Uma espécie africana de água-viva
foi avistada pela primeira vez no Brasil. Pesquisadores brasileiros
confirmaram que animais da espécie Cassiopea andromeda, originária do
Mar Vermelho, vivem no canal Itajuru, na cidade de Cabo Frio (RJ).
A espécie, que homenageia duas personagens da mitologia grega, a
rainha Cassiopeia e a princesa Andrômeda, tem suas peculiaridades. Ao contrário de outras espécies de água-viva,a Cassiopea andromeda não circula pelo mar e pode passar anos, às vezes até décadas, habitando um mesmo lugar.
Assim que encontram um lugar com as condições que consideram ideias —
água calma, rasa, quente e transparente —, elas se acomodam de
ponta-cabeça e por ali ficam o tempo que for preciso. Além de
parasitar outros animais marinhos, esta espécie de água-viva golpeia o
fundo do oceano para levantar nuvens de pequenos petiscos para saciar
sua fome.
Confira alguns membros da espécie se movimentando no fundo do mar no vídeo abaixo:
https://youtu.be/2iYGK1mxRv4 De acordo com André Carrara Morandini, chefe do
Departamento de
Zoologia do Instituto de Biociências (IB) da USP e principal autor
do
artigo que revelou a presença da Cassiopea andromeda no Brasil, a comunidade científica brasileira não acreditava que havia exemplares da espécie no país,
já que eles preferem águas claras e que permitam a passagem da luz do sol, como a
dos mares do Caribe, afirmou o pesquisador em entrevista à Agência FAPESP.
Ainda segundo o professor, a descoberta foi motivada por uma
foto que ele recebeu e que mostrava uma população de águas-vivas do
gênero Cassiopea, em Cabo Frio. Ainda incrédulo, o
professor viajou com uma equipe de pesquisadores
ao local e não só
comprovou que a espécie estava lá, como provou, por meio de
análises
genéticas, que se tratava da medusa Cassiopea andromeda.O modo como
a espécie chegou ao Brasil ainda é um mistério.
No artigo, o professor sugere que a Cassiopea andromeda teria vindo para as Américas na era das grandes navegações e,
inicialmente, se instalado entre a Flórida e
o Caribe. Em algum
momento, a espécie aproveitou o intenso movimento de embarcações
que
navegavam pelo continente e teria chegado ao litoral sul-americano.
O
governo do presidente de facto, Michel Temer, advertido para o efeito
extremamente negativo da medida, caso venha a ser adotada, resolveu
adiar a primeira reunião para tratar da privatização da água no Brasil
Por Redação – de Brasília
A sanha privatista do governo instalado após o golpe de Estado, em
curso, atinge um dos segmentos mais estratégicos para o crescimento do
país, segundo revelou um alto funcionário da Agência Nacional de Águas
(ANA), em condição de anonimato, à reportagem do Correio do Brasil,
na manhã desta segunda-feira. O Aquífero Guanani, reserva de água doce
com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos
privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da
estatal federal de energia, Eletrobras.
Presidente da Nestlé, o austríaco Peter Brabeck-Letmathe é um dos principais interessados
na água do Aquifero Guarani
O governo do presidente de facto, Michel Temer, advertido
para o efeito extremamente negativo da medida, caso venha a ser adotada,
resolveu adiar para o dia 12 de setembro a primeira reunião do conselho
do Programa de Parceria e Investimentos (PPI), na qual serão definidas
as primeiras concessões e privatizações do governo, acrescentou a fonte.
As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor,
entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passos largos”.
— Representantes destas companhias têm realizado encontros reservados
com autoridades do atual governo, no sentido de formular procedimentos
necessários à exploração pelas empresas privadas de mananciais,
principalmente no Aquífero Guarani, em contratos de concessão para mais
de 100 anos — acrescentou.
A primeira conversa pública acerca deste e de outros setores que
tendem a seguir para a iniciativa privada estava prevista para esta
semana, no dia 25, mesmo dia em que será aberto o processo de votação do
impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Esta coincidência
foi fatal para o adiamento da reunião. Se confirmada a cassação do
mandato de Dilma, o seu substituto deverá viajar à China no início de
setembro para a reunião do G-20. A reunião do PPI, que será presidida
pelo próprio Temer, ocorreria então após seu retorno.
O anúncio deve conter uma lista de concessões mais “imediatas”, como
as concessões dos aeroportos de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC),
Salvador (BA) e Fortaleza (CE) e dos terminais de passageiros dos portos
de Fortaleza e Recife (PE). Além disso, deve haver uma outra relação de
projetos a serem concedidos ou privatizados no médio prazo, com leilões
que podem ocorrer em até um ano, como das distribuidoras de energia da
Eletrobras e dos mananciais de água doce.
Fator estratégico
A relevância de um dos maiores mananciais mundial de água doce é
tamanha que, há décadas, tem sido alvo da especulação quanto ao seu uso e
exploração. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento
Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, conhecido por Projeto Aquífero
Guarani (SAG), da ANA, foi criado com o propósito de apoiar Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai na elaboração e implementação de um marco
legal e técnico de gerenciamento e preservação do Aqüífero Guarani para
as gerações presentes e futuras. Após a vitória dos conservadores na
Argentina e os golpes de Estado por orientação da ultradireita, tanto no
Paraguai quanto no Brasil, restou ao Uruguai votar contra a
privatização do aquífero.
Reserva de água no Aquífero Guarani – clique para ampliar
Esse projeto foi executado com recursos do Global Environment
Facility (GEF), sendo o Banco Mundial a agência implementadora e a
Organização dos Estados Americanos (OEA) a agência executora
internacional. A GEF, no entanto, mantém laços muito próximos às grandes
corporações.
Com área total de 1,2 milhões de km², dois terços da reserva estão em
território brasileiro, no subsolo dos Estados de Goiás, Mato Grosso do
Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul. “A importância estratégica do Aqüífero para o abastecer as gerações
futuras desperta atenção de grupos de diferentes setores em todo o
mundo”, afirma documento da Organização de Direitos Humanos Terra de
Direitos.
“A sociedade civil organizada está atenta às possíveis estratégias de
privatização de grupos econômicos transnacionais. Uma vez que, em 2003,
a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Banco Mundial, através
do Fundo Mundial do Meio Ambiente (GEF), implementaram o projeto de
Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável que visa reunir e
desenvolver pesquisas sobre o Aqüífero Guarani, com objetivo de
implementar um modelo institucional, legal e técnico comum para países
do Mercosul”, acrescenta.
Água privatizada
O empresário austríaco Peter Brabeck-Letmathe, principal financiador
de campanha dos partidos de extrema direita naquele país, preside o
grupo Nestle desde 2005 e nunca escondeu seu objetivo de tornar o
fornecimento da água passível de exploração ainda mais acentuada pelas
companhias do setor alimentício.
O comércio de água representa 8% do
capital do conglomerado que, em 2015, totalizaram aproximadamente US$
100 bilhões.
“A água que você precisa para a sobrevivência é um direito humano, e
deve ser disponibilizada a todos, onde quer que estejam, mesmo que eles
não possam se dar ao luxo de pagar por isso. No entanto, também acredito
que a água tem um valor. As pessoas que usam a água canalizada para a
sua casa para irrigar seu gramado, ou lavar o carro, devem arcar com o
custo da infra-estrutura necessária para a sua apresentação”, disse
Brabeck-Lemathe em recente artigo publicado na sua página, em uma rede
social.
As fábricas que engarrafam, em muitos casos tomam a água da mesma
rede destinada para uso público. Muitas vezes, como a Coca Cola,
acrescentam um pacote de minerais e a chamam de “água mineral”. Com este
procedimento, o preço da água de garrafa salta em mais de mil por
cento, “engarrafando-a e tornando-se um dos negócios mais descarados do
mundo capitalista”, revela a analista venezuelana Sylvia Ubal, em
recente artigo publicado naquele país.
“Nestes tempos da globalização estamos assistindo uma concentração
impressionante da indústria em torno de quatro a cinco multinacionais
que estão criando um monopólio. Indústrias como Nestlé, Danone, Coca
Cola, Pepsi Cola, possuem dezenas de marcas em torno de cada uma delas,
que marcam o preço e a qualidade da água sem controle algum. Nos
EUA mais de um terço da água engarrafada é simplesmente água de torneira
tratada ou não; sendo um negócio monopolizado pela Nestlé e Danone, as
líderes mundiais”, acrescentou.
Ubal afirma, ainda, que está cada vez está mais claro que a água doce
é um recurso finito, “vulnerável à contaminação – que é excessiva por
parte das empresas transnacionais”.
“Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e
não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das
necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades
étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua
vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas.
A expansão deste
negócio exige das grandes corporações de bebidas e alimentação como a
Coca Cola, Pepsi Cola, Danone, Nestlé…, a ter cada vez mais acesso aos
recursos hídricos, impulsionando a privatização de água e aquíferos. E o
setor da água engarrafada está crescendo muito rapidamente em todo o
mundo, sendo o negócio mais lucrativo atualmente, mas também é um dos
menos regulados, o que dá lugar a situações verdadeiramente
escandalosas”, conclui.
Comentário
Não considero que tenha havido golpe de estado. Apenas estão sendo retirados do poder corruptos que transformaram o Brasil numa propinocracia. Mas a legitimidade do Governo Temer não dá a ele o direito de privatizar nossos recursos hidricos. Anonimo.
Utilizar Veículos Aéreos Não Tripulados (os Vant’s) ou mais
conhecidos como drones para fins de conservação ambiental não é um tema
novo para o WWF-Brasil. Desde julho do ano passado, a organização vem
buscando diferentes aplicações para os drones por meio do projeto
Ecodrones Brasil, juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade (ICMBio), Universidade Federal de Goiás, EMBRAPA e
outros parceiros.
Agora, a pesquisa se estendeu ao monitoramento de restauração de áreas
em processo de restauração. O estudo está sendo realizado em três áreas
piloto em diferentes biomas brasileiros: sete hectares de Cerrado no
núcleo rural Pipiripau (DF); 9,5 hectares de Mata Atlântica em Lençóis
Paulista (SP) e 16 propriedades rurais na região Amazônica em Apuí (AM).
“Estamos coletando dados, testando os equipamentos e comprovando
hipóteses sobre a efetividade em obter os dados e o custo do
monitoramento com drones, por exemplo,” explica Marcelo Oliveira,
especialista em conservação do programa Amazônia do WWF-Brasil. “O que é
evidente é o potencial de uso de Vant’s para auxiliar no monitoramento
de áreas de restauração florestal sem a necessidade de compra de imagens
de satélite que geralmente abrangem uma área maior e muitas vezes sem o
detalhamento necessário para as áreas restauradas”, completa.
Esse estudo sobre uso de drones para monitoramento de restauração
florestal é uma parceria do WWF-Brasil com a Universidade Federal do
Goiás e a Embrapa Instrumentação, com participação do Instituto de
Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM) para as
áreas do Amazonas.
O Brasil tem uma meta de recuperação ambiental de 12,5 milhões de ha
(entre APP e Reserva legal) para cumprir com o código florestal.
Geralmente está restauração ocorre em pequenas áreas fragmentadas na
paisagem. Segundo Marcelo, “monitorar o avanço destas áreas será
fundamental para avaliar o cumprimento da implementação do código, o
potencial de serviços ambientais e também para subsidiar mecanismos de
incentivos econômicos, tais como créditos de carbono e PSA (pagamento
por serviços ambientais)”.
O estudo avalia as potencialidades de diferentes modelos de VANTs e a
qualidade dos dados obtidos em voos com diferentes configurações de
altitude, velocidade e sobreposição de fotografias. Avalia, ainda, as
diferenças entre resultados obtidos por câmeras RGB e GBNir (que
absorvem diferentes espectros de comprimento de onda) e realiza
comparações com geotecnologias tradicionais, como imagens de satélite. A
proposta é entender quais os melhores equipamentos em diferentes
contextos e comparar os resultados com as metodologias tradicionais de
monitoramento.
“Por enquanto, os modelos multirotores mostraram-se mais adequados às
aplicações propostas, já que é um modelo de fácil transporte e manuseio,
resistente a ventos, robusto e tem custo de aquisição acessível. Tais
condições sugerem ampla capacidade no uso deste equipamento para
registrar e monitorar o processo de restauração florestal em áreas
degradadas”, explica Manuel Ferreira professor do Laboratório de
processamento de imagens e geoprocessamento (LAPIG) da UFG.
Ele acrescenta: “drones, especialmente o Multirotor, tem um potencial de
serem mais vantajosos ao monitoramento de recuperação florestal frente
a outras geotecnologias. Os satélites dependem da presença de imagens
no acervo técnico do fornecedor para viabilizar um custo de aquisição
mais baixo, sendo que leva-se tempo entre a coleta da imagem até a
disponibilização no acervo, e além disso, essas imagens não podem conter
nuvens e devem ter data específica para se registrar ocorrências nas
áreas, como fogo por exemplo. E por último, “aerolevantamentos requerem
maior custo de serviço devido ao porte da aeronave e contratação de
piloto”, comenta.
Até o momento estão sendo feitos sobrevoos em áreas implantadas em 2012,
que foram monitoradas até 2015. Segundo Leda Tavares, especialista em
conservação do programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil, o
monitoramento é parte fundamental do processo de restauração porque
permite a mensuração contínua de indicadores por meio de avaliações ao
longo do tempo, conferindo o desenvolvimento e adaptação das árvores a
fim de favorecer o restabelecimento de ecossistemas funcionais e ricos
em espécies nativas. Além disso, o monitoramento pode ser utilizado para
avaliar o incremento em serviços ecossistêmicos, tais como estoque de
carbono, proteção de bacias hidrográficas, como a retenção de
sedimentos.
“O que estamos fazendo agora com o uso dos drones é explorar essa
tecnologia e compara-la com as metodologias tradicionais. Mas vale
ressaltar que não estamos avaliando a substituição de pessoas pelo
drones, até porque a presença do técnico é sempre necessária”, comenta
Leda.
O que enriquece essa pesquisa é o fato de compreender áreas em três
biomas distintos, pois a composição florestal muda de um ecossistema
para outro. “Vendo de cima, as imagens de uma área de Cerrado são
diferentes das obtidas na Amazônia, por exemplo. E o drone permite um
nível de detalhe mais apurado, o que facilita a interpretação das
imagens”, completa.
Emissão de gases de efeito estufa seria critério para caracterizar 'Idade do Homem'.
Foto: Larry Lee Photography/Corbis.
Um comitê de especialistas aprovou, num congresso encerrado neste
domingo na África do Sul, uma moção para fazer nada mais, nada menos do
que iniciar um novo Período geológico. Na última segunda-feira (29), o
AWG (Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno, na sigla em inglês) votou no
Congresso Mundial de Geologia pelo encaminhamento do pedido de
oficialização do Antropoceno, após sete anos de pesquisa.
O termo, cunhado pelo Nobel de Química Paul Crutzen, em 2000, defende
que o planeta está em um novo momento geológico, a “Idade do Homem”. A
época sucederia o Holoceno, no qual vivemos desde o fim da última era
glacial, há cerca de 12 mil anos. Para os cientistas que defendem a
mudança para o Antropoceno, a influência humana sobre o planeta teria
impactado permanentemente a Terra a ponto de justificar a adoção de uma
nova época geológica que caracterize sua atividade.
“A humanidade, uma espécie como nunca outra houve, num curtíssimo
espaço de tempo na escala de evolução da Terra, alterou profundamente os
ciclos naturais e deixou uma marca tão notável que está visível no
registro de camadas de rochas e o estará pela eternidade deste planeta”,
afirmou o climatologista Carlos Nobre, único pesquisador brasileiro do
AWG.
Entre as evidências que podem justificar a definição do Antropoceno
estão o aumento da dispersão de substâncias radioativas no planeta, após
os diversos testes com bombas nucleares, e as mudanças climáticas.
“A
rápida introdução de gás carbônico na atmosfera nos últimos 200 anos,
especialmente mais rapidamente nas últimas décadas, já aparece como um
sinal, por exemplo, em material depositado no fundo do oceano ou nas
bolhas de ar aprisionadas nas geleiras da Antártida”, explicou Nobre. “
O
material biológico depositado no fundo do oceano começou a registrar
mudança no balanço de isótopos estáveis do carbono [elementos cuja
distribuição natural reflete a história dos processos físicos e
metabólicos do ambiente] pela dissolução do CO2. Nas geleiras da
Antártida, na parte mais alta e fria do lado oriental, menos sujeita a
derretimento, as bolhas de ar das camadas recentes de neve mostram os
valores mais altos do último 1 milhão de anos”, exemplifica.
Em 2015, o mundo fechou o Acordo de Paris para definir objetivos e
medidas práticas para conter mudanças como as citadas pelo grupo de
cientistas. “Num certo sentido, o acordo sinaliza o reconhecimento quase
que unânime entre os países do mundo que é necessária uma urgente
mudança em nível global para alterar a velocidade com que a humanidade
está interferindo com os ciclos naturais do planeta.
O desafio é
estabilizar o sistema climático em curto intervalo de tempo, o que
talvez seja o maior obstáculo que a humanidade coletivamente já
enfrentou”, disse Nobre.
Para os cientistas do AWG, o próximo passo rumo à oficialização da
nova época geológica é definir os marcadores e uma data que será
considerada como início da época do homem. Para que o Antropoceno seja
de fato declarado realidade, a recomendação do grupo precisa ser
aprovada oficialmente e ratificada por vários órgãos acadêmicos, o que
pode levar alguns anos.
Chapada
dos Veadeiros. Decreto de ampliação do parque está pronto para ser
publicado.
Foto: Vitor Hugo Artigiani Filho/Wikiparques.
O decreto para a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos
Veadeiros estava pronto para ser assinado em junho, mas um pedido do
governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), fez o presidente em
exercício, Michel Temer, adiar em dois meses a oficialização da mudança.
Agora, perto do fim do prazo, mais uma vez o governo de Goiás entra com
um pedido para jogar a data para frente, desta vez por mais 6 meses.
Segundo informações divulgadas pelo WWF-Brasil, cerca de 50 grandes
proprietários reivindicam a legalização de suas terras que serão
afetadas pela ampliação. Assim, terão direito a serem indenizados pela
União.
Fontes ligadas ao Ministério do Meio Ambiente relatam que o pedido de
adiamento pode ser uma desculpa para engavetar de vez o decreto.
Publicamente, o governador apoia a ampliação da área.
((o))eco entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente,
Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos do
Estado de Goiás (Secima), responsável pelo pedido de adiamento, mas até o
momento a Secretaria não retornou o contato.
Histórico
Nascido em 1961 como Parque Nacional do Tocantins, a criação da área
protegida foi um dos últimos atos do governo Juscelino Kubitschek
(1956-1961), que terminou três semanas após o presidente decretar 625
mil hectares da chapada como parque nacional. O tamanho corresponde a
quase dez vezes a área atual. Ao longo dos anos, o tamanho do então
Parque Nacional do Tocantins foi sendo diminuído: Em 1972, quando o
parque passou a se chamar Chapada dos Veadeiros, seu tamanho caiu para
171 mil hectares, e, em 1981, caiu para 65,5 mil hectares, medida
motivada para facilitar a construção da rodovia GO-239.
Em 2001, o parque passa pela primeira tentativa de ampliação. Numa
canetada, motivada pelo reconhecimento da Unesco (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) de que a área é
Patrimônio Natural da Humanidade, o governo ampliou a unidade para 235
mil hectares, o mesmo tamanho que está aguardando a oficialização. A
medida, entretanto, foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal dois
anos depois, por falhas no processo e na consulta pública.
Goiás pede mais seis meses para ampliar Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
01 Setembro 2016
|
por Jaime Gesisky
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) enviou no dia 25 de agosto
ao ministério do Meio Ambiente um ofício em que pede mais seis meses de
prazo antes que o presidente Michel Temer assine o decreto que amplia o
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros dos atuais 65 mil hectares para 242 mil hectares.
A prorrogação é para resolver “problemas fundiários”. Conforme
informações da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos,
Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos do Estado de Goiás
(Secima), seriam cerca de 50 proprietários da região que reivindicam a
legalização de suas terras.
Isso se daria por meio de uma ação cartorial denominada discriminatória
de propriedade, o que facilitaria a esses ocupantes receber indenizações
da União. A ação tem apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do
estado.
Em eventos públicos, o governador goiano tem feito a defesa da ampliação
do parque, ressaltando os benefícios da medida para toda a sociedade.Assista ao vídeo
Mas enquanto nos últimos meses Perillo acenava em uma direção, o
responsável pela Secima, Vilmar Rocha, pedia oficialmente ao ministro
Sarney Filho (MMA) a suspensão temporária da assinatura do decreto por
um prazo de 60 dias. Seria para resolver o imbróglio fundiário.
O prazo termina na próxima segunda-feira, 5 de setembro, mas nada foi
resolvido. E a depender da decisão do ministério do Meio Ambiente, a
ampliação pode se arrastar por mais 180 dias, conforme nova investida do
govenador.
“Pedimos um levantamento de toda a situação fundiária da região a ser
ampliada e precisamos desse novo prazo para concluir o trabalho. Mas
nosso compromisso é resolver as pendências e seguir com o processo de
ampliação”, assegurou Jacqueline Vieira, Superintendente Executiva do
Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, ligada à Secima.
Segundo ela, o governo do estado vai criar uma força-tarefa para
levantar as pendências fundiárias e propor uma solução definitiva.
Mobilização
Fontes ligadas ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio)
chamam a atenção para o fato de que um processo de discriminação de
terras com o objetivo de garantir a propriedade a antigos ocupantes pode
durar anos e significar a protelação indefinida da ampliação do parque.
Com a iminência de que o decreto fique na gaveta presidencial, a Coalizão Pró-UCs decidiu acender a luz de alerta e mobilizar a sociedade em defesa do parque ampliado.
Uma campanha já circula na internet pedindo a imediata assinatura do
presidente da República, Michel Temer, composta por filmes e mensagens
dirigidas à sociedade brasileira: #assinapresidente
Mais proteção
A ampliação do parque irá aumentar a proteção da biodiversidade do
Cerrado – um dos biomas mais diversos e menos protegidos do país –,
conservará recursos hídricos fundamentais para as áreas urbanas e rurais
e ainda manterá intactas paisagens deslumbrantes para as futuras
gerações.
Outra razão para ampliar o parque é que a unidade de conservação é um
caso de sucesso para o ecoturismo brasileiro, uma fonte de renda capaz
de levar para a região ainda mais desenvolvimento e alternativas
econômicas sustentáveis para as populações locais.
O processo de ampliação do parque seguiu todos os ritos previstos em
lei, incluindo audiências públicas em que a sociedade teve chance de se
manifestar e influir no desenho final. Os estudos científicos que
embasaram o decreto foram rigorosos e passaram pelo pente fino jurídico
da Casa Civil, última etapa antes da sanção presidencial.
(jaimegesisky@wwf.org.br)
Além
do número já alto de agrotóxicos legais consumidos no Brasil, país
convive com
contrabando de produtos. Acima, imagem de agrotóxicos
contrabandeados que foram
apreendidos pelo Ibama em 2013. Foto:
Ibama/RS.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acaba de lançar o Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos,
desenvolvido pelo Grupo de Engenharia do Conhecimento (Greco). O
portal, que ainda está em fase de teste, tem como objetivo divulgar
dados de interesse público sobre o setor, fornecidos por diferentes
instituições, em uma única plataforma virtual.
Desde 2008, o Brasil é campeão absoluto no consumo de agrotóxico. Tal
protagonismo no setor não foi acompanhada de maior transparência dos
dados sobre agrotóxicos: até mesmo os Relatórios de Comercialização de
Agrotóxicos, feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis) deixaram de ser publicados anualmente.
O último documento foi tornado público em 2013.
Imagem: print do portal.
O Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos surge dessa necessidade
de acesso a dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos no País, uma
vez que há uma carência na divulgação e no cruzamento desses dados. A
plataforma utiliza o software livre CKAN, evitando que o pesquisador
faça buscas e downloads separados.
O usuário poderá pesquisar informações sobre comercialização,
Agroecologia e Produção Orgânica (fontes de informações sobre produção
de alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos, dentro da
agroecologia e da produção orgânica); Bases de Dados (informações sobre
agrotóxicos, tanto no Brasil quanto no exterior); Doenças (relações
entre tipos de agrotóxicos, grupos químicos e sintomas e doenças);
Conflitos (conflitos gerados pelos agrotóxicos, e pelo modelo do
agronegócio em geral); Intoxicações (registro de intoxicações por
agrotóxicos); Resíduos em Alimentos (dados sobre análises de resíduos em
alimentos); Transgênicos (dados sobre transgênicos) e Uso do Solo
(dados sobre uso do solo no Brasil e no mundo).
Projeto Baleia Jubarte realiza ações para proteger os animais
no litoral do País; espetáculo exige cuidados por parte de observadores
e pescadores
Baleias Jubarte. Foto: EBC
Em busca de águas quentes do Banco dos Abrolhos, na Bahia, cerca de
18 mil jubartes devem passar pelo litoral brasileiro até o final de
novembro deste ano. O período é considerado de reprodução da espécie,
que cresce cerca de 10% ao ano no Brasil.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio), a chegada das baleias é um espetáculo único,
que exige muitos cuidados por parte dos seus observadores. Os emalhes em
equipamentos de pesca e o aumento atípico do número de encalhes
preocupa os pesquisadores.
O Projeto Baleia Jubarte detectou, desde o início de 2016, 46
encalhes na costa brasileira. O número é superior ao de 2015, que
registrou 43 encalhes. Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do
projeto, classifica o período como atípico. Ele passou até a utilizar o
aplicativo WhatsApp para receber avisos de encalhes. ?Carcaças de
baleias em áreas habitadas são um problema de saúde pública?, esclarece.
O Projeto Baleia Jubarte atende a chamados do litoral da Bahia e do
Espírito Santo, áreas com forte presença da espécie. Porém, pode receber
avisos de qualquer parte do País e encaminhá-los a organizações que
atuam no atendimento a encalhes. A população pode entrar em contato pelo
número (73) 98802-1874 ou encaminhar informações pela internet.
Atenção redobrada
Os pesquisadores perceberam que as baleias vêm sendo observadas com
maior frequência nessa temporada e em trechos da costa onde apareciam
menos, como no litoral paulista. Por isso, é necessário redobrar os
cuidados para evitar interferências das embarcações e equipamentos de
pesca.
A advertência vale também aos turistas que vão observar baleias.
Procurem empresas habilitadas para os passeios e que sigam as normas. A
observação de baleias é regulamentada por portaria, que limita a
aproximação máxima a 100 metros, e o motor da embarcação deve permanecer
em neutro enquanto estiver próximo às baleias.
Os pesquisadores acreditam que o aumento no número de encalhes este
ano tem relação com mudança no clima. Há indícios de que mudanças
provocadas pelo El Niño podem afetar a oferta de alimento na Antártica,
segundo explica o pesquisador.
Com isso, algumas baleias chegam muito magras à costa brasileira. Sem
forças, depois de percorrer cerca de quatro mil quilômetros, elas
encalham com mais facilidade. ?O fenômeno ocorreu em 2010, quando
tivemos 92 encalhes, o que nos pegou de surpresa. Mas hoje já
compreendemos melhor o que acontece.?
Monitoramento
O Instituto Baleia Jubarte, responsável pelo projeto, está
monitorando o movimento de embarcações e fazendo reuniões com os
pescadores na região de Abrolhos, sul da Bahia, como parte da estratégia
para reduzir o impacto das atividades humanas sobre as baleias no
arquipélago.
A ação é apoiada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente,
e possui patrocínio da Petrobras.
[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado,
reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à
Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Mercado da região Sul do País registrou 1.302 Megawatts no último dia 7. Recorde anterior para a região foi em junho de 2016
Com expansão acelerada, a geração eólica bate sucessivos recordes nas
regiões do Brasil. Na dia 7, o submercado do Sul registrou recorde de
geração eólica, atingindo 1.302 megawatts (MW) médios em um único dia. A
quantidade gerada pelos ventos superou o recorde anterior para a
região, de 1.289 MW médios, computados no dia 8 de junho deste ano.
Nesse dia, foi atingido o recorde de 5.783 MW médio de geração eólica
total em um único dia no Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse total
produzido de geração eólica no SIN é suficiente para abastecer
aproximadamente 27 milhões de unidades consumidoras residenciais durante
um dia todo, considerando o consumo diário médio residencial brasileiro
de 5,13 kWh.
Região nordeste
Na última segunda-feira (5), também foi registrado recorde de geração
eólica na região Nordeste, atingindo 4.784 MWmédios em um único dia.
Essa geração expressiva tem contribuído muito para o atendimento
energético à região, que tem sofrido com escassez de recursos hídricos
devido à falta de chuvas nos últimos anos.
Capacidade instalada de geração eólica
No mês de julho de 2016, a capacidade total instalada de geração
eólica no Brasil atingiu 9.265 MW, com crescimento de 44,1 % em relação a
julho de 2015. Com esse montante a fonte eólica já representa 6,3 % da
capacidade total de geração de energia do Brasil. Para os próximos anos,
segundo o Plano de Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), a
capacidade instalada de geração eólica no País deve alcançar 24 mil MW
até 2024, quando representará cerca de 11,6% da capacidade instalada
total no País.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia
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Japão e África do Sul enfureceram todo o congresso para a conservação da
natureza, ao se oporem a uma proposta de proibir o comércio interno do
marfim de elefante.
Por Guy Dinmore, da IPS –
Honolulu, Estados Unidos, 12/9/2016 – Os caçadores ilegais matam um
elefante a cada 15 minutos na África, para vender apenas suas presas,
segundo os resultados divulgados pelo Grande Censo de Elefantes.
A moção para frear o comércio interno de marfim, apresentada no
Congresso Mundial da Natureza, que aconteceu nos dez primeiros dias
deste mês nesta cidade do Havaí, é considerada uma das mais
significativas e controvertidas que os delegados tiveram que votar. A
União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) é responsável
pela organização desse congresso.
Mas japoneses e sul-africanos se opuseram à proibição, no dia 7, quando
um grupo de contato de representantes governamentais e de organizações
da sociedade civil tentou promover um texto de consenso da resolução,
patrocinado por Estados Unidos e Gabão. Um sinal das sensibilidades
geradas pela moção é que os meios de comunicação foram expulsos do salão
de conferências pelo presidente do grupo de contato da UICN.
As negociações se prolongaram até a noite do dia 7, mas as delegações de
Japão e África do Sul se retiraram depois que se decidiu manter os
duros termos do texto que defende a proibição.Os conservacionistas da
sociedade civil que defendem a proibição ficaram perplexos com as
tentativas de japoneses e sul-africanos, em certas ocasiões com apoio da
Namíbia, de diluir a contundência da moção.
“É uma atrocidade”, afirmou Mike Chase, fundador da organização
Elefantes Sem Fronteiras e principal pesquisador do Grande Censo de
Elefantes, realizado em 18 países. “Foram mortos seis elefantes enquanto
discutiam por uma frase”, ressaltou Chase após a primeira sessão de 90
minutos, olhando seu relógio.Por sua vez, Susan Lieberman,
vice-presidente de política internacional da Sociedade para a
Conservação da Fauna Silvestre e uma das promotoras da moção, apontou
que “existe uma crise e as pessoas a negam. De que serve a UICN se não
podemos fazer algo contundente pelo marfim?”.
Japão e África do Sul afirmam que têm interesse em salvar os elefantes
da África como os de todo o mundo, mas que a melhor maneira de fazer
isso é com um firme controle e uma regulamentação do comércio, e não com
a proibição. “Regular é ficar de braços cruzados enquanto Roma queima”,
afirmou Lieberman.
O diretor da divisão de política de biodiversidade do Ministério do
Ambiente do Japão, Naohisa Okuda, argumentou que a proibição “não é
adequada. Temos que frear todo o comércio ilegal. Não é necessário
proibir o comércio legal do marfim”, e deu como exemplo as peças que o
Japão importava antes de entrar em vigor a proibição do comércio
internacional, em 1989. “O problema é identificar o que é legal e o que é
ilegal”, ressaltou.
A comunidade internacional deve encontrar um sistema de controle efetivo
para o comércio do marfim, que seja capaz de beneficiar a conservação
de elefantes africanos, pontuou Okuda. “O sistema de controle japonês é
muito bom e efetivo, tal como reconhece a UICN. Outros países deveriam
seguir o exemplo”, acrescentou. Entretanto, numerososambientalistas não
compartilham dessa opinião e questionam a quantidade de peças em marfim
produzidas pelo Japão.
A África do Sul argumenta que as populações de elefantes estão estáveis
e, inclusive, crescem e que são necessários alguns sacrifícios, se parte
da renda obtida com a venda de marfim for dedicada aos esforços de
conservação. O governo sul-africano também organizou uma venda pontual
de excedentes de marfim, mas os ativistas afirmam que isso só serve para
disparar a atividade dos caçadores ilegais.
Morgan Griffiths, da organização WildlifeandEnvironmentSocietyof South
Africa, recordou que, apesar da sofisticada tecnologia utilizada pelo
sul-africano Parque Nacional Kruger, os caçadores ilegais tinham cada
vez menos dificuldades para entrar no parque a partir de Moçambique,
onde os elefantes estão à beira da extinção.
Griffiths está entre os que querem urgência do governo para aceitar uma
proibição sobre todo o comércio interno. “As vendas pontuais de peças de
marfim levarão a uma caçada maciça”, alertou.Outros países africanos
pedem a proibição do comércio interno de marfim, considerando que é
preciso exercer a maior pressão possível sobre China e Vietnã, os
principais importadores de marfim ilegal, para conter a demanda.
A UICN, com 1.300 membros com capacidade de voto entre organizações não
governamentais e governos, não tem autoridade legal para impor
proibições. Mas um chamado desse tipo, feito por uma das instituições
com maior autoridade em matéria de conservação, implica um considerável
peso moral e supõe uma forte pressão para que os governos atuem.
A moção sete, sobre o marfim, é uma das muitas que geraram controvérsia
no Congresso Mundial da Natureza, como as zonas proibidas, por exemplo,
sítios indígenas sagrados com rígidas leis de proteção, uma reserva
marinha que inclua 30% dos oceanos, e pautas para a “compensação de
biodiversidade” voltadas ao setor industrial.
A China é de longe o maior consumidor de marfim de contrabando, cuja
maior parte passa por Hong Kong e Vietnã. Há um ano, esse país e os
Estados Unidos anunciaram que imporiam proibição sobre seus respectivos
comércios internos. Pequim não apresentou um cronograma de execução e as
autoridades chinesas se mantinham caladas em Honolulu. Hong Kong, por
sua vez, anunciou que proibiria o comércio interno até 2021.
“É inadmissível que se mate esses animais por vaidade e mesquinhez. Para
deter o comércio de marfim temos que acabar com o fornecimento e a
demanda”, destacou Tony Banbury, responsável da Vulcan Inc., criada pelo
multimilionário filantropo Paul Allen, que financiou o Grande Censo de
Elefantes.O estudo, uma pesquisa aérea que demorou quase três anos e
rastreou 350 mil milhas quadradas, mostra que a população de elefantes
na savana de 15 países diminuiu 30%, cerca de 144 mil exemplares a
menos, entre 2007 e 2014.
O ritmo de diminuição aumenta e hoje em dia é de 8% ao ano,
principalmente devido à caça ilegal. São mortos aproximadamente 27 mil
elefantes a cada ano por causa de suas presas. A redução mais acentuada
foi registrada na Tanzânia e no norte de Moçambique.
Nota da Coordenação do Observatório do Clima a propósito do resultado do julgamento no Senado.
O julgamento do Senado Federal que cassou nesta quarta-feira o mandato
de Dilma Rousseff e transferiu a Presidência a seu vice, Michel Temer,
não põe fim às múltiplas crises que o Brasil atravessa.
O país segue imerso em uma grave crise econômica, política e ética. A
saída para as três passa por um compromisso nacional com o
desenvolvimento limpo – nas várias acepções do termo.
Desenvolvimento limpo é uma das chaves para a recuperação da economia.
Indústrias de energia renovável, como a eólica, seguem gerando emprego
mesmo durante a recessão. O país tem oportunidades imensas a partir das
metas com que se comprometeu no Acordo de Paris: pode criar uma economia
florestal digna da maior extensão de florestas tropicais do mundo e
pode dinamizar sua agropecuária e sequestrar carbono ao mesmo tempo ao
recuperar 30 milhões de hectares de pastagens degradadas.
Vários estudos
têm mostrado que há ganhos econômicos na redução das ineficiências que
nos fazem emitir CO2 demais. E há ganhos econômicos e sociais na adoção
de políticas ambiciosas de adaptação e redução de vulnerabilidades à
mudança do clima.
Mas desenvolvimento limpo também é o remédio contra a crise política e
moral. O modelo que nos traz a degradação dos ecossistemas, as grandes
obras que violam direitos, a aposta total nos combustíveis fósseis e as
seguidas tentativas de retrocesso na legislação ambiental é o mesmo que
produz a corrupção que afeta todo o sistema político.
Romper com esse modelo, ao mesmo tempo aproveitando as vantagens
comparativas do Brasil na nova economia, seria o caminho virtuoso para
qualquer governo brasileiro.
Brasil é o terceiro entre os grandes emissores de gases de efeito estufa
e maiores economias do mundo a ratificar o documento, mas as metas
ainda são insuficientes.
Por Redação do Greenpeace Brasil –
O Acordo de Paris, documento da ONU que pretende barrar o aquecimento
global, agora é lei no Brasil. Nesta segunda-feira (12 de setembro), foi
ratificado o texto, que é fruto da COP 21 e já havia sido aprovado em
tempo recorde pelo Congresso Nacional Brasileiro.
O documento prevê que países do mundo todo se comprometam em evitar as
emissões de gases que agravam o efeito estufa. A meta é não deixar que o
aquecimento da Terra chegue perto 2 °C – e que, preferencialmente, nem
chegue aos 1,5 °C. Superar esse 1,5 °C significaria trazer riscos graves
para as populações e para a biodiversidade do planeta. E o Brasil,
agora, começa a fazer a sua parte.
China e Estados Unidos já haviam ratificado o Acordo no começo do mês. O
acontecimento era esperado com ansiedade, afinal, são justamente os
dois maiores emissores, com 20% e 18% do total global anual,
respectivamente.
Com a atitude, o Brasil se torna o terceiro entre os dez maiores
emissores e as dez maiores economias do mundo a se comprometer de forma
definitiva com o documento criado na COP 21. Somos o sexto país que mais
emite gases de efeito estufa no mundo – responsáveis por cerca de 2,5%
do total anual de emissões.
“Há muito tempo o país não apresenta iniciativas concretas de liderança
na discussão de clima. Esperamos que a ratificação do Acordo de Paris
seja sinal de novos tempos. E que inspire o novo governo a assumir o
protagonismo neste assunto também na prática, não só no papel”, diz
Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.
Apesar de ser importante, a validação do documento não é suficiente para
garantir que o Brasil realmente faça um bom trabalho pelo planeta,
afinal não basta ter leis se elas não são cumpridas. Os compromissos
firmados ainda são frágeis. Na meta para o setor de energia, o objetivo
do governo é ter até 2030 entre 28% e 33% de fontes renováveis, além da
hídrica, na matriz energética – só que hoje, já estamos em um patamar de
28%.
“O Brasil assumiu compromissos sob o Acordo de Paris que podem soar
positivos frente ao deserto de ações sobre o clima que vemos mundo
afora, mas ainda deixa a desejar. A meta para energias renováveis
praticamente já nasce atingida. E, no que diz respeito a florestas, o
governo diz que tolerará o desmatamento ilegal por mais 14 anos.
Precisamos elevar a ambição com urgência, rumo ao fim dos combustíveis
fósseis e ao desmatamento zero”, afirma Pedro Telles, da Campanha de
Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
Enquanto o governo segue com pouca ambição, o Greenpeace Brasil lançou
em agosto o [R]evolução Energética 2016. O estudo mostra que o país tem
plenas condições de chegar a 2050 com 100% de sua matriz energética
baseada em fontes renováveis, sem emissões de gases de efeito estufa. O
documento propõe o caminho alternativo para que possamos dar adeus às
fontes fósseis de energia, e para que os investimentos em fontes
renováveis de verdade sejam a saída para o desenvolvimento e o futuro
limpo do Brasil.
A proposta oficial do país também deixa a desejar na área de florestas.
“O objetivo se limita a alcançar acabar com o desmatamento ilegal na
Amazônia apenas em 2030. Ou seja, o governo pretende tolerar a
destruição ilegal da Amazônia por mais 14 anos, e de outras florestas
por tempo indeterminado”, destaca Telles. Vale lembrar que, nas últimas
semanas, graves e extensas queimadas foram registradas na Amazônia. E
levantamentos indicam que estamos prestes a presenciar a maior e pior
temporada de queimadas e incêndios florestais da história do país.
“A ambição de compromissos nacionais pode ser elevada a qualquer
momento. Para fazer a sua parte, o Brasil precisa se comprometer o
quanto antes com o Desmatamento Zero e com 100% energias renováveis”,
completa Telles.
Uma gráfica de grande porte acaba tendo muitos materiais residuais de
seus trabalhos ou que ficam apenas ocupando espaço, em total desuso.
Para resolver dois problemas de uma só vez, a gráfica guatemalteca Las
Minute estabeleceu a meta de usar 80% dos materiais que estavam fora de
uso no projeto da nova loja.
Entre a matéria-prima usada pelo arquiteto Jorge Villatoro, responsável
pelo projeto, estão: pallets, madeira, chapas metálicas oxidadas, tubos
de papelão e muito mais. Os materiais que poderiam simplesmente ser
descartados, ganharam novas formas e utilidades, conforme mostrado pela
reportagem do ArchDaily.
O destaque do projeto é a parede vazada que separa os ambientes de
trabalho e atendimentos. Os tubos de papelão formam a base para a
parede, alternando formas geométricas, espaços para o descanso e
comunicação e também armazenamento temporário de materiais impressos.
Em vez de aprendermos com eles, nós os levamos a deixar de ser índios, sem vantagens.
Até a ONU, às voltas com tantos problemas que envolvem países inteiros,
está preocupada com as ameaças aos povos indígenas no Brasil, que
considera mais graves que os dos anos 1980 – diz um informe especial
publicado no primeiro dia deste mês. Causas: demarcação de terras
estagnada, enfraquecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai) pelos
últimos governos e iniciativas em andamento na atual administração que
podem agravar o panorama.
E os índios – que ocuparam todo o território
nacional – hoje não chegam a 1 milhão de pessoas (0,47% do total
brasileiro), segundo o IBGE : eram 24 povos com 896.917 pessoas em 2010,
das quais 324 mil vivendo em cidades e 572.083 em áreas rurais.
A relatora da ONU para os direitos dos povos indígenas, Victoria
Tauli-Corpuz, que esteve por aqui em março, acha que “hoje os povos
indígenas encaram riscos mais profundos que no momento da adoção da
Constituição, em 1988”. Porque, como constatou ela, o atual governo
deixava pendentes 20 demarcações de terras – nos últimos oito anos não
houve avanços. Os assassinatos de líderes indígenas passaram de 92 em
2007 a 138 em 2014 (Estado, 2/9).
E tudo pode piorar com as crises
econômica e política. E com a decisão de extinguir órgãos de defesa dos
direitos humanos, além das ameaças de reverter ratificações e
declarações de terras indígenas, como Cachoeira Seca (PA), Piaçaguera
(SP) e Pequizal do Naruvotu (MT). Para a ONU, a prioridade deve ser a
conclusão do processo de demarcação, “abandonado há anos”. O abandono
tem incentivado o aumento da violência, principalmente entre os
guaranis-caiovás e terenas (MS), os araras e paracanãs (PA) e os
caapores (MA).
As dificuldades neste momento são corroboradas por vários noticiários em
jornais e televisões. Um deles, a Folha de S.Paulo (4/9), relata a
situação de uma família de índios da região do Xingu que passou a
receber Bolsa Família (R$ 300 mensais). Eles se mudaram para a cidade e
logo concluíram que a importância recebida era insuficiente para o
sustento familiar, comprar fogões velhos, pagar aluguel da casa mais do
que modesta. A situação só não é pior porque o filho adolescente
trabalha numa borracharia.
Há 105 mil famílias indígenas recebendo Bolsa Família, 76 mil incluídas
nas áreas rurais e quase 30 mil em áreas urbanas. R$ 182,31 é o
benefício médio. Diz o noticiário que as consequências são
“devastadoras” – o que traz imediatamente à memória a notícia de estudo
que há mais de 30 anos vinha sendo desenvolvido por pesquisadores da
então Escola Paulista de Medicina.
Eles comparavam o estado de saúde de
índios que moravam isolados em suas aldeias com o de outros que haviam
emigrado para as cidades. Entre os primeiros – como registravam suas
fichas semestrais – não havia um único caso de hipertensão ou de doenças
coronarianas, AVCs, diabetes, problemas pulmonares e outros; já entre
os que trabalhavam como boias-frias perto de Bauru (SP), todos esses
problemas estavam presentes e ainda os casos de invalidez ou morte eram
frequentes.
O autor destas linhas decidiu acompanhar a equipe médica ao Parque
Indígena do Xingu – na época, inteiramente isolado – e, ali, os exames
corporais e de laboratório por que passava cada um dos índios que já
tinham fichas de exames anteriores.
Mais uma vez, não havia um só caso
de doença entre populações de índios do parque, comparando com migrados.
E o jornalista ficou impressionado, não apenas com as constatações
médicas, mas com o modo de viver desses índios xinguanos:
a não
delegação de poder (o chefe não tem poder, não dá ordens, é o grande
líder e conselheiro, mas não manda em ninguém; se tentasse, os outros se
dobrariam de rir);
homem não bate em mulher; todas as pessoas são
livres e iguais;
o homem planta e colhe, pesca, busca ervas medicinais e
alimentícias; a mulher cozinha e cuida dos filhos – mas sem receber
ordens, etc.
O fascínio provocado por esse testemunho levou o jornalista
a produzir desde a década de 1980 várias séries para a televisão, que
levaram a surpreendentes índices de audiência.
Essa possibilidade de convivência social com outros fundamentos levava à
pergunta: seria possível voltarmos a viver como índios? Certamente,
não. Só discutir a hipótese provocava espanto ou desdém. Mas
provavelmente seria possível incorporar muitas de suas práticas sociais e
de relacionamentos.
Há algumas décadas, o médico e professor da Universidade Federal de São
Paulo Douglas Rodrigues, que estava na mencionada primeira viagem ao
Xingu, já dizia que a hipertensão e a diabetes começavam a ser mais
presentes, dadas as mudanças entre índios que antes viviam isolados, por
causa dos contatos com habitantes de cidades e pela mudança nas dietas.
A documentação para a TV comprovou a tese.
O tempo só acentuou as mudanças – e as análises. E tentativas de
socorrer índios com programas sociais como o Bolsa Família e outros só
alterou a rotina, acentuou a dependência de recursos financeiros, de
programas assistenciais e médicos, necessidade de roupas, calçados,
alimentos, etc.
O Estado brasileiro não tem política adequada para os grupos indígenas.
Disfarçadamente, sem enunciá-la, sobrepõe uma política de aculturação,
para substituir os fundamentos das culturas originárias – que criavam os
modos de viver – e implantar a cultura branca. Os resultados são
penosos, seja com a migração para cidades, seja com as transformações
nas aldeias.
Em lugar de aprendermos com eles alguns fundamentos de seus
modos de viver originários, nós os levamos a absorver nossos modos de
ser, a deixar de ser índios, sem terem vantagens, só prejuízos.
Na crise que vivemos, muitos livros, como o recém-publicado A Guerra da
Água, de Harald Welzer, preveem que “caos e violência” causarão a
próxima guerra mundial, em disputa pela água e outros recursos naturais.
Sentiremos falta dos conhecimentos indígenas.
Em agosto, mês de seu aniversário de 40 anos, a Estação Ecológica dos Caetetus (SP) reencontrou velho amigo: o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus). Uma das espécies protegidas pela unidade de conservação (UC), por seis anos não havia qualquer registro de sua presença.
A
redescoberta foi feita pelo pesquisador voluntário Roberto Lázara e
consolidada no dia 02 de setembro por meio de registros fotográficos de
funcionários da Estação Ecológica (veja as fotos). Na ocasião, foram
avistados dois indivíduos adultos próximos à sede administrativa.
Considerado
um dos primatas mais raros e ameaçados de extinção no mundo, a espécie
costuma se organizar em pequenos grupos. “Nesse caso específico,
provavelmente tratava-se de um casal. Com esse novo registro, ficou
claro que a espécie continua habitando a Unidade de Conservação e essa é
uma grande felicidade para nós”, disse o gestor da UC, Nelson Gallo.
Mico-leão-preto. Foto: Denilson Ruffo
A
unidade de conservação foi criada pelo Decreto Estadual nº 8.346, de 9
de agosto de 1976 e passou à categoria de Estação Ecológica por meio do
Decreto Estadual nº 26.718/87. Os seus 2.178,84 hectares protegem
remanescentes de Mata Atlântica de Interior e abrigam diversas espécies
da fauna ameaçada de extinção, como o queixada, a anta, a onça-parda e,
novamente, o mico-leão-preto.