sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Brasil tem pernas mancas ou cabeça dura?

As duas alternativas estão corretas e a primeira é consequência da segunda. O crescimento da economia brasileira está abaixo da média mundial e a menos da metade do que o de alguns vizinhos. É um quadro que não agrada, mas também não apavora.

O futuro próximo tem algumas cascas de banana, como a ameaça de perder o grau de investimento, a dependência da safra agrícola e os humores do cenário externo. Mas não há perigo de uma caída forte, os indicadores de solvência são positivos. O crescimento será lento, mas sem crises. Portanto, o País tem pernas mancas, sim.

A causa é a cabeça dura, a aversão a mudanças. Ilustrando o ponto: para segurar a inflação, a prescrição na teoria moderna é um aperto fiscal. Todavia, continuam com o manual de meio século atrás, gastando muito e represando tarifas de transporte, energia e combustíveis. Agravam o problema e postergam a estabilização dos preços.

Outro exemplo emblemático é a falta de médicos no País. A solução óbvia é abrir mais vagas nos cursos de medicina e construir hospitais-escola – há cinco Estados brasileiros que nem sequer têm um. Mas decide-se por importar profissionais, é mais rápido. A urgência é resolvida e varre-se a sujeira para debaixo do tapete.

Apesar do discurso da ginga brasileira e do modernismo, há um viés conservador nos governos brasileiros desde o Império. Quase todas as mudanças de rumo na política econômica ocorrem após crises, quando alterar a rota é obrigatório e tem custos sociais e econômicos elevados.
O tripé macroeconômico de FHC foi uma resposta à crise cambial, após quatro anos no poder: o câmbio e o regime de metas de inflação são de 1999 e a Lei de Responsabilidade Fiscal é de 2000. Foi uma reação a problemas inflacionários, não fazia parte de um conjunto de políticas de desenvolvimento.

O desempenho dos governos depende de como se ajustaram ao legado recebido pelo antecessor e às condições externas. Uns mais e outros menos, o fato é que as presidências de Dilma e dos anteriores João Figueiredo, Collor/Itamar, FHC e Lula foram basicamente reacionárias, caíram na armadilha da repetição.

Como consequência, todos eles viram o PIB crescer abaixo da média mundial. A responsabilidade pelo fraco desempenho é sempre atribuída a crises: do México, da Ásia, do Lehman Brothers e outras. É fácil culpar os outros, mas o motivo é um só, é a cabeça dura, a aversão a mudanças.


O problema não é só de governos. O mundo vive uma revolução produtiva com novas tecnologias e os efeitos da globalização. A indústria nacional deveria se adaptar à nova realidade com integração e incorporação de inovações, porém as demandas do setor são proteção e desvalorização. Querem aliviar os efeitos, e não curar a causa.

É um padrão que se repete. Ilustrando o ponto: em 1990, quando os carros produzidos aqui foram chamados de carroças, houve protestos enfáticos. Mesmo assim, avançou-se com a abertura. Apesar das previsões catastróficas, o setor não quebrou, melhorou a qualidade, aumentou a variedade dos modelos e o preço dos veículos despencou. A mudança beneficiou os consumidores.

Outro exemplo é que, apesar do esgotamento precoce da oferta de crédito, com consequências desfavoráveis para a economia, se insiste na manutenção do modelo bancário. A aversão a mudanças não ocorre só no Brasil, ressobram exemplos em outros países, mas há honrosas exceções lá fora e aqui.

O Plano de Metas de Juscelino e o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), apesar de suas imperfeições, mostram que é possível mudar. No setor empresarial, o agronegócio é outro exemplo.

A alta no preço das commodities ajudou, mas o campo brasileiro fez sua lição de casa: uma transformação adotando inovações tecnológicas e de gestão dobrou sua produtividade.

As condições externas ajudaram, mas foi a revolução da porteira para dentro que fez do agronegócio a locomotiva do crescimento do Brasil. As projeções para este ano mostram que o PIB agrícola vai aumentar 7,6%; o de serviços, 2%; o da indústria, 1,3%; e na média, 2,3%. É vantajoso mudar (setor rural) e oneroso ser conservador (indústria). Evidentemente, há empresas e subsetores que souberam se adequar e outros não.

A repetição das políticas traz problemas que pareciam ter sido superados, como a alta da inflação, que sem as tarifas está rondando os 8% ao ano, a possibilidade de fuga de capitais, um crescimento baixo e a redução do potencial do País.

A realidade mudou, mas até o debate continua o mesmo. Situação e oposição, monetaristas e desenvolvimentistas e esquerda e direita analisam exaustivamente se o copo está meio cheio ou meio vazio. Dá na mesma, o fato é que está na metade e o Brasil pode se afogar nele, ou não. Urge mudar.
O requisito mais importante para uma transformação está presente e é uma insatisfação ampla e geral com a situação. Foi o que se viu nas ruas em junho e é o que se lê nos jornais e nas mídias sociais todo dia.

O cenário externo mostra um mundo em recuperação com dois conjuntos de países. Uns que anteciparam crises e se preparam para o pior, a China é um exemplo, e outros que tiveram um ajuste doloroso e estão se recuperando, a Irlanda ilustra o ponto, e este é o caso da maioria das nações.
O bom é que o pior já passou e, no ano que vem, o mundo vai crescer, o que gera um otimismo que acaba contagiando a todos. As projeções são de que a expansão do PIB mundial será de 3,6%; a das economias emergentes, 5,1%; da América Latina, 3,1%; e do Brasil, 2,5%. Não é ruim, mas não é bom. É pouco.

Se a economia tem pernas mancas porque é cabeça dura, então a solução é começar a fazer o futuro, em vez de reagir a ele. O Brasil poderia inovar e não esperar uma crise para mudar. A agenda é corrigir distorções, reformar o antiquado e criar um futuro.

Ano-novo, vida nova, feliz 2014!

Fonte: O Estado de S. Paulo, 23/12/2013

Criminalidade: De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade .


No país da Copa

Lamento que as vésperas do Natal, em vez de inspirar-me nele, tenha tido de escrever sobre temas tão ingratos

Se há um dado que se tem expandido entre nós é o protagonizado pela violência. As manifestações populares, grandes ou pequenas, tradicionalmente, terminam em passeatas ou coisa parecida. Agora, parece que devam ser concluídas com atos concretos de agressão ou dano; uma vitrina quebrada é uma conclusão digna de um tipo, como o incêndio de um veículo compõe excentricidade apropriada ao desfecho de outro.

A partir daí, tudo pode acontecer. Mas, se me ocupo deste fato é porque vi com meus olhos o termo de um jogo de futebol, quando número apreciável de pessoas ocupavam as bancadas da assistência e se convertia com convulsão de alta belicosidade; as cenas que a televisão perpetuou e veio a mostrar com rigorosa objetividade; cabeças humanas pisoteadas com requintes de selvageria.

Ora, quem vai assistir a uma disputa sabe de antemão que o seu clube pode ganhar, empatar ou perder. Sempre ouvi falar em espírito esportivo, mas nunca em conflito rude e isso tem acontecido, foi documentado e divulgado pela televisão.

Mas são esportistas ou torcedores, são grupos de marginais ocultos sob a camisa de times. O fenômeno não é apenas extremamente nocivo, mas até perigoso, porque envolve multidões e se sabe do que são capazes as multidões.


Este o fato que, se não estou em erro tende a generalizar-se, talvez por preparo de grupos para este fim. E isso me parece perigoso porque a violência tolerada não cessa de propagar-se, de concessão em concessão, pode chegar ao insuportável. De mais a mais, as sanções adotadas tem sido ineptas. Em um caso o agressor foi condenado a pagar uma cesta básica e em outra situação, um agente do Ministério Público proibiu (sic) que a polícia entrasse nos estádios…

De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade 
 
Outrossim, proibir o acesso dos agressores é praticamente inviável, dado que a massa humana que sai de casa para assistir o espetáculo esportivo, não há como se identificar pessoa por pessoa, que comparece com sua carteira ou entrada.

As cenas degradantes que assistimos no estádio de futebol são uma forma de reprodução do que vemos fora dele. Autores de furtos e agressões raramente são detidos e quando o são, logo ganham as ruas e ficam liberados. As penas de pagar cestas básicas são cômodas para quem as aplicam, mas tornam-se um convite a delinquir. A reincidência dos delitos é a prova da ineficiência do aparato repressor do Estado, que transforma os cidadãos em vítimas potenciais, vivendo acuados em casas gradeadas. A população está encarcerada, enquanto os infratores estão à solta.

De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade. A barbárie vista em Joinville é irmã do que assistimos nas ruas. Isso não é bom, e para não ficar pior, é preciso enfrentar o flagelo.

Lamento que as vésperas do Natal, em vez de inspirar-me nele, tenha tido de escrever sobre temas tão ingratos, mas isso revela quanto me feriram os sucessos mencionados. Espero sinceramente não tenha que desculpar-me outra vez pelos temas escolhidos nas vésperas do Natal e também de outras datas santificadas.

Para encerrar, eu me pergunto qual a impressão que eles despertam naqueles que em todo o mundo, procuram propagar as excelências dos esportes, quando na sede geográfica da próxima Copa do Mundo se assista cenas sub-humanas, exatamente no mais popular e enraizado esporte brasileiro.
Fonte: Zero Hora, 23/12/2013

Dilma vai a Davos para melhorar a imagem do Brasil.

Economia

Contra onda de pessimismo, Dilma vai a Davos

Presidente confirma presença pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, em janeiro

brasil247.com 24 Dezembro de 2013 - 08:23
Após adotar uma estratégia de aproximação como setor privado no Brasil, a presidente Dilma Rousseff começa o ano com uma grande missão: conquistar o empresariado e o comunidade financeira internacional.

A onda de pessimismo propagada pela imprensa tradicional e replicada por revistas internacionais como a Economist, tem causado desconfiança sobre a administração política brasileira.

Para interromper esse ciclo, a presidente confirmou presença, pela primeira vez, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro. Segundo Vera Magalhães, do Painel, da Folha de S. Paulo, presidente pretende mostrar-se aberta ao mercado e fará um discurso centrado no sucesso das concessões. Terá encontros com empresários e banqueiros.

Nos últimos dez anos, o Brasil ocupou um lugar de destaque no Fórum. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ganhar o prêmio de estadista do ano em uma das edições.

Em 2012, o governo brasileiro organizou uma festa avaliada em US$ 5 milhões para promover o País, mas sem a presença da presidente Dilma, que foi representada pelo ministro Guido Mantega.

Para esta edição, a entidade publicou um informe sobre as perspectivas para 2014. Para a América Latina, destaca a questão de desigualdade social, o baixo crescimento e a educação como os grandes desafios identificados por empresários de todo o mundo.

Dilma terá de dividir as atenções com o também presidenciável Eduardo Campos (PSB), que foi convidado ao evento e deve levar sua aliada, a ex-senadora Marina Silva.

A voz das ruas.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Provérbios contemporâneos - NELSON MOTTA

O GLOBO - 27/12

Em ano eleitoral, a fofoca vai atingir os seus níveis mais altos, e mais baixos, com os piores objetivos, e até sem motivos claros ou uniformes, como nos protestos de junho



Andy Warhol dizia que gostava de fofoca pelo seu duplo valor de informar tanto sobre a pessoa que está sendo falada quanto sobre a que está falando, porque ninguém se contenta em contar a novidade sem comentá-la e julgá-la, revelando seus gostos e sentimentos. Nos tempos de Andy, a fofoca era chamada brejeiramente de mexerico e corria de boca em boca ou por precárias comunicações, de fontes restritas e duvidosas, mas hoje se propaga instantanea e incontrolavelmente, usando a sua origem como prova de sua veracidade: está na internet!

O ancestral “diz-me com quem andas e te direi quem és”, ainda atualíssimo para a avaliação de políticos, hoje é aplicado aos sites, blogs, twitters e seriados para monitorar o que segues e saber como és. No formato “diz-me do que gostas e não gostas”, serve não só para dizer quem és, mas até o que queres, antecipando os teus desejos baseado no que já compraste, e assim facilitando tuas escolhas — de mais do mesmo.

A linguagem proverbial é antiga, mas o moderno poder de se informar e de comprar o que quiser e escolher em que fontes beber na rede vai permitir que as tuas escolhas revelem quem és e como vives. Principalmente para te venderem o que não precisas. Diante do que vivemos hoje a temida monitoração onipresente do Big Brother de “1984” parece coisa de adolescente, no máximo, de programa de televisão.

Em ano eleitoral a produção e a disseminação de fofocas vão atingir os seus níveis mais altos, e mais baixos, com os piores objetivos, e até sem motivos claros ou uniformes, como nos protestos de junho. Com os dados cada vez mais detalhados e ampliados de que dispõe sobre o eleitorado, o marketing das campanhas vai vender seus produtos e tentar motivar os consumidores fiéis e atrair os insatisfeitos, com o empobrecimento do debate político e do confronto de ideias.

Só espero que os políticos de todos os partidos não continuem a dizer na televisão que “ouviram a voz das ruas”, porque foi justamente contra eles, seus privilégios, sua corrupção, sua ineficiência e impunidade que as ruas e as redes gritaram. E vão gritar nas urnas.


Divida externa brasileira bate recorde.!


Dívida externa bate recorde: US$ 482 bilhões; débitos aumentam 37% Analistas alertam para o fato de mais de um terço do endividamento vencer entre 2014 e 2015, período de mudança na política monetária dos Estados Unidos, que deve elevar o dólar e a aversão ao risco Brasil.Cresce a desconfiança do capital estrangeiro em relação ao Brasil.



Diego Amorim

Publicação: 27/12/2013 07:10 Atualização: 26/12/2013 21:23
 
O Brasil chega ao fim de 2013 colecionando indicadores preocupantes. Não bastassem o crescimento pífio e a inflação bem acima da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, a dívida externa bruta atingiu, em novembro, o maior valor desde o início da série histórica do Banco Central, em 1971. São US$ 482 bilhões em débitos no exterior, incluindo as faturas do governo, dos bancos, de empresas e os empréstimos intercompanhias, ou seja, aquelas transações feitas geralmente entre as filiais de multinacionais no Brasil e suas sedes fora do país.

Somente na era Dilma Rousseff, iniciada em janeiro de 2011, a dívida externa brasileira registrou um salto de 37%. Em valores absolutos, cresceu US$ 130,2 bilhões, complicando um quadro que era considerado confortável até então. Mesmo os saldos do setor público, que vinham chamando a atenção por apresentar quedas expressivas ao longo do ano, terminarão 2013 em alta, retornando ao patamar de cinco anos atrás, com US$ 64,6 bilhões acumulados.

O recorde, por si só, já seria suficiente para acender de vez o alerta em relação à dívida do país no exterior. Mas o cronograma do vencimento desses débitos, detalhado pela autoridade monetária, torna a situação mais delicada. Um terço do saldo total — US$ 157,2 bilhões — vencerá nos próximos dois anos, período de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e de desconfiança acerca do próximo governo por aqui.

Os cientistas afirmam que a " Escassez de agua no planeta será o maior problema da humanidade"...(mas em Brasilia os governantes não se importam).

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Prognósticos do passado - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 27/12
Sabe o que mudará na sua vida caso você se vista de branco no réveillon? Provavelmente, nada. E azul? Também. E rosa? Nadinha de nada. Sério: como fazemos nossas próprias crenças, precisamos brincar disso - e com isso, claro. Que tal, então, fazer prognósticos e não listinha de resoluções para serem ignoradas logo em janeiro? Como serão as décadas, os anos, os meses vindouros?

Fábio Gandour, diretor brasileiro de uma importante empresa de tecnologia, acha, por exemplo, que a escassez de água no planeta será o maior problema da humanidade. Seu cenário é montado sobre o átomo, cujo número é constante. Como a população segue aumentando, vai diminuir a quantidade de átomos por habitante. E quais átomos vão faltar primeiro? Hidrogênio e oxigênio conectados numa molécula chamada água, defende ele. A Ásia, conta Gandour, será o primeiro continente a sentir a falta dela. "Isso não é uma especulação. É aritmética", garante o pesquisador.

Esse tipo de análise é assustador. No entanto, o que mais mete medo é o fato de governantes serem extremamente lenientes com essas previsões. 

Em relação a Brasília, por exemplo, vale questionar: em qual futuro desembocará a nefasta soma de vias e mais vias asfálticas com mais prédios e uma crescente e quase enlouquecida venda de carros? Em mais engarrafamentos, mais estresse, mais acidentes. Sim, obviamente, essa é a análise do pessimista, mas está baseada em percepções relevantes, em avaliações históricas, no simples olhar ao lado.

(....)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Brasil:Paraiso dos corruptos.



O paraíso dos corruptos

Autor: Gil Castello Branco



Parodiando, às avessas, Milton Nascimento — na canção “Nos bailes da vida” — dizem que o corrupto vai onde o dinheiro está. Assim, os encontros de funcionários públicos desonestos com comerciantes venais, infelizmente, não são raros.(...).

O governo federal é o maior comprador do Brasil. No ano passado (2011) gastou aproximadamente R$ 12,5 bilhões adquirindo materiais de consumo e R$ 33,2 bilhões contratando serviços de terceiros.

Como a “bola da vez” são os hospitais, só com material farmacológico, hospitalar e laboratorial foram pagos quase R$ 5 bilhões em 2011. Mas compra-se de tudo. Das lanchas-patrulha, que pescaram doações eleitorais em Santa Catarina, ao Ford Edge, fabricado no México, que serve à Presidência da República. Nos carrinhos de compras dos órgãos públicos não é impossível encontrar chicletes, essência para sauna, obras de arte e até cachaça. O megamercado interessa a muitos. Do contraventor ao senador.

Na contratação de serviços de terceiros não é diferente. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário gastam, por ano, cerca de R$ 375 milhões com vigilância e R$ 486 milhões com limpeza, apenas para dar alguns exemplos de alvos da moda. Se incluirmos a aquisição de equipamentos, o mercado brasileiro é tão interessante que provoca alvoroço até no exterior, como acontece na compra dos aviões caças para a Força Aérea Brasileira.

As irregularidades ocorrem em todas as formas e fases das licitações.

Nas dispensas indevidas, nas emergências planejadas, nos concursos e concorrências armados e dirigidos, e até nos pregões presenciais e eletrônicos que também não são imunes às fraudes. Vale tudo para que sejam geradas “gorduras” distribuídas na forma de propinas entre as partes. Nesses casos não há anjos. Há corruptos públicos e privados, nos dois lados do balcão.

A Lei que regula as compras e contratações (Lei 8.666/93) tem 19 anos, 121 artigos e muitos remendos.

Cria inúmeras formalidades e enorme burocracia, mas não evita as fraudes cometidas pelos mal intencionados.

Parte do problema, portanto, é melhorar a legislação.

o governo não possui sistema nacional de registro de preços confiável, com valores justos para cada item licitado
 
A farra da moda são as adesões às atas de registros de preços, também chamadas de “caronas”. A brecha legal permite ao fornecedor vencer licitação em uma repartição pública e posteriormente vender o mesmo produto, durante um ano, a vários outros órgãos.

A tese do “onde passa um boi, passa uma boiada”, tem falhas. O “registro vencedor” e a perspectiva de vendas futuras valem ouro e geram negociatas. Além disso, como o preço varia conforme a quantidade, é óbvio que a economia de escala beneficia so famente o comerciante. Uma boa ideia seria limitar o valor da carona até, no máximo, o dobro do valor da licitação original. Outra sugestão saneadora seria acabar com os pregões presenciais — que não têm qualquer vantagem sobre os eletrônicos — e dão margem às combinações prévias.

Pior que a legislação, porém, é a gestão.

Mesmo comprando há vários anos, o governo não possui sistema nacional de registro de preços confiável, com valores justos para cada item licitado. Se tivesse, qualquer preço estranho, fora do intervalo padrão, seria detectado. A área de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com frequentes alterações de chefias e estrutura administrativa, ainda não conseguiu normatizar e gerir com eficiência os negócios governamentais.

O exemplo de que as inovações são possíveis vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ao comprar ônibus, bicicletas, vestuário, tablets, mesas e carteiras, entre outros itens, para 54 milhões de alunos o FNDE passou a adotar sistemática moderna. Definiu tecnicamente — em parcerias com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) e universidades — o que precisava adquirir, contratou pesquisas de mercado, realizou audiências públicas com fa bricantes e fornecedores e criou comitês de compras. Dessa forma, tem adquirido em pregões eletrônicos produtos padronizados, com qualidade atestada, por preços, em média, 20% inferiores aos oferecidos na praça.

O fato é que urgem mudanças na legislação, no planejamento e na gestão das bilionárias compras e contratações da administração pública federal, das estaduais e das municipais. O que assistimos na televisão é apenas o véu da cachoeira desse submundo.

Fonte: O Globo, 03/04/2012

A tempestade perfeita.

O dia de ontem foi pródigo em manifestações das mais variadas espécies sobre um só motivo: o receio de que as manifestações de junho passado voltem a tomar conta do país. Quem primeiro revelou essa preocupação recôndita foi o ex-presidente Lula, cuja língua solta acabou traindo-o no discurso de improviso que fez ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo.

Ao se auto-elogiar por ter autorizado o funcionamento da Universidade, Lula alertou a presidente Dilma, presente ao evento na qualidade de coadjuvante, como sói acontecer quando os dois estão juntos: “Depois que ele se forma doutor, não espere que ele ficará agradecido. Ele vai para a rua fazer manifestação contra você”.

Para evitar isso, Lula disse que só existe uma maneira: “garantir que, depois de formado, ele possa aperfeiçoar seus estudos e o emprego do sonho dele. Quando ele conseguir isso, pode estar certa de que ele não vai mais sair para passeata”.

Portanto, Lula sabe que as passeatas foram contra o governo, e admite publicamente que é preciso fazer mais do que simplesmente criar universidades sem estrutura e sem projeto de educação.
Em seguida foi o prefeito do Rio Eduardo Paes que confirmou o aumento de passagens de ônibus no ano que vem, inevitável por previsão contratual. Mais uma vez as manifestações populares de junho, que começaram a partir de um movimento contra um aumento de R$ O, 20 centavos nas passagens de ônibus – que, aliás, havia sido adiado a pedido do governo federal para segurar a inflação – voltaram a rondar a conversa quando o Prefeito disse que a redução ocorrida este ano “por motivos óbvios” não poderia ser mantida por muito mais tempo.

Para completar o cardápio, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke admitiu que as manifestações populares de junho quase tiraram a Copa do Mundo do Brasil. Na Costa do Sauípe às voltas com o sorteio das chaves da Copa do Mundo e os atrasos dos estádios de futebol brasileiros, Valcke relembrou que houve um momento em que se pensou em suspender a Copa das Confederações, o que tecnicamente levaria à mudança da sede da Copa de 2014.

Pois todos esses fatores estarão de volta ao cenário brasileiro no próximo ano, e com ingredientes da economia internacional que podem pressionar a combalida economia nacional. Seria a “tempestade perfeita”, raro fenômeno meteorológico que conjuga fatores climáticos produzindo ondas gigantescas e ventos de quase 300 km/h, como aconteceu em 1991 no Caribe.
Em economia, dá-se esse nome à conjunção de fatores internos e externos que pode abalar um país. Com a perspectiva de reversão da política monetária fortemente expansionista do governo dos Estados Unidos através do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), e os problemas fiscais vividos pelo país, teme-se que uma “tempestade perfeita” atinja o Brasil no próximo ano, exacerbada pelas questões políticas internas.

Justamente quando estará em disputa a reeleição da presidente Dilma, que, por isso mesmo, não terá margem de manobra para reduzir gastos públicos. Há estudos que demonstram que historicamente a utilização de políticas monetárias, fiscais e cambiais com claros objetivos político-eleitorais gera Ciclos Políticos de Negócios (CPNs), cuja principal característica é a redução do desemprego em períodos pré-eleitorais, com o objetivo de proporcionar um ambiente positivo capaz de influenciar o resultado eleitoral.

Após esse período de crescimento, no entanto, o período pós- eleitoral é caracterizado por inflação em alta, cuja conseqüência é a adoção de políticas macroeconômicas contracionistas. No Brasil temos pleno emprego em uma economia que cresce a ritmo de pibinho, com previsão de piorar no próximo ano. E já temos inflação alta.
Todo o esforço da presidente Dilma será atravessar o ano sem que as diversas crises previstas afetem sua possibilidade de reeleição. Seja quem for o vencedor, porém, terá um 2015 caótico pela frente.

Presente de Distrital


Se existisse um presente absolutamente rejeitável, seria o criado na oficina da Câmara Legislativa. Em dobradinha com o GDF, o pacotão seria para os contribuintes brasilienses arcarem com uma conta de mais de R$ 120 milhões referentes às rescisões trabalhistas dos rodoviários dispensados das empresas privadas que não fizeram o dever de casa.

O papel dessas empresas de transporte público nunca foi prestar um bom serviço à comunidade. Em compensação, nunca falharam durante as campanhas políticas do DF.

O mais bizarro nesta história de Natal que se transformará em história de ano-novo é que os distritais, que deveriam honrar a confiança dos eleitores, preferiram proteger os maus empresários, espetanto a fatura nas costas do contribuinte.

Manipulados pelos antigos patrões, os rodoviários ainda ameaçaram paralisar toda a cidade. Em meio a tentativa de lockout dessas empresas, o Conselho do Tribunal de Justiça do Distrito Federal acolheu o pedido de liminar interposto pela OAB e pelo Ministério Público, decidiu suspender a responsabilidade do DF por verbas trabalhistas de rodoviários, até que seja apreciado o mérito da questão.

Foi necessária a intervenção da OAB e do MP para que a população fosse colocada a salvo desse presente de distrital.

Num balanço rápido de 2013, as três principais tentativas da Câmara Legislativa de lesar o cidadão (PPCub, Luos e indenização dos rodoviários) tramadas neste ano ainda não tiveram o êxito que esperavam os políticos. Em 2014, cabe ao eleitor cidadão retribuir o descaso com o voto bem dado.

A frase que não foi pronunciada

“Os políticos estão sempre pensando no próximo... mandato.”

O presente de Natal que eleitores do DF querem dos politicos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013


O Correio Braziliense percorreu o centro da cidade pedindo a cidadãos que depositassem numa urna votos de natal para os políticos em 2014
A voz da ruas quer ser ouvida 
Em um ano marcado pelos protestos no país, brasilienses depositam em uma urna pedidos ao Papai Noel. Fim da corrupção e mais investimentos em saúde, educação e transporte são as principais demandas.
Julia Chaib
Os presentes de Natal que a população espera dos políticos em 2014 são antigos conhecidos de Papai Noel. Com uma urna, o Correio percorreu o centro de Brasília para saber o que o eleitor quer para o ano que vem. A maioria dos desejos são por honestidade, pelo fim da corrupção, mais investimento em saúde, educação e transporte público. Muitos desses pedidos já haviam emergido das ruas, quando o “gigante acordou” por algumas semanas no meio do ano, mas seguem sem solução. São demandas que devem perseguir os políticos no próximo ano, que será marcado pela Copa do Mundo e pelas eleições.
Na avaliação do cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília, os desejos da população são aspirações permanentes de que os políticos ajam com mais correção e cumpram as promessas feitas. “São quase solicitações, que não precisariam sequer serem pedidas, mas acabam sendo para o brasileiro, porque estamos longe de ter um padrão de performance política. A insatisfação é latente e muito grande”, analisa João Paulo Peixoto, que estuda o funcionamento das instituições públicas.
Peixoto acredita que, mesmo com um recuo nas manifestações, o ano que vem será marcado por mais protestos. “Certamente, será um ano eleitoral de desafios para os candidatos. Há dois polos que estimulam os atos: as eleições e a Copa do Mundo. É natural que as pessoas interessadas em se fazer ouvir e enxergar aproveitem para colocar os pedidos em panos quentes”, diz. A estudante do ensino médio Gabriela Faria Mendes, 18 anos, faz parte do perfil de jovens que participaram das manifestações neste ano. Ela diz que fará questão de ir aos protestos no ano que vem.

 “Espero transparência política. Gostaria que os políticos tivessem mais consciência popular. Que ouvissem mais o que a população pede.”

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, doutor em direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), também acredita que 2014 será palco de protestos. Para o especialista, os atos de 2013 foram uma manifestação generalizada em torno da qualidade dos serviços públicos e um divisor de águas na política. “Ninguém esperava pelos protestos. A presidente Dilma levou de três a quatro dias para fazer um pronunciamento oficial sobre o assunto. Ficamos assistindo a um embate entre manifestantes e polícia, sem que nenhuma autoridade se pronunciasse”, diz o cientista, que é integrante do Instituto de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).
O ano de 2013 também entrará para a história como o da prisão dos políticos envolvidos no processo do mensalão, esquema de compra de votos no Congresso Nacional durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, para algumas pessoas ouvidas pelo Correio, o julgamento não foi suficiente para assegurar o fim dos malfeitos.

De 50 cédulas depositadas na urna, os pedidos por honestidade e fim da corrupção lideraram os desejos. O ajudante de cozinha e estudante de direito Fernando Mascarenhas, 28 anos, quer mais honestidade. “Gostaria que os políticos honrassem a palavra deles e cumprissem o que prometem quando vão pedir votos à população”, disse, antes de depositar a cédula na urna. A arquiteta Flávia Portela, 52 anos, também espera mais competência dos governantes. “Que haja menos apadrinhamento e mais seriedade nas decisões”, disse.
Depois de honestidade e fim da corrupção, o pedido que mais apareceu foi o investimento em saúde. 

“E uma área que precisa de atenção”, disse o técnico em secretariado Elisvaldo Rocha, 28 anos, que depositou a cédula com a sobrinha Maria Eduarda Nunes Magalhães, 12 anos, e a amiga da menina, Giovana Fernandes Teixeira, 9 anos. Segundo Monteiro, as pesquisas de opinião geralmente colocam a saúde como a principal preocupação da população, seguidas por preocupação com segurança, transporte, emprego e educação. “Mais uma vez, as pessoas estão dizendo, as prioridades estão aí, estão colocadas, vocês (os políticos) que não querem ver, não querem enxergar.”
Mais investimento em educação e transporte são anseios que aparecem logo depois de saúde. Consciência dos políticos e compromisso com a população, transparência, cidadania e justiça também são qualidades esperadas para o ano que vem. Em duas cédulas, o recado pede por melhorias em presídios. O setor recebeu mais atenção nas últimas semanas, com a prisão de condenados pelo mensalão e de vantagens concedidas a alguns deles na Papuda. “A comida é muito ruim”, diz uma das notas. Ainda apareceram entre os desejos o fim do voto secreto, investimento em políticas para deficientes físicos e respeito ao Estatuto do Idoso.

Fonte: Correio Braziliense

Ambientalismo. Lares Gays.

Um estudo recente levado a cabo pelo professor-adjunto Mark Regnerus, da Universidade do Texas, revela o quão perigosa a vida duma criança criada por duplas homoeróticas pode ser:

- A pedofilia paternal está amplamente disseminada: 23% das crianças com uma mãe lésbica reportaram terem sido sexualmente tocados por um dos adultos da dupla homossexual, em comparação com 2% das crianças que foram criadas pelos pais biológicos.

- A violação existe em números galopantes: 31% das crianças criadas por uma mãe lésbica, e 25% das criadas por um homem homossexual reportaram terem sido forçados a levar a cabo atos sexuais contra a sua vontade, comparados com os 8% criadas pelas famílias intactas.

- As DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) são epidêmicas: 20% daqueles criados por duas mulheres e 25% daqueles criados por dois homens reportaram terem contraído uma DST, comparados com os 8% que foram criados pelas famílias naturais.

- As tendências suicidas são assustadoras: 24% das crianças criadas por homens homossexuais e 12% das crianças criadas por lésbicas admitiram terem contemplado o suicídio, comparadas com as 5% das que foram criadas pelo pai biológico e pela mãe biológica ou mesmo um pai solteiro ou mãe solteira.

Cientificamente falando, o estudo, publicado na revista Social Science Research e que inquiriu cerca de 3 mil jovens adultos, é provavelmente o mais digno de credibilidade já feito em torno deste tópico.
Regnerus recolheu estes dados de forma aleatória junto dos jovens adultos, enquanto que os outros estudos recolheram os seus dados de uma forma não-aleatória e não-representativa através de pequenas amostras recrutadas em eventos lésbicos, livrarias ou até jornais lésbicos. Para além disso, fez as suas pesquisas junto às crianças criadas por homossexuais, e não junto aos homossexuais em si.

Mat Staver, fundador e presidente da "Liberty Counsel", afirma:

O estudo prova o que sempre se soube - que as crianças desenvolvem-se de uma forma bem melhor quando são criadas pelos pais biológicos (...)
Deveríamos estar a aprovar leis que fortalecem a família, e não leis que a fragilizam.
As crianças educadas em lares onde o homossexualismo, ou outros comportamentos homossexuais estão presentes, enfrentam riscos acrescidos.
A política das uniões entre pessoas do mesmo sexo afirma que os pais e as mães são irrelevantes para o bem estar da criança. A experiência das uniões entre pessoas do mesmo sexo revelar-se-á desastrosa para as crianças.

Publicado na Charisma News - http://www.charismanews.com/ 

Mídia Sem Máscara-Olavo de Carvalho

Feliz 2014!

Prezados,

A Associação Park Way Residencial deseja a todos os amigos do Park Way e a todos aqueles que aspiram por uma cidade com mais verde e ar puro, com menos poluição e criminalidade, um  feliz 2014!!

O abraço amigo da Flavia e do meu querido filhão Carlos Guilherme.

Associação Park Way Residencial

Ando por aí e só vejo trenós, constelações de estrelas, toneladas de algodão, multidões de papais-noéis, pilhas de caixas embrulhadas para presente. E quase não vejo presépios ou mensagens que lembrem o fato que faz a festa: o nascimento de Jesus.

Estou cada vez mais convencido de pertencer a uma espécie em extinção, a merecer legislação protetora e severa defesa por alguma ONG preservacionista. Alguém dirá que incorro em exagero, mas não. Minha espécie está sendo extinta e o que torna a situação mais dramática é que isso se dá com a aquiescência e a colaboração dos próprios membros do grupo. Sem perceberem o tamanho da encrenca, eles estimulam o processo de eliminação desencadeado sobre si e acionam os gatilhos das metralhadoras verbais que seus predadores usam para destruí-los. 


Pertenço à raríssima espécie dos conservadores, e, como tal, sou pela ordem, pela justiça e pela liberdade. Não gosto que invadam o que é meu nem o que é dos outros. Defendo a da instituição familiar e os valores do cristianismo. Atribuo importância à disciplina e a uma especial deferência aos idosos. Julgo que as mulheres são credoras naturais da cortesia masculina. Desagrada-me a violência e seu uso em substituição ao processo político e democrático. Sou contra as utopias e creio que as mudanças sociais devem ser produzidas no contexto das instituições, preservando-se o que tem comprovado valor moral e utilidade prática. 

Sou conservador porque a história me ensina que é de tais conteúdos e condutas que provêm a paz, o progresso, a harmonia social e os princípios em que melhor se aciona a democracia. É neles que se inspiram os maiores estadistas da humanidade. Sou conservador e percebo, contristado, que, colocando-se ao gosto da moda e cedendo ao impacto da cultura imposta pelos nossos predadores, muitos que pensam como eu reproduzem, inocentemente, o discurso que os condena à extinção. 

Agora, por exemplo, é Natal. Mesmo? Olha que ando por aí e só vejo trenós, constelações de estrelas, toneladas de algodão, multidões de papais-noéis, pilhas de caixas embrulhadas para presente. E quase não vejo presépios ou mensagens que lembrem o fato que faz a festa: o nascimento de Jesus. Mas como eu sei que é Natal e sou conservador insisto em desejar aos leitores que ele ganhe, em seus corações, o sentido almejado por Deus em sua radical e santificadora intervenção na História humana.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Chega de tanto imposto!!!!!


Da Inconfidência Mineira ao
“Chega de tanto de imposto”!

O que mudou 222 anos após o levante mineiro do final do século XVIII??


Sabidamente um dos maiores movimentos libertários realizados na história do Brasil, foi a Inconfidência Mineira. A elite mineira, cansada da subserviência econômica, social e cultural ao Reino de Portugal, da derrama fiscal e do chamado “quinto”, ou seja, a tributação exercida pela Coroa Portuguesa sobre a atividade mineira, que atingia a um quinto da produção de minérios gerada, insurgiu-se ante a voracidade fiscal praticada à época.

Passados 222 anos desde então, pouco mudou. Ou melhor, mudou para pior: O que era um quinto passou para dois quintos, ou seja, a carga tributária que correspondia a 20% da riqueza gerada naquele período, praticamente dobrou, passando a perto de 40% do PIB. “Chega de Tanto Imposto!” Esse é o clamor da sociedade contribuinte.

Em suma, podemos dizer que a manutenção da cada vez mais inchada máquina pública da República tupiniquim custa duas vezes mais do que manter o Império tupiniquim.

Na verdade, estamos diante da anatomia de um retundo fracasso das instituições governamentais, revelando por vezes uma forma de sucumbência dos poderes constituídos, que se transformaram em veículos para a obtenção de ganhos privados em prejuízo da sociedade contribuinte (famílias e empresas) que verdadeiramente paga a conta através da cada vez maior voracidade fiscal que recai sobre ela, uma pesadíssima carga tributária, que reduz a renda pessoal disponível para o consumo de bens e serviços e a capacidade de investimentos das empresas.

Direto ao ponto: é preciso que se diga e que se saiba que o cerne do problema é o Estado paquidérmico, autofágico, perdulário e ineficiente, que resulta da sua já intolerável voracidade fiscal. 

 Ora, um Estado que gasta muito e que principalmente, gasta mal, acaba inexoravelmente tornando-se deficitário e, para financiar seu déficit, contrai endividamento através da emissão de títulos da dívida pública, daí, a necessidade de manter os juros num patamar real alto e atraente ao público que adquire no mercado, papéis rentabilizados à taxa Selic, para fins de manter em movimento a rolagem da dívida pública em poder do público que hoje atinge a R$1,7 trilhão.

Tem-se aí, uma verdadeira relação prazerosa entre o Tesouro Nacional, Banco Central e os bancos visando manter o país solvente.

Mormente, para que o Brasil alcance uma posição de destaque no planeta globalizado, urge a necessidade de avançar de forma célere e profunda nas reformas estruturantes. Aliás, neste aspecto, cabe destacar que sem uma reforma pelo lado da despesa pública, não haverá um equacionamento da questão fiscal de forma a gerar um ajuste fiscal duradouro, situação tal, que tem sido um forte entrave para uma expansão mais vigorosa e duradoura do PIB e a conseqüente geração de oportunidades de negócios, trabalho, renda, bem estar, enfim, prosperidade econômica e desenvolvimento humano. 

Veja-se, por exemplo, o que dizia o próprio sagrado guru econômico das esquerdas, Karl Marx, no seu clássico, “As lutas de classe na França”: “… O incremento da dívida do Estado interessava diretamente aos que governavam e legislavam através das Câmaras.

O déficit do Estado era precisamente o verdadeiro objeto de suas especulações e a fonte principal de seu enriquecimento. As enormes somas que passavam pelas mãos do Estado davam, além disso, oportunidade para fraudulentos contratos de fornecimento, corrupção, subornos, malversações e ladroeiras de todo gênero”. É, portanto, o próprio Marx quem alertou para o fato de que a corrupção endêmica é filhote da escalada de gastos estatais. Eis aí uma importante lição a ser aprendida pelos nossos governantes.

Não podemos levar 20 anos para fazer as reformas. O último trem está passando, o trem da dinâmica demográfica, uma vez que o país conta hoje e nas próximas duas décadas, do maior contingente populacional em idade produtiva, gente que tem que ser educada, capacitada e qualificada para fins de preencher milhões de vagas de trabalho que são ofertadas pelas empresas no mercado de trabalho e que não são preenchidas justamente por falta absoluta de competências e habilidades, enfim, qualificação. 

Sem um salto educacional, o cenário de bônus demográfico não será aproveitado e logo adiante, será substituído pelo cenário de ônus demográfico, com a população inativa atingindo expressivos contingentes e o nefasto risco de envelhecermos pobremente.

O mundo não vai esperar pelo Brasil! 

Primeiro, temos que definir qual é o tamanho de Estado que a sociedade contribuinte topa suportar. 

Mormente, surge como inexoravelmente necessária a realização de uma reforma fiscal, completa e profunda, tanto pelo lado da despesa pública, que precisa de um verdadeiro choque de gestão, reduzindo o tamanho do estado, de forma a torná-lo mais enxuto, principalmente no sentido de qualificar o gasto público, quanto do lado da receita, realizando uma reforma tributária que mude radicalmente o atualmente caótico sistema tributário, simplificando-o e reduzindo a pesadíssima carga tributária que recai sobre os ombros da sociedade contribuinte. 

Aliás, o atual sistema tributário é uma verdadeira “tapera fiscal”, como bem adjetivou o saudoso ex-senador e ex-ministro Roberto Campos. Já um moderno sistema tributário deve ser alicerçado sob uma estrutura de composição de tributos que sejam insonegáveis, justos, econômicos e, sobretudo, respeitando a capacidade contributiva. 

Sobretudo, urge a necessidade de buscar-se a construção de um novo sistema tributário o qual permita eliminarem-se as distorções que o atual e caótico (“tapera fiscal”) sistema provoca. Enfim, tanto a sociedade contribuinte do país, quantos aqueles que podem e devem se beneficiar do quantum arrecadado anseiam sobejamente por um novo sistema tributário que, preferencialmente – através da adoção de políticas racionais, eficazes e eficientes para fins de redução das desigualdades e das grandes mazelas sociais que tanto constrangem e envergonham a todos nós. 

Entre tais mazelas, ressalte-se o altíssimo contingente populacional que vive abaixo da linha de pobreza absoluta; do não menos vergonhoso e gigantesco déficit habitacional, visto as condições de habitabilidade até mesmo desumanas que é vivido por grande parte dos “cidadãos” brasileiros, dado a falta de saneamento básico e as condições precárias de moradia, além é claro das péssimas condições de saúde que advém justamente da precariedade habitacional e, por fim, mas não menos importante, o baixo nível de escolaridade média da população, a qual se reflete na baixa produtividade média do trabalho na economia e o conseqüentemente baixo índice de empregabilidade, renda e competitividade das empresas, o que resulta em ampliação da informalidade, da precarização do mercado de trabalho, aumento da desigualdade socioeconômica e do subdesenvolvimento. 


O novo sistema tributário do país deve ser sustentado pela criação de um pacto federativo com equidade na repartição do bolo tributário arrecadado entre as diversas esferas (União, Estados e Municípios), que seja compatível com as obrigações e atribuições constitucionais de cada ente federado.

O atual sistema de alocação dos recursos arrecadados é um dos principais fatores condicionantes da deterioração das finanças públicas estaduais e municipais, situação que estimula e potencializa a guerra fiscal, uma vez que, 66,8% do bolo tributário ficam com a União; 27,3% com os Estados e apenas 5,9% com os municípios (ex-ante as transferências constitucionais obrigatórias).

Neste contexto, vale lembrar um célebre ensinamento de Maquiavel, em “O príncipe”, sobre as dificuldades e perigos da instituição de uma nova ordem de coisas e que ainda vigora com plena força. Isso porque os beneficiários da ordem antiga lutarão bravamente para mantê-la e os que se beneficiarão da nova ordem irão defendê-la tibiamente porque não tem certeza dos seus benefícios. 

Tal situação explica, em parte, as dificuldades quase que intransponíveis de se implementar uma profunda, completa e indelevelmente necessária, reforma fiscal e não somente uma reforma tributária, precedida de um real e equânime pacto federativo.

Além disso, é preciso reduzir o custo da arrecadação, que hoje implica num desperdício equivalente a 5% do PIB; simplificar o processo de tributação, que atualmente é extremamente oneroso, tornando-a transparente e facilmente atendido e aceito por todos, o que vale lembrar, constitui-se num princípio tributário dos mais importantes, qual seja, o da aceitabilidade; corrigir as distorções causadas pela alta tributação sobre o salário; eliminar a economia subterrânea/invisível e sua resultante concorrência desleal e predatória; desonerar tributos na exportação, ampliando sua competitividade e finalmente, impor ao bem importado, imposto igual ao que incide no bem produzido internamente, já que a prática do livre comércio, infelizmente ainda é uma utopia do liberalismo clássico na atual ordem (ou será desordem?) econômica mundial, dado ao grau de protecionismo vigente. 

Se houver vontade política, determinação, empenho e ações executivas do governo junto aos interlocutores adequados, podem ser implantados um novo sistema tributário, incorporando novos paradigmas e conquistas tecnológicas que já permitem o automatismo da apuração, a impossibilidade da sonegação e a redução, a praticamente zero, dos gastos na cobrança dos tributos. 

Tal sistema, que garantirá a receita necessária ao equilíbrio fiscal permanente (no caso da implementação de uma reforma fiscal aos moldes aqui propostos), permitirá a desoneração total das exportações, bem como a isonomia fiscal entre os bens importados e aqueles que aqui são produzidos, colocando-nos em relação a essa matéria, na vanguarda da competitividade em relação aos nossos principais concorrentes no comércio mundial, e ajudará a libertar-nos das dependências externas e internas da nossa economia, ais quais hoje nos limitam, flagelam e nos empobrecem. 

E isso pode ser obtido até mesmo com a redução da carga suportada pelos que hoje contribuem, posto que, além da enorme economia na arrecadação, um dos pontos chaves de tal sistema é a eliminação da sonegação sem a necessidade de fiscalização, o que significa dizer que, passando a alcançar os 50% que hoje não pagam, pode-se, em proporções assemelhadas, aliviar a enorme carga dos que pagam e, principalmente, reduzindo o elevadíssimo índice de pressão ou também chamado de esforço fiscal (relação da carga tributária com a renda per capita) que é requerido dos contribuintes, a maior dentre todos os chamados países de economias emergentes, os quais têm o mesmo nível da nossa renda per capita, sem diminuir o quantum de arrecadação.

Devemos sim acreditar que o alcance desse objetivo não é nenhum desejo atávico, mas sim, uma real possibilidade a ser atingida.

No tocante à União, vale registrar que em 1991 (época do conturbado governo Collor) as despesas correntes representavam 13,7% do PIB. Passados diversos governos desde então, com vários matizes político-ideológicas, tal número atingiu no ano passado a 25,8% do PIB e o que é pior: com clara e nefasta tendência de crescimento. 

Por fim, cumpre lembrar aqui os três conselhos dados pelo consagrado economista Milton Friedman e válidos para qualquer governo: gaste menos, regule menos e cobre menos impostos.

A grande chance!!!!!

A grande chance
 Marcelo Moura
Editor-executivo do Jornal de Brasília



Ano novo, vida nova. Será? Depende. Em 2014, pode esperar, haverá inundações nas mesmas áreas onde, em 2013, houve ou estão ocorrendo alagamentos neste momento.


Assim como a seca, agravada pela falta de recursos, vai castigar as mesmas cidades que penalizou em 2013.


Em 2014, a dengue vai atingir as mesmas cidades que atingiu em 2013, por falta de prevenção. 

Da mesma maneira, os crimes em 2014 serão numerosos nas mesmas regiões em que os números de ocorrências foram preocupantes em 2013.

E, para completar, os atendimentos médicos, que deveriam atender satisfatoriamente a todos, continuarão a ser um problema para as pessoas que sofreram de carência, nessa área, em 2013.


E os preços, subirão? Segundo os índices oficiais, não. Mas pegue sua carteira e vá às compras. Nada ficará no lugar, mantendo os mesmos valores do início do ano. 

E, assim como em 2013, em 2014 os índices inflacionais serão aceitáveis, muito embora o que a população sentirá no bolso passe bem longe disso.


Em 2014, por mais que se propale o crescimento econômico e social do País e a qualidade de vida do brasileiro, fome, drogas, doença, desemprego e falta de segurança e de educação serão fantasmas batendo na porta de cada um de nós.

Todo esse pessimismo é para dizer que, em 2014, apesar da Copa do Mundo no Brasil, apesar do risco de ganharmos o sexto título, só haverá mudanças no Brasil e na sua comunidade se, no fim do ano, o eleitor pensar muito bem antes de escolher seus representantes. E, ainda assim, se as opções disponíveis não forem mais do mesmo, meros títeres nas mãos de alianças e conchavos que, posteriormente, venham a travar qualquer boa intenção primeva.


A grande chance de virada tem de ser, sempre – embora isto nunca aconteça –, muito bem aproveitada. Está nas pontas dos dedos de todos os eleitores!


Eles só agem sob pressão!

Eles só agem sob pressão

Os jornais noticiam diariamente o espetáculo de terror encenado pelos ônibus no trânsito da cidade, avançando sinais, parando fora do ponto, ignorando chamadas de passageiros, soltando-os no meio da rua, ultrapassando outros ônibus em fila dupla e tripla, usando acelerador como buzina, quando não jogam o tamanho de sua covardia de um Golias de aço contra um David ciclista em cima de sua magrela, com total destemor e certos de sua impunidade.

Mas, a despeito disto, ou mesmo por causa disto, têm aumentado as manifestações dos ciclistas contra a impunidade de motoristas e empresas de ônibus do Rio.

Numa delas, testemunhei um dos ciclistas comentando com o outro: enquanto empresas de ônibus financiarem campanhas de políticos nada será feito e todos permanecerão impunes.

Surpreendido com a lucidez do ciclista, pensei comigo mesmo: este é o retrato do estado de nossa cidadania, pois temos a mais absoluta consciência das razões últimas de nossa barbárie e achamos que não podemos fazer nada.

Torna-se vital a articulação das organizações da sociedade que monitoram o processo político
Com os códigos de processo penal e civil que temos, apenas uma parcela ínfima das ações propostas se conclui e pode ter suas sentenças cumpridas. Ou seja, ao contrário de outros países de cidadãos politicamente mais atuantes, o crime no Brasil compensa.

Para além daquela manifestação, será que aqueles ciclistas cidadãos estavam acompanhando e assinando os manifestos pela reforma política que corriam nas redes sociais, inclusive com propostas específicas contra o financiamento de campanhas eleitorais por empresas?

Será que estavam acompanhando também a ação proposta pela OAB ao STF, desde o ano passado, arguindo a inconstitucionalidade das leis que autorizam doações financeiras por empresas a candidatos e a partidos políticos? Ou seja, será que a consciência do nexo das grandes questões políticas nacionais e o fato ali concreto de mais um assassinato de um companheiro não os animaria à ação política contra as causas da impunidade e não apenas contra a mesma?

Afinal, por que os presidentes da Câmara e do Senado, numa única semana, optaram por esvaziar a iniciativa da PEC 33, que queria transferir do Supremo para o Congresso a última palavra em alterações à Constituição? Assim como a PEC 37 que pretendia retirar o poder de investigação do Ministério Público?

Torna-se vital a articulação das organizações da sociedade que monitoram o processo político, pois nossos legisladores só agem sob pressão e só assim rompem o ciclo vicioso da omissão.