no Jardim Rolinópolis também na Zona Oeste e por fim a “Casa Ecoativa” localizada no extremo sul de São Paulo no Distrito do Grajaú. Almoço incluído em todas as visitas.





Com Estela Cunha Criscuolo, formada em geografia pela PUC-SP, hoje graduanda em Pedagogia pelo Instituto Singularidades. Atua como educadora em projetos socioambientais.



Com Morada da Floresta, desenvolvimento de projetos, soluções e tecnologias socioambientais para a diminuição de resíduos no Brasil e atividades voltadas à educação e conscientização ambiental.




Com Casa Ecoativa, projeto localizado dentro da APA – Bororé-Colônia na Ilha do Bororé. A iniciativa foi criada por moradores do extremo sul de São Paulo com a finalidade de promover agroecologia, bioconstrução e atividades ulturais.





Com Casa do Alpendre, coletivo de pessoas que buscam por em prática os princípios da permacultura urbana, agroecologia e economia solidária nas suas relações de consumo e troca através da autogestão.





A ilustração científica e a configuração da paisagem de São Paulo
De 10/1 a 7/2, quartas, das 14h às 17h
R$60,00 / R$30,00 / R$18,00





A ilustração científica (IC) costuma ser definida como a intersecção entre a ciência e a arte, a qual deve ser correta cientificamente e bonita artisticamente. Neste curso de são apresentadas as bases da IC, assim como exemplos de técnicas e aplicações. Em especial a técnica de aquarela para a representação botânica, passando por uma apresentação da configuração da paisagem da cidade de São Paulo. O curso também abordará o estudo de luz, sombra, forma, proporção e perspectiva do modelo biológico.





Com Paulo Presti, biólogo formado pela USP, espaço onde foi cofundador do Núcleo de Ilustração Científica em 2012. Trabalha com ilustração científica desde 2011 e é especialista em ilustrações com grafite, pontilhismo, aquarela e lápis de cor. Desde 2014 vem ministrando cursos sobre ilustração científica.





Política da paisagem: estratégias, instrumentos e conflitos
De 16 a 19/1, terça a sexta, das 14h às 17h
R$60,00 / R$30,00 / R$18,00





O curso trata de recentes estratégias de captura do conceito de paisagem em políticas públicas, tais como a tipologia de Paisagem Cultural e a abordagem de Paisagem Urbana Histórica, ambas da Unesco. Tradições de pensamento relacionadas à paisagem envolvidas, possibilidade e limites dos instrumentos, suas relações com a natureza, o urbano e diferentes grupos sociais, avanços e possíveis conflitos, compõem a dinâmica daquilo que chamamos de Política da Paisagem.






Com Rafael Winter Ribeiro, geógrafo, doutor em Geografia pela UFRJ e Université de Pau et des Pays de l’Adour. Professor do PPGG/UFRJ e do Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do IPHAN. Membro do Icomos, atuou na candidatura do Rio de Janeiro a Patrimônio Mundial da Unesco e seu plano de gestão.





Capitalismo e Colapso Ambiental
Dia 17/1, quarta, das 19h às 21h
Grátis




Nesta obra, o autor apresenta sua tese sobre o colapso ambiental e social que a expansão do capitalismo proporciona. Mudanças climáticas, deterioração da biosfera, regressão da democracia com a concentração do poder político e econômico nas mãos de grandes corporações são algumas das expressões dessa trajetória que será discutida neste encontro.




Com Luiz Marques, professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou “Giorgio Vasari”, “Vida de Michelangelo (1568)”, e “Capitalismo e Colapso ambiental”. Coordena a coleção “Palavra da Arte”, dedicada às fontes da historiografia artística, e participa com outros colegas do coletivo Crisálida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate & Atualização




Rubens Matuck – paisagens de leste a oeste
Dia 22/1, segunda, das 14h às 18h
R$15,00 / R$7,50 / R$4,50




Rubens Matuck apresenta sua formação e experiências artísticas, relacionando conceitos de paisagem com aspectos da história da arte, assim como, com os processos e materiais utilizados em seu trabalho e em viagens realizadas pelo Brasil e exterior. O artista demonstra alguns procedimentos e técnicas de pintura e convida o público a experimentar as mais utilizadas em suas obras. 




Com Rubens Matuck, artista plástico e professor. Teve formação artística com Aldemir Martins, Marcelo Grassman, Simon Mao, Tai Hsuan An, Sansom Flexor, Renina Katz, Flavio Motta e Otavio Araujo. Dentre as exposições realizadas no Brasil e no exterior destacam-se: “Amazônia na Bienal de São Paulo” (2007) e a mostra “Tudo é Semente no Sesc Interlagos” (2015), que reúne 40 anos de sua produção artística.




Fotografia de paisagem natural e urbana
De 23/1 a 6/2, terças, das 19h às 21h30
Dia 3/2, sábado, das 14h às 16h30
R$60,00 / R$30,00 / R$18,00




O curso apresenta os passos para a construção de uma reportagem fotográfica sobre um lugar de interesse paisagístico relevante, seja rural ou urbano, visando à organização do tempo e recursos mobilizados pelo fotógrafo. É composto de quatro encontros, sendo dois encontros de conteúdos teóricos, uma saída fotográfica que será realizada em 3/2 e um último encontro dedicado à teoria e prática de edição fotográfica.




23/1 – Preparação do trabalho e comportamento da luz.
30/1 – Composição, equipamento, fotografando na chuva .
3/2 – Produzindo uma reportagem fotográfica.
6/2 – Fluxo digital, metadados e edição.




Com Maurício Simonetti, fotojornalista e fotógrafo documental independente. Iniciou sua carreira na Agência F4 e trabalhou para as revistas Veja e Isto É. Ao longo de sua carreira dedicou-se a pesquisas fotográficas do meio ambiente e paisagens urbanas.





Desenho de observação do paisagismo urbano                                                            
Dias 24 e 26/1, quarta e sexta, das 10h às 13h
Dias 25 e 27/1, quinta e sábado, das 10h às 14h
R$60,00 / R$30,00 / R$18,00





Por meio do desenho de observação, esta atividade propõe abrir uma discussão e reflexão, principalmente da relação dos espaços verdes com a cidade, que na sua origem, são da Mata Atlântica, mas com o passar do tempo, espécies invasoras foram se adaptando a estes espaços.




Serão apresentadas noções básicas de desenho de observação; luz e sombra, perspectiva; representação gráfica de plantas e árvores e técnicas do uso do grafite, de como colorir o desenho usando aquarela, marcadores ou lápis de cor. Os encontros serão em sala de aula e ao ar livre, num passeio que vai da Praça 14 Bis ao Parque Trianon na Avenida Paulista.





Material indicado para participação no curso: caderno de desenho com folhas adequadas para desenho e aquarela (tipo sketchbook com folas de gramatura grossa, entre 90 e 120kg); lápis grafite 2B, 4B, apontador, limpa-tipos, lixa de unha; material para colorir os desenhos: aquarela, pincéis ou pincéis com reservatório de água (AquaBrush); lápis de cor ou marcadores coloridos.




Com Lauro Monteiro, artista plástico e trabalha com várias técnicas, como ilustração, colagem e pintura, tendo o desenho como base fundamental de sua pesquisa artística, é gestor cultural e curador de arte, tendo realizado, ao longo dos anos, exposições em diversos locais do Brasil e principalmente em Portugal.




As áreas verdes e outras áreas protegidas no contexto da metrópole




De 30/1 a 2/2, terça a sexta, das 14h às 16h
R$60,00 / R$30,00 / R$18,00




O curso apresenta o conceito e o histórico da criação de áreas verdes protegidas no Brasil, especialmente na cidade de São Paulo.  Mostrará como estes espaços foram criados inspirados em modelos europeus e quais seus impactos para o ordenamento territorial urbano.




Para ilustrar o conteúdo apresentado ocorrerá uma visita técnica ao Parque Trianon na Avenida Paulista, verificando os desafios na gestão de uma área verde protegida e como conciliar a preservação das espécies nativas e convívio com as espécies exóticas, também chamadas de plantas invasoras.




Com Erika Guimarães, mestre em Ciência pela USP e bióloga formada pela UFMS. Atua há 20 anos em projetos de conservação da natureza com foco em corredores de biodiversidade, criação e gestão de áreas protegidas. Autora do livro BiodiverCidade – desafios e oportunidades na gestão de áreas protegidas urbanas (IPE/Matrix), atualmente é gerente de áreas protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica.




Fonte: Ciclo Vivo

Na contramão do clima, Brasil subsidia indústria do petróleo

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017


Em sua última semana de trabalho do ano, a Câmara dos Deputados rejeitou, na noite desta quarta-feira (13/12), uma emenda do Senado e manteve no texto da Medida Provisória 795 a suspensão de impostos cobrados de petrolíferas nacionais e estrangeiras até 2040.




Assim, a medida, apelidada de “MP do trilhão” e que também inclui perdão de dívidas, incentiva a exploração de petróleo.





A MP foi enviada ao Congresso pelo presidente Michel Temer. Diante de um plenário vazio, foi discutida no Senado dois dias antes da aprovação final na Câmara. Senadores pediram uma alteração, que diminuía o prazo da isenção de 2040 para 2022, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita qualquer beneficio fiscal a cinco anos.




Os deputados, porém, derrubaram a emenda por 206 votos a 193 e duas abstenções. Após a aprovação final pela Câmara, a medida provisória segue agora para sanção presidencial.
A MP suspende tributos cobrados sobre bens e equipamentos relacionados a atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo no país. Os itens podem ser adquiridos no Brasil ou importados. Também há isenção para compra de matérias-primas e produtos intermediários destinados à atividade.




Um estudo técnico assinado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados calculou que, com a entrada em vigor da MP 795, os cofres públicos deixarão de arrecadar cerca de 1 trilhão de reais, daí o apelido “MP do Trilhão”. Posteriormente, uma nota do Ministério da Fazenda argumentou que o impacto seria positivo e desmentiu a cifra, alegando um erro de cálculo. Por outro lado, a nota não apresentou um valor alternativo.



“Quando se provê um ambiente jurídico seguro, regras alinhadas com o mercado internacional de petróleo e condições equilibradas de competitividade, o país ganha em termos de arrecadação em decorrência do aumento nos ágios oferecidos pelas companhias de petróleo e a atração de novos investimentos”, diz a nota. Foi o argumento adotado pelo senador Romero Jucá, que defendeu a medida no Senado.




“Essa MP tem dois lados perversos: o que o país vai deixar de arrecadar no futuro e a dívida que ela perdoa”, afirma Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).




À frente do órgão que reúne profissionais que combatem sonegação, Cabral traça paralelos. ”Infelizmente, o Brasil virou um balcão de negócios. Benefício fiscal e isenção setorizada estão potencialmente ligadas a pagamento de propina. Os casos da Lava Jato e outros comprovam isso”, analisa.




Lobby estrangeiro e perdão de dívidas
Em 2009, a Receita Federal identificou uma prática considerada abusiva e muitas vezes ilegal: empresas que exploravam petróleo em plataformas enviavam 90% da receita para fora do país sem pagar qualquer imposto. Fiscalizadas, as empresas envolvidas deviam multas que chegavam a 54 bilhões de reais.




Cinco anos mais tarde, a Medida Provisória 651/2014 legalizou esse “jeitinho” de sonegar. A tramitação da medida no Congresso não ficou livre de suspeita de corrupção: em agosto último, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jucá por receber propina de 150 mil reais para atuar a favor da Odebrecht na tramitação da mesma MP.



Além das isenções fiscais, a Medida Provisória 795 aprovada agora perdoa a dívida antiga que a Receita Federal tentava, desde 2009, cobrar pela sonegação de impostos. Ela beneficia petroleiras como Shell, Exxon, BP e Petrobras.




“Para nós, da fiscalização da Receita, o que mais dói é o trabalho de mais de uma década ser jogado pela janela”, lamenta Cabral.




No debate no Senado, parlamentares acusaram o governo Temer de ceder ao lobby da indústria internacional de petróleo. A MP 795 foi enviada ao Congresso pouco antes do último leilão de petróleo e gás, realizado em setembro. Na ocasião, 17 empresas arremataram áreas para exploração, sete delas estrangeiras.




“Antes de o próprio Congresso aprovar a medida, o presidente Temer já tinha prometido às petroleiras de que elas teriam segurança fiscal. Foi uma promessa feita sem saber se a MP seria aprovada”, ressalta Nicole Oliveira, diretora da América Latina da ONG 350, que se opõe a novos projetos de carvão, petróleo e gás.




Contra o clima
A MP 795 vai beneficiar indústrias que atuarem no pré-sal, apontado como a maior descoberta de combustível fóssil das últimas décadas, com um volume estimado em 176 bilhões de barris. A queima dessa reserva despejaria na atmosfera 74,8 bilhões de toneladas de carbono equivalente (tCO2eq).




O gás – responsável pelo efeito estufa, que acelera as mudanças climáticas – precisa que ser eliminado para que o planeta não sofra um aquecimento maior que 1,5˚C, como manda o Acordo de Paris.




“Além de escarnecer da sociedade brasileira, o presidente desponta como o inimigo número um do combate às mudanças climáticas: apenas o petróleo do pré-sal contém carbono suficiente para estourar a meta do Acordo de Paris”, critica o Observatório do Clima.




“A gente está gastando duas ‘previdências’ em isenção para petroleiras que não deveriam ser isentadas”, opina Oliveira, lembrando que o governo tenta aprovar a reforma da Previdência alegando uma economia necessária de cerca de 600 bilhões de reais.




“Sob a perspectiva climática, a gente não deveria estar investindo nos [combustíveis] fósseis, e sim em energias limpas. O país está quebrado e dando dinheiro para petroleiras”, critica.




Durante a cúpula One Planet – promovida nesta semana pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para impulsionar o Acordo de Paris, assinado há dois anos –, o Banco Mundial anunciou que vai deixar de financiar atividades ligadas a petróleo e gás a partir de 2019. Segundo a instituição financeira, a decisão se alinha ao “mundo em transição”, com objetivo de ajudar os países a alcançarem a meta do Acordo de Paris.




Fonte: Deutsche Well

Meio ambiente: 2017 tumultuado e 2018 de renovação

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017


Medidas equivocadas de governos e fenômenos climáticos extremos mostraram que as questões ambientais têm reflexos sociais e econômicos e, portanto, precisam de mais atenção

Um ano turbulento. Essa é a definição da maioria dos ambientalistas para 2017, com relação às tomadas de decisões ligadas à conservação da natureza brasileira e aos eventos climáticos extremos nacionais e internacionais.




Nacionalmente, as Unidades de Conservação (UC) brasileiras foram as que mais sofreram ameaças, de acordo com especialistas. Diversas ações do Governo colocaram em riscos áreas extremamente importantes para a biodiversidade, principalmente por propostas de alteração na legislação. As Medidas Provisórias 756 e 758, do Governo Federal, enviadas ao Congresso Nacional em maio deste ano propuseram a redução de mais de 1 milhão de hectares da área de UCs no Pará, na Amazônia, e de outras regiões do Brasil, como também Santa Catarina. Felizmente, por pressão nacional e internacional, o presidente Michel Temer vetou essa redução.




Outra tentativa de mudança na legislação foi o andamento do Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 427 de 2016. Por meio dele, buscou-se sustar os efeitos legais da lista de animais em extinção definida pela Portaria nº 444 do Ministério do Meio Ambiente. Conhecidas como “listas vermelhas”, elas representam uma parte essencial da política de Estado para garantir que fauna, flora e micro-organismos nativos sejam protegidos. “Entre tantas tentativas de prejudicar a nossa biodiversidade por meio de propostas de mudanças na legislação, a possibilidade de se sustar os efeitos legais da lista de animais em extinção se mostrou assustadora e incompreensível”, destaca o biólogo Fabiano Melo, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.




Em agosto, outra proposta do Governo Federal propôs a extinção da Renca, que é uma reserva de cobres e associados, com o intuito de possibilitar a exploração mineral em uma grande região entre o Pará e o Amapá – uma área quase do tamanho do Estado do Rio de Janeiro – e, novamente pela pressão da sociedade civil e da classe artística, o Governo voltou atrás.




Assim como no Norte do país, no Paraná, uma grande mobilização vem sendo feita para engavetar uma proposta criada pela Assembleia Legislativa que prevê a redução da Área de Preservação Ambiental da Escarpa Devoniana – maior Unidade de Conservação do Sul do País. Para Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, mesmo que essas ameaças não tenham seguido em frente, elas são preocupantes. “Temos que estar atentos à pauta ambiental do Governo. Neste ano, se não fosse a pressão da sociedade, todas essas medidas teriam sido aprovadas e o resultado disso seria um desastre ambiental”, analisa.




Mas não foram somente notícias ruins que permearam a pasta ambiental. Mesmo com tantas tentativas de reduções de áreas protegidas, outras propostas (e demandas antigas) também foram aprovadas, como a ampliação da área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, da Estação Ecológica do Taim (RS), da Reserva Biológica União (RJ) e o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos (PA). Além disso, no Paraná foi recategorizada e ampliada a Floresta Estadual do Palmito (agora Parque Estadual do Palmito) e ampliada a Estação Ecológica do Guaraguaçu, que são áreas que protegem florestas e planícies do Bioma Mata Atlântica, um dos mais ameaçados do Brasil e onde vivem mais de 70% da população nacional.




“Diante de tantos retrocessos, o impacto foi direto na sociedade civil que precisou agir para evitar a alteração de diversos aspectos ligados à Legislação Ambiental. Mas isso pode ser visto também como algo positivo, pois mostra o quanto mobilizações como essas dão resultado positivos e fazem com que o Governo não permita situações tão adversas”, analisa Rachel Biderman, diretora do World Resources Institute (WRI – Brasil) e membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza.




Más notícias também no cenário internacional
Desde a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, o presidente Donald Trump tem causado preocupação quando o assunto é combater a mudança climática. Tal decisão colocou o mundo em um ritmo mais lento nas negociações climáticas, principalmente em assuntos ligados a investimentos, empresas e países que já estavam em negociações internacionais avançadas. “Por outro lado, há pontos positivos lá fora. Existem lideranças importantes despontando, como é o caso do presidente da França, Emmanuel Macron, que convocou uma Comissão em Paris para debater a agenda climática; assim como na Islândia despontou uma líder mulher, a primeira-ministra Katrin Jakobsdottir, líder do movimento Esquerda Verde, que também aponta nessa direção. A China, que é um motor fundamental da economia e também da agenda do baixo carbono, tem dado bons direcionamentos; e a Alemanha, a Noruega, e a Europa em geral nos mostram boas iniciativas”, comemora Rachel.




No âmbito da mudança global do climática, o mundo em 2017 teve comprovações de que as coisas não andam bem. Eventos climáticos extremos se mostraram cada vez mais frequentes, como as queimadas acima do normal em Portugal, África do Sul, Califórnia e no Cerrado brasileiro, além do número de furacões de grande escala que também foi intenso em um curto período de tempo. “No Brasil, houve um aumento significativo nos problemas com enchentes durante o período do verão. O que nos preocupa com tudo isso é que não vemos investimentos necessários para a adaptação nesse novo cenário de mudança climática e isso ficou claro durante a 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 23) que foi realizada em novembro deste ano, em Bonn, na Alemanha”, pondera André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.




Exemplo dessa falta de investimentos foi a Medida Provisória 795 encaminhada ao Congresso Nacional durante a COP 23, em novembro, que dá incentivos à indústria de combustíveis fósseis (óleo e gás) estimados em subsídios na ordem de um trilhão de reais em 25 anos. Por esse motivo, o Brasil acabou recebendo o Fóssil do Dia, prêmio oferecido pela organização Climate Action Network para países que atrapalham o progresso das negociações ou que se afastam do cumprimento das metas para conter o aquecimento global. “No futuro, com a confirmação da COP 25 no Brasil em 2019, espera-se que o tema da mudança climática esteja mais presente nas próximas eleições e que seja mais debatido com a sociedade”, anseia Ferretti.




O que esperar ambientalmente para 2018
Boas notícias são esperadas para o ano que inicia em breve. Considerando que 2018 é um ano eleitoral, o desejo de especialistas na área é de que temas ambientais estejam na pauta do Brasil e do mundo. Para Rachel Biderman, com a agenda eleitoral em atividade, o próximo ano será a oportunidade de atrair os candidatos para uma agenda ambiental e de sustentabilidade. “Precisamos atrair ao máximo os candidatos e convencer os eleitores de que é necessário um candidato com esse perfil. A intenção tem que ser trabalhar principalmente com o público jovem, para tentar a renovação do Congresso e das Assembleias Legislativas”, analisa.




Mudança climática e políticas públicas do Governo Federal que vão na contramão da conservação da natureza são as maiores preocupações dos ambientalistas. De acordo com Fabiano Melo, esses são assuntos que irão ganhar cada vez mais força. “Considerando a mudança climática e o futuro cada vez mais difícil relacionado a esse tema, nós precisamos falar e agir sobre isso, acreditar nas propostas, participar de maneira positiva, de forma a melhorar a posição do Brasil e das políticas públicas voltadas a biodiversidade”, reflete.
Para Emerson Oliveira esse é o rumo também para as Unidades de Conservação. “Para 2018, espera-se que os governantes tenham uma atenção maior para as nossas unidades de conservação, pelo menos deixando de colocar em risco essas áreas com os projetos de leis estaduais, municipais e federais. Por isso, nossa expectativa é que o Governo Federal anuncie a criação de algumas UCs costeiro-marinhas que a própria sociedade civil (como a Fundação Grupo Boticário) tem articulado junto ao Governo Federal, via Ministério do Meio Ambiente e Instituto Chico Mendes e que essas boas notícias possam ser anunciadas no próximo Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, em julho do ano que vem”, almeja.




Sobre a Fundação Grupo Boticário
A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.




Sobre a Rede de Especialistas
A Rede de Especialistas de Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.



Fonte: Segs

Mais de 600 mil árvores são plantadas em resposta a Trump

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Mais de 600 mil árvores são plantadas em resposta a Trump

Incomodados com medidas tomadas pelo presidente dos EUA, trio partiu para ação.

A posição de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre as questões ambientais é de completo ceticismo. Em sua conta do Twitter, ele já chegou a afirmar que o aquecimento global é uma “farsa inventada pelos chineses”. Suas ideias, logicamente, têm desagradado a muitos, gerando diversas críticas. Mas um trio resolveu fazer mais do que questionar e partiu para a ação, criando o Trump Forest.
O britânico Dan Price, o norte-americano Jeff Willis e o francês neozelandês Adrien Taylor são responsáveis pelo projeto que é dedicado ao plantio de árvores ao redor do mundo. A ideia da iniciativa é dar uma resposta efetiva a duas medidas tomadas por Trump: A reformulação do Plano de Energia Limpa, feito pela Agência de Proteção Ambiental, e a retirada do Acordo de Paris.
Em cinco meses, já foram plantadas 618.055 árvores, mas a meta vai muito além disso. Segundo os cálculos do grupo, serão necessárias mais 10 bilhões de árvores ao redor do mundo para compensar as emissões de CO2 lançadas pelos Estados Unidos, caso seja extinto o Plano de Energia Limpa.
Mais de duas mil pessoas se sensibilizaram com a causa e estão apoiando o projeto. Já foram investidos quase 80 mil dólares no Trump Forest.
Fonte: Ciclo Vivo