Acuado, ex-presidente se faz de vítima
e joga em Dilma a pecha de 'desleal' O ex-presidente Luiz Inácio da
Silva é um bom ator. Bem melhor que político, conforme demonstrado pelo
erro de avaliação na escolha de Dilma Rousseff para o papel de criatura
que seria capaz de suceder-lhe e garantir, mediante o espetáculo da
competência, permanência longa para o PT no poder.
No ofício da atuação é um personagem de mil caras. Uma para cada
ocasião. Pode ser o fortão que a todos enfrenta porque com ele ninguém
pode, como pode ser o fraquinho a quem a elite tenta permanentemente
derrubar por sua origem e identificação com os oprimidos.
Entre os papéis que costuma desempenhar, o preferido para os momentos de
dificuldade é o de vítima. Não por acaso nem de modo surpreendente faz
agora essa performance, nesta hora em que as circunstâncias nunca lhe
foram tão desfavoráveis: alvo de investigação do Ministério Público por
tráfico de influência, pai do dono de empresas revistadas pela Polícia
Federal, amigo de um empresário apontado por um "delator premiado" como
receptor de propina destinada a cobrir despesas de uma de suas quatro
noras.
Afora isso, as más notícias alcançam também o patrimônio político
eleitoral de Lula, até pouco tempo atrás sua principal e mais forte
cidadela. A última pesquisa da Confederação Nacional de Transportes
(CNT) aponta e atesta a decadência. Confirma números anteriores segundo
os quais Lula já não é um ativo eleitoral.
Hoje, numa eleição, perderia de lavada para o tucano Aécio Neves (32% a
21%) e em eventual disputa de segundo turno seria derrotado também por
Geraldo Alckmin e José Serra, políticos do PSDB que em outros tempos
derrotou. Para quem já foi considerado pelo adversário (Serra) em plena
campanha como uma pessoa "acima do bem e do mal" a situação é
periclitante, convenhamos.
Lula não tem capital para si nem para emprestar ao PT ou à presidente
Dilma Rousseff. Nesta condição quase que extrema (ou próxima disso), o
ex-presidente faz o que sabe: tenta jogar a culpa no alheio. E a eleita,
desta vez, é a presidente Dilma Rousseff em quem seu criador tenta
imprimir a pecha de "desleal" ao deixar que prosperem versões de que
atribui a ela a responsabilidade sobre o avanço das investigações em
direção a ele, família e amigos.
Oficialmente o Instituto Lula desmente. Muito cômodo. Extraoficialmente
todos os jornais publicam a conveniente versão disseminada por "amigos" e
"interlocutores" de que o ex-presidente se sente "traído" pela
sucessora que, segundo ele, não foi capaz de interromper investigações
que o atingissem e à sua família.
Transferir a culpa para Dilma é uma tentativa. De difícil execução, dada
a dificuldade de se obter resultado, diante da posição extremamente
difícil em que se encontra a presidente. Mas o problema maior para Lula é
a credibilidade. Ele já não tem aquela da qual desfrutou. E esta, no
presente, não conseguiu conquistar quem no futuro poderia ter junto de
si.
Em suma, Lula procura se desvincular de Dilma, acusando a presidente de
ser desleal pelo fato de não atuar para impedir investigações. Isso quer
dizer que, por experiência própria, ele considera não apenas possível
como factível a indevida interferência nos processos legais.
Com isso, confirma que em seu governo interferiu indevidamente. E, por
linhas tortas, confessa que prevaricou. Indignado está pelo fato de
outrem não prevaricar em seu nome para salvá-lo de evidências que o
aproximam do confronto com a verdade.
Renan Calheiros apostou que Cunha cairia atirando. Lauro Jardim, em O Globo, aos poucos mostra os alvos do presidente da Câmara.
Há
duas semanas, revelou que um deles seria Chico Alencar, por suposta
fraude em documentos nas contas da campanha de 2014. Agora, Jardim
aponta Júlio Delgado, membro do Conselho de Ética, contra quem Cunha
estaria buscando "esqueletos no armário".
Também nessa tarde,
Sílvio Costa, um dos mais barulhentos adversários de Cunha, foi punido
pela Câmara com uma "censura escrita" por ter afirmado que o presidente
da casa estava "acobertando bandido". Mas se trata de uma penalidade
simbólica que pouco sujará a ficha do parlamentar.
Até Cunha puxar o gatilho, tudo não terá passado de mais um dos muitos blefes do presidente da Câmara.
Presidente da Câmara indica que pode revogar rito do processo
Adriano Ceolin / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
29 Outubro 2015 | 02h 02
Em um café da manhã ontem com deputados de oposição, o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sugeriu que pode revogar
hoje sua decisão sobre questão de ordem que estabeleceu o roteiro para
um eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff
antes de uma avaliação final do Supremo Tribunal Federal sobre o
assunto. Até então, Cunha tinha fixado o prazo de 15 de novembro para
divulgar sua decisão.
O objetivo dessa antecipação é
acabar com qualquer dúvida jurídica sobre a forma como a Câmara deve
analisar novos pedidos de afastamento de Dilma e abrir caminho para a
abertura do processo. No dia 13 de outubro, os ministros do STF Teori
Zavascki e Rosa Weber concederam liminares proibindo a análise de
requerimentos de impeachment sob as regras definidas por Cunha a partir
da questão de ordem apresentada pelo DEM.
Num primeiro
momento, o presidente da Câmara optou por apresentar ao Supremo uma
defesa jurídica da decisão sobre o rito do impeachment. Na semana
passada, em entrevista ao Estado, disse que não gostaria de analisar
nenhum pedido de impeachment antes da análise das liminares de Teori e
Rosa pelos 11 ministros no plenário da Corte.
Cunha já
havia comentado com aliados a possibilidade de revogar a questão de
ordem.
Porém, ao ser estimulado por setores da oposição e também por
movimentos sociais que pedem a saída de Dilma, o presidente da Câmara
passou a reavaliar sua estratégia.
"Ele nos disse que vai
acabar com a questão de ordem e fazer o que o Supremo quer", disse um
parlamentar presente ao café da manhã com o presidente da Câmara.
Questionado pela reportagem, Cunha afirmou que não havia tomado decisão
sobre o assunto.
Relação. Nas últimas semanas, sobretudo
depois que as investigações da Procuradoria-Geral da República avançaram
sobre Cunha, setores do governo passaram a cortejá-lo. Ele receberia
apoio para permanecer no cargo e, em troca, não daria sequência aos
pedidos de impeachment que recebeu na Câmara.
Cunha sempre
rechaçou ter feito qualquer acordo com o governo. Ele, no entanto,
admitiu que sua relação com o Palácio do Planalto melhorou depois que o
ministro Jaques Wagner foi transferido do Ministério da Defesa para a
Casa Civil. Os dois têm conversado com frequência. O presidente da
Câmara também chegou a ter uma reunião reservada com o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva na qual falaram "sobre política".
Vera Rosa e Ricardo Galhardo - O Estado de S.Paulo
29 Outubro 2015 | 02h 02
Depois de assessores
terem preparado um relatório técnico sobre viabilidade de um pedido de
impedimento da presidente Dilma, Diretório Nacional do partido vai
manter controle sobre os votos petistas no Conselho de Ética da Câmara
dos Deputados
BRASÍLIA - No momento em que
a ameaça de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff volta a
ganhar força, a cúpula do PT vai enquadrar os deputados do partido no
Conselho de Ética, recomendando que não haja “prejulgamento” do
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A posição será
referendada nesta quinta-feira, 29, pelo Diretório Nacional do PT, em
reunião na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrará forte
reação dos petistas contra o que ele chama de “ação orquestrada” para
destruir o partido e o governo.
Com essa decisão, a cúpula do partido deixa
claro que a palavra final sobre como proceder com Cunha será da direção.
O próprio Lula já havia afirmado que Cunha tem direito a uma ampla
defesa das acusações.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
No auge do distanciamento da relação entre Dilma e Lula e sob a
pior crise de seus 35 anos, o PT também tentará adotar um discurso de
unidade em várias trincheiras - desbastando até mesmo as críticas mais
ácidas ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy -, mas a divisão no partido é
evidente.
Embora seis correntes do PT queiram que a sigla defenda desde já a
cassação do mandato de Cunha, a estratégia combinada com o Palácio do
Planalto é ganhar tempo. Suspeito de manter contas secretas na Suíça com
dinheiro desviado da Petrobrás, o presidente da Câmara conseguiu
retardar o processo contra ele no Conselho de Ética e pode ser julgado
somente em 2016 por seus pares.
Cabe a Cunha decidir se dá ou não sequência ao impeachment
contra Dilma, mas ele já tem um “álibi”: a assessoria técnica da Câmara
emitiu parecer sugerindo a aceitação do requerimento apresentado pelos
juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, que pede o
afastamento da presidente. Diante desta ameaça, a cúpula do PT e o
governo fazem de tudo para não provocá-lo.
Nos bastidores, ministros avaliam que Cunha pode até mesmo ser
obrigado a deixar o comando da Câmara, por ordem do Supremo Tribunal
Federal, antes mesmo da decisão sobre seu futuro. Em conversas
reservadas, aliados do deputado contaram que ele já ameaçou aceitar o
pedido de impeachment de Dilma, caso o Supremo tente tirá-lo do cargo.
‘Banho maria’. A ordem para não cutucar Cunha
e adotar a tática do “banho maria” já rachou o PT. Até agora, 32 dos 64
deputados do PT assinaram representação encabeçada pelo PSOL e pela
Rede, cobrando a cassação do presidente da Câmara. Além disso, a
corrente Mensagem ao Partido, grupo do ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, apresentará hoje um documento pedindo respaldo do PT à ação
contra Cunha.
“Os três deputados do PT no Conselho de Ética devem se
pronunciar de forma unitária, mas não vamos nos manifestar previamente a
respeito de uma questão sobre a qual Eduardo Cunha nem sequer se
defendeu ainda”, disse o presidente do PT, Rui Falcão. “Como vamos
julgar quem ainda nem é réu no Supremo? Está certo que não dão esse
tratamento para nós, que somos sempre culpados até prova em contrário,
mas não faremos isso.”
Na reunião dessa quarta-feira da Executiva Nacional petista,
Falcão garantiu que o partido não está negociando com Cunha. “Quem tem
acordo com ele é a oposição, que quer dar um golpe”, afirmou.
Questionado se não temia que Cunha desse o pontapé inicial no
impeachment, o presidente do PT disse não haver base jurídica e legal
para o afastamento de Dilma. “Isso é mais um factoide que a oposição
quer criar, precipitando uma crise política na linha do quanto pior,
melhor”, reagiu.
Para o secretário de Comunicação do PT, Alberto Cantalice, o
partido terá de acompanhar o caso com cautela. “Não podemos fazer
prejulgamento do presidente da Câmara”, disse ele. “Mas se até a direita
pede a saída dele, como o PT vai ficar atrás?”, questionou o secretário
de Formação Política, Carlos Henrique Árabe.
.A Lava Jato no auge,
prestes a arrebentar a quadrilha vermelhopata tem companhia da Operação
Zelotes que investiga desvio de R$ 19 bilhões num órgão do Ministério
da Fazenda
Eis
que o Gilberto Carvalho, Ministro de Lula e de Dilma, elo com o MST,
FARC e demais esquerdopatas, está sendo acusado pela PF de ser o sujeito
que ‘esquematizava’, junto de Lula, deputados e senadores, já há 06
anos, a venda de medidas provisórias que favoreciam grandes grupos,
segundo a Operação Zelotes da PF.
A outra frente trata de suspeita de
compra de legislação, pagamento de propina para elaboração e aprovação
de medidas provisórias que beneficiaram o setor automotivo.
Na decisão, a juíza Célia Regina
Bernardes afirma que o grupo criminoso atua nessas duas frentes há pelos
menos seis anos. Três MPs que concederam incentivos fiscais estão sendo
investigadas. E é nessa parte da investigação que aparecem nomes de
pessoas ligadas ao Congresso e ao governo federal. Entre elas, o
ex-ministro do governo Dilma e chefe de gabinete do ex-presidente Lula,
Gilberto Carvalho.
Ele foi ouvido na segunda-feira (26)
pela Polícia Federal. A polícia diz que carvalho seria o contato na
presidência da República com os sócios de uma das consultorias
investigadas, a SGR, e apresentou um documento apreendido na casa do
lobista Alexandre Paes dos Santos, que também foi preso na segunda (26).
Uma anotação do lobista que diz ‘café com
Gilberto Carvalho’. Outro documento é um e-mail de Mauro Marcondes, da
Anfavea, para Gilberto Carvalho.
Ele pede ao amigo para que cheguem
documentos ao presidente Lula daquela forma informal e “low profile” que
só Gilberto Carvalho consegue fazer.
Na apuração de uma medida provisória que
virou lei no ano passado a polícia fez uma ligação com a empresa LFT
Marketing Esportivo, do filho do ex-presidente Lula, Luís Cláudio Lula
da Silva. Na segunda (26), os policiais fizeram uma operação de busca e
apreensão no escritório. A juíza cita que, de acordo com a investigação,
a MMC e a Caoa pagaram ao escritório de Mauro Marcondes pela edição da
medida provisória e que, ao checar a movimentação financeira de saída do
escritório, verificou-se o pagamento de R$ 1,5 milhão à LFT, empresa do
filho de Lula.
A juiza afirma: “Tem razão o MPF
ao afirmar ser muito suspeito que uma empresa de marketing esportivo
receba valor tão expressivo de uma empresa especializada em manter
contatos com a administração pública”.
Deputado do DEM
flagrou sem-teto furando as costas de um manifestante pró-impeachment;
agressão ocorre após petista convocar militantes para a briga
Um grupo de integrantes do MTST (movimento dos sem-teto) atendeu nesta quarta-feira ao chamado do líder do PT
na Câmara, Sibá Machado (AC), para atacar – inclusive, fisicamente – os
jovens acampados em frente ao Congresso Nacional para protestar pela
abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Nesta terça, Sibá conclamou grupos aliados do PT a “botar para
correr” os manifestantes pró-impeachment. “Eu vou juntar gente e vou
botar vocês para correr daqui da frente do Congresso. Bando de
vagabundos, vocês são vagabundos. Vamos para o pau com vocês agora”,
disse, aos berros, da tribuna da Casa, após se irritar com uma faixa do
Movimento Brasil Livre.
Quando soube do tumulto causado pelos sem-teto, o deputado José
Carlos Aleluia (DEM-BA) foi até o local e flagrou uma mulher furando as
costas de um jovem do MBL.
“Fui ao acampamento e presenciei (veja o vídeo abaixo) as cenas de
intimidação e até agressão por parte de militantes do MTST contra os
manifestantes pró-impeachment”, escreveu Aleluia. “Estou agora
encaminhando ofícios aos presidentes de Câmara e Senado para que acionem
as duas polícias legislativas. É dever do Congresso manter a
integridade física de todos.”
Já nos alertava Camões, em Os Lusíadas,
que é mais prudente ouvir a voz do Velho do Restelo – um dentre as
inúmeras pessoas que se amontoaram na praia do Restelo para se despedir
dos navegantes – do que seguir os impulsos progressistas de Vasco da
Gama que, a serviço do Rei D. Manuel, partiu em 1497 em busca da riqueza
e glória no além mar.
Passados mais de 500 anos da chegada dos
portugueses ao Brasil, a reforma do nosso Código Florestal e o projeto
de construção da mega usina hidrelétrica Belo Monte colocam em risco a
sobrevivência da maior floresta tropical do planeta, trazendo novamente à
tona o tema do progresso a qualquer custo.
Tanto a Belo Monte quanto as mudanças no Código Florestal obedecem à
lógica do capital e do modelo desenvolvimentista.
Belo Monte, se não
conseguirmos impedir sua construção, irá provocar enormes impactos
socioambientais, alagando 516 quilômetros quadrados em pleno coração da
Floresta Amazônica, que tem um papel essencial ao equilíbrio climático
global e onde habitam mais da metade de todas as espécies terrestres do
planeta (incluindo cerca de 180 etnias indígenas); além de provocar o
deslocamento de mais de 30 mil habitantes, a migração de 200 mil pessoas
para a região de Altamira (Pará), a expulsão de 13 mil índios,
comunidades tradicionais ribeirinhas e agricultores, o desvio de 80% das
águas do rio Xingu, o desaparecimento de paisagens únicas, sítios
arqueológicos e uma riquíssima biodiversidade.
O novo Código Florestal, por sua vez, possibilita a concessão de
maior impunidade para os madeireiros da Amazônia; a legalização de áreas
de risco (encostas, topos de morros e várzeas), aumentando a chance de
tragédias ambientais; a aceleração do desmatamento e perda da
biodiversidade, agravando os impactos sobre o meio ambiente e
beneficiando, exclusivamente, os fazendeiros e proprietários de terra. A
progressiva diminuição de mata ciliar no entorno dos rios já vem sendo
sentida nas catástrofes provocadas pelas enchentes no Brasil inteiro e
só tende a se agravar.
No mesmo dia em que essas mudanças foram aprovadas pela bancada
ruralista da Câmara dos Deputados (ironicamente em 2011, eleito o Ano
Internacional das Florestas), o país acordou com a notícia do
assassinato do líder ambientalista João Carlos Ribeiro da Silva e sua
esposa, mortos a tiros em defesa da Amazônia, da mesma forma que Chico
Mendes e vários outros ambientalistas, escancarando para o mundo inteiro
que, quando os interesses dos fazendeiros estão em jogo, quem dá as
cartas nesse país, onde persistem fortes traços do coronelismo
colonialista, é o agronegócio.
A intensificação de ocorrências de desastres ambientais, no Brasil e
no mundo, torna cada vez mais evidente que o modelo de desenvolvimento
baseado na exploração e consumo ilimitados dos recursos naturais atingiu
uma situação-limite, colocando em risco a continuidade da vida no
planeta e suscitando uma crescente retomada dos temas ambientais que
marcaram os anos 70. As crises do petróleo, do abastecimento de água e
de alimento, as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e outros
dilemas do mundo contemporâneo, confirmam as tendências anunciadas no
famoso livro Limits to Growth, de 1972, mostrando que o mundo
seguiu exatamente a trajetória insustentável definida como cenário
provável neste livro premonitório.
Atualmente, a “pegada ecológica” humana já ultrapassa em 30% a
capacidade de regeneração do planeta. Se não reduzirmos substancialmente
nosso consumo, a economia mundial entrará em colapso em meados deste
século. Mas a causa principal desse quadro de agonia planetária (Edgar
Morin) não reside na superpopulação de quase sete bilhões de habitantes,
mas principalmente no enorme desequilíbrio na distribuição de renda, no
desregramento econômico mundial e na relação predatória e irracional
com a natureza, conduzindo-nos a uma situação de insustentabilidade do modus vivendi hegemônico.
Em contraposição a essa realidade trágica, a Floresta Amazônica
poderia se tornar o ponto de partida para um desenvolvimento ecossocial
do Brasil, que é uma potência ambiental por sua abundância em terra,
água, sol e biodiversidade. Esses são os ingredientes que deveriam ser
utilizados no aproveitamento econômico da biodiversidade da floresta com
envolvimento da população local, tais como a fruticultura nativa, os
diversos tipos de óleos e a imensa variedade de fitoterápicos e fármacos
ainda não descobertos e com grande potencial de cura de diversas
doenças.
Infelizmente, porém, nosso sentido de percepção da realidade ainda é
muito falho e fragmentado. Como afirma Morin, “os indivíduos de hoje,
consomem o presente, deixam-se fascinar por mil futilidades, tagarelam
sem jamais se compreenderem na torre de Babel das bugigangas”. Na
metáfora do Mito da Caverna, Platão demonstra que somos como um grupo de
homens sentados em uma caverna, voltados o tempo todo para os fundos,
percebendo apenas as sombras e imagens fantasmagóricas causadas pelo que
acontece do lado de fora da caverna, mas não o que de fato acontece.
Acreditamos que essas imagens são verdadeiras, tomando o espectro pela
realidade. O que vemos são apenas reflexos, mas certos de que essa é a
única realidade possível, permanecemos estáticos, sem mudar de posição. A
mídia, com destaque para a televisão, representa hoje a parede no fundo
da caverna e tem como função, como alerta Jean-Luc Godard, produzir o
“esquecimento”, através de uma profusão de notícias desconectadas, que
impedem a percepção clara da realidade.
A grande encruzilhada do século XXI parece residir na imperativa
tomada de consciência da nossa identidade planetária. O que está em jogo
é, de um lado, a preservação da diversidade cultural e natural
ameaçados de homogeneização e destruição e, de outro, a transformação
revolucionária das relações sociais e dos valores individuais e
coletivos, a partir da liberação de nossos potenciais psíquicos,
espirituais, éticos, culturais e sociais. Trata-se, enfim, da
necessidade de substituirmos o conceito de desenvolvimento pautado na
visão economicista por um conceito de desenvolvimento sustentável e
multidimensional.
O desafio crucial da humanidade, nesse momento decisivo, é o do
despertar da percepção coletiva em relação à urgência por atitudes e
ações que minimizem a crise planetária. E é somente a partir da
identificação e do enfrentamento dos grandes males do mundo
contemporâneo – como a miséria, as guerras e o imenso desequilíbrio
ecológico – que poderemos livrar nossa mãe Terra de um destino trágico.
Não há mais tempo para a inércia. Como nos adverte o Cacique Mutua: “O
homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à
vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não
tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos
distantes do mundo.”
Sandra Mara Ortegosa é arquiteta, antropóloga e ativista. Seu artigo foi publicado originalmente no site Forum Século XXI.
Brasil
21:32
Segundo apurou a Folha, a tática de Cunha para se safar consiste
em sobrecarregar o Conselho de Ética da Câmara. Desta forma, além de
ganhar algum prazo, constrange adversários e tira um pouco o foco do
próprio caso.
No primeiro movimento, há representações do PC do B
contra os deputados Alberto Fraga (DEM) e Roberto Freire (PPS) que já
começarão a correr na próxima terça, juntamente com o caso do presidente
da Câmara. Mas há outros processos abertos por cidadãos comuns,
inclusive contra o próprio Cunha. Nesses casos, o peemedebista pedirá
"celeridade" de forma que, vencida a burocracia, travem novamente o
Conselho de Ética.
Mais cedo, a mesma Folha informava que,
esgotados os prazos regimentais possíveis, a eventual cassação de Cunha
ficaria apenas para a segunda quinzena de abril.
Brasil
05:48
A juíza Célia Regina Ody Bernardes mandou Dilma Rousseff entregar
à Zelotes, no prazo máximo de dez dias, em caráter de urgência, "todos
os documentos produzidos (estudos, pareceres, notas técnicas etc),
inclusive registro de reuniões", sobre as Medidas Provisórias que foram
compradas pelo lobista amigo de Lula, “em conluio” com Gilberto Carvalho
e Erenice Guerra.
A juíza está com pressa. Nós também. Nada de pausa para o cafezinho.
Uma manifestação que reuniu principalmente mulheres pediu hoje
(28) a saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da
Câmara. O ato ocorreu na Cinelândia, tradicional local de manifestações
políticas no centro do Rio. As posições do parlamentar a favor de uma
legislação mais restritiva ao aborto e o envolvimento dele no
recebimento de recursos desviados da Petrobras, segundo investigações da
Operação Lava Jato, foram alvos de críticas das participantes.
As ativistas saíram em passeata da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde acompanharam, durante a tarde, a votação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o aborto no estado, classificado pelas feministas como um retrocesso.
Na
caminhada até a Cinelândia, as manifestantes pararam em frente ao
escritório político de Eduardo Cunha, no Largo da Carioca, e, com faixas
e cartazes, protestaram contra o Projeto de Lei (PL) 5.069, que
dificulta a realização de abortos por mulheres vítimas de estupro, pois
ficam obrigadas a fazer boletim de ocorrência em delegacia policial para
comprovar a violência sexual.
“Este ato é contra o PL 5.069, que
burocratiza o processo, pois, em vez da pessoa ir receber tratamento
médico, ela primeiro tem que fazer um boletim de ocorrência. Isso é uma
crueldade com a vítima, que está fragilizada e precisa de amparo. A
maioria das pessoas não concorda com o tipo de postura que ele [Cunha]
tem, não só em relação aos desvios [de dinheiro] e à conta na Suíça, mas
quanto à atitude dele, que é muito retrógrada”, disse a estudante de
história Luisa Lima de Moraes.
“O Cunha tem uma série de projetos
de lei bastante complicada e com grande chance de aprovação, como o que
proíbe a pílula do dia seguinte, que é um direito das mulheres,
principalmente as que foram estupradas ou sofreram algum tipo de abuso
sexual”, afirmou a universitária Gisele Tanaka, que faz doutorado em
planejamento urbano.
Segundo a estudante, as denúncias de desvio
de dinheiro também pesam contra o deputado. “É o motivo mais óbvio, mais
escancarado, que devia levar à imediata saída do cargo de liderança no
Congresso e também fazer ele sofrer um processo judicial”.
O plenário do Senado aprovou hoje (28) o projeto de lei que
tipifica o crime de terrorismo. O projeto foi aprovado na forma do
substitutivo do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que gerou
muita polêmica e mais de duas horas de debate entre os senadores.
Pelo
texto aprovado, fica tipificado como terrorismo ato de “atentar contra
pessoa, mediante violência ou grave ameaça, motivado por extremismo
político, intolerância religiosa ou preconceito racial, étnico, de
gênero ou xenófobo, com objetivo de provocar pânico generalizado”. A
pena de reclusão é de 16 anos a 24 anos.
O projeto estabelece
também como “ato de terrorismo por extremismo político”, quando o
atentado for contra instituições democráticas. O texto especifica ainda
os atos que podem ser caracterizados como terroristas, entre eles
interromper serviços de comunicações, sequestrar aviões, provocar
explosões propositais ou o uso de gás tóxico e material radiológico em
prédios e locais com grande aglomeração de pessoas.
As penas
podem ser agravadas por diversos motivos, entre eles se o ato causou
morte, contou com auxílio de governo estrangeiro ou organização
internacional criminosa. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.
Houve
muito debate no plenário porque vários senadores demonstraram
preocupação que movimentos sociais e mobilizações reivindicatórias em
geral possam vir a ser caracterizados como extremismo político e seu
atos tipificados como terroristas. “Esse projeto vulnerabiliza a luta
social em nosso país”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
Uma
das emendas apresentadas visava a ressalvar os movimentos sociais no
texto, deixando claro que eles não se enquadrariam como organizações
terroristas. A proposta foi assinada por senadores do PT, PSB, PSOL e
Rede. “Nós vamos colocar uma mordaça nos mais humildes, que não têm um
microfone para gritar sua dor. É esses que nós queremos proteger”,
afirmou o senador Telmário Mota (PDT-RR) defendendo a emenda.
A
oposição, no entanto, foi contra. “O cidadão não pode estar travestido
de movimento social e, por isso, infringir as normas do Estado
Democrático de direito”, disse o líder do DEM, senador Ronaldo Caiado
(GO).
Todas as emendas foram rejeitadas, exceto uma que foi
acatada pelo relator e que estende o conceito de terrorismo político
para a prática de atentados contra o Estado Democrático, de forma a
comprometer o funcionamento de suas instituições. O texto volta à Câmara
dos Deputados, que poderão acatar as modificações do Senado ou retomar o
projeto originalmente aprovado pelos deputados.
Marcelo Brandão - Enviado Especial da Agência Brasil
A organização social das aldeias têm muito a ensinar sobre o
papel da mulher à sociedade do “homem branco”. Essa é a opinião de
Genilda Kaigang, indígena da etnia Kaingang, do Paraná, e membro do
Conselho Indígena do Paraná. Segundo ela, as mulheres são parte
importante na tomada de decisão dos caciques e demais líderes das
aldeias.
“Existe um certo machismo dentro da reserva indígena,
mas, no fundo, quem decide, quem dá a última palavra, são as mulheres.
Eles sempre consultam as mulheres para tomar as suas decisões. Eles
estão sempre à frente dos movimentos, mas as decisões são costuradas
dentro de casa e eles consultam as mulheres”, disse.
Durante a
roda de diálogos sobre o avanço das mulheres indígenas, feito hoje (28) e
parte da programação dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI),
Genilda Kaingang também mostrou preocupação com os novos tempos, em que
mais indígenas saem das aldeias para cursar a universidade, são expostos
a uma nova cultura e, por vezes, sofrem preconceito de outros índios.
“Nossas
filhas e filhos, fatalmente, vão namorar, casar e ter filhos. As
meninas voltam para dentro da reserva [do período de universidade]
casadas; as meninas grávidas, e sofrem muito preconceito. Dizem que não
são mais índias. É um monte de equívocos que só com o tempo vai se
resolver”, disse.
Durante o debate entre mulheres indígenas de
vários países, a presidenta da Associação das Mulheres Indígenas do
Tocantins, Eliete Xerente, falou sobre as violações dos direitos dos
indígenas e exemplificou com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
215, que tramita no Congresso Nacional e transfere a decisão sobre
demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o
Parlamento. Para ela, as mulheres também precisam se posicionar e lutar
pelas causas que acreditam.
“Hoje estamos aqui levantando a
bandeira, construindo as causas indígenas para que possamos avançar. Não
podemos mais ficar calados, cruzar os braços. Isso pra mim é um desafio
agora”, disse Eliete. Ela lembrou também de outros indígenas que tem sofrido atentados
no Mato Grosso do Sul. “Tudo isso [os jogos indígenas] é bonito. Para
nós é coisa de outro mundo, mas o que está acontecendo ninguém vê. Os
parentes derramando sangue e a gente discutindo aqui”.
A
canadense Diana Cree, do povo Cree, defendeu a fala da índia Xerente. “A
verdade é que pessoas estão morrendo. As pessoas não falam a verdade
com medo de repercussões contra seu povo. Obrigado por me convidarem
para seu país e me chamarem para sentar aqui”.
A PEC 215 dominou os assuntos na vila dos jogos durante todo o dia de hoje. Lideranças indígenas se manifestaram contra a decisão dos parlamentares e ameaçaram parar as competições da tarde. Os jogos, no entanto, ocorreram e só foram interrompidos no final,
por um grupo de indígenas que invadiu a Arena Verde e protestou
pacificamente contra o Congresso e a ministra da Agricultura, Kátia
Abreu.
O plenário do Senado aprovou hoje (28) projeto de lei que
extingue a exigência de visto para turistas estrangeiros durante o
período dos Jogos Olímpicos no Brasil em 2016. A proposta, já aprovada
na Câmara dos Deputados, delega aos ministérios das Relações Exteriores,
da Justiça e do Turismo a possibilidade de dispensar o visto para
estrangeiros para que eles possam vir aos Jogos com mais facilidade.
A
isenção vai durar quatro meses, de junho a setembro, e deve facilitar a
vida dos atletas e seus familiares que vierem de outros países para
acompanharem os Jogos no Brasil. A expectativa do ministro do Turismo,
Henrique Eduardo Alves, é que isso também aumente o fluxo de turistas
vindos de países como Estados Unidos, Japão e China.
Com a
matéria definitivamente aprovada pelo Senado e seguindo agora para
sanção da presidenta Dilma Rousseff, o ministro disse que irá conversar
com ela para que o Ministério do Turismo estabeleça uma portaria em até
30 dias regulando a dispensa de visto.
Grupo fechou o Eixão; PM usou bombas e spray de pimenta para liberar via.
Categoria reivindica reajustes acordados em 2013 e suspensos pelo GDF.
Isabella FormigaDo G1 DF
Pelo menos quatro professores foram presos em confronto com a Polícia
Militar durante manifestação na tarde desta quarta-feira (28) em
Brasília. Os professores, que estão em greve desde o último dia 15,
haviam fechado o Eixão. Os policiais chegaram a usar bombas de efeito
moral, spray de pimenta e tiros de borracha para liberar a via.
Os professores reivindicam o pagamento de reajuste salarial escalonado
que havia sido aprovado na gestão anterior. Eles estão em greve desde o
último dia 15.
Vídeo feito pelo cinegrafista da TV Globo Diego André mostra o momento
que policiais do batalhão de choque cercam um veículo que participava da
manifestação e retiram o motorista à força. Em outra sequência, um
manifestante é jogado ao chão e recebe um golpe conhecido como
"mata-leão" antes de ser algemado (veja acima).
Mais tarde, na delegacia, o manifestante mostra a barriga com uma marca
supostamente causada por um tiro de bala de borracha. Na delegacia,
três professores com camisetas iguais às usadas pelos demais
manifestantes aguardavam em um banco o momento de serem ouvidos – dois
deles algemados.
E um determinado momento, um policial toma de forma abrupta o celular
do homem que não estava algemado. Outro policial grita com o dedo em
riste ao mesmo manifestante: "Alguém, mais aí vai chamar a polícia de
bandido (sic)?"
Policiais detêm manifestantes durante protesto de professores no Eixão (Foto: Isabella Calzolari/G1)
Por nota, a PM disse que "Batalhão de Choque foi acionado e desobstruiu
a via com o uso gradativo da força e dos meios legais para garantir o
direito de ir e vir dos cidadãos que trafegavam por aquele local".
Segundo a PM, o uso da força ocorreu após uma hora de negociação para a
liberação da via. "Quatro manifestantes foram detidos, sendo dois por
desacato e dois que pararam ônibus coletivos e tomaram as chaves dos
motoristas com o intuito de fechar o Eixinho W", diz a nota.
O diretor de imprensa do Sindicato dos Professores, Cléber Soares, diz
que cerca de cem pessoas fecharam duas faixas do Eixão para "dialogar
com a população". "A gente ocupou e rapidamente a polícia chegou. A
polícia chegou e nós negociamos a saída. Quando estávamos entrando no
carro, chegou a polícia de choque e comecou a atirar. Geralmente eles
atiram para cima, mas atiraram contra a gente."
"O objetivo era mandar um recado para o governador com esse processo
todo de congelar salários, e aí na saída isso aconteceu. A confusão
chegou a esse absurdo de pessoas serem presas. Nossa programação era de
ser algo rápido. O problema é para o policial que tudo o que [a gente]
diz é desacato. A gente não pode discordar", disse a diretora do
Sindicato dos Professores, Rosilene Correia.
Em nota, o governo do DF criticou a manifestação dos professores. "O
governo de Brasília lamenta que alguns poucos professores, sob o comando
do sindicato, tenham radicalizado o movimento grevista que realizam com
o fechamento de vias públicas e interrupção do tráfego. Assim, além de
prejudicar os alunos das escolas públicas e seus pais, esses professores
em greve causaram transtornos a milhares de pessoas que transitavam
pelas vias de Brasília", diz trecho da nota (veja íntegra ao final desta reportagem).
O deputado Chico Vigilante (PT) repudiou o uso da força contra os
professores. "Eu lamento essa atitude da Polícia Militar. Não é correto
esse tratamento dado aos professores.
Greve não se resolve com polícia, não se resolve decretando ilegalidade. Greve se resolve negociando com os servidores."
Manifestantes bloqueiam Eixão durante protesto de professores em greve (Foto: Heloísa Javiel/Arquivo Pessoal)
Confusão
Durante a manifestação, um ônibus urbano chegou a ser usado em uma
suposta tentativa de fechamento do Eixinho. Soares disse que o motorista
do ônibus teria se assustado com o barulho das balas de borracha
disparadas por policiais e tentou fugir do local, razão pela qual o
veículo acabou parado sobre o canteiro e na contramão.
O governo de Brasília lamenta que alguns poucos professores, sob o
comando do sindicato, tenham radicalizado o movimento grevista que
realizam com o fechamento de vias públicas e interrupção do tráfego.
Assim, além de prejudicar os alunos das escolas públicas e seus pais,
esses professores em greve causaram transtornos a milhares de pessoas
que transitavam pelas vias de Brasília"
Trecho de nota do GDF
O motorista do ônibus, no entanto, disse que o veículo foi invadido por
um grupo de manifestantes, mesma versão dada pela PM. "Eles entraram na
nossa frente e abordaram o ônibus. Pararam a gente. Tomaram a chave",
disse.
Pouco antes da manifestação no Eixão, outro grupo de professores havia
fechado a Ponte do Bragueto, que dá acesso às regiões de Sobradinho e
Planaltina. A via foi liberada cerca de uma hora depois de ter sido
fechada.
Reajuste
O governador anunciou na semana passada que o reajuste dos servidores
públicos, que deveria ter ocorrido em setembro, será pago integralmente a
partir de 1º de outubro do ano que vem. A medida não inclui os
retroativos, que não têm data para serem quitados.
“Os reajustes que
deveriam ser implementados a partir de setembro não estão sendo
implementados por total impossibilidade de fazê-lo”, afirmou durante o
anúncio da medida.
“No ambiente de crise, em que o PIB está decrescente, essa é uma grande
conquista. Estamos fazendo isso a partir de um grande esforço para
garantir a implementação do reajuste. O DF será a única ou uma das
poucas unidades da federação que dará aumento no ano que vem”, disse
Rollemberg.
Ônibus usado em suposta tentativa de bloquear Eixinho prado na contramão e sobre canteiro da via (Foto: Isabella Formiga/G1)
O pagamento depende da aprovação de um conjunto de projetos já
encaminhados ou que ainda serão enviados à Câmara Legislativa. Ele
afirmou que acredita que o Legislativo vai colaborar com o governo.
“Esse é um tema de interesse da cidade, e os deputados sabem que estamos
fazendo aquilo que é possível.”
O chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, afirmou que o governo espera ter
um acréscimo de R$ 500 milhões na receita de 2016 com a aprovação do
pacote de projetos enviado ao Legislativo.
Rollemberg declarou que grande parte dos projetos enviados à Câmara são
de venda de imóveis em que o recurso entra de uma vez. Ele disse que o
pacote será importante para o orçamento do ano que vem, mas que não
garante o pagamento dos anos seguintes.
No último dia 20, o Tribunal de Justiça considerou ilegal e abusiva a
greve dos professores da rede pública e determinou a volta imediata às
funções, sob pena de multa de R$ 400 mil por dia ao sindicato em caso de
descumprimento. Segundo o magistrado, o motivo alegado pelos
professores não justifica a paralisação.
Veja íntegra de nota do GDF
"Nota Oficial
O governo de Brasília lamenta que alguns poucos professores, sob o
comando do sindicato, tenham radicalizado o movimento grevista que
realizam com o fechamento de vias públicas e interrupção do tráfego.
Assim, além de prejudicar os alunos das escolas públicas e seus pais,
esses professores em greve causaram transtornos a milhares de pessoas
que transitavam pelas vias de Brasília.
O governo nunca deixou de
receber os sindicatos e já deixou claro, aos servidores e à população,
que não tem condições orçamentárias e financeiras de pagar agora os
reajustes salariais concedidos em 2013. As greves e a interrupção de
vias em nada contribuem para que os pagamentos possam ser feitos.
O governo de Brasília tem a obrigação de assegurar à população o livre
trânsito pelas vias da cidade e não pode permitir que algumas pessoas
interrompam o tráfego por sua vontade ou a qualquer pretexto. A Polícia
Militar agirá sempre, dentro da lei e de suas atribuições, para impedir o
fechamento de vias públicas."
Somos homens. E eu vou usar linguagem "de homem",
para tentar ficar mais claro.
Ninguém nos apalpa no caminho do banheiro, na balada, puxa
nosso cabelo ou nosso braço, ou sussurra "vagabundo" no pé do
nosso ouvido apenas porque queremos mijar.
Ninguém nos encoxa no metrô ou no ônibus, goza na nossa calça ou no nosso
ombro, filma escondido a gola da camisa e publica em site pornô.
Ninguém fotografa nossa bunda e envia por Whatsapp. Ninguém coloca câmera
escondida p'ra filmar por baixo de nossas bermudas na rua.
Ninguém pega foto do nosso pau ou vídeo gravado transando p'ra tirar onda com
as amiguinhas de como nós somos gostosos e que vagabundos nós somos.
Ninguém se vinga de fim de relacionamento expondo nossa intimidade na Internet,
p'ra familiares, amigos, chefes.
Nenhum taxista, por mais bêbado que estivesse, me levou p'ra um matagal em vez
do destino que pedi.
Nunca fui seguido na rua, voltando do trabalho, e temi coisa alguma senão
perder o celular ou a carteira.
Nenhuma mulher nojenta ficou se lambendo ou esfregando a mão enquanto eu
atravesso a rua.
Nenhum assaltante jamais enfiou a mão na minha calça ou tentou me beijar à
força.
Ninguém nunca me ameaçou a vida depois de uma bota.
Ninguém nunca ameaçou meu emprego a troco de sexo.
Nunca tive medo de circular de noite ou de dia e ser vítima de um estupro.
Meu salário é oferecido de acordo à minha qualificação e estado do mercado. Só.
Minha liberdade sexual é garantida pelos bagos que carrego, e, inclusive,
quanto mais mulheres eu colecionar, mais foda eu sou.
Ninguém espera que eu largue o trabalho e dedique minha vida a filhos, quando
eles nascerem.
Ninguém vai me chamar de puto se desejar tomar uma cerveja no fim do
expediente.
Ninguém vai criar qualquer conceito sobre mim senão baseado nas minhas reais
atitudes.
Então, fera, veja em quantos pontos supracitados você se enquadra e me conta
como é bacana a vida sem essa violência indireta ou direta, como é simples
viver assim.
Lembra desse papo quando nomear "vitimismo", "mimimi",
"falta de rola", "louça p'ra lavar", enfim, os clichês que
a gente conhece bem.
Não precisa pensar na desconhecida não: pensa na sua mãe, sua irmã, sua
companheira, sua filha...
Faz o mais forte exercício de empatia do mundo, que é se
colocar no lugar delas, volta aqui e me chama de "feministo".
Aguardo ansiosamente.
Comentários
1.Não são apenas os homens que fazem isso com as mulheres, Mario.As lésbicas são responsáveis por grande parte do assedio sexual que as mulheres normais sofrem. E é ainda mais degradante.Só que não existe uma delegacia especializada para nos proteger das lésbicas. Anônima
2.A
delegacia especializada para casos de assedio entre mulheres é a
delegacia da mulher... Lembrando também que em casos de violência
doméstica a lei que confere é a Maria da Penha. em Mensagem de um defensor das mulheres.
Anônimo
3.Concordo com a Anônima.Lésbica é tão agressiva quanto os homens .Já fui ameaçada de perder emprego por uma chefe lésbica. Elas não se enxergam, se acham o máximo, te cercam nos corredores, põem a mão na gente em lugares íntimos quando, por acaso, nos pegam sozinhas no elevador.E o nojo que causam na gente é um milhão de vezes maior do que o nojo que o homem mais feio do mundo poderia nos causar caso nos assediasse fisicamente.
As lésbicas estão se achando o máximo, achando que podem convencer qualquer mulher considerada hétero a transar com elas.Isso não é verdade!Lésbica causa repulsa em mulher normal.Por mais lindas que se achem, por mais malhadas, etc...a repulsa é igual.Mas elas não entendem isso.Prefiro ser paquerada e assediada por um homem super feio, mendigo de rua, do que pela lésbica mais metida a sofisticada desse mundo.