segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Cura "gay".

Psicólogos e psicopatas
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 2 de julho de 2012
 

Não creio que a atração erótica entre pessoas do mesmo sexo seja antinatural e não vejo mesmo nenhum motivo, em princípio, para classificá-la como doença. Também é fato que o termo “homossexualismo” não corresponde a um fenômeno homogêneo e sim a uma variedade de impulsos, desejos e comportamentos, numa gama que vai desde a repulsa ao outro sexo até a completa identificação com ele. Se na linguagem da propaganda condutas tão díspares são reduzidas artificialmente à unidade de símbolos ideológicos, com valores opostos conforme as preferências de quem os use, isso não é motivo para que os profissionais da saúde mental se deixem levar por idêntica histeria semântica e, violando a regra mais básica da técnica lógica, tirem conclusões unívocas de termos equívocos.

Resta, ademais, um fato incontornável: como toda e qualquer outra conduta sexual humana, o homossexualismo, em toda a diversidade das condutas que o termo encobre, nem sempre emana de um desejo sexual genuíno. Pode, em muitos casos, ser uma camuflagem, uma válvula de escape para conflitos emocionais de outra ordem, até mesmo alheios à vida sexual. É possível e obrigatório, nesse caso, falar de falso homossexualismo, de homossexualismo neurótico ou mesmo psicótico, para distingui-lo do homossexualismo normal, nascido de um autêntico e direto impulso erótico.

A proibição de dar tratamento psicológico a pacientes que sintam desconforto com a sua vida homossexual resulta num impedimento legal de distinguir entre esses dois tipos de conduta especificamente diferentes, entre o mero impulso sexual e a sintomatologia neurótica, equalizando, portanto, homossexualismo e doença.

Por outro lado, essa diferença, em cada caso concreto, não pode ser estabelecida a priori, mas só se revela no curso da psicoterapia mesma. É previsível que, uma vez removido o conflito profundo, o interesse pela prática homossexual diminuirá ou desaparecerá nos portadores de homossexualismo neurótico, ao passo que os homossexuais normais continuarão a sê-lo como antes.

A proibição de distingui-los resulta, portanto, em encobrir a neurose sob uma carapaça de proteção legal, fazendo do Estado o guardião da doença em vez de guardião da saúde.

A proposta de consagrar aquela proibição em lei revela, nos seus autores, a incapacidade de fazer distinções clínicas elementares, e esta incapacidade, por sua vez, nos dá a prova incontestável de uma incultura científica e de uma inépcia profissional suficientes para justificar que essas pessoas sejam excluídas da corporação dos psicólogos. A autoridade desses indivíduos para opinar em questões de psicologia é, rigorosamente, nenhuma.

Porém há ainda algo de mais grave. A proposta da proibição acima mencionada vem no contexto de um movimento criado para proibir e punir como “crime de homofobia” toda opinião adversa à conduta homosexual, independentemente da linguagem serena ou inflamada, polida ou impolida, racional ou irracional com que essa opinião se expresse. Pareceres científicos, juízos filosóficos e ensinamentos doutrinais das religiões são assim nivelados, como delitos, aos insultos mais grosseiros e às manifestações mais ostensivas de preconceito e discriminação.

Com toda a evidência, nenhuma palavra contra a conduta homosexual neurótica ou sã será permitida.

Ao longo de toda a História, nenhuma outra conduta humana gozou jamais de tão vasto privilégio, de tão abrangente proteção. Nenhuma esteve jamais imunizada por lei contra a possibilidade de críticas. Não o é, por exemplo, nenhuma conduta política. Não o é nenhuma qualidade humana, por mais excelsa e respeitável. Não o é a genialidade artística ou científica, a honestidade impoluta ou mesmo a santidade. Não o é a vida pública ou privada de quem quer que seja. Não o é nem mesmo a conduta usual de um casal heterossexual, freqüentemente criticada como sintoma de trivialidade e falta de imaginação. Não o é, por fim, o próprio Deus, contra o qual se dizem e se escrevem, livremente e sem medo de punição, toda sorte de barbaridades.

A proteção legal que se reivindica para o homossexualismo é tão claramente megalômana, tão desproporcional com os direitos de todas as demais pessoas e grupos, que resultará em fazer dessa conduta um domínio – o único domínio – separado da vida e superior a ela, intocável, inacessível às opiniões humanas.

A proposta é tão inequivocamente demencial que o simples fato de que a mídia e o Parlamento cheguem a discuti-la a sério já é prova de que boa parte da sociedade – justamente a parte mais falante e ativa – perdeu o senso inato da distinção não só entre o normal e o patológico, mas entre realidade e fantasia.

Segundo o grande psiquiatra polonês Andrzei Lobaczewski (v. Political Ponerology, 2007), isso acontece justamente quando os postos de liderança estão repletos de personalidades psicopáticas, as quais, com suas ações temerárias e sua fria insensibilidade às emoções normais humanas, acabam, quando triunfantes, por espalhar na população em geral um estado de confusão atônita, de falta de discernimento e, no fim das contas, de estupidez moral.

Homossexuais podem ser pessoas normais e saudáveis? É claro que podem. Mas o que leva alguém a defender mutações jurídico-políticas tão monstruosas quanto aquelas aqui mencionadas não é nenhum impulso sexual, seja homo, seja hetero. É a psicopatia pura e simples. Mais que incompetentes e indignos de exercer a profissão de psicólogos, os apóstolos de tais medidas são mentes deformadas, perigosas, destrutivas, cuja presença nos altos postos é promessa segura de danos e sofrimentos para toda a população.





Rir faz muito bem...

Charge

 

Estado de Minas

Tributo à inoperância.

Tributo à inoperância-Ari Cunha

Correio Braziliense


                          

          Ninguém pode contestar a importância dos impostos para a sobrevivência do Estado. A própria realidade dessa entidade jurídica que reúne nação, território e governo, é atribuída ao poder de financiamento com origem nos tributos. Quanto mais organizados os serviços de arrecadação mais desenvolvido e   próspero é o Estado. Além da coleta e da distribuição racional dos recursos a fiscalização faz-se necessária. 

     O aparecimento e formação das primeiras civilizações deu-se ao mesmo tempo em que foram se aperfeiçoando os sistemas de coleta de tributos. Se a origem dos impostos se perde na névoa dos tempos, a adoção de critérios mais “justos” quanto a destinação da riqueza arrecadada ou seja seu investimento na própria sociedade só se verificou após períodos de depressão econômica. 

       O nascimento do chamado welfare state ou Estado previdenciário em que a organização política e econômica do Estado é posta a serviço do bem-estar da sociedade é fato recente e exemplo seguido em grande parte do Ocidente. À noção de bem-estar social liga-se diretamente ao conceito de direitos sociais e à concepção de dignidade humana e direito a uma vida saudável e feliz. Dessa forma é comum que logo no preâmbulo das constituições de países democráticos, o indivíduo seja destacado como foco principal das ações do Estado. 

       A saúde, segurança, educação, transporte e outros direitos civis passam a se constituir preocupação primeira do Estado. Por outro lado, o welfare state no Brasil , existe , ainda, apenas na intenção do legislador e na letra impressa em nossa Carta Magna. Se tomarmos como resultante das ações do welfare state o Índice de Desenvolvimento Humano ou IDH que é utilizado pela ONU para analisar a qualidade de vida da população, com itens como escolaridade, renda, nível de saúde e outros, o que se constata, logo de saída, é que o Estado Brasileiro ainda está bem longe de um nível minimamente aceitável de bem-estar de sua população. 

       Ocupando a 85ª posição entre 187 países, atrás de países como a Azerbaijão,(!!!) o Brasil é um bom laboratório de pesquisa para os analistas do assunto. Diante de realidade como esta, fica até embaraçoso explicar que o mesmo governo que se gaba de haver arrecadado mais de R$ 1 trilhão em apenas 11 meses governa uma população que trabalha quase meio ano só para quitar dívidas com a Receita Federal. E mais. 

       Depois disso, a posição no IDH perante o mundo não mostra o que deveria ser matematicamente ou logicamente. É que corrupção não é nem ciências nem exatas. O mais incrível nesta história é que o nosso Fisco não cora de vergonha. Pelo contrário, espalha o orgulho   que sente com os altos índices de recolhimento de impostos. 

       A respeito do assunto, é bom que as autoridades abram logo os livros de história do Brasil, no capítulo que trata sobre as relações econômicas entre a colônia e metrópole, e comecem a repensar , o quanto antes, o atual modelo fiscal. Caso contrário   Inconfidências e Conjurações   poderão ressurgir das cinzas. 

T de teimosos (ou de Tolos?)

T de teimosos

         
      De repente ficamos sem borboletas. As abelhas desapareceram. O que era milho já não é mais. Qualquer pacotinho de derivados do milho é possível ver a marca T   ,do transgênico. A mesma coisa com produtos da soja. Mais herbicidas e mais culturas geneticamente modificadas para tolerar os herbicidas. Produtos químicos que solucionariam alguns problemas trouxeram dezenas de outros na composição. As políticas do governo são atabalhoadas, sem planejamento. Basta ver a falta de fiscalização na agricultura.
      Estímulo ao uso do agrotóxico e da monocultura. Flavia Londres, engenheira agrônoma pela USP mostra em pesquisa que o “governo federal concede redução de 60% da alíquota de cobrança do ICMS a todos os agrotóxicos e isenta completamente de IPI, PIS/Pasep e Cofins os agrotóxicos fabricados a partir de uma lista de dezenas de ingredientes ativos (incluindo alguns altamente perigosos como o metamidofos e o endossulfam, que recentemente tiveram o banimento determinado pela ANVISA)".
      Enquanto isso,   em nossas casas de alguma forma fazemos o mesmo. “Limpamos o terreno” impondo um asseio quase que maníaco aos jardins.   Ervas   daninhas e folhas mortas são retiradas organizando o que deveria ser naturalmente uma confusão orgânica necessária à natureza. Desdenhamos os matos comestíveis como a azedinha, serralha, picão, dente de leão, cactáceas, caruru (parente da fashion quinoa). Nada a ver com o Natal?   Tem sim. O mundo recusa o que é dado de graça e pela Graça. (Circe Cunha) 
Ari Cunha- Correio Braziliense

Criminalidade fora de controle!Presidios prometidos NUNCA foram concluidos!

Quadrilhas recrutam adolescentes para cometerem crimes no DF  

Diante da falta de vagas nos centros de internação do Entorno, quadrilhas recrutam adolescentes dos municípios vizinhos para cometer roubos, sequestros e homicídios na capital. Lei obriga que os infratores cumpram pena mais perto de casa

Saulo Araújo
Publicação:Correio Braziliense:  30/12/2013 07:05 

Estrutura precária: a Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), em Luziânia, tem apenas dois agentes para investigar delitos e buscar testemunhas (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 11/12/13 )
Estrutura precária: a Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), em Luziânia, tem apenas dois agentes para investigar delitos e buscar testemunhas

A falta de vagas para manter os adolescentes infratores internados no Entorno não é um problema limitado à região vizinha ao Distrito Federal. Com a certeza da impunidade nas cidades goianas, jovens em conflito com a lei passaram a ser usados por quadrilhas para roubar carros, traficar e até cometer assassinatos. Eles assumem a linha de frente nos crimes por saberem que, caso sejam apreendidos, dificilmente cumprirão medida socioeducativa em regime fechado.

Há dois dias, o Correio mostra, por meio da série Jovens sem lei, o caos instalado nesses municípios goianos. De cada 10 adolescentes recolhidos pela polícia — e que a Justiça entende ser necessária a internação—, apenas três são encaminhados, de fato, aos estabelecimentos prisionais construídos exclusivamente para eles. O problema decorre da falta de vagas nos dois centros da região. O Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Luziânia, há um ano, opera com restrições. Uma decisão judicial determinou que o local reduzisse de 60 para 20 a capacidade em virtude de uma reforma promovida pelo estado no prédio. A obra extrapolou o prazo. Já o centro de Formosa está sobrecarregado.


Os jovens integrantes de organizações criminosas do Entorno recrutados para promover crimes no DF sabem que, mesmo apreendidos em solo brasiliense, serão recambiados para as suas cidades de origem. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) defende que eles devem ser internados no local mais próximo da sua residência (leia O que diz a lei).

Os promotores da Infância e Juventude do DF, todos os meses, encaminham à Justiça goiana processos de menores de 18 anos acusados de roubos, sequestros, tráfico e assassinatos em Brasília para que as medidas sejam executadas no Entorno (veja fac-símile). Foram mais de 40 só em 2013. “É enorme a quantidade de adolescentes que saem das cidades goianas em busca de bens materiais dos moradores da capital”, frisou o promotor Renato Varalda.

Enquanto isso, no DF: 

Domingo violento (29/12/2013) tem quatro assassinatos em 14 horas no Distrito Federal Os crimes ocorreram em Taguatinga, Recanto das Emas, Sobradinho e Guará


Correio Braziliense- Publicação: 30/12/2013 10:06 Atualização: 30/12/2013 10:12
 

A Polícia Civil registrou pelo menos quatro homicídios no domingo (29/12) em um período de 14 horas. Os crimes ocorreram em Taguatinga, Recanto das Emas, Sobradinho e Guará.

Em Taguatinga Sul, uma mulher de 49 anos foi atingida por um tiro quando saía de de uma clínica na CSE 6 com o marido e dois filhos. Por volta da 0h30, a vítima foi alvejada durante um assalto praticado por três bandidos. A mulher foi levada com vida para um hospital particular, mas não resistiu ao ferimento. O caso foi registrado na 21ª DP e ninguém foi preso.

Mais tarde, por volta das 8h50 o corpo de um homem foi encontrado na DF-180, próximo à entrada da Embrapa, no Recanto das Emas. A polícia ainda não identificou o rapaz que morreu a tiros. A 27ª DP investiga o crime.


Na Quadra 10 de Sobradinho I, um homem de 39 anos foi morto a tiros na rua por volta das 14h20. A vítima morreu no local. O caso foi registrado na 13ª DP.

Outro assassinato foi registrado na QE 38 do Guará II por volta das 14h30. Um homem de 23 anos foi atingido. Ele também morreu no local do crime. A 4ª DP investiga o crime.

 83.500 vagas foram prometidas em presídios, mas nenhuma entregue  

A detenção dos mensaleiros trouxe à tona o problema da superlotação nas penitenciárias do país. Só na gestão petista, o governo federal lançou dois planos para construção de presídios, sendo o último em 2011. Nada foi concluído


Renata Mariz
Publicação: Correio Braziliense 30/12/2013 07:02 Atualização:

Presos amontoados em Formosa (GO): faltam 240 mil vagas no sistema penitenciário (Carlos Vieira/CB/D.A Press - 7/11/07)
Presos amontoados em Formosa (GO): faltam 240 mil vagas no sistema penitenciário

A presença de visitantes ilustres, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal José Genoino, descortinou o mundo caótico do sistema prisional no Brasil, conhecido bem só pelos profissionais que nele trabalham ou quem o estuda. Quando os primeiros mensaleiros foram presos no Complexo Penitenciário da Papuda, advogados se apressaram em bradar as ilegalidades. A primeira delas, alocar detentos de regime semiaberto em unidade fechada, evidencia uma das principais mazelas do setor: a falta de 240 mil vagas para abrigar 548 mil apenados. O problema da superlotação poderia ser menor caso o governo federal, chefiado nos últimos 11 anos pelo partido dos detentos mais célebres do caso, tivesse cumprido os dois planos lançados para a área carcerária, com a promessa de 83,5 mil vagas. Desse total, nenhuma foi entregue até agora.


O levantamento das promessas para o sistema prisional faz parte de um balanço que o Correio publica hoje e amanhã sobre o tema. A primeira investida no setor foi dada ainda pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No bojo do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), ele incluiu a abertura de 41 mil vagas em unidades de jovens e adultos. A ideia era separar os presos por idade, crime cometido, periculosidade, reincidência. Nada foi criado e a tal separação, imprescindível para uma boa gestão do sistema, só é cumprida, hoje, por cerca de 30% dos estabelecimentos prisionais do país, de acordo com pesquisa feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Lula passou o bastão para a atual presidente, Dilma Rousseff, que reembalou a promessa em 2011, falando em 42,5 mil vagas para mulheres e presos provisórios. Por enquanto, nada saiu do papel.

As 32 mil vagas que surgiram no período das promessas presidenciais não cumpridas, de 2008 para cá, foram criadas pelos estados, que têm responsabilidade sobre a questão penitenciária. O fato de nada do que foi anunciado em 2011 pelo governo federal ter sido entregue, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça, tem a ver com a complexidade do processo de contratação das obras. Em nota, o órgão afirma que é “preciso o estado elaborar o projeto, o Depen e a Caixa (Econômica Federal), na condição de mandatária da União, precisam aprová-lo (obedecendo a legislação pertinente), o estado precisa dar início ao processo licitatório, e assim por diante”. O Depen acrescentou que há cinco obras iniciadas no Ceará, Sergipe e Goiás, totalizando 1.790 vagas. Outros quatro projetos já foram licitados e os demais estão em fase inicial de análise.

A moral do Brasil

 A moral do Brasil
Olavo de Carvalho
Diario do Comercio
17 de dezembro de 2013
 
 
(.....)
Se não atentamos para os discursos, mas para as escolhas reais que as pessoas fa zem na vida, não é preciso observar muito para notar que os indivíduos que nos governam, bem como os seus porta-vozes na mídia e nas universidades, não passam do terceiro estágio, o mais baixo da moralidade convencional, em que a identidade, a coesão e a solidariedade interna do grupo prevalecem sobre a ordem social, as leis, os direitos dos adversários e quaisquer valores universais que se possa conceber (e que desde esse nível de consciência são mesmo inconcebíveis, embora nada impeça que sua linguagem seja macaqueada como camuflagem dos desejos do grupo).
 
Duas condutas típicas atestam-no acima de qualquer dúvida possível. De um lado, a mobilização instantânea e geral em favor dos condenados do Mensalão. O instinto de autodefesa grupal predominou aí de maneira tão ostensiva e tão pública sobre as exigências da lei e da ordem, que até pessoas identificadas ideologicamente ao partido governante se sentiram escandalizadas diante dessa conduta.
 
De outro lado, não havendo nenhum movimento político "de direita" que se oponha ao grupo dominante, este dirige seus ataques contra meros indivíduos e movimentos de opinião sem a menor expressão política, fingindo e depois até sentindo ver neles uma ameaça eleitoral ou o perigo de um golpe de Estado. Aí o instinto de autodefesa grupal assume as dimensões de uma fantasia persecutória que se traduz na necessidade de calar por todos os meios qualquer voz divergente, por mais débil e apolítica que seja.
 
Também não é preciso nenhum estudo especial para mostrar que essa conduta, normal na adolescência, quando a solidariedade do grupo é uma etapa indispensável na consolidação da identidade pessoal, não é de maneira alguma aceitável em cidadãos adultos investidos de prestígio, autoridade e poder de mando. Aí ela passa a caracterizar precisamente a associação mafiosa, a solidariedade no crime.
 
É evidente que, numa sociedade onde essa é a mentalidade do grupo dominante, os níveis superiores de consciência moral (pós-convencionais) se tornam cada vez mais abstratos e inapreensíveis, de modo que o máximo de moralidade que se concebe é o quarto grau, o apego à lei e à ordem. Os indivíduos cuja conduta evidencia essa motivação tornam-se então emblemas do que de mais alto e sublime uma sociedade moralmente degradada pode imaginar, e são quase beatificados. O ministro Joaquim Barbosa é o exemplo  típico.
 
  Os dois graus superiores da escala são exemplificados por um número tão reduzido de pessoas, que já não têm nenhuma presença ou ação na sociedade e passam a existir apenas em versão caricatural, como fornecedores de chavões para legitimar e embelezar as condutas mais baixas. 
 
A autopreservação paranooica do grupo dominante envolve-se com frequência na linguagem dos "direitos humanos” (quinto grau), e qualquer imbecil que tenha lido a Bíblia já sai usando a Palavra de Deus (sexto grau) como porrete para atemorizar os estranhos e impor a hegemonia do grupo "fiel" sobre os "infiéis" e "hereges".
 
Isso, e nada mais que isso, é a moralidade nacional.
 

Jogo abjeto de intercontaminação histérica.

A foto de um homem negro, ajoelhado diante de uma mulher, também negra, oferecendo um cacho de bananas como se fosse um buquê de flores foi compartilhada por Igor no grupo da UFSC na rede social Facebook.

Um caso exemplar
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 17 de dezembro de 2013
          

O episódio do estudante de Santa Catarina que provocou uma onda de protestos com uma foto-caricatura considerada racista (v. acima) é um condensado simbólico de toda a loucura nacional. Vale a pena desmembrá-lo analiticamente nos seus elementos constitutivos:

            1. O autor da piada jura não ter tido intenção racista, mas a foto é objetivamente ofensiva. A oferta de bananas em lugar de flores reduz o amor do casal negro a uma paixão entre macacos. A comparação remonta ao século XIX, quando o sucesso da concepção darwiniana do ser humano que se destacava progressivamente de seus ancestrais símios, fundindo-se com a visão do atraso e barbarismo do continente africano, espalhou entre os brancos europeus a ilusão de uma superioridade racial tanto mais persuasiva quanto mais confirmada, aparentemente, pelos testemunhos convergentes da ciência e dos viajantes. O sentido da cena remonta portanto a uma tradição cultural inconfundível, da qual nenhum estudante universitário pode razoavelmente alegar ignorância.

            2. Subjetivamente, a mesma figura pode ser usada com graus diversos de intenção ofensiva, desde o gracejo inócuo entre amigos até a afirmação franca e brutal de um programa ideológico assumido. Como a foto foi publicada, em vez de circular apenas num grupo privado, ela já não está, obviamente, no primeiro grau dessa escala, mas também não chega ao último, pois o autor parece sincero ao negar que seja ideologicamente racista e ao dizer-se perplexo ante a reação hostil da coletividade negra local. Não sendo nem uma brincadeira inocente nem uma tomada de posição ideológica, o ato só pode ser explicado como um caso de inocência perversa, o mal crônico da sociedade histérica baseada no auto-engano geral. É preciso uma boa dose de ilusão histérica para um sujeito achar que pode fazer bonito com um estereótipo racial, em público, sem parecer racista. O histérico não sente o que percebe, mas o que imagina.

            3. Alguma reação indignada dos seus colegas negros era, portanto, não somente razoável, mas inevitável. A coisa escapou da psicologia normal, porém, a partir do instante em que a militância negra recusou ouvir um pedido formal de desculpas e preferiu partir para o protesto coletivo organizado e a exigência de punição administrativa. Essa decisão evidencia o desejo de forçar o senso das proporções para dar ao caso uma dimensão que ele por si não tem, transformando um erro individual momentâneo numa atitude política que devia ser respondida com outra atitude política. Isso também é pura histeria. O histérico não reage proporcionalmente aos estímulos, mas avalia “ex post facto” o estímulo pela intensidade da sua reação. Por exemplo, se morre de medo de um gato, persuade-se de que ele é perigoso como um tigre, ou, se tem uma explosão de cólera ante uma pequena ofensa, imagina que ela foi brutal e imperdoável. É compreensível que, num reflexo automático de autojustificação, ele então deseje instilar a mesma reação nos outros, produzindo uma resposta desproporcional para espalhar a impressão de que o estímulo foi maior do que realmente foi. Essa conduta é tanto mais irresistível quando não se trata de mera reação individual, mas de um contágio coletivo. A gritaria da massa passa então a ser a unidade de medida do motivo que alegadamente a provocou. A elite revolucionária, que não se constitui de histéricos mas de psicopatas, conhece perfeitamente bem esse mecanismo e sabe desencadeá-lo repetidas vezes até que, num meio social altamente carregado de paixões ideológicas, ele se torne automático e rotineiro. Praticamente todos os “movimentos sociais”, hoje em dia, vivem disso. No caso de Santa Catarina, forçar um protesto coletivo a contrapelo do pedido de desculpas que o tornava desnecessário foi o meio encontrado para dar a um miúdo desatino individual o alcance postiço de um sinal de racismo organizado, endêmico, ameaçador.

            4. Objetivamente, uma sociedade onde a única manifestação pública de racismo observada em muitos anos foi apenas uma piada é, com toda evidência, uma sociedade sem racismo praticamente nenhum. Mas o senso de identidade da militância negra depende, em grande parte, da expectativa comum de estar permanentemente ameaçada por uma militância igual e contrária, por um racismo antinegro endêmico e perigoso. A reação à foto-piada foi produzida exclusivamente por essa predisposição, totalmente alheia à gravidade maior ou menor dessa ofensa em particular. Uma vez desencadeada, era preciso portanto dar à ofensa as dimensões de um perigo iminente e grave contra o qual era obrigatório defender a todo custo a integridade do grupo. A reação desproporcional visou precisamente a dar a impressão de racismo generalizado, de modo a justificar novas e mais violentas reações. É estímulo a um racismo negro em resposta a um racismo branco praticamente inexistente ou inofensivo, que se deseja pintar como uma ameaça temível para daí tirar vantagem psicológica e política: reforçar a identidade do grupo e ao mesmo tempo ganhar para ele o apoio da opinião pública.

            As lições do psiquiatra polonês Andrew Lobaczewski  em “Political Ponerology: A Science on the Nature of Evil Adjusted for Political Purposes” (Red Pill Press, 2007) são ilustradas diariamente pelo noticiário nacional. A esse jogo abjeto de intercontaminação histérica reduz-se a política de um país governado por psicopatas. 



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sábado, 28 de dezembro de 2013

Os brasileiros têm o maior numero de amigos " on line" do mundo!

Um povo social e aberto por natureza

Ligia Aguiar- Estado de São Paulo- quinta feira, 26 de dezembro.

SÃO PAULO – A frase “o brasileiro é o povo mais social do mundo” já virou um clichê de executivos de internet. O País figura hoje entre as três principais nações em número de usuários nas estatísticas de redes sociais de todo o mundo.

Segundo uma pesquisa realizada pela Nielsen, os brasileiros são os que mais usam mídias sociais no mundo, superando países mais populosos como Estados Unidos, Índia e China. São 27 horas online por mês – 36% desse tempo nas redes sociais. Além disso, 75% da população nacional acredita que a principal função do smartphone é acessar as redes.

A jamaicana Alessandra Chong sentiu na pele esse “efeito Brasil” quando veio ao País no mês passado lançar o aplicativo Lulu, que permite às usuárias avaliar anonimamente os homens. Durante duas semanas, o Lulu dominou a atenção da imprensa e chegou a 5 milhões de visitas, tornando-se o app mais baixado da loja da Apple. Em meio a uma enxurrada de críticas, o Ministério Público chegou a instaurar inquérito contra a empresa. O que explica esse fenômeno? “Vocês são loucos por redes sociais e as mulheres gostam de coisas novas. Além disso, vocês têm uma vida noturna e de relacionamentos muito ativa”, concluiu a diretora global de marketing do Lulu Deborah Singer, em entrevista ao Estado na época.

Instagram. Em 2013, alguns dos principais executivos de redes sociais vieram ao País para tentar entender o comportamento do usuário local e buscar oportunidades. Às vésperas do Natal, a americana Bailey Richardson, gerente global de comunidades do Instagram, esteve no País para estudar os hábitos locais de compartilhamento de fotos. Ela percebeu que, ao contrário dos estrangeiros, os brasileiros pouco se preocupam em bloquear suas contas no Instagram, deixando as fotos acessíveis a todos.

Entre os fenômenos que intrigaram Bailey estava a hashtag #passinho que reúne vídeos e imagens de usuários executando a dança que virou febre no Rio de Janeiro. Ao lado dos protestos de junho, fenômenos como esse convenceram a empresa a investir na sua segunda contratação internacional e selecionar um brasileiro para trabalhar com as comunidades brasileiras de usuários do Instagram. Até então, a companhia tinha apenas um funcionário fora da Califórnia, baseado em Londres. “A revolução dos smartphones é muito rápida e há muitas histórias a serem contadas no País”, diz Bailey.

Um relatório da comScore divulgado este ano mostrou que os sites de mídia social se tornaram a categoria líder em termos de tempo gasto online pelos internautas do Brasil em junho de 2012, superando portais e “serviços” locais, que incluem sites de e-mail.

“O brasileiro gosta de estar inserido em grupos e participar de experiências interativas”, diz o diretor-geral do Facebook Brasil, Leonardo Tristão. O brasileiro gasta um média de 12 horas mensais na rede social mais popular do mundo, quase o dobro da média global, que é de 7 horas. O número de amigos também é mais alto. Um relatório de 2012 da TNS concluiu que os brasileiros agora têm o maior número de “amigos” online do mundo. O brasileiro típico tem 231 amigos em redes sociais, enquanto os latino-americanos têm uma média de 176. A média global é de 120.

Rolezinho. Famílias inteiras e suas diferentes gerações já dividem espaço nas redes. E alguns públicos estão descobrindo agora o mundo das redes sociais. Um estudo recente identificou que nove entre dez moradores de favelas cariocas, com menos de 30 anos, acessam a internet.

Em São Paulo, jovens da periferia têm organizado encontros em shoppings da cidade – chamados “rolezinhos” – por meio das redes sociais. Os eventos criados no Facebook com esse propósito chegam a juntar milhares de participantes.

“Quando falamos que o brasileiro é mais sociável, temos que pensar em conectividade e inclusão. Com a democratização do acesso, estamos em um mundo onde a lógica é: estou conectado, logo existo”, diz Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil.

O bailarino André Liberato há tempos aboliu o ócio da sua rotina. Com pouco mais de mil amigos no Facebook, ele acessa suas redes sociais favoritas assim que acorda. Depois, usa os pequenos intervalos entre uma tarefa e outra para conferir as atualizações e interagir com os amigos no Facebook, Instagram e WhatsApp, ao longo do dia.“Aceito quem não conheço direito, mas já vi, porque se uma dessas pessoas mora em Berlim, vai postar fotos e coisas interessantes que eu quero ver. Meu Instagram também é aberto para quem quiser ver”, diz.

A psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do núcleo de pesquisas da psicologia em informática na PUC-SP diz haver até uma certa ingenuidade no comportamento do brasileiro. “É como se o ambiente virtual fosse uma extensão da sala de suas casas, o que gera situações de exposição indevida”, diz.

Capital das redes. O gosto do brasileiro pelas redes sociais já vem sendo analisado há muitos anos, ainda no tempo em que fizemos uma rede social considerada menor em outros países, o Orkut, virar campeã de audiência. Mas o tema ressurge todo ano, cada vez amparado por números mais fortes. EM 2013, o fenômeno foi destaque em duas publicações estrangeiras importantes: o jornal Wall Street Journal, que chamou o País de “capital das mídias sociais do universo”, e a revista Forbes, que definiu o Brasil como “futuro das mídias sociais”.

O estudo Brasil com S de Social busca entender o porquê dessa popularidade através de uma análise do comportamento típico nacional. “Não existe comportamento exclusivamente online. Tudo que fazemos no digital reflete como somos na vida real”, pondera Borges, da Ampfy. O estudo destaca seis características que definiriam o jeito brasileiro de ser, todas refletidas em nosso uso da rede: somos sociais e sociáveis; adoramos uma novidade; damos muito valor a símbolos de status;prezamos informalidade e descontração; e gostamos de observar a vida alheia.

“Queremos sempre colocar nossa imagem para o outro, além da parte física, do culto ao corpo, gostamos de mostrar que estamos bem, de ostentar uma posição”, diz Rafael Venturelli, coordenador de mídias sociais da Agência Remix.

Sociedade. O comportamento é apenas uma parte dessa história. A explosão social online guarda está intimamente relacionada com as melhorias socioeconômicas que o País viveu nos últimos dez anos.
Falando diretamente das áreas de tecnologia e internet, entre tantos números possíveis, vale citar alguns mais importantes. Em setembro, mais de 80 milhões de brasileiros acessavam a web. Desde 2010, o acesso a internet por smartphones e tablets cresceu 43%. E 25% dos usuários de internet usam o smartphone como seu principal ponto de acesso.




Fofo como um gatinho!

Notícias da Famiglia Gatto

Sempre houve siameses na Famiglia Gatto. Como sabem todos que já tiveram a sorte de conviver com um deles, os siameses têm um jeito todo especial de ser: são conversadores, possessivos, carinhosos, neuróticos, autoconfiantes, coleiros, curiosos, mandões. Eles sabem que são donos dos donos e tiram o maior proveito possível disso, sem um pingo de vergonha nos bigodes.

Quando Old Man Lucas morreu, em maio passado, fiquei muito mal. Muitos casamentos não duram o que durou a nossa relação de 16 anos. Nós nos entendíamos, aliás, como os velhos casais — ninguém precisava dizer ou miar nada, bastava nos olharmos para saber o que um ou outro queria. Comentei então com a Bia que precisava de outro siamês; ela entrou em contato com todas as nossas amigas que cuidam de gatinhos, pôs mensagens na rede, e nada. Não havia um único siamês disponível no Rio.

A busca foi interrompida com a chegada inesperada da Frida Gahto, que a Bia encontrou na rua ainda bebê, entre a vida e a morte, depois de ser destruída por um chute. Me prontifiquei a dar lar temporário à bichinha e a cuidar dela entre uma cirurgia e outra, até que ficasse boa e encontrássemos um lar para ela — mas “lar temporário”, aqui em casa, costuma ser sinônimo de “para sempre”. E assim a ideia de um novo siamesinho foi arquivada.

Eis que, um dia, minha sobrinha Ju me mandou o anúncio de dois irmãozinhos para adoção. Eram tão bonitinhos! Faziam parte de uma ninhada de cinco. Seus três irmãos, branquinhos, já haviam encontrado famílias bacanas; eles ainda estavam na fila. Não que faltassem candidatos. Faltavam candidatos bons: doar siamês é arriscado, me explicou Christianne Duarte, da Quatro Patinhas, porque muita gente os pega pelas razões erradas, seja porque são “de raça” e dão status, seja para pô-los para procriar e fazer comércio.

Quando fui à clínica onde estavam provisoriamente hospedados, os dois brincavam um com o outro, no fundo de uma gaiola, e não me deram bola. Abri a portinhola, chamei, tentei atraí-los mexendo com um pedacinho de papel. Nada. Os irmãozinhos não queriam papo. Que decepção! Eles tinham todo o jeito de siameses no visual, mas não no temperamento. Além disso, eu acredito em amor à primeira vista.

– É assim mesmo, — disse a Christianne. — Eles estão estranhando, depois se acostumam…
Mas percebi que ela percebeu o meu desapontamento; e não senti muita firmeza no que ela disse — acho que nem ela, coitada! — até porque, naquela sala mesmo, havia vários outros gatinhos que nunca tinham me visto antes, e espichavam as patinhas pelas grades, miando, loucos para brincar comigo.

Que fazer? Adotar por adotar não fazia sentido. Com sete gatos, eu já tinha mais gatos do que o bom senso recomenda. Iria a oito por extravagância, se encontrasse um bichinho com a personalidade que estava procurando. Olhei para um, olhei para o outro… Um, com os olhos mais escuros, era levemente mais saidinho do que o outro. E decidi que o traria comigo para casa, mas só a título de experiência. Dei tchau para a Christianne como quem diz até logo.

A Famiglia o recebeu catatônica. Os gatos não acreditavam no que viam: como assim, mais um gato?! E uma porcaria pequena, ainda por cima?! Mas onde iríamos parar?! O siamesinho manifestou apenas um interesse muito vago pelos grandões, e saiu trotando pela casa explorando os ambientes, cheio de atitude, com o rabinho espetado para o alto. Naquela noite mesmo descobriu como subir na minha cama e dormiu colado ao meu travesseiro, ronronando altíssimo. Em consequencia disso, durante três ou quatro dias os outros recusaram-se a dormir na mesma cama, “contaminada” com o cheiro do recém chegado, e me cobriram de gelo e desprezo.

Também rosnaram e fizeram fu! para o Tobias, mas como ele não se deixa intimidar por nada, acabaram desistindo. Hoje, passados dois meses, ele está inteiramente integrado à Famiglia Gatto. Brinca com o Toró, com a Flor, com a Frida e com o Fonseca; foi meio que adotado pela Lolinha; e irrita o pobre do Tiziu, que só quer paz e sossego. Matilda detesta o Tobias, mas isso é normal, já que ela detesta gatos.

Tobias só tem dois tempos: ON e OFF. Ou está elétrico inventando bobagens e correndo feito um doido, ou está desmaiado, de preferência no meu colo ou perto de mim. Tudo é brinquedo para ele. Adora comida, e ainda não descobriu o que significa ser carnívoro. Come melancia, mamão, alface, abacaxi, feijão, papel toalha, macarrão e sorvete. Bebe leite, suco de maracujá e de laranja. Teve taquicardia quando provou atum pela primeira vez, e ficou rouco de miar quando sentiu cheiro de presunto de Parma. Já se espantou com o gelo e já queimou a língua com sopa.

Uma das melhores coisas da integração do Tobias à Famiglia foi perceber que, a partir da sua chegada, Frida Gahto voltou a brincar. Ela sofreu tanto quando bebê que se esqueceu do que era isso. A partir da observação do recém-chegado, contudo, redescobriu para que serve uma bolinha, e inventou um jogo com que se distrai durante horas: pega um ratinho de pano pelo rabo, joga para o alto com a boca e agarra com as patinhas antes que chegue ao chão. Ela voltou, enfim, a ser um animalzinho feliz.

Quem descobriu o nome do Tobias foi a Mamãe.

E, para fechar o ano, uma linda notícia da Lagoa: o casalzinho de capivaras teve três filhotes, um mais bonitinho do que o outro! Que tenham uma vida longa e feliz.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Brasil tem pernas mancas ou cabeça dura?

As duas alternativas estão corretas e a primeira é consequência da segunda. O crescimento da economia brasileira está abaixo da média mundial e a menos da metade do que o de alguns vizinhos. É um quadro que não agrada, mas também não apavora.

O futuro próximo tem algumas cascas de banana, como a ameaça de perder o grau de investimento, a dependência da safra agrícola e os humores do cenário externo. Mas não há perigo de uma caída forte, os indicadores de solvência são positivos. O crescimento será lento, mas sem crises. Portanto, o País tem pernas mancas, sim.

A causa é a cabeça dura, a aversão a mudanças. Ilustrando o ponto: para segurar a inflação, a prescrição na teoria moderna é um aperto fiscal. Todavia, continuam com o manual de meio século atrás, gastando muito e represando tarifas de transporte, energia e combustíveis. Agravam o problema e postergam a estabilização dos preços.

Outro exemplo emblemático é a falta de médicos no País. A solução óbvia é abrir mais vagas nos cursos de medicina e construir hospitais-escola – há cinco Estados brasileiros que nem sequer têm um. Mas decide-se por importar profissionais, é mais rápido. A urgência é resolvida e varre-se a sujeira para debaixo do tapete.

Apesar do discurso da ginga brasileira e do modernismo, há um viés conservador nos governos brasileiros desde o Império. Quase todas as mudanças de rumo na política econômica ocorrem após crises, quando alterar a rota é obrigatório e tem custos sociais e econômicos elevados.
O tripé macroeconômico de FHC foi uma resposta à crise cambial, após quatro anos no poder: o câmbio e o regime de metas de inflação são de 1999 e a Lei de Responsabilidade Fiscal é de 2000. Foi uma reação a problemas inflacionários, não fazia parte de um conjunto de políticas de desenvolvimento.

O desempenho dos governos depende de como se ajustaram ao legado recebido pelo antecessor e às condições externas. Uns mais e outros menos, o fato é que as presidências de Dilma e dos anteriores João Figueiredo, Collor/Itamar, FHC e Lula foram basicamente reacionárias, caíram na armadilha da repetição.

Como consequência, todos eles viram o PIB crescer abaixo da média mundial. A responsabilidade pelo fraco desempenho é sempre atribuída a crises: do México, da Ásia, do Lehman Brothers e outras. É fácil culpar os outros, mas o motivo é um só, é a cabeça dura, a aversão a mudanças.


O problema não é só de governos. O mundo vive uma revolução produtiva com novas tecnologias e os efeitos da globalização. A indústria nacional deveria se adaptar à nova realidade com integração e incorporação de inovações, porém as demandas do setor são proteção e desvalorização. Querem aliviar os efeitos, e não curar a causa.

É um padrão que se repete. Ilustrando o ponto: em 1990, quando os carros produzidos aqui foram chamados de carroças, houve protestos enfáticos. Mesmo assim, avançou-se com a abertura. Apesar das previsões catastróficas, o setor não quebrou, melhorou a qualidade, aumentou a variedade dos modelos e o preço dos veículos despencou. A mudança beneficiou os consumidores.

Outro exemplo é que, apesar do esgotamento precoce da oferta de crédito, com consequências desfavoráveis para a economia, se insiste na manutenção do modelo bancário. A aversão a mudanças não ocorre só no Brasil, ressobram exemplos em outros países, mas há honrosas exceções lá fora e aqui.

O Plano de Metas de Juscelino e o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), apesar de suas imperfeições, mostram que é possível mudar. No setor empresarial, o agronegócio é outro exemplo.

A alta no preço das commodities ajudou, mas o campo brasileiro fez sua lição de casa: uma transformação adotando inovações tecnológicas e de gestão dobrou sua produtividade.

As condições externas ajudaram, mas foi a revolução da porteira para dentro que fez do agronegócio a locomotiva do crescimento do Brasil. As projeções para este ano mostram que o PIB agrícola vai aumentar 7,6%; o de serviços, 2%; o da indústria, 1,3%; e na média, 2,3%. É vantajoso mudar (setor rural) e oneroso ser conservador (indústria). Evidentemente, há empresas e subsetores que souberam se adequar e outros não.

A repetição das políticas traz problemas que pareciam ter sido superados, como a alta da inflação, que sem as tarifas está rondando os 8% ao ano, a possibilidade de fuga de capitais, um crescimento baixo e a redução do potencial do País.

A realidade mudou, mas até o debate continua o mesmo. Situação e oposição, monetaristas e desenvolvimentistas e esquerda e direita analisam exaustivamente se o copo está meio cheio ou meio vazio. Dá na mesma, o fato é que está na metade e o Brasil pode se afogar nele, ou não. Urge mudar.
O requisito mais importante para uma transformação está presente e é uma insatisfação ampla e geral com a situação. Foi o que se viu nas ruas em junho e é o que se lê nos jornais e nas mídias sociais todo dia.

O cenário externo mostra um mundo em recuperação com dois conjuntos de países. Uns que anteciparam crises e se preparam para o pior, a China é um exemplo, e outros que tiveram um ajuste doloroso e estão se recuperando, a Irlanda ilustra o ponto, e este é o caso da maioria das nações.
O bom é que o pior já passou e, no ano que vem, o mundo vai crescer, o que gera um otimismo que acaba contagiando a todos. As projeções são de que a expansão do PIB mundial será de 3,6%; a das economias emergentes, 5,1%; da América Latina, 3,1%; e do Brasil, 2,5%. Não é ruim, mas não é bom. É pouco.

Se a economia tem pernas mancas porque é cabeça dura, então a solução é começar a fazer o futuro, em vez de reagir a ele. O Brasil poderia inovar e não esperar uma crise para mudar. A agenda é corrigir distorções, reformar o antiquado e criar um futuro.

Ano-novo, vida nova, feliz 2014!

Fonte: O Estado de S. Paulo, 23/12/2013

Criminalidade: De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade .


No país da Copa

Lamento que as vésperas do Natal, em vez de inspirar-me nele, tenha tido de escrever sobre temas tão ingratos

Se há um dado que se tem expandido entre nós é o protagonizado pela violência. As manifestações populares, grandes ou pequenas, tradicionalmente, terminam em passeatas ou coisa parecida. Agora, parece que devam ser concluídas com atos concretos de agressão ou dano; uma vitrina quebrada é uma conclusão digna de um tipo, como o incêndio de um veículo compõe excentricidade apropriada ao desfecho de outro.

A partir daí, tudo pode acontecer. Mas, se me ocupo deste fato é porque vi com meus olhos o termo de um jogo de futebol, quando número apreciável de pessoas ocupavam as bancadas da assistência e se convertia com convulsão de alta belicosidade; as cenas que a televisão perpetuou e veio a mostrar com rigorosa objetividade; cabeças humanas pisoteadas com requintes de selvageria.

Ora, quem vai assistir a uma disputa sabe de antemão que o seu clube pode ganhar, empatar ou perder. Sempre ouvi falar em espírito esportivo, mas nunca em conflito rude e isso tem acontecido, foi documentado e divulgado pela televisão.

Mas são esportistas ou torcedores, são grupos de marginais ocultos sob a camisa de times. O fenômeno não é apenas extremamente nocivo, mas até perigoso, porque envolve multidões e se sabe do que são capazes as multidões.


Este o fato que, se não estou em erro tende a generalizar-se, talvez por preparo de grupos para este fim. E isso me parece perigoso porque a violência tolerada não cessa de propagar-se, de concessão em concessão, pode chegar ao insuportável. De mais a mais, as sanções adotadas tem sido ineptas. Em um caso o agressor foi condenado a pagar uma cesta básica e em outra situação, um agente do Ministério Público proibiu (sic) que a polícia entrasse nos estádios…

De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade 
 
Outrossim, proibir o acesso dos agressores é praticamente inviável, dado que a massa humana que sai de casa para assistir o espetáculo esportivo, não há como se identificar pessoa por pessoa, que comparece com sua carteira ou entrada.

As cenas degradantes que assistimos no estádio de futebol são uma forma de reprodução do que vemos fora dele. Autores de furtos e agressões raramente são detidos e quando o são, logo ganham as ruas e ficam liberados. As penas de pagar cestas básicas são cômodas para quem as aplicam, mas tornam-se um convite a delinquir. A reincidência dos delitos é a prova da ineficiência do aparato repressor do Estado, que transforma os cidadãos em vítimas potenciais, vivendo acuados em casas gradeadas. A população está encarcerada, enquanto os infratores estão à solta.

De concessão em concessão chegou-se a uma legislação ineficaz que resultou no triunfo da impunidade. A barbárie vista em Joinville é irmã do que assistimos nas ruas. Isso não é bom, e para não ficar pior, é preciso enfrentar o flagelo.

Lamento que as vésperas do Natal, em vez de inspirar-me nele, tenha tido de escrever sobre temas tão ingratos, mas isso revela quanto me feriram os sucessos mencionados. Espero sinceramente não tenha que desculpar-me outra vez pelos temas escolhidos nas vésperas do Natal e também de outras datas santificadas.

Para encerrar, eu me pergunto qual a impressão que eles despertam naqueles que em todo o mundo, procuram propagar as excelências dos esportes, quando na sede geográfica da próxima Copa do Mundo se assista cenas sub-humanas, exatamente no mais popular e enraizado esporte brasileiro.
Fonte: Zero Hora, 23/12/2013

Dilma vai a Davos para melhorar a imagem do Brasil.

Economia

Contra onda de pessimismo, Dilma vai a Davos

Presidente confirma presença pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, em janeiro

brasil247.com 24 Dezembro de 2013 - 08:23
Após adotar uma estratégia de aproximação como setor privado no Brasil, a presidente Dilma Rousseff começa o ano com uma grande missão: conquistar o empresariado e o comunidade financeira internacional.

A onda de pessimismo propagada pela imprensa tradicional e replicada por revistas internacionais como a Economist, tem causado desconfiança sobre a administração política brasileira.

Para interromper esse ciclo, a presidente confirmou presença, pela primeira vez, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro. Segundo Vera Magalhães, do Painel, da Folha de S. Paulo, presidente pretende mostrar-se aberta ao mercado e fará um discurso centrado no sucesso das concessões. Terá encontros com empresários e banqueiros.

Nos últimos dez anos, o Brasil ocupou um lugar de destaque no Fórum. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ganhar o prêmio de estadista do ano em uma das edições.

Em 2012, o governo brasileiro organizou uma festa avaliada em US$ 5 milhões para promover o País, mas sem a presença da presidente Dilma, que foi representada pelo ministro Guido Mantega.

Para esta edição, a entidade publicou um informe sobre as perspectivas para 2014. Para a América Latina, destaca a questão de desigualdade social, o baixo crescimento e a educação como os grandes desafios identificados por empresários de todo o mundo.

Dilma terá de dividir as atenções com o também presidenciável Eduardo Campos (PSB), que foi convidado ao evento e deve levar sua aliada, a ex-senadora Marina Silva.

A voz das ruas.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Provérbios contemporâneos - NELSON MOTTA

O GLOBO - 27/12

Em ano eleitoral, a fofoca vai atingir os seus níveis mais altos, e mais baixos, com os piores objetivos, e até sem motivos claros ou uniformes, como nos protestos de junho



Andy Warhol dizia que gostava de fofoca pelo seu duplo valor de informar tanto sobre a pessoa que está sendo falada quanto sobre a que está falando, porque ninguém se contenta em contar a novidade sem comentá-la e julgá-la, revelando seus gostos e sentimentos. Nos tempos de Andy, a fofoca era chamada brejeiramente de mexerico e corria de boca em boca ou por precárias comunicações, de fontes restritas e duvidosas, mas hoje se propaga instantanea e incontrolavelmente, usando a sua origem como prova de sua veracidade: está na internet!

O ancestral “diz-me com quem andas e te direi quem és”, ainda atualíssimo para a avaliação de políticos, hoje é aplicado aos sites, blogs, twitters e seriados para monitorar o que segues e saber como és. No formato “diz-me do que gostas e não gostas”, serve não só para dizer quem és, mas até o que queres, antecipando os teus desejos baseado no que já compraste, e assim facilitando tuas escolhas — de mais do mesmo.

A linguagem proverbial é antiga, mas o moderno poder de se informar e de comprar o que quiser e escolher em que fontes beber na rede vai permitir que as tuas escolhas revelem quem és e como vives. Principalmente para te venderem o que não precisas. Diante do que vivemos hoje a temida monitoração onipresente do Big Brother de “1984” parece coisa de adolescente, no máximo, de programa de televisão.

Em ano eleitoral a produção e a disseminação de fofocas vão atingir os seus níveis mais altos, e mais baixos, com os piores objetivos, e até sem motivos claros ou uniformes, como nos protestos de junho. Com os dados cada vez mais detalhados e ampliados de que dispõe sobre o eleitorado, o marketing das campanhas vai vender seus produtos e tentar motivar os consumidores fiéis e atrair os insatisfeitos, com o empobrecimento do debate político e do confronto de ideias.

Só espero que os políticos de todos os partidos não continuem a dizer na televisão que “ouviram a voz das ruas”, porque foi justamente contra eles, seus privilégios, sua corrupção, sua ineficiência e impunidade que as ruas e as redes gritaram. E vão gritar nas urnas.


Divida externa brasileira bate recorde.!


Dívida externa bate recorde: US$ 482 bilhões; débitos aumentam 37% Analistas alertam para o fato de mais de um terço do endividamento vencer entre 2014 e 2015, período de mudança na política monetária dos Estados Unidos, que deve elevar o dólar e a aversão ao risco Brasil.Cresce a desconfiança do capital estrangeiro em relação ao Brasil.



Diego Amorim

Publicação: 27/12/2013 07:10 Atualização: 26/12/2013 21:23
 
O Brasil chega ao fim de 2013 colecionando indicadores preocupantes. Não bastassem o crescimento pífio e a inflação bem acima da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, a dívida externa bruta atingiu, em novembro, o maior valor desde o início da série histórica do Banco Central, em 1971. São US$ 482 bilhões em débitos no exterior, incluindo as faturas do governo, dos bancos, de empresas e os empréstimos intercompanhias, ou seja, aquelas transações feitas geralmente entre as filiais de multinacionais no Brasil e suas sedes fora do país.

Somente na era Dilma Rousseff, iniciada em janeiro de 2011, a dívida externa brasileira registrou um salto de 37%. Em valores absolutos, cresceu US$ 130,2 bilhões, complicando um quadro que era considerado confortável até então. Mesmo os saldos do setor público, que vinham chamando a atenção por apresentar quedas expressivas ao longo do ano, terminarão 2013 em alta, retornando ao patamar de cinco anos atrás, com US$ 64,6 bilhões acumulados.

O recorde, por si só, já seria suficiente para acender de vez o alerta em relação à dívida do país no exterior. Mas o cronograma do vencimento desses débitos, detalhado pela autoridade monetária, torna a situação mais delicada. Um terço do saldo total — US$ 157,2 bilhões — vencerá nos próximos dois anos, período de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e de desconfiança acerca do próximo governo por aqui.

Os cientistas afirmam que a " Escassez de agua no planeta será o maior problema da humanidade"...(mas em Brasilia os governantes não se importam).

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Prognósticos do passado - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 27/12
Sabe o que mudará na sua vida caso você se vista de branco no réveillon? Provavelmente, nada. E azul? Também. E rosa? Nadinha de nada. Sério: como fazemos nossas próprias crenças, precisamos brincar disso - e com isso, claro. Que tal, então, fazer prognósticos e não listinha de resoluções para serem ignoradas logo em janeiro? Como serão as décadas, os anos, os meses vindouros?

Fábio Gandour, diretor brasileiro de uma importante empresa de tecnologia, acha, por exemplo, que a escassez de água no planeta será o maior problema da humanidade. Seu cenário é montado sobre o átomo, cujo número é constante. Como a população segue aumentando, vai diminuir a quantidade de átomos por habitante. E quais átomos vão faltar primeiro? Hidrogênio e oxigênio conectados numa molécula chamada água, defende ele. A Ásia, conta Gandour, será o primeiro continente a sentir a falta dela. "Isso não é uma especulação. É aritmética", garante o pesquisador.

Esse tipo de análise é assustador. No entanto, o que mais mete medo é o fato de governantes serem extremamente lenientes com essas previsões. 

Em relação a Brasília, por exemplo, vale questionar: em qual futuro desembocará a nefasta soma de vias e mais vias asfálticas com mais prédios e uma crescente e quase enlouquecida venda de carros? Em mais engarrafamentos, mais estresse, mais acidentes. Sim, obviamente, essa é a análise do pessimista, mas está baseada em percepções relevantes, em avaliações históricas, no simples olhar ao lado.

(....)