sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Plano de manejo livra Chapada dos Veadeiros da construção de hidrelétricas


Nas próximas duas semanas, a Secretaria das Cidades e Meio Ambiente de Goiás (Secima) publicará a portaria de aprovação que colocará o plano em vigor que impedirá as obras e apontará normas para preservação do parque

postado em 01/06/2016 07:18
 Antonio Cunha/CB/D.A Press - 12/3/15


O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está livre de uma grave ameaça às características ambientais: a construção de hidrelétricas no local. O Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental (Conapa) de Pouso Alto, região que engloba seis municípios vizinhos ao habitat — entre eles, os destinos turísticos de Alto Paraíso, São João d’Aliança e Cavalcante —, encerrou, na tarde de ontem, todas as etapas do Plano de Manejo da APA da área. Nas próximas duas semanas, a Secretaria das Cidades e Meio Ambiente de Goiás (Secima) publicará a portaria de aprovação que colocará o plano em vigor que impedirá as obras e apontará normas para preservação do parque.


 
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Pouso Alto, Júlio Itacaramby, a reunião decidiu os últimos tópicos do plano. “Foram sete encartes. Até setembro, quatro deles tinham sido aprovados. Agora, nós discutimos os pontos de fiscalização, monitoramento e sistemas de gestão da APA”, explicou. O documento é a oficialização do impedimento de construção de 22 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). “Essa questão das hidrelétricas gerou uma grande repercussão e, sem dúvida, a pressão popular ajudou bastante para que fossem proibidas essas construções, mas esse aspecto já estava barrado pela lei”, concluiu.

O projeto das PCHs, orçado em R$ 1 bilhão, foi apresentado à Secretaria de Cidades pela empresa goiana Rialma S/A, há dois anos. Desde então, o assunto é discutido pelo conselho, por moradores, ambientalistas e ruralistas da região. Segundo a empresa, a ideia seria dividir a unidade de uso sustentável em duas: a área do parque nacional, que apenas permitiria atividades de baixo impacto; e o terreno em volta, com normas mais flexíveis. No segundo zoneamento estariam liberadas a pulverização aérea com agrotóxicos, a construção das hidrelétricas e a mineração. Mas, segundo o conselho, essas práticas são barradas por lei.

Leia mais notícias em Cidades

Com a notícia, frequentadores da reserva se uniram para garantir a preservação do meio ambiente. No Distrito Federal, ativistas organizaram um evento no Jardim Botânico, o S.O.S. Chapada dos Veadeiros, com piquenique e palestras sobre os impactos ambientais que a interferência das hidrelétricas causaria na paisagem do local, além de um abaixo-assinado com cerca de 3 mil nomes contra o plano de manejo. Moradores da área, principalmente aqueles que vivem da atividade turística, também recolheram aproximadamente 24 mil assinaturas.

Para saber mais
Em nome da preservação
 
 
A APA do Pouso Alto foi criada em 2001 e tem área de 872km². Caso o projeto de construção das pequenas centrais hidrelétricas fosse aprovado, grande parte dos endereços do parque ficaria submerso. O Encontro das Águas, em Colinas do Sul, ponto de convergência entre os rios Tocantinzinho e São Miguel é um exemplo. As obras também colocariam em risco a vida do pato-mergulhão, uma das espécies de ave aquática mais ameaçadas das Américas, segundo pesquisadores de instituições goianas e brasilienses.

Fornecimento de água interrompido, mas desmatamento continua. Loucura ou cupidez?

23/9/16 7:20
Atualizado em 23/9/16 às 7:33

PALOMA SUERTEGARAY E JADE ABREU, DA AGÊNCIA BRASÍLIA - O longo período de seca no Distrito Federal levou o governo de Brasília a instituir uma nova política de redução de consumo de água para os órgãos da administração pública. As medidas, estabelecidas por meio do Decreto nº 37.644, publicado no Diário Oficial do DF desta quarta-feira (21), incluem cuidados como verificação de vazamentos e economia com irrigação paisagística, limpeza de ruas, pátios e garagens.


A meta é que o gasto de água seja diminuído em no mínimo 10% a partir de setembro. O levantamento mensal será de responsabilidade da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), que, para controlar o uso do recurso, terá de publicar mensalmente no site o consumo de cada órgão. Já a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão se encarregará de definir normas complementares para o decreto, como a indicação de um servidor que ficará encarregado de administrar e de controlar os gastos de água.

“Além de buscar promover uma economia no consumo efetivo de água nos edifícios públicos sob a responsabilidade do DF, esse decreto pretende ser uma medida de caráter simbólico, para servir de exemplo à sociedade”, disse o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, em coletiva de imprensa nesta tarde, no Palácio do Buriti. Para pedir redução do consumo em órgãos do Executivo federal, o governo local reuniu-se nesta semana com representantes do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O objetivo, segundo Sampaio, é sensibilizar a população sobre o momento e dar o exemplo em ações efetivas.



De acordo com o decreto publicado nessa quarta-feira (21), está proibida a lavagem de ruas, calçadas e fachadas prediais. Além disso, pátios, garagens e veículos não devem ser lavados com periodicidade inferior a 20 dias. Também para evitar excessos, fica vedada a irrigação de jardins entre as 9 e as 16 horas. A norma determina ainda que sejam usados baldes ou equipamentos que ajudem a economizar água, e torneiras e encanamentos deverão ser vistoriados para garantir que não haja desperdício.



Outras medidas para economizar água
Devido à escassez de chuvas, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa-DF) declarou estado de alerta para a capital do País, por meio de resolução publicada no Diário Oficial do DF na segunda-feira (19). A norma determina, por exemplo, suspender a emissão de autorizações para uso dos recursos hídricos superficiais, ou seja, para fins que não sejam extremamente necessários, e orienta a população a evitar o uso de água tratada para lavar carros e garagens, para irrigação paisagística e para encher piscinas.



Uma outra resolução da Adasa, a de número 13, de agosto de 2016, estabelece volumes de referência para os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria. Além disso, define ações que podem ser tomadas durante os estados de atenção e de alerta, como controlar a distribuição de água por tempo e em locais determinados.




Desde 10 de setembro, a Caesb tem feito interrupções temporárias em diferentes pontos do DF, diariamente, com o objetivo de evitar problemas em maiores proporções. A companhia está substituindo as redes dos Lagos Sul e Norte e instalando novas válvulas redutoras de pressão, o que evita vazamentos.

Saiba onde haverá interrupção no fornecimento de água até segunda-feira (26)

Caesb divulga as regiões e os horários em que o abastecimento será descontinuado para evitar a falta do recurso em maior proporção

Em função do longo período de seca no Distrito Federal, dos baixos níveis das captações e do aumento do consumo de água, devido às altas temperaturas, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) interrompe, como medida temporária, o abastecimento de algumas regiões para preservar os níveis de reserva e evitar falta de água em maior proporção. Seguem as regiões afetadas desta sexta (23) até segunda-feira (26):


Sexta-feira (23)


Planaltina
Endereços: Setor Residencial Leste/Vila Buritis
Fechamento: sexta (23), às 16 horas
Previsão de normalização: sábado (24), às 15 horas


São Sebastião
Endereços: Bairro São José, Bairro São Francisco e Morro da Cruz
Fechamento: sexta (23), às 9 horas
Previsão de normalização: sábado (24), às 8 horas
Endereços: Setor Residencial Oeste (Quadras 305, 306 e 307, Morro Azul e Vila do Boa)
Fechamento: sexta (23), às 7 horas
Previsão de normalização: sexta (23), às 19 horas


Sobradinho II
Endereços: condomínios do Setor Habitacional Contagem (Morada dos Nobres, Vivendas Serranas, Recanto dos Nobres, Vivenda da Serra e Vivenda Campestre, Jardim Ipanema, Jardim América, Serra Dourada)
Fechamento: sexta (23), às 15 horas
Previsão de normalização: sábado (24), às 14 horas
Endereços: AR 13, 15, 17 e 19, condomínios do Setor Habitacional Contagem (Vila Verde, Residencial Sobradinho III, Versailles)
Fechamento: sexta (23), às 15 horas
Previsão de normalização: sábado (24), às 14 horas



Sábado (24)
São Sebastião
Endereços: Vila Nova e Bairro Residencial do Bosque
Fechamento: sábado (24), às 9 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 8 horas
Endereços: Bairro Centro, Setor Tradicional, João Cândido
Fechamento: sábado (24), às 10 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 9 horas



Jardim Botânico

Endereços: Setor Habitacional São Bartolomeu, Morada de Deus, Setor Habitacional Jardim Botânico, Jardins do Lago, Mirante das Paineiras, Jardim das Paineiras, Estância Jardim Botânico, Jardim Botânico I a V, Belvedere Green, Cond. Ouro Vermelho I e II
Fechamento: sábado (24), às 11 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 10 horas



Planaltina
Endereços: Jardim Roriz, Setor de Oficinas, Vila Nossa Senhora de Fátima, Setor Residencial Oeste
Fechamento: sábado (24), às 9 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 8 horas
Endereços: Setor Tradicional (Norte, Centro e Sul)
Fechamento: sábado (24), às 17 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 16 horas



Sobradinho

Endereços: Sobradinho I (Quadras 2, 3, 5, 7, 9, 10 e 11)
Fechamento: sábado (24), às 15h30
Previsão de normalização: domingo (25), às 14h30


Domingo (25)



São Sebastião
Endereços: Setor Bela Vista
Fechamento: domingo (25), às 7 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 19 horas
Endereços: Bairro Bom Sucesso (Conjuntos 10, 11 e 12), Setor Residencial Oeste (201, 203 a 206, 301, 303 e 304), Bairro Centro (Ruas 57, 58 e 59)
Fechamento: domingo (25), às 10 horas
Previsão de normalização: segunda (26), às 10 horas



Jardim Botânico
Endereços: Esaf, Solar de Brasília (Quadra 3), Condomínio Jardim Botânico I ao IV, Quintas das Alvoradas, Quintas Interlagos, Quintas do Sol, Jardins do Lago, Bela Vista, San Diego, Mirante das Paineiras e Village Ecológico
Fechamento: domingo (25), às 9 horas
Previsão de normalização: domingo (25), às 21 horas



Sobradinho
Endereços: Sobradinho (Quadras 1, 2, 13, 15, 17, Vila DNOCs)
Fechamento: domingo (25), às 10 horas
Previsão de normalização: segunda (26), às 8 horas
Segunda-feira (26)



São Sebastião
Endereços: Bairro São José, Bairro São Francisco e Morro da Cruz
Fechamento: segunda (26), às 9 horas
Previsão de normalização: terça (27), às 8 horas
Endereços: Setor Residencial Oeste (Quadras 305, 306 e 307, Morro Azul e Vila do Boa)
Fechamento: segunda (26), às 7 horas
Previsão de normalização: segunda (26), às 19 horas



Planaltina
Endereços: Condomínios Mestre D’Armas, Mansões Itiquira, Estância, Setor Habitacional Mestre D’Armas
Fechamento: segunda (26), às 9 horas


Previsão de normalização: terça (27), às 8 horas
A Caesb solicita aos moradores que façam uso racional da água, principalmente após o retorno do abastecimento, de forma a ajudar na recuperação plena e equilibrada do sistema.
A companhia ressalta ser fundamental que toda unidade usuária tenha reservatório (caixa d’água) de volume mínimo correspondente ao consumo médio diário, de acordo com o artigo 50 da Resolução da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) nº 14, de 27 de outubro de 2011, que estabelece as condições da prestação e uso dos serviços públicos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário no DF.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Socorro!! Madeireiros no poder!

Madeireiros tentam comandar municípios que mais desmatam

Por Sabrina Rodrigues
Extração ilegal de madeira na Floresta Amazônica. Foto: Ana Cotta/Flickr.
Extração ilegal de madeira na Floresta Amazônica. Foto: Ana Cotta/Flickr.


O jornalista Alceu Luís Castilho, do site De Olho nos Ruralistas, fez um levantamento detalhado sobre candidatos a prefeitos envolvidos de alguma forma em denúncia relativa à extração ilegal de madeira.


O trabalho aponta o envolvimento de 18 madeireiros que pretendem alcançar (ou se manter) no cargo majoritário em municípios que estão entre os que mais desmatam a Amazônia. Entre eles, está o prefeito de Brasnorte (MT), Eudes Aguiar (DEM), candidato à reeleição. Dono de madeireira, ele foi preso em 2005 numa das maiores operações já feitas contra o desmatamento, a Curupira.


Com 95 acusados de integrar o que foi chamado, então, de “maior quadrilha” a praticar crimes ambientais no país. A madeira retirada ilegalmente encheria 66 mil caminhões.

Saiba Mais
De Olho nos Ruralistas: Dezessete madeireiros tentam ser eleitos nos 52 municípios que mais desmatam no país

Cabras arrasaram com espécie nativa da ilha de Trindade; conheça a história


RICARDO BONALUME NETO
ENVIADO ESPECIAL À ILHA DA TRINDADE

19/09/2016

Ilhas oceânicas evoluíram durante milhões ou milhares de anos, produzindo ambientes muito originais e equilibrados. Isso, até o homem introduzir uma planta ou um animal invasor.


A introdução fazia sentido aos marinheiros das grandes navegações europeias, iniciadas no século 15. A ideia era criar um supermercado próprio de vegetais e especialmente animais, com ênfase naqueles que comem de tudo e se reproduzem rápido –cabras, galinhas, bodes, e porcos.


Só que esses bichos arrasavam a fauna e flora locais. Como aconteceu em várias ilhas famosas –como o Havaí e as Galápagos– e também na pequenina brasileira Trindade.
Segundo Ruy José Válka Alves, do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Nacional do Rio de Janeiro), até o século 17 as florestas dominadas pela árvore conhecida pelo nome científico Colubrina glandulosa cobriam 80% da Ilha.


Yamandu Wanders/Orbis Defense
Por ter uma reduzida plataforma costeira, com a ilha surgindo abruptamente do fundo do mar; e pela sua distância do continente, Trindade e sua ilha vizinha e bem menor, Martin Vaz, possuem relevo, vegetação e vida marinha bem distintas e únicas

"Essas florestas ainda estavam vivas e saudáveis em 1700, quando a Ilha foi visitada pelo famoso astrônomo sir Edmund Halley.


Porém, das duas visitas em 1881 e 1889, Edward Frederick Knight (1852-1925) relatou uma floresta morta. As causas de tal degradação podem ser seguramente atribuídas às sucessivas ocupações da ilha por humanos e seus animais domésticos", escreveu Alves.



"A diversidade de espécies vegetais antes de 1700 foi certamente maior que a atual. Como a primeira observação florística da ilha foi feita em 1783, acreditamos que muitas espécies que aí ocorriam já teriam sido eliminadas pelas cabras. Mesmo o quadro da devastação mais recente é impressionante", afirma o pesquisador.


Entre 1959 e 1965, Johann Becker (1932-2004), naturalista e professor do Museu Nacional, fez várias campanhas de coleta em Trindade ele encontrou e amostrou o último espécime vivo de C. glandulosa.
O jornalista viajou a convite da Marinha do Brasil, a bordo do NDCC Almirante Saboia

Desmatamento zero na Amazônia Brasileira: o que está faltando?

(eco)

O desmatamento na Amazônia brasileira sofreu uma drástica redução nos últimos anos. Em 2005, cerca de 19 mil km2 de florestas foram derrubadas, contra 5 mil km2 em 2014. Uma queda de 70%. Um feito que demonstra ser possível avançar no controle da destruição da floresta. No entanto, desde 2012 esta taxa insiste em se manter ao redor de 5 mil km2.


A floresta, portanto, continua sendo removida, só que a uma velocidade menor. A remoção da floresta, combinada com o aquecimento global, poderá gerar impactos nefastos no regime das chuvas e nos ciclos hidrológicos da região. Portanto, o desafio imposto à sociedade está em zerar o desmatamento da Amazônia

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Este cenário de urgência e as estratégias para por fim ao desmatamento na Amazônia estão explicitados no artigo publicado esta semana no jornal científico Elementa. O artigo intitulado“Achieving zero deforestation in the Brazilian Amazon: what is missing?” (“Atingindo o desmatamento zero na Amazônia Brasileira: o que está faltando?”) é de autoria dos pesquisadores Paulo Moutinho e Raissa Guerra do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), e de Claudia Azevedo-Ramos, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPa). O artigo é parte de uma edição especial da revista Elementa a qual é inteiramente dedicada ao desmatamento na Amazônia.

Além de identificarem as ameaças sócio-político-econômicas à maior floresta tropical do planeta, os autores indicam seis estratégias fundamentais para por fim, de vez, ao desmatamento. São elas: (salvaguardas sócio-ambientais para as grandes obras de infraestrutura da região; incentivos positivos para a produção sustentável de commodities; política socioambiental para os assentamentos de reforma agrária; implementação do Código Florestal; direitos aos povos indígenas e comunidades tradicionais sobre seus territórios, com expansão de áreas protegidas, e; alocação de quase 80 milhões de hectares de florestas públicas ainda sem destinação para a conservação ou uso sustentável.

De acordo com Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM, o fim do desmatamento na Amazônia brasileira deveria acontecer muito antes de 2030, data estabelecida pelo governo brasileiro para pôr fim ao problema e que foi anunciada durante a Conferência do Clima, realizada em Paris, no final do ano passado. “Está cada vez mais claro, à luz da ciência, que manter floresta em pé é manter funcionando o regador de uma boa parte da produção agrícola do país e o ar condicionado de vastas áreas na região”, destacou o pesquisador


“No atual contexto de perturbações políticas e econômicas, o desmatamento zero deve ser visto como uma oportunidade para aliar desenvolvimento a preservação, e não como um obstáculo ao crescimento”, enfatizou a pesquisadora Raissa Guerra, que observou ainda a necessidade do controle definitivo desta problemática na região.
Saiba mais sobre o IPAM: www.ipam.org.br
Mais informações para a imprensa:
Cristina Amorim – (61) 9 9127-6994 e cristina.amorim@ipam.org.br
Marcela Marques – (61) 2196-0944 e marcela.marques@ipam.org.br


Sobre o Park Way


Em época de crise hídrica e estiagem, o que menos precisam é cimentar e ladrilhar o Cerrado. O Park Way presta um importantíssimo serviço ambiental para a população do DF. 
 
A  pouca chuva que cai, que tende cada vez mais a ser a regra e não a exceção, penetra exatamente nas áreas verdes que cobrem as residências e áreas verdes do Park Way, abastecendo o lençol freático e cursos d'água, os quais  contribuem para  o sistema hídrico do Lago Paranoá, reservatório este que irá abastecer em breve a população do DF.  
 
 
A CAESB já perdeu várias pequenas captações de água exatamente porque essas foram aterradas e/ou secaram e/ou ficaram poluídas. Já na década de 90,  as que haviam sido desativadas abasteciam cerca de 75 mil pessoas. De lá para cá, outras também pararam de ofertar água. 
 
 
A CAESB pretende agora retornar a captar água em algumas dessas captações. Como dito pelo presidente da ADASA, Dr. Paulo Salles "toda gota conta"( Globo Comunidade, 17/09/2016). 
 
 
Se é assim, toda área verde, todo Cerrado em pé conta. Logo, a comunidade do Park Way volta a afirmar que medidas renitentes do Governo para liberar o parcelamento dos   terrenos Park Way e ocupar as áreas verdes do bairro,  travestida de espírito altruísta de querer ajudar seus moradores liberando comércio não será tolerada.   
 
 
A ponta do iceberg é o comércio, para em seguida vir o parcelamento indiscriminado do Park Way. Assim, reiteramos os 5 princípios que nos regem: 
 

Nós do Park Way lutamos para que nosso bairro seja o espaço onde a paisagem natural prevalece sobre a paisagem construída.  Um lugar em que um visitante percebe e sente que o silêncio de nossas ruas não é um vazio a ser preenchido, mas uma conquista, de anos, que não abrimos mão.  Tudo isso é e continuará a ser um patrimônio coletivo nosso e das futuras gerações se mantivermos 5 princípios norteadores:
1. MANTER a condição de um bairro Residencial Exclusivo;

2. ESTAR inserido em duas unidades de conservação (APA Gama Cabeça de Veado e Planalto Central) e querer permanecer sendo vista como tal. Seja dentro de qualquer instrumento que trate de planejamento e gestão territorial e ambiental;


3. ESTAR dentro de um programa internacional que é  a Reserva da Biosfera da UNESCO. E estar na zona de amortecimento da Reserva que EXIGE baixa densidade populacional;


4. ESTAR na zona de tutela do IPHAN,  uma vez que o Park Way está na bacia do Paranoá, que é a área de tamponamento do Conjunto Urbanístico de Brasília. Isso significa que a Portaria IPHAN n.68 /2012 que dispõe sobre delimitação e diretrizes para a área do entorno de Brasília faz com que haja altura máxima de prédios  também para o Park Way, para não comprometer a visibilidade do horizonte a partir da área tombada;


5.  SER fornecedora de importante serviço ambiental para a população do Distrito Federal.  Afinal, a comunidade, há anos, preserva, regenera e recompõe o Cerrado, para garantir os corredores ecológicos para diversas espécies. E também contribui para a integridade dos ecossistemas aquáticos, ajudando a qualidade e quantidade de água das drenagens que correm para dentro do Lago Paranoá,  futuro reservatório para abastecimento da população do DF. Em época de escassez hídrica, nosso papel é ainda mais importante. 



  


Brasília teria um segundo lago, maior que o Paranoá



Poucos em Brasília devem se lembrar que nos primeiros mapas do Distrito Federal havia uma grande área, delimitada por linha pontilhada, informando onde seria o futuro Lago São Bartolomeu, três vezes maior do que o Lago Paranoá, que tem 40 quilômetros quadrados.



O Lago São Bartolomeu iria de Planaltina a São Sebastião e chegaria, ao sul, quase aos limites com Goiás. Se tivesse sido construído, haveria maior captação de água a pouca distância de áreas urbanas e zonas rurais, possibilidade de ampliar a produção de energia com uma barragem de 25 metros de altura, ligação aquaviária entre regiões distantes, pesca profissional e mais opções de lazer para a população. E os efeitos da seca, com tão extenso espelho d´água, seriam menores.


Os que inviabilizaram o Lago São Bartolomeu têm grande responsabilidade pela crítica situação hídrica de Brasília – não só por não existir o lago, mas também por contribuírem decisivamente para os danos ambientais que exterminaram e reduziram as nascentes em uma ampla área do Distrito Federal.



Ocupações no lugar do São Bartolomeu
O que impediu a construção do segundo lago foram as invasões de terras públicas e os loteamentos ilegais em terras particulares que deram origem a condomínios e expansões urbanas não planejadas. Sempre com a conivência danosa de sucessivos governantes, de parlamentares e de desembargadores e juízes.



As ocupações ilegais começaram na década de 1970, quando Brasília tinha governadores nomeados e nenhuma representação política. Foram aceleradas nos anos 1980, com forte proteção de autoridades, e se consolidaram nos anos 1990, quando grileiros, invasores e compradores tidos como de “boa fé” — muitos, porém, sabendo que estavam cometendo ilegalidades – passaram a contar com a proteção de governadores e deputados eleitos.


Proteção que continua até hoje.


APA não impediu as invasões
O projeto do Lago São Bartolomeu vem desde a construção de Brasília, mas a área da bacia do Rio São Bartolomeu começou a ser invadida nos anos 1970 em três frentes: em Planaltina, na região do Vale do Amanhecer; em São Sebastião, com a expansão da vila; e no Lago Sul com os condomínios de classe média, a partir do Quintas da Alvorada.


Para tentar impedir a ocupação desenfreada e possibilitar a construção do lago artificial, em 1983 foi criada a Área de Proteção Ambiental do São Bartolomeu. Só em 1988, porém, foi concluído o zoneamento ambiental da APA, que já tinha cerca de 20 mil moradores dentro de seus limites. Em 1985 existiam 90 condomínios irregulares na área.


E na década de 1980 o governador ainda não era eleito e não existia Câmara Legislativa. Os interesses não eram eleitoreiros.


Demagogia e interesses financeiros
A situação se agravou depois que o Distrito Federal passou a ter eleições e a definição da política urbana foi guiada por critérios eleitoreiros e demagógicos e visando favorecer a especulação imobiliária. Para ser ter uma ideia, em 1991 o próprio governo de Brasília criou a cidade de São Sebastião, que tinha menos de 8 mil moradores, na APA do São Bartolomeu.



Na verdade, o novo lago já estava inviabilizado pelas ocupações irregulares e parcelamentos ilegais de terras particulares. Diversas nascentes e cursos de rios na região estavam sendo soterrados e poluídos pelos condomínios e expansões do Altiplano, do Jardim Botânico, de São Sebastião e de Planaltina.



Além disso, parecia mais interessante financeiramente, para alguns, a construção de um lago em Goiás, na Bacia do Rio Corumbá.


Quintas é precursor das ilegalidades
O condomínio Quintas da Alvorada, tão defendido hoje por deputados distritais, é o pioneiro dos loteamentos ilegais destinados à classe média. Em 1977, diante das dúvidas quanto à legalidade do registro do imóvel levantadas pela procuradoria-geral do DF, o Tribunal de Justiça deu ganho de causa aos loteadores e abriu precedente para novas irregularidades.


A partir daí novos condomínios ilegais proliferaram na região que vai da barragem do Paranoá até São Sebastião e inviabilizaram de vez a construção do Lago São Bartolomeu, que sumiu dos mapas.


Aliás, desembargadores, juízes e tabeliões já foram punidos por cumplicidade com a grilagem e registros ilegais de terras no Distrito Federal.


Projeto na Saída Norte será alterado
O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, informa que sua equipe elaborou novas alternativas para os pedestres e ciclistas no trevo de triagem norte, que está sendo construído. Além disso, a Secretaria está discutindo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pela obra, um projeto para um parque no local. E, segundo o secretário, haverá faixas exclusivas para ônibus nos novos viadutos.


O projeto do novo trevo no final da Asa Norte está sendo criticado por causar danos ambientais na área – inclusive em nascentes — e não privilegiar o transporte coletivo, pedestres e ciclistas. Damasceno diz que vai apresentar as modificações à comunidade.


Cérebro diminui um sentido para darmos atenção a outro


20/09/2016


Redação do Diário da Saúde

Cérebro diminui audição para dar atenção à visão
"Esta é uma pesquisa básica sobre como o cérebro funciona, e os resultados sugerem muitos caminhos possíveis para novas pesquisas." [Imagem: Linkoping University]
Sentido único
Quando estamos ocupados com algo que requer o uso da visão, nosso cérebro reduz a audição para tornar nossa tarefa principal mais fácil.


"É por isso que não é uma boa ideia falar ao telefone enquanto dirigimos," explica o Dr. Jerker Ronnberg, da Universidade de Linkoping (Suécia).


"O cérebro é realmente inteligente, e nos ajuda a concentrar no que precisamos fazer. Ao mesmo tempo, ele filtra as distrações que são irrelevantes para a tarefa. Mas o cérebro não consegue lidar com muitas tarefas: apenas um sentido em um momento consegue funcionar em seu máximo," detalha ele.


Menos audição para concentrar na visão
Para chegar a essas conclusões, Ronnberg e sua equipe fizeram uma série de experimentos e exames que trouxeram uma compreensão mais profunda do que acontece no cérebro quando nos concentramos em tarefas que requerem o uso de diferentes sentidos.


Os voluntários receberam uma tarefa visual, alguns deles em um ambiente calmo e outros com um ruído de fundo perturbador. Imagens de seus cérebros foram capturadas por um aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto eles faziam a tarefa. Os pesquisadores também avaliaram a função de memória de curto prazo dos alunos através de um teste de memória com cartas.


Os resultados mostram que a atividade cerebral no córtex auditivo continua sem qualquer problema, desde que tenhamos que lidar apenas com um som.


Mas quando o cérebro recebe uma tarefa visual, como um exame escrito, a resposta dos nervos do córtex auditivo se reduz, e a audição torna-se debilitada. À medida que a dificuldade da tarefa aumenta, a resposta dos nervos ao som diminui ainda mais.


Amortecimento das emoções
A conclusão é que uma elevada carga cognitiva sob a forma de uma tarefa visual compromete a resposta do cérebro ao som.


Além disso, os exames mostraram que o enfraquecimento do processamento ocorre não apenas no córtex, mas também nas partes do cérebro que lidam com as emoções.
Como esta é uma informação que não está envolvida com a solução da tarefa, a equipe afirma que fará novos estudos para tentar elucidar o impacto dessa alteração.


"Esta é uma pesquisa básica sobre como o cérebro funciona, e os resultados sugerem muitos caminhos possíveis para novas pesquisas. O conhecimento adquirido pode ser importante para o projeto de futuros aparelhos auditivos. Outra possibilidade é que a nossa investigação irá estabelecer as bases para estudarmos como a deficiência auditiva influencia a maneira com que podemos resolver tarefas visuais," disse Ronnberg.


Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Human Neuroscience.

Humanos, a espécie invasora suprema


Por Fabio Olmos
Fig 1 Peter Snowbal NHMPL
Uma cena que pode ter acontecido na Cueva del Milodon, atual Chile: um Mylodon 
observa uma onça-patagônica Panthera onca mesembrina (uma forma extinta) 
atacar um grupo de cavalos também extintos (Hippidion). 

Ilustração: Peter Snowball, NHMPL


“Vivemos em um mundo zoologicamente empobrecido, de onde todas as formas mais imensas e ferozes e estranhas desapareceram recentemente”.


Alfred Russell Wallace, co-formulador da teoria da evolução pela seleção natural e um dos pais da biogeografia em A Distribuição Geográfica dos Animais (1876)

Em 24 de agosto de 1832 o HMS Beagle chegou a Bahia Blanca, 650 km ao sul de Buenos Charles Darwin, seu mais ilustre passageiro, dedicou sua estadia para explorar a região.
Ali Darwin encontrou ossos de nove espécies de grandes mamíferos extintos, incluindo uma preguiça gigante terrícola que acabou batizada como Mylodon darwini, e de seu primo ainda maior, o megatério Megatherium.


Muito depois, em 1895, ossos, esterco e, incrivelmente, pele de Mylodon foram encontradas na hoje famosa Cueva del Milodon, no Chile. A condição aparentemente fresca dos restos levou alguns cientistas a acreditar que o bicho ainda vivia por ali. Resumindo uma longa novela, na verdade os últimos Mylodon chilenos morreram há mais de 9 mil anos.


Os ossos descobertos por Darwin, estudados pelo grande anatomista Richard Owen, tornam-se provas adicionais da existência de animais extintos. Isso numa época onde muitos acreditavam que a Bíblia provava que a Terra fora criada em 4004 AC e que a extinção era algo impossível, pois Deus não permitiria que meros humanos apagassem sua criação.


O Mylodon era um gigante de 2,5 toneladas que viveu em diferentes habitats no que é hoje o Chile, Argentina, Paraguai, Bolívia e sul do Brasil. Poderia estar pastando no pampa gaúcho até hoje, mas foi extinto uns 8 mil anos atrás.


Há poucos milhares de anos, menos do que a idade de cidades como Jericó (estabelecida em 9.000 AC), mega-animais – Mylodons, mamutes, tigres-dentes-de-sabre, pássaros-trovão - viviam tranquilos sobre a Terra. Até nós nos tornarmos humanos.


Nossa espécie surgiu em algum lugar da África a c. 200 mil anos. Mais um entre vários bichos do gênero Homo que viviam naquela época, todos usando ferramentas, e a maioria o fogo, os sapiens não eram nada muito diferente até algo acontecer há uns 70 mil anos.


Nesse período ocorreu uma revolução cognitiva. Pela primeira vez surgem evidências de arte, pensamento simbólico, imaginação, linguagem complexa e – seu resultado – novas tecnologias. Algo mudou a natureza humana e nos tornou capazes de cooperar em uma escala muito além de nosso círculo pessoal. Algo associado a crenças – memes - que criam identidades comuns entre pessoas que não são relacionadas e a linguagem necessária para espalhar estas crenças. A mesma fonte das religiões e estados nacionais.


A causa provável deste flip mental foi uma mutação que deflagrou um processo de coevolução gene-cultura e se espalhou rapidamente em uma população até então pequena. Mas não é possível desprovar que um certo monólito negro ou outro fator externo tenha tido um papel nisso.


Há 70 mil anos grupos de Homo sapiens deixaram a África e partiram para conquistar o mundo. Dez mil anos depois haviam chegado à China e Coréia, mas a então gélida Europa só seria ocupada a partir de 45-50 mil anos atrás.


Na mesma época, antigos marinheiros colonizaram a Austrália, continente onde primata algum havia colocado os pés. Nas Américas, há certeza de que 15 mil anos atrás já haviam populações humanas estabelecidas, talvez também descendentes de navegadores. É provável que tenham chegado muito antes.


Nossa rápida ascensão como espécie dominante não foi acompanhada por nossa psicologia. Quem já encontrou um leão, tubarão branco ou crocodilo sabe a auto-confiança que milhões de anos de domínio deram a eles. Segundo o historiador Yuval Harari, nós continuamos cheios de medos e ansiedades e nos comportamos como ditadores de repúblicas de bananas, rápidos em optar pelo extermínio do que nos amedronta ou incomoda. Seja uma lagartixa no banheiro ou uma harpia na praça.


Talvez isso explique porque nossa expansão foi acompanhada pelo fim dos outros humanos que já ocupavam as novas posses.


Antecipando o que viria depois, das Guerras dos Bárbaros no nosso nordeste ao genocídio dos Iarumá pelos Kuikúru do Xingu, a expansão dos sapiens coincide com o fim dos neandertais da Eurásia, erectus e hobbits da Indonésia, denisovas da Sibéria e outros que sabemos terem existido graças a genes perdidos entre os nossos. Se a história recente é exemplo, lembranças tanto de encontros amorosos como de violência.



Aqui existiam dragões
Fig 5 Peter Trusler
A Austrália antes da chegada dos sapiens. Um leão-marsupial (Thylacoleo) defende sua presa 
de um dragão (Megalania) enquanto um diprotodon, um canguru-gigante e dois tilacinos 
observam. Um mihirung (Genyornis) foge pela esquerda. 


Ilustração: Peter Trusler / Museu Victoria

A invasão dos sapiens não obliterou apenas outros humanos. O mundo encontrado pelos exploradores que deixaram a África era um mundo de criaturas fantásticas (a BBC fez uma série sobre elas).


Entre Portugal e a Sibéria viviam manadas de mamutes, cervos gigantes, rinocerontes lanudos, unicórnios (Elasmotherium), saigas, auroques, onagros, renas e bois-almiscarados, caçados por leões, hienas, leopardos e gatos-cimitarra.


Após alguns milênios de atrito estes animais estavam reduzidos a refúgios ou extintos, os últimos mamutes morrendo em sua derradeira ilha ao redor de 1.700 AC, quando as pirâmides já eram velhas.


Na isolada Austrália havia pelo menos 54 espécies de grandes mamíferos (mais de 40 kg), além de mihirungs, crocodilos terrestres e dragões. Todos extintos entre a chegada dos primeiros humanos e a do Capitão Cook em mais um processo de atrição que levou milhares de anos.


A extinção de grandes herbívoros - que convertiam biomassa vegetal em carne - e o uso do fogo pelos aborígenes favoreceram espécies pirófilas como os eucaliptos. O continente ganhou vastas regiões sujeitas a incêndios catastróficos, que todo ano assistimos nos noticiários.


Na América do Norte, 34 gêneros de grandes mamíferos foram eliminados, enquanto a América do Sul perdeu 52 gêneros entre a primeira ocupação humana e a chegada de Colombo.


O Brasil de então, com várias espécies de preguiças gigantes variando de maiores que um elefante ao tamanho de um carneiro, gliptodons, mastodontes, macrauquênias, cavalos, lhamas, toxodons, etc., etc., etc., humilharia qualquer savana africana de hoje.


Alguns bichos, como Mylodons, gliptodontes e tigres-dentes-de-sabre persistiram até 7-8 mil anos atrás, 5 mil anos após humanos se tornarem evidentes no registro paleontológico.
Como na Austrália, há evidências de mudanças profundas nos ecossistemas após sua extinção, incêndios mais frequentes e intensos deixando seus rastros nos sedimentos. A paleontologia e comparações com as savanas africanas de hoje fazem pensar que os regimes de fogo que caracterizam o Cerrado de hoje são mais destrutivos do que seriam se a megafauna estivesse presente.


E que somos um bom exemplo de como espécies invasoras causam profundas alterações nos ecossistemas.


Junto com os grandes mamíferos desapareceram dezenas espécies de aves, como pássaros-trovão, condores de bolso e pássaros que direta ou indiretamente dependiam daqueles gigantes, tanto fonte de alimento como engenheiros ecossistêmicos.


Da mesma forma, dezenas (centenas?) de plantas perderam seus dispersores de sementes primários.


Os ecossistemas que temos hoje são muito diferentes, e mais pobres, do que seriam se os sapiens tivessem ficado em casa. Quem fala que não existe natureza intocada está absolutamente certo. Dizer que humanos criaram e mantém ecossistemas mais ricos do que existiriam sem eles tem tanta base científica quanto a astrologia.


Ilhas foram o último refúgio
Figura 3
Tigres-dentes-de-sabre, macrauquênias, cavalos extintos (Hippidion), mastodontes, 
um gliptodonte e uma preguiça-gigante (Megatherium) em um cenário que poderia ser 
o interior do Rio Grande do Sul ou Santa Catarina. Ilustração: Mauricio Antón.


A(s) causa(s) das extinções associadas à expansão humana são tema de velho debate entre quem culpa a mudança climática na transição entre o Pleistoceno e o Holoceno (o período de 11.700 anos atrás até hoje); os que culpam os humanos, seu fogo, seus cães e suas armas; e os que propõem uma combinação de fatores.


Um fato evidente é que ilhas – do Mediterrâneo ao Caribe e Oceania - passaram incólumes pelas mudanças climáticas do Pleistoceno-Holoceno apenas para sofrerem extinções em massa após a chegada dos primeiros humanos.


Pelo menos 13 espécies primas do Mylodon viviam nas ilhas maiores do Caribe. Após darem as boas-vindas ao Holoceno, todas foram extintas, junto com outros mamíferos, corujas gigantes e condores, ao redor de 4.400 anos atrás. Exatamente após a chegada dos ameríndios àquelas ilhas.


As ilhas do Pacífico foram colonizadas apenas nos últimos 3 mil anos. Estima-se que os polinésios – que se expandiram em um processo viral associado a explosões demográficas - eliminaram pelo menos 2 mil espécies de aves. Para entender o desastre, hoje são reconhecidas cerca de 11 mil espécies vivas no mundo, com 140 extintas desde 1500.


A civilização capitalista ocidental ainda não chegou ao nível daqueles povos pré-industriais que tanto inspiraram a ideia do bom selvagem amigo da ecologia.


Os últimos 16 mil anos foram um período de mudanças climáticas rápidas, como o evento chamado Younger Dryas (12.900-11.700 anos atrás), que derrubou as temperaturas médias regionais entre 1 e 6°C em poucas décadas.


Mas isso não era novidade. Eventos similares já haviam acontecido muitas e muitas vezes ao longo do Pleistoceno. O padrão, revelado pelo estudo de DNA antigo, era que quando o clima ficava hostil (para muitas espécies isso significava aquecimento), populações sofriam declínios e as áreas de ocorrência podiam encolher, ficando restritas a refúgios onde o clima e a vegetação eram adequados.


A novidade foi que, começando 50 mil anos atrás, não havia mais refúgios sem populações de sapiens invasores fazendo o que nós fazemos melhor.


Fomos nós
Fig 4_Mauricio_Antón
Parte da fauna que os primeiros sapiens encontraram quando chegaram à Europa. Mamutes, rinocerontes-lanosos, cavalos e leões dividiam a paisagem com os neandertais nativos. Ilustração: Mauricio Antón


Estudos recentes (veja aqui, ou aqui e aqui) demonstram a estreita associação entre a expansão de nossas populações e as extinções observadas (incluídos os neandertais) nos continentes. É inescapável que humanos foram a causa primária e necessária da catástrofe, e o clima causa acessória, com sinergias prováveis em pelo menos alguns casos.


Uma conclusão é que somos a mais destruidora dentre as espécies exóticas e invasoras, embora não nos listem no catálogo oficial das espécies-praga danosas à biodiversidade.
Outra é que se Colombo e Cabral tivessem encontrado uma América sem humanos é muito provável que Darwin (e outros exploradores) tivesse encontrado Mylodons em carne e osso, e não apenas ossos.


É evidente a continuidade entre povos pré-históricos e as civilizações que os sucederam, desde os antigos egípcios até os usuários de iPhone e comedores de muriquis de hoje. E que há muito tempo que não há ecossistemas intocados devido ao legado de destruição ambiental e extinção deixado por povos que nem imaginavam o que era uma bolsa de ações ou para que servia o petróleo.


É irônico que um dos poucos casos onde se tentou atribuir consequências positivas à antiga ação humana se refira às terras pretas da Amazônia. Depósitos de lixo e latrinas deixados por civilizações pré-europeias que adubaram florestas que cresceram somente porque aquelas populações humanas colapsaram, provavelmente graças a germes que acompanharam os primeiros exploradores europeus e seus pets.


É de se pensar o que o registro arqueológico futuro mostrará de nossa civilização. Uma camada de plástico marcando o pico da Sexta Grande Extinção que começou quando uma espécie invasora deixou sua África natal?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Maior Seca Dos Últimos 100 Anos Provoca Crise Hídrica No Ceará E Gera Restrições De Consumo

segunda-feira, 19 de setembro de 2016



Desde 1910, o Ceará não passava por uma seca tão severa como a dos últimos cinco anos, revela levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), com base nos volumes de chuva dos últimos 100 anos. Antes desse período de estiagem, somente a seca de 1979 a 1983 havia sido tão grave e longa: a média anual de chuvas registrada na época foi de 566 milímetros (mm). De 2012 a 2016, a média caiu para 516 mm.
 
 
A pouca água acumulada nos reservatórios, chuvas abaixo da média histórica, o crescimento da população nas zonas urbanas e o incremento de atividades econômicas no estado são fatores que, aliados, culminam na crise hídrica atual.
 
 
Segundo o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), João Lúcio Farias de Oliveira, os 153 açudes monitorados pelo órgão tiveram recarga média de 890 milhões de metros cúbicos (m³) em cada um dos últimos cinco anos de seca. A média anual histórica do estado é de 4 bilhões de m³. “As reservas foram caindo a cada ano, e temos perdas por evaporação muito altas: chegam a 2 mil milímetros, quando a média pluviométrica do Ceará é de 800 milímetros”, compara.
 
 
Oliveira informou que, com o fim da quadra chuvosa deste ano no Ceará (período que vai de fevereiro a maio), a Cogerh elaborou cenários com medidas e decisões necessárias para manter o abastecimento humano e as atividades econômicas no estado, notadamente na região metropolitana de Fortaleza, altamente dependente da Bacia do Rio Jaguaribe (onde fica o Açude Castanhão), que hoje tem 20% menos de água nas torneiras.
 
 
Dos açudes monitorados pela Cogerh, sete são responsáveis pelo abastecimento da região metropolitana, entre os quais os três maiores reservatórios do estado: Castanhão (capacidade para 6,7 bilhões de m³ água); Orós (1,9 bilhão de m³); e Banabuiú, (1,6 bilhão de m³). De acordo com Orós é considerado reserva estratégica e estava sendo preservado, mas começou a ofertar água para o sistema da região agora em setembro. Atualmente, o Orós conta com 21% do volume útil. O Banabuiú, com 0,58% do total da capacidade, atende hoje somente a demanda local do município, a 220 quilômetros da capital.
 
 
Além da limitação da oferta de água para a região metropolitana, Oliveira ressalta as medidas destinadas a gerar novas reservas, como o reúso da água da lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água Gavião (ETA Gavião), a perfuração de poços na região do Porto do Pecém (vazão estimada de 500 litros por segundo) e a construção de um açude no Rio Maranguapinho, que deverá contribuir com 200 litros de água por segundo.
 
 
“Temos condições de chegar à próxima quadra chuvosa com essas ações. Já estamos traçando cenários para o primeiro semestre de 2017 considerando o menor aporte hídrico. Vamos ver o comportamento das chuvas, mas já levamos em conta esses cenários para ver como será a operação dos reservatórios”, diz Oliveira. Ele destaca que as decisões são tomadas a partir de debate com os 12 comitês das bacias hidrográficas do estado, dos quais seis envolvem mananciais que abastecem a região metropolitana.
 
 
Crise hídrica no Ceará gera restrições de consumo
 
 
Na casa do mestre de obras Francisco Gomes Moreira, de 63 anos, a frequência com que a roupa é lavada diminuiu. E a água usada na máquina de lavar é reaproveitada desde que ele levou para casa um grande recipiente de uma das obras em que trabalhou. “Nosso consumo per capita é muito pouco, e fazemos o máximo possível de economia”, diz Gomes, que mora com a mulher em Fortaleza.
 
 
A família é uma das que conseguiram se encaixar na meta de 10% de redução de consumo de água, definida pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) no fim do ano passado para enfrentar os efeitos da seca que atinge o estado há cinco anos. A partir deste domingo (18), porém, a meta vai dobrar: 20%.
 
 
Por causa da situação crítica dos reservatórios que abastecem Fortaleza e 17 municípios da região metropolitana, a Cagece foi autorizada a aplicar tarifa de contingência de 20% sobre a média do consumo de água da população – ou seja, os consumidores podem gastar até 80% dessa média, calculada com base no período de outubro de 2014 a setembro de 2015. Quem passar disso fica sujeito a pagar multa de 120% sobre as tarifas.
 
 
“Na nossa casa, está tudo dentro do padrão, da meta de 10%. Agora, com 20%, vai complicar um pouco. Vamos esperar chegar a próxima conta d’água para ver como podemos diminuir ainda mais o consumo”, planeja Gomes. A região metropolitana de Fortaleza concentra 3,7 milhões dos 8,9 milhões de habitantes do Ceará.
 
 
A nova meta de redução de consumo faz parte do Plano de Segurança Hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza, lançado em agosto, e reflete a diminuição do volume de água que chega para a população e para o comércio e a indústria.
 
 
Reservatórios: situação preocupante
 
 
A situação do Açude Castanhão, um dos principais reservatórios de abastecimento da região, é preocupante. Considerado o maior açude de usos múltiplos do Brasil, o Castanhão está com apenas 6,6% da capacidade útil, que é de 6,7 bilhões de metros cúbicos (m³). Com o uso, a falta de chuvas e a evaporação, a cada dia, o volume cai.
 
 
Há outas ações em curso para enfrentar os efeitos da seca na região metropolitana, como o reaproveitamento da água da lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água Gavião ETA Gavião) e a perfuração de poços na região do Porto do Pecém, a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza, além de fiscalizações para evitar a perda de água por vazamentos e ligações clandestinas.
 
 
O objetivo dos órgãos responsáveis pelos recursos hídricos no estado é evitar o racionamento. “O racionamento seria uma medida extrema, em que não conseguiríamos ofertar água e a população carente seria a mais afetada. Estamos nos esforçando para evitar isso”, afirma o superintendente comercial da Cagece, Agostinho Moreira.
 
 
Desde a implantação da tarifa de contingência de 10%, apenas metade da meta foi alcançada. Em julho e agosto (ainda com dados preliminares), a redução de consumo de água ficou em 6%. Agora, mesmo com a meta dobrada, Moreira diz que o dado, antes de ser preocupante, reflete a adesão da população à medida. “O aumento da tarifa de contingência é uma das ações do Plano de Segurança Hídrica. As ações se somam e uma ajuda a outra para a redução do consumo.”
 
 
O reúso da água da lavagem dos filtros da ETA Gavião começou no dia 6 deste mês. Segundo Moreira, o sistema que trata essa água e a faz retornar para a população fornece cerca de 300 litros por segundo, o suficiente para abastecer uma cidade com população de 150 mil pessoas.
Fonte: EcoDebate
 
 

Ação humana é responsável por mais de 90% dos incêndios florestais no país



Fogo representa risco permanente à fauna e à flora brasileiras, além de danos à saúde humana e aumento do aquecimento global

 
 
O governo federal vem alertando para o alto risco de queimadas e incêndios florestais neste período do ano, com pico neste mês de setembro. Devido a uma estiagem prolongada provocada pelo El Niño nos últimos dois anos, as áreas ficaram mais suscetíveis aos incêndios, que causam prejuízos à fauna e à flora brasileiras, além de danos à saúde do homem.
 
 
Entretanto, “mais de 90% dos incêndios têm ação humana”, destaca o chefe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Gabriel Zacharias. “Temos o caso do produtor que vai fazer uma queimada no fundo o quintal e perde o controle do fogo, provocando um incêndio gigantesco. E existem os incêndios dolosos, em áreas de conflito ou em florestas sendo transformadas em pasto.”
 
 
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2016 houve um aumento de 65% nos focos de queimadas e incêndios florestais em relação ao mesmo período do ano passado. Até o dia 5 de agosto, foram registrados mais de 53 mil focos.
 
 
Fiscalização
 
 
O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), está fiscalizando as queimadas criminosas e orientando os produtores rurais nas melhores práticas de preparo da terra.
 
 
“Contratamos brigadas e estamos mantendo a situação sob controle. O nível de queimadas não aumentou como previsto para este mês”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.
 
 
“Para o ano que vem, faremos com mais calma a prevenção. Já sabemos os meses e as áreas mais propícias a queimadas. Então, tenho certeza que com essas ações vamos diminuir bastante o número de queimadas”, ressaltou o ministro, que no início de agosto lançou em cadeia nacional a campanha Fogo no mato, prejuízo de fato.
 
 
Segundo o Prevfogo, neste ano foram contratados 834 brigadistas, que estão atuando em 50 brigadas distribuídas por 18 Estados, sobretudo na região Noroeste do Brasil, fronteira do Cerrado com a Amazônia, no chamado arco do desmatamento. Os brigadistas recebem capacitação, assistência técnica, equipamentos de combate e proteção individual e veículos 4×4.
 
 
Fonte: EcoDebate

Dossiê Monsanto: em risco, a alimentação do mundo








Vandana Shiva e a Batalha das Sementes
Como a imensa diversidade alimentar do planeta, mantida pelos agricultores por milênios, é ameaçada por empresas como a Monsanto. Quais as possíveis resistências. Por Vandana Shiva



Transgênicos: mais uma trapaça
Mídia deu, em todo o mundo, vasta repercussão a relatório norte-americano que atesta suposta “segurança” dos OGMs. Mas agora sabe-se quem financiou o estudo… Por Nadia Prupis



As razões do Dia Mundial contra a Monsanto
Dezenas de países preparam, em 23/5, protesto contra transnacional que, além de atentar contra ambiente e agricultores, envolveu-se com submundo da política e dos exércitos privados. Por Luã Braga de Oliveira



Ruralistas tentam aprovar sementes estéreis
Bancada conservadora no Congresso quer liberar tecnologia que torna pequenos agricultores dependentes das transnacionais do agronegócio e atenta contra biodiversidade do planeta. Por Gerson Teixeira



Deputados agem para nos empurrar transgênicos
Câmara Federal debate, de costas para sociedade, projetos que podem tornar ainda mais difícil identificar transgenia nos alimentos que consumimos. Por José Carlos de Oliveira e Juliana Dias



Cerveja: o transgênico que você bebe?
Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e podem estar levando à ingestão inconsciente de OGMs. Por Flavio Siqueira Júnior e Ana Paula Bortoletto



O mais novo fantasma da Monsanto
Estudo sugere: doença ainda inexplicada, que destrói rins e já matou milhares de agricultores, pode estar relacionada ao glifosato, herbicida-líder da transnacional. Por Jeff Ritterman



A Monsanto além do mito
Transnacional foca atuação no Brasil e lança “nova” variedade de soja transgênica. Livro-documentário expõe sua relação com modelo agrícola que é preciso superar. Por Juliana Dias



Cinco empresas querem nossas sementes
Contrariando recomendações da ONU, deputado tenta liberar tecnologia que permite a transnacionais decidir (e vender) o que agricultores plantarão. Por Julian Perez-Cassarino e Luciana Jacob



Transgênicos: mais agrotóxicos na sua mesa
Segundo governo, debate sobre impactos de novas sementes transgênicas, em vias de liberação no Brasil, deve se restringir a técnicos… Por Elenita Malta Pereira



O lado mais sujo da Monsanto
Para impor seus produtos em todo o mundo, empresa mobiliza agências de espionagem norte-americanas, vigia cientistas e dispara ataques cibernéticos. Por Marianne Falck, Hans Leyendecker e Silvia Liebrich



Pela Coalizão contra os perigos da Bayer | Tradução: Inês Castilho
O pior dos cenários realizou-se: a Bayer comprou a Monsanto por 66 bilhões de dólares. O fato dá origem ao que é, de longe, a maior corporação de agronegócio do mundo. Segundo os resultados financeiros de 2015, as duas empresas têm um volume de negócios combinado de US$ 23,1 bilhões. Ninguém do ramo pode igualar-se a elas. Os jovens casais Syngenta / ChemChina e Dupont / Dow as seguem de longe (US$ 14,8 e 14,6 bilhões, respectivamente), e a Basf está relegada ao quarto lugar, com US$ 5,8 bilhões.




A Bayer e a Monsanto controlam, juntas, cerca de 25% do mercdo mundial de pesticidas; e de 30% das vendas de sementes agrícolas — tanto as geneticamente modificadas quanto as convencionais. Considerando-se somente as plantas transgênicas (OGM), as duas corporações juntas atingem uma clara posição de monopólio, com mais de 90%.




“Com a aquisição da Monsanto pela Bayer, a concentração no mercado do agronegócio atinge um novo pico. Os elementos chave da cadeia alimentar estão agora nas mãos de um só grupo. Os agricultores devem preparar-se para pagar preços mais altos e também terão menos escolhas. Além disso, deve piorar ainda mais o bloqueio à inovação no setor, especialmente para os herbicidas”, criticou Toni Michelmann, da Coalizão contra os males da Bayer (CBG). A organização de defesa dos consumidores SumOfUs também assumiu posição contra a compra da Monsanto. “Esta aquisição é uma ameaça ao nosso abastecimento de alimentos e a todos os agricultores do mundo”, declarou Anne Isakowitsch. “Não surpreende, portanto, que mais de 500 mil de nossos membros tenham assinado uma petição contra essa compra.”




Michelmann anunciou que a CBG quer aproveitar o Tribunal Monsanto, previsto para outubro, em Haia, para articular-se com as diversas iniciativas contra a Monsanto e redirecionar a partir de agora a resistência, centrando-a sobre a Bayer. A primeira ação coletiva prevista pela coordenação ocorrerá na próxima assembleia geral da multinacional de Leverkusen, no Parque de exposições de Colônia, na Alemanha, em 28 de abril de 2017. “A lista de oradores dificilmente se esgotará num só dia. A Bayer pode, por precaução, reservar também o dia 29 de abril”, recomenda Michelmann à corporação global. Ele mencionou ainda uma “Marcha contra a Bayer”, que será dirigida a Leverkusen.




“O grupo pode esperar desde já o aumento da pressão contra si. Pressão contra uma política comercial que finge lutar contra a fome, mas aposta sobretudo nas monoculturas de soja e de milho para alimentar a pecuária industrial e que, com seus pesticidas, coloca em perigo polinizadores como as abelhas, tão importantes para as culturas aráveis . Uma política comercial que se baseia em tecnologias de risco como manipulações genéticas, uma política que, ao invés de buscar alternativas, leva mais e mais venenos para o campo”, afirma o químico.




Segundo a Coalizão, os políticos devem agir. E não é possível contentar-se com procedimentos cosméticos por parte da Comissão Europeia para a Concorrência. Não bastam pequenas medidas, como separar-se do setor algodoeiro ou livrar-se de certos pesticidas, especialmente porque a Basf já está de olho nesse tipo de produto. Os políticos devem também levar em conta o impacto sobre o emprego e o regime fiscal. Não é possível que a Bayer obtenha deduções fiscais para essa aquisição, e as cidades onde se encontram suas indústrias fiquem numa penúria ainda maior. Também é excluída desde já qualquer tentativa, por parte da empresa, de reduzir a dívida contraída pela operação de compra com o corte de empregos e medidas de reengenharia.




Axel Köhler-Schnura, da CBG, conclui: “A cínica partida de pôquer em torno da Monsanto, animada por pura cupidez, mostra mais uma vez que a alimentação do mundo é uma questão séria demais para ser deixada nas mãos dos gigantes do agronegócio. O que a Coalizão contra os males da Bayer recomenda, portanto, é colocar as corporações sob controle social.” (Outras Palavras/ #Envolverde)



* Publicado originalmente no site Outras Palavras.