domingo, 13 de março de 2016

Usina de Jirau terá que remover moradores de distrito para outro local

 12/03/2016 18h14


Segundo Ana, lençol freático de Abunã está contaminado depois de cheia.


Energia Sustentável do Brasil diz que já cumpriu todas obrigatoriedades.

Do G1 RO com informações da Rede Amazônica
A usina hidrelétrica de Jirau deverá remover os moradores de Abunã para um novo local. O vilarejo, que pertence ao município de Porto Velho, ficou com lençol freático contaminado depois de ser atingido pela cheia histórica do Rio Madeira em 2014. De acordo com relatório da Agência Nacional de Água (Ana), a contaminação da água aconteceu por causa da cota de remanso da usina de Jirau.


Conforme relato dos moradores de Abunã, desde a cheia histórica tudo ficou diferente na comunidade. Ruas, que até 2014 eram cascalhadas, hoje estão cheias de sedimentos que foram levados pela água do rio. A cada chuva na região, as ruas ficam completamente alagadas por vários dias.


Muitas das casas foram abandonadas, mas ainda há famílias que trabalham diariamente retirando a terra acumulada para recuperar o imóvel, dois anos depois da cheia do Madeira.
"O nível da rua aqui era o mesmo da minha vizinha aqui. Não tinha nenhuma casa abandonada, aí depois que veio a enchente o pessoal teve que abandonar suas casas", diz a dona de casa Neuzimar de Lima.
Casas ainda tem marca da cheia histórica de 2014 (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)Casas ainda tem marca da cheia histórica de 2014 (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
 
Os sedimentos que se acumulam próximo ao Rio Madeira estão cedendo, provocando desbarrancamento. De acordo com uma moradora do distrito, a vizinha dela abandonou a casa, pois o quintal estava sendo 'engolido' pelas águas do rio. "Ela ficou com medo de anoitecer dentro da casa e amanhecer lá dentro do rio. O barranco ia até a mata verde. Aquilo ali caiu já tem poucos dias", afirma Cristiane Cortez de Moraes.

Doenças
Desde a cheia de 2014, os moradores de Abunã estão sofrendo com várias doenças de pele, provavelmente causadas por causa da água.

A aposentada Lindalva Teodora está com uma mancha no tornozelo há dois anos e não consegue tratá-la. "Desde que comecei a baldiar a casa apareceu uma coceira. Já fui no médico, já passaram pomada, mas ela continua ai", diz.

Conforme os moradores, as plantações agrícolas também foram prejudicadas com a cheia e hoje não produzem mais nada. Um frigorífico que havia começado a funcionar em 2014 fechou as portas depois da cheia histórica, desempregando mais de 200 pessoas.
Cheia de 2014 desabrigou centenas de famílias do distrito (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)Cheia de 2014 desabrigou centenas de famílias do distrito (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Contaminação
Segundo avaliação da Ana, a comunidade foi afetada diretamente pela cota de remanso da usina de Jirau, que atingiu e contaminou o lençol freático. O órgão pede que a hidrelétrica mude os moradores de Abunã para outro local ou indenize as famílias.

Com a divulgação do relatório da Ana, uma equipe da Defesa Civil da capital de Rondônia foi até a localidade a fim de fazer um levantamento de quantas famílias existem atualmente na comunidade.

A Ana também pede que a usina eleve trechos da BR-364 para evitar futuras inundações da rodovia federal.
Após relatório, Ana pede remanejamento de moradores do local (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)Após relatório, Ana pede remanejamento de moradores do local (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Segundo o secretário de projetos especiais de Porto Velho, Vicente Bessa, a retirada dos moradores do local é possível, mas não será nada fácil. "Isso aqui é processo demorado. Não se resolve do dia pra noite. Tem que fazer um levantamento de bens e imóveis no distrito", diz.Ainda conforme o secretário, o assunto deve ser discutido na próxima reunião do conselho administrativo da Jirau, mas ainda não existe prazos sobre esta mudança.


A Energia Sustentável do Brasil informou que a construção e a operação de Jirau foram devidamente licenciadas, conforme legislação do setor de energia. Todas obrigatoriedades e compensações sociais foram cumpridas, o que não inclui nenhuma ação de remanejamento da população de Abunã.

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