quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bastaria pouco para evitar o processo que está causando o aquecimento global, aponta relatório do Climate Action Tracker

terça-feira, 25 de abril de 2017


Bastaria pouco, muito pouco. Para neutralizar o processo degenerativo que está causando o aquecimento global, nos termos previstos pelo Acordo de Paris de 2015, bastaria um forte entendimento entre poucos países que servem de líderes, pondo em campo políticas equilibradas em todo o setor industrial e energético. 
 
 
 
 
 
 
 
É a tese do Climate Action Tracker, um grupo de pesquisa internacional que, na última sexta-feira, às vésperas do Dia Mundial da Terra promovido pela ONU, publicou um relatório sobre as estratégias mais eficazes para reduzir os gases de efeito estufa e proteger o planeta.

 
 
 
 
 
 
 
 
A reportagem foi publicada por L’Osservatore Romano, 23-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
 
 
 
 
 
 
 
O documento mostra um dado muito significativo: para implementar velozmente e de maneira duradoura a descarbonização da indústria e mudar de rumo em direção às energias renováveis não são necessários grandes acordos globais e negociações infinitas, mas o compromisso e a lideranças de poucos países líderes que podem abrir o caminho e servir de modelo para os outros.
 
 
 
 
 
 
 
O relatório cita o exemplo de alguns setores em que essa estratégia já se mostrou bem-sucedida. No setor elétrico, responsável por 40% dos gases de efeito estufa relacionados com a energia, a virada verde foi iniciada graças aos investimentos em energias renováveis e às políticas realizadas por poucos países como a Dinamarca, Alemanha, Espanha e China no campo da energia eólica e fotovoltaica. Nesses países, entre 2006 e 2015, a capacidade de produção de energia eólica aumentou 600% e de fotovoltaica em até 3.500%.
 
 
 
 
 
 
 
Outro exemplo é o dos transportes, causa de um quinto da produção de gases de efeito de estufa. Nesse setor, a revolução passa pelos carros elétricos. Na vanguarda, estão a Holanda, a Noruega, a Califórnia e a China. A partir desses modelos – ressaltam os especialistas – é preciso recomeçar.
 
 
 
 
 
 
 
Recomeçar não só com o relançamento dos acordos globais assinados em Paris, mas também com a expansão da revolução em curso em setores que ainda não a conhecem. Como exemplo – enfatiza ainda a relação do Climate Action Tracker –, uma verdadeira virada verde não existiu no campo da indústria imobiliária. Só com climatização, cozinha e iluminação, os edifícios produzem cerca de 20% dos gases de efeito estufa. O potencial tecnológico para mudar de rota existe, mas não existe o compromisso dos governos.
 
 
 
 
 
 
 
O relatório do Climate Action Tracker é apenas um dos muitos documentos publicados por ocasião do Dia Mundial da Terra, a maior manifestação ambientalista do mundo, que se celebra no dia 22 de abril.
 
 
 
 
 
 
 
O evento, este ano, ocorre em um momento particularmente tenso em nível político. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nunca guardou qualquer segredo sobre a sua vontade de se retirar do entendimento de Paris, cancelando os procedimentos do seu antecessor, Obama. Na realidade, o jogo na Casa Branca é muito complexo, e o fronte dos republicanos também não é tão compacto. Basta pensar no fato de que, há poucos dias, foi cancelada a reunião dos principais conselheiros de Trump que deveria formular as recomendações a serem entregues ao presidente a respeito da política climática. O tema, em todo o caso, estará sobre a mesa do G7 de Taormina, nos dias 26 e 27 de maio.
 
 
 
 
 
 
 
Mas não há apenas a política. O Dia da Terra também é um evento global, que visa a envolver o maior número de pessoas em todo o mundo por meio de manifestações e iniciativas. O objetivo é sensibilizar sobre questões como a reciclagem, a poupança energética, a proteção e o respeito das áreas verdes. Nos 193 países das Nações Unidas, pelo menos um bilhão de pessoas em 22.000 organizações participarão do dia.
 
 
 
 
 
 
 
Nesse contexto, será realizada nas principais metrópoles de 40 países, a marcha da ciência, um evento promovido pelo comitê estadunidense do Earth Day Network, de acordo com o qual “trata-se do primeiro passo de um movimento global pela defesa do papel vital da ciência para a saúde, a economia, a segurança e os governos”.
 
 
 
 
 
Entre as adesões à manifestação, figuram ilustres instituições científicas como a American Association for the Advancement of Science, a American Chemical Society e a American Geophysical Association. Sem contar muitos especialistas das agências governamentais, como a Enviromental Protection Agency e a Food and Drug Administration.
 
 
 
 
 
O coração da manifestação será Washington, com uma marcha ao longo da avenida perto da Casa Branca, palco das principais manifestações pela luta pelos direitos civis nos anos 1960. “O objetivo é defender a ciência que, hoje, é vítima de um ataque sem precedentes e lembrar que a ciência, em toda a parte, interessa a todos e contribui para a proteção do planeta em que vivemos e da nossa saúde”, explica, em entrevista ao Guardian, Kenneth Kimmell, presidente da organização sem fins lucrativos Union of Concerned Scientists.
 
 
 
 
 
A marcha ocorreu em mais de 500 cidades do mundo, da Cidade do Cabo, na África do Sul, a Wangdue, no Butão. É forte o compromisso europeu. Na Itália, a praça principal foi a de Roma.
 
 
 
 
 
Fonte: EcoDebate

Pan-Amazônia: ‘Se falta o ar, compremos os pulmões’, entrevista com Lindomar Dias Padilha

quarta-feira, 26 de abril de 2017


Lindomar Dias Padilha é graduado em filosofia, especializado em Desenvolvimento e Relações Sociais pela Universidade Nacional de Brasília e formado em Direitos Humanos. Padilha atua junto aos povos indígenas da Amazônia brasileira desde 1991.






Casado e pai de dois filhos, trabalha no observatório Pan Amazônico prestando serviços de análises sobre temas relacionados à Amazônia, aos territórios, e à mercantilização e financeirização da natureza. Na entrevista, Padilha, que é também membro do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, aprofunda questões relacionadas aos povos da Amazônia e ao bem viver.




* Podemos falar sobre um histórico de violação dos direitos humanos na Amazônia?






Regra geral, os povos indígenas são violados, saqueados e assassinados, física e culturalmente, desde a invasão europeia. O problema de fundo é que estes povos sempre foram “vítimas” de projetos sonhados por outros, e nunca foram considerados sujeitos e propositores de seus próprios projetos. Entretanto, creio que os ciclos que se seguiram após o contato também tiveram e têm papel preponderante na ação de expropriar e mercantilizar a natureza. Tivemos neste caso, aqui no Acre, dois ciclos onde a seringueira era a matéria prima para a produção de borracha para as fábricas que alimentavam a guerra e o “progresso”.




Neste momento, a tese principal tem sido a do uso intensivo do que ainda resta de matéria prima sob o pseudônimo de “sustentabilidade”. Está em curso um perverso modelo de ataque aos territórios indígenas e comunidades tradicionais. Destaco três aspectos deste modelo: um primeiro é o incentivo à produção de peixes em cativeiro (peixes de granja) num claro interesse de alimentar os mercados de ração e atacar a soberania alimentar das comunidades e, claro, criar ainda mais dependência; um segundo é o chamado “manejo” que, no caso do Acre, tem sido mais uma “autorização” para o desmate.







Chamam de manejo sustentável, mas na prática, é insustentável porque, entre outras coisas, foca exclusivamente na madeira e desconsidera todos os outros elementos deste complexo bioma Amazônico, por exemplo, as fontes de água e os animais, notadamente as espécies endêmicas. E um terceiro aspecto são os projetos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) especialmente os de REDD+ que não são outra coisa que não a autorização para que empresas e países que mais poluem, sigam poluindo por meio da compra de créditos de carbono.





Ou seja, os povos indígenas, a título de preservarem seus territórios, estão na verdade vendendo o usufruto destes territórios para empresas que, assim, podem “compensar” a emissão de gases de efeito estufa e outros. A lógica do capitalismo verde é simples: se falta ar, então, compremos os pulmões.





Este é um tema propositadamente envolto a uma nuvem de suposta complexidade, mas na verdade, trata-se simplesmente do comércio do ar que respiramos. Quem pode, compra o direito de seguir poluindo e pronto.




* Que órgãos têm lutado a favor da defesa destes povos?




Teoricamente, temos muitos órgãos na defesa dos povos indígenas. Entretanto, temos que ter muito cuidado porque muitas ONGs, são basicamente “Organizações Neo Governamentais” porque dependem diretamente de recursos públicos. Por outro lado, muitas delas são dependentes de recursos externos, justamente de países ou financiadoras que desenvolvem trabalhos no campo da dita economia verde. Ou seja, empresas e governos se valem dessas ONGs para terem acesso às comunidades e induzi-las à venda de sua autonomia territorial.





Na prática, são pouquíssimas as instituições que, de fato, trabalham na defesa dos interesses dessas comunidades. Para não ser injusto, prefiro não citar nomes de organizações. Entretanto, posso afirmar com toda certeza que as mega ONGs, de atuação internacional, são, na verdade, empresas do capitalismo verde e, portanto, a serviço do grande capital e contra os povos indígenas e comunidades tradicionais. Também essas ONGs/empresas, fazem parte do sofisticado mecanismo de expropriação.





A REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica) tem se apresentado como uma proposta de rede capaz de articular essas entidades, ainda que o campo de atuação seja muito mais ligado à Igreja Católica. Aliás, isso aponta para uma nova etapa , uma etapa pós Laudato Sì. Essa é uma importante iniciativa e traz esperanças para os povos indígenas e comunidades da nossa Pan Amazônia.





* Sobre os casos concretos – de violação dos direitos dos povos – que foram levados aos Estados Unidos da América, há perspectivas de que os responsáveis sejam punidos?




Os sistemas ligados à Organização dos Estados Americanos (OEA), a despeito de sua boa vontade, é lento quando se trata de punição, talvez por ser uma organização financiada e mantida justamente pelos estados, na maioria das vezes, os que mais violam ou deixam violar os direitos. Nossa perspectiva, no entanto, é muito boa, porque mais que punir espera-se dar visibilidade aos casos e criar nos próprios estados, junto à sociedade civil, um clima mais favorável à Amazônia e seus povos, pessoas que vivem, produzem e cuidam desta vasta área riquíssima em bio-sócio-diversidade.




Todos os casos apresentados na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA por nós, são exemplos da gravíssima situação de violação dos direitos em nossos territórios e, cuja denúncia esperamos, alcance os ouvidos das pessoas de bem e boa vontade para que saiam na defesa desses povos e territórios. No caso do Acre, é preciso que o Brasil e o mundo saibam dessas violações travestidas de sustentáveis e apresentadas como “modelo” ao mundo. É preciso que a cortina se descerre e as pessoas vejam a verdade por trás desses projetos ligados à economia verde para que, assim, possam compreender o que realmente está se passando no Acre e em nossa grande Amazônia.







* Como podemos pensar no equilíbrio entre desenvolvimento econômico e defesa das comunidades tradicionais na Amazônia?






Esta é uma pergunta importante, porque temos que, a partir dela, definir o que estamos chamando de “desenvolvimento” econômico e para quem será este desenvolvimento. Os modelos que até aqui foram apresentados, todos, rigorosamente todos, se dirigiram (e ainda o são) para o desenvolvimento dos grandes conglomerados econômicos e países ligados a estes conglomerados. Assim, todos os projetos foram incompatíveis com a defesa das comunidades e do ambiente.






Na cabeça dos que apregoam o “desenvolvimento” vêm uma série de cifrões. Também os seus olhos nada enxergam que não cifrões. Associam desenvolvimento ao consumo, padrão de consumo e poder de acumulação. Ou seja, uma comunidade ou um povo tem seu desenvolvimento medido a partir de sua capacidade de consumir e gerar lixo industrial.






O equilíbrio só será possível se nos libertarmos deste conceito de desenvolvimento e entendermos que o verdadeiro desenvolvimento está no uso sadio do que a natureza nos oferece em primeiro lugar para “vivermos bem” e não simplesmente explorar até a exaustão para satisfazer padrões de consumo. É muito mais desenvolvida uma comunidade onde todos trabalham na geração de vidas, de suas próprias vidas e de outros, onde a natureza é, antes de tudo, uma mãe que ama seus filhos, mas espera que em tempos de velhice estes filhos a amparem.





Nossa Amazônia é esta mãe e neste momento se encontra enferma e bastante debilitada. Temos que cessar imediatamente as atividades que a explorem ainda mais e são o motivo de sua enfermidade. Temos que retirar daqui toda exploração madeireira, petroleira, minerações diversas. Por fim, temos que “expulsar” daqui os projetos de morte, ainda que disfarçados de sustentáveis, como os ligados a chamada economia verde, que não são outra coisa que “esverdear” as cinzas da destruição.






* E sobre a financeirização da natureza que se contrapõe ao bem viver?






Quando as caravelas europeias aqui chegaram para invadir os territórios e expropriá-los, roubando-lhes o que fosse possível, chamaram a isto “descoberta” e tinham por finalidade comercializar as riquezas não exploradas pelos ignorantes que aqui viviam e, em contrapartida, trazer a civilização. Ou seja, civilizar era colocar no mercado. Por isso, este processo também era chamado de mercantilização. Civilização era o mesmo que mercantilização. Aí está a raiz da financeirização da natureza, bem como de todos os demais projetos de morte que se seguiram. Como eu já o disse, são projetos que enxergam cifrões e não vidas.




As caravelas e suas formas de “civilizar” foram se aperfeiçoando ao longo dos tempos e hoje nos são apresentadas no formato de economia verde ou eco-negócio. Simplesmente a “esverdeação” do velho mercado explorador das riquezas e das pessoas. Vejam a que ponto chegaram: exploração do ar! Sim, isso mesmo.






Os mercados de carbono, assentados em projetos do tipo PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), notadamente os de REDD+, não tem outra finalidade que não a exploração da capacidade de absorção da poluição gerada pelos gazes nocivos e da geração, portanto, de oxigênio e retenção do CO2. Este processo baseia-se na geração de créditos que funcionam como uma autorização para continuar a poluir em outra parte do planeta. Estes créditos gerados são negociados em bolsas e, quanto maior for a ameaça ao meio ambiente, tanto mais valiosos serão estes créditos.






Assim, os detentores desses créditos lucram, no mínimo, duas vezes. Uma vez porque seguem emitindo gazes nocivos e até aumentando a emissão; e outra vez porque, com o aumento da emissão e da poluição, os créditos adquiridos têm seu valor majorado gerando uma expectativa de lucro futuro.







A este processo mais arranjado, sofisticado é que chamo de financeirização. A diferença que saliento é que, neste caso da financeirização, a natureza passa a ter perspectiva meramente financeira, sem os chamados investimentos. Ou seja, o mercado não faz nenhum investimento para adquirir o lucro. O mercado de carbono se porta como mercado de rezes que compra uma fazenda com as porteiras fechadas. Compra tudo que há ali, incluindo o direito à vida e o futuro das pessoas.



Nessas condições, é impossível falarmos em bem viver. Mercado e vida são figuras incompatíveis. Logo, a financeirização é exatamente o oposto ao bem viver.






* Que outros casos (tipos) de violação de direitos acontecem mais frequentemente na Amazônia?
Os projetos de ação direta, ligados às indústrias extrativas, como a petroleira e as de mineração, causam violações mais imediatas e visíveis porque atuam diretamente sobre as pessoas, seja na exploração da mão de obra, seja nos danos à saúde, por exemplo. Estes tipos de violações são mais frequentes porque estas indústrias não tem a sofisticação das ligadas ao comércio verde. Elas se portam como coronéis e para tanto possuem seus jagunços que são os políticos locais e os poderes do Estado como um todo. Os políticos locais e o Estado, se contentam com uma pequena parte do lucro e, em troca, aceitam penalizar à exaustão o ambiente e, claro, as pessoas que ali vivem.






Neste tipo de ambiente, ocorre todo tipo de violação e as denúncias quase sempre não surtem efeitos porque os poderes do Estado estão intimamente ligados às empresas e a serviço delas. Assim, a própria ação dos poderes do Estado, como o judiciário, atua sob constantes violações de direitos humanos. Neste ponto, reside a dificuldade em relação aos mecanismos de punição, se tornando a própria estrutura uma forma de violação dos direitos.








Violências e explorações, por exemplo, das crianças e adolescentes na Amazônia, contam quase sempre com a proteção de uma rede que envolve políticos locais, policiais, advogados e até setores do judiciário, além de pseudo-religiosos das mais diversas denominações. Dizer que a Amazônia é uma terra sem lei não corresponde à verdade. A Amazônia é uma terra cujas leis não protegem os amazônidas e são utilizadas para justificar o roubo, o saque a espoliação, a violação de direitos e finalmente, o assassínio.






*Nayá Fernandes é jornalista, formada em filosofia e teologia e pós-graduada em jornalismo literário. Desenvolveu projetos no Vale do Jequitinhonha (MG) e na Amazônia.






Fonte: EcoDebate

Ministério Público Federal tenta destravar ampliação de Veadeiros

quarta-feira, 19 de abril de 2017


A Procuradoria da República em Goiás quer saber por que a questão fundiária brecou o processo de ampliação.

O Ministério Público Federal decidiu intervir no caso da ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. A Procuradoria da República no estado acaba de instaurar um Procedimento Administrativo de Acompanhamento (PA) para seguir de perto o processo de ampliação do parque, que encontra-se travado por insistência do governador Marconi Perillo (PSDB/GO). O procedimento permitirá ao MPF acompanhar fiscalizações, políticas públicas e outros processos referentes à regularização fundiária do parque. É justamente na questão fundiária que está o nó que fez travar as negociações entre Goiás e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).




O governo do estado alega que não pode ampliar o parque – segundo o desenho proposto pelo ICMBio – porque haveria na região “228 famílias de agricultores familiares”, conforme chegou a declarar o secretário-executivo da pasta de Meio Ambiente, Rogério Rocha, ao jornal Folha de São Paulo.



Em nota, o presidente do ICMBio, Ricardo Soavinsky contestou publicamente esse argumento, esclarecendo que, “para a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, realizamos levantamento de ocupações, utilizando imagens de satélite, sobrevoos e vistorias de campo. Os dados indicam que não haverá impacto relevante para agricultores, já que apenas 15 edificações foram mantidas na área da proposta”.



Os casos em que há legítimas indenizações a serem pagas estão previstos na proposta de ampliação do ICMBio. Os recursos, inclusive estariam garantidos. Além disso, segundo Soavinsky, “as terras [para onde se quer ampliar o parque], são, em sua maioria, devolutas, destinadas a unidade de conservação pela Constituição Federal e pela Lei Estadual n° 18.826/2015”. Esta lei estadual impede a jogada de transferir terras públicas do estado (devolutas) para particulares, o que seria uma improbidade administrativa.



O movimento do Ministério Público Federal é um alerta. Na portaria divulgada nesta terça-feira, a procuradora da República em Luziânia Nádia Simas Souza dá prazo até 2 de maio para que o governo goiano apresente informações como nome, endereço e CPF dos proprietários de imóveis inseridos nos trechos de expansão do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e que supostamente necessitariam ser indenizados, caso aprovada a proposta apresentada pelo ICMBio.



A procuradora também pede a relação detalhada das “supostas” pessoas que ainda teriam posse definitiva dos imóveis inseridos nos trechos de expansão do parque e que supostamente seriam beneficiados com a regularização fundiária pretendida pelo estado de Goiás.


Além do procedimento administrativo instaurado, o MPF, por meio da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), irá realizar reuniões com o Ministério do Meio Ambiente e com parlamentares, com o objetivo de discutir a importância da ampliação do parque nacional. A instauração do procedimento é resultado de reunião que discutiu estratégias para viabilizar a ampliação do Parque Nacional, realizada em Brasília no dia 6 de abril pela Câmara do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR).


Sinal verde
Bastaria o sinal verde do governador Marconi Perillo (PSDB/GO) para que o presidente Michel Temer assinasse o Decreto – conforme proposto pelo Ministério do Meio Ambiente – e ampliasse o parque. O decreto com a ampliação do parque nos moldes defendidos pelo ICMBio está pronto na Casa Civil da Presidência da República.


Na última proposta feita no final do ano passado pelo ICMBio, a área do parque seria triplicada, passando dos atuais 65,5 mil hectares para 222 mil hectares, em uma área contínua, de grande relevância para o bioma Cerrado. É esta proposta que está na Casa Civil da Presidência da República. A proposta chegou a ser acordada entre representantes do estado e o Ministério do Meio Ambiente, mas o governo voltou atrás. Pediu prazo para resolver “problemas fundiários”.




Depois de receber pressão de proprietários e posseiros da região, o secretário de Meio Ambiente de Marconi Perillo colocou na mesa um novo mapa, com área bem menor – 90 mil hectares – e com vários recortes, prejudicando a finalidade da proposta original, mas, por outro lado, beneficiando proprietários rurais e posseiros que ocupam a área. Esse desenho, recortado, tornaria inviável a gestão ambiental de um parque, cujo objetivo é manter a integridade da paisagem. Segundo os especialistas, a proposta de Goiás não faz nenhum sentido do ponto de vista ecológico e serve apenas para acomodar interesses locais.



Por outro lado, o objetivo da ampliação é aumentar a proteção integral à biodiversidade e preservar fontes de recarga hídrica para a região. E de acordo com a Constituição Federal, terras de interesse nacional para a conservação dos recursos naturais devem ser protegidas prioritariamente, acima de interesses particulares.



O Ministério Público também pedirá ao ICMBio que apresente os estudos técnicos que dão sustentação à proposta. A ideia é destravar a ampliação no sentido de que prevaleçam os interesses públicos relacionados à conservação.


#ampliaveadeiros


O WWF-Brasil e a Coalizão Pró-UCs iniciaram no final do ano passado uma campanha nacional pedindo ao presidente Temer que assine o decreto de criação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Uma petição endereçada a Temer lembra da importância da ampliação para a conservação da biodiversidade. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros protege uma área de extrema importância ecológica do Cerrado de altitude. A paisagem é um mosaico diversas formações vegetais, com centenas de nascentes e cursos d`água, rochas com mais de um bilhão de anos e animais ameaçados de extinção.


Fonte: Ciclo Vivo

Parque Estadual Serra Ricardo Franco: uma UC ameaçada de extinção


Cachoeira do Jatobá, a maior do Mato Grosso, sob ameaça com o possível fim do Parque Estadual Serra Ricardo Franco. Foto: Renato Moreira/WikiParques
Cachoeira do Jatobá, a maior do Mato Grosso, sob ameaça com o possível fim do Parque Estadual
 Serra Ricardo Franco. Foto: Renato Moreira/WikiParques

O Parque Estadual Serra Ricardo Franco, no Mato Grosso, é uma importante área remanescente de conservação ambiental no estado, além de representar uma zona de transição entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Esta combinação que confere à região características únicas e alta relevância biológica, infelizmente, não são os motivos pelos quais o parque ganhou a atenção da mídia na última semana. Na noite do dia 19 de abril, quarta-feira, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou, em primeira votação, um decreto de extinção da Unidade de Conservação.


O decreto coloca o parque estadual sob alerta. Para impedir que isso aconteça, a sociedade civil organizou uma petição direcionada à Assembleia Legislativa de Mato Grosso com um apelo para que impeça a extinção da unidade. O movimento começou no dia 21 de abril e espera alcançar 100.000 assinaturas. Até esta publicação, a petição contava com mais de 1.200 assinaturas.


O Parque Estadual
Criado em 1997, o parque  possui 158.620 hectares de extensão. Localizado ao longo da fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, a unidade abriga cachoeiras, piscinas naturais, vales e uma vegetação rica em biodiversidade. Um destaque da unidade é a Cachoeira do Jatobá, a maior do Mato Grosso, com 248 metros de queda d’água. Por se tratar de uma zona de transição, o nível de endemismo é alto, com muitas espécies ainda provavelmente desconhecidas da ciência. O parque é o lar de espécies ameaçadas de extinção, como a lontra, o tamanduá-bandeira e a ariranha.


Mesmo com os seus 20 anos de vida, o parque ainda não possui Plano de Manejo e tampouco foi capaz de regularizar a situação fundiária do seu território, ocupado por fazendas particulares. Apesar de possuir grande potencial para o ecoturismo, a unidade falha em desenvolvê-lo e manejar a visitação. O uso público, além de uma das finalidades da categoria parque dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) é também uma ferramenta para consolidação do território como área protegida e de alto valor ambiental.


Assine a petição, ajude a divulgar essa causa e a preservar o Parque Estadual Serra Ricardo Franco. Afinal, é preciso conhecer para conservar!
Cachoeira do Carué vista de cima. Foto: Renato Moreira/WikiParques
Cachoeira do Carué vista de cima. Foto: Renato Moreira/WikiParques

Amazônia Adentro: uma experiência de realidade virtual pela floresta


Imagem do vídeo
Imagem do vídeo

A região amazônica desperta a imaginação dos brasileiros. Poucos, entretanto, têm a chance de descobrir as belezas guardadas nas profundezas da floresta mais conhecida do mundo. A Conservação Internacional (CI) produziu um vídeo que aproxima esse universo fantástico dos olhos de quem nunca pisou em solo amazônico.

Com o título “Amazônia adentro”, o objetivo é de fato levar as pessoas pelo interior da floresta. O vídeo foi gravado com a tecnologia 360° que permite que o usuário interaja com a imagem e tenha uma visão completa dos lugares por onde a câmera passa. Durante os 11 minutos de duração do passeio audiovisual é possível avistar um bicho-preguiça, uma serpente, aves, borboletas, além de um sítio arqueológico. Tudo isso com a possibilidade de interação e de ter uma visão panorâmica das paisagens amazônicas.

O vídeo é guiado por um indígena, Kamanja Panashekung, que narra o passeio e conta um pouco da relação dos índios com a floresta, além dos problemas e preocupações com a preservação desse precioso bioma. O curta faz parte de uma campanha da CI que chama atenção para a importância dos índios na conservação, uma vez que cerca de 20% da Amazônia está sob o controle dos povos indígenas, que são os verdadeiros guardiões da floresta.

Assista ao vídeo na íntegra
 https://youtu.be/GC6ejxKwbFw

Pernambuco ganhará área de proteção ambiental marinha


APA Marinha Estadual Recifes Serrambi. Ipojuca, Enseadinha. Foto: Domingos Luna/GT SEMAS / CPRH
APA Marinha Estadual Recifes Serrambi. Ipojuca, Enseadinha. 
Foto: Domingos Luna/GT SEMAS / CPRH

O Estado de Pernambuco terá a sua primeira unidade de conservação exclusivamente marinha: a Área de Proteção Ambiental Marinha Estadual Recifes Serrambi (PE). A proposta de criação da área de proteção foi apresentada na sexta-feira (31/03) durante a 88ª reunião ordinária do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema/PE). Com uma área de 78 mil hectares no Litoral Sul do Estado, a unidade de conservação tem como objetivos proteger a biodiversidade da região, garantir a conectividade entre os ambientes marinhos e costeiros, ordenar as atividades econômicas e recuperar os estoques pesqueiros, fortalecendo a pesca artesanal.


Localizada no entorno dos municípios de Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré, a unidade proposta tem como limites o estuário do Rio Maracaípe, em Ipojuca, ao Norte, e a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE), em Tamandaré, ao Sul. A partir da linha de costa de Pernambuco, definida pelo Decreto 42.010/15, o limite da área marítima é de, aproximadamente, 18 milhas náuticas (cerca de 33 Km).


O uso desordenado da área e a fragilidade do ambiente marinho levaram a gestão estadual a escolher a região. O pisoteamento excessivo sobre os recifes de corais e os mergulhos em áreas inadequadas são alguns dos problemas recorrentes. A pressão sobre ambientes marinhos afeta a regeneração da fauna e flora e, consequentemente, há a diminuição da biodiversidade marinha. Os recifes, por exemplo, provém alimentação e abrigo para peixes. Sua redução acaba por afetar a atividade pesqueira e o turismo ecológico na região.


Como é uma Área de Proteção Ambiental (APA), seu uso só poderá ocorrer de forma sustentável, com uma melhor ocupação das terras e com proteção dos recursos naturais. O litoral sul pernambucano abriga trechos de Mata Atlântica, manguezais, lagoas, dunas, recifes de corais e arenitos. Na foz do Rio Maracaípe, por exemplo, é possível encontrar animais como capivaras, jacarés, raposas do mato, guarás e cotias.


As ações a serem desenvolvidas que nortearão a melhor forma de manejar os recursos naturais serão incluídas no plano de manejo, que estabelece as normas e as restrições para o uso. O zoneamento organiza a área em espaços sob diferentes graus de proteção e regras. O mergulho, por exemplo, será permitido, mas em áreas que não afetem a prioridade da conservação.


O processo de criação da unidade acontece de forma participativa. Estão previstas ainda oficinas com atores locais, além de realização de consulta pública. A proposta técnica final será submetida à aprovação do Consema.


Corredor ecológico
Com a implementação da área protegida, será possível criar o primeiro corredor ecológico do litoral nordestino setentrional, formando um mosaico de unidades de conservação. Ao sul, está a Área de Proteção Ambiental Federal Costa dos Corais, a Reserva Biológica Federal de Saltinho (PE), a Área de Proteção Ambiental Estadual de Guadalupe (PE) e a Área de Preservação Estuarina Natural Estadual de Saltinho; e, ao norte, o Parque Metropolitano do Cabo de Santo Agostinho.

*Com informações do MMASemas/PE e da Folha de Pernambuco

Consulta Pública discutirá ampliação e recategorização de UC no Paraná


Floresta Estadual do Palmito. Foto: SEMA/IAP/AEN
Floresta Estadual do Palmito. Foto: SEMA/IAP/AEN

No próximo dia 23/05, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) irá realizar uma consulta pública com o intuito de informar a população sobre a ampliação e a recategorização da Floresta Estadual do Palmito (PR), importante área ambiental localizada no município de Paranaguá. A referida consulta foi oficializada no Diário Oficial do Estado na edição nº 9928, na página 15, em procotolo assinado pelo diretor-presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.


As consultas públicas são processos legais para a construção conjunta de políticas entre governo e sociedade. “Com a colaboração dos cidadãos, empresas, movimentos e organizações da sociedade, a proposta do Governo do Paraná para a ampliação e recategorização da Unidade de Conservação Floresta Estadual do Palmito e demais ações associadas ao tema poderão atingir seus objetivos e ser aprimoradas de acordo com as demandas coletivas”, afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável, Raphael Rolim de Moura.


Floresta Estadual do Palmito. Foto: SEMA/IAP/AEN
Floresta Estadual do Palmito. Foto: SEMA/IAP/AEN

Serviço:
Consulta Pública: Ampliação e recategorização da Unidade de Conservação da Floresta Estadual do Palmito
Local: Teatro Rachel Costa
Quando:
23 de maio (terça-feira), das 19h00 às 22h00
Toda a população está convidada.

*Com informações da Prefeitura de Paranaguá

Agricultura familiar próspera e sustentável pode reduzir o desmatamento


Por Vandré Fonseca
Com práticas sustentáveis, crédito e assistência técnica adequados, Agricultura Familiar pode prosperar em assentamentos e ajudar a reduzir o desmatamento. Foto: Thiago Foresti/IPAM.
Com práticas sustentáveis, crédito e assistência técnica adequados, Agricultura Familiar pode 
prosperar em assentamentos e ajudar a reduzir o desmatamento. Foto: Thiago Foresti/IPAM.


A prosperidade de assentamentos rurais é uma estratégia para reduzir o desmatamento que funciona. Resultados do Projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia (PAS) apresentados nesta quarta-feira em Brasília mostram que ações para aumentar a produtividade, melhorar acesso ao mercado e valorizar a floresta conseguiram reduzir em 79% a derrubada de árvores em lotes da Reforma Agrária na Amazônia.

O PAS é executado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) desde 2012, com apoio do Fundo Amazônia e Fundação Viver Produzir e Preservar, em quatro áreas de assentamentos no Oeste do Pará, que somam 1,4 milhões de hectares. Nestes cinco anos, duas mil e setecentas famílias foram atendidas. A intenção era implantar e testar um modelo de agricultura familiar sustentável ao mesmo tempo aumentasse a renda dos produtores e reduzisse o desmatamento.

Os dados apresentados esta semana mostram que o objetivo foi atingido. Os produtores atendidos melhorarem em 68% a renda média bruta, segundo os dados do Ipam. Houve também avanços na regularização fundiária e ambiental. Foram emitidos 1.300 Cadastros Ambientais Rurais (CAR) e 100 mil hectares de terras regularizados, com a concessão de 1 mil dispensas de licença ambiental.

Aproximadamente 40 milhões de hectares na Amazônia são ocupados por 3.589 assentamentos rurais. Eles respondem por até um quarto da área de floresta derrubada anualmente na região. Embora nos últimos anos, a taxa de desmatamento tenha diminuído na Amazônia Brasileira, nas áreas de colonização ela se manteve estável. De acordo com o Ipam, o corte da mata em assentamentos está relacionado principalmente ao abandono dos lotes e concentração de terras.
Foto: Thiago Foresti/IPAM.
Foto: Thiago Foresti/IPAM.

O diretor do Ipam, Osvaldo Stella, conta que metade do desmatamento em lotes da Reforma Agrária está concentrada em apenas 3% dos assentamentos. “É um processo de reconcentração de renda. Por falta de apoio, políticas públicas, assistência técnica, infraestrutura etc, os assentados abandonam os lotes, que são reconcentrados, são grilados, invadidos. Um agricultor sozinho não consegue desmatar 10 hectares em um ano”, afirma Osvaldo Stella.

O diretor do Ipam diz que agora é preciso replicar a experiência em todo o território amazônico. Para ele, é preciso redefinir as políticas públicas para a região, como a de assistência técnica rural (Ater), de crédito e de comercialização. “O projeto mostrou que se a gente simplesmente adaptar a maioria das políticas públicas que têm e realinhar de uma maneira mais coerente, a gente pode promover essa transformação nos assentamentos da Reforma Agrária da Amazônia”, destaca.

Saiba Mais
Confira mais resultados do Projeto Assentamentos Sustentáveis.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O planeta precisa de ajuda, chamem as mulheres!


Por Vandré Fonseca
A perda da biodiversidade está relacionada ao crescimento da população humana. Foto: Vandré Fonseca.
A perda da biodiversidade está relacionada ao crescimento da população humana, diz estudo da Science. Foto: Vandré Fonseca.
Manaus, AM --

Se você está preocupado com a conservação das espécies do planeta, é bom olhar também para o lado e prestar atenção aos direitos femininos. Educar meninas e mulheres e dar a elas acesso a saúde reprodutiva é também um caminho para reduzir a pressão sobre o Meio Ambiente e espécies de plantas e animais. A ideia é apresentada pela socióloga americana Eileen Crist, autora principal de um artigo publicado na semana passada, em um caderno especial da Science.


O caderno, que traz outros quatro estudos, além de uma discussão política sobre conservação e um editorial, apresenta os desafios para manter a estabilidade e o funcionamento dos ecossistemas da Terra, em face ao crescimento da população humana. No estudo, os autores chamam a atenção para projeções indicando que, em 2100, poderemos ser 11,2 bilhões de pessoas na Terra, isto significa a necessidade de dobrar, ou até mesmo triplicar a produção de alimentos, com significativo impacto para os ecossistemas de todo o planeta.


E o empoderamento feminino, segundo a socióloga, tem significado nas últimas décadas uma redução em taxas de natalidade. "Ao melhorar seus direitos humanos, dando a elas e aos seus parceiros acesso a serviços de saúde reprodutiva e tecnologias contraceptivas, e melhorando sua realização educacional, podemos ajudar a enfrentar esta crise planetária", afirma Eileen Crist.
“Desde que os europeus atravessaram o Atlântico para conquistar terras do Novo Mundo, pelo menos 363 espécies de vertebrados foram extintas.
 
 
Em outro artigo, que tem a participação do biólogo brasileiro Mauro Galetti, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pesquisadores analisam a extinção provocada pelo avanço da humanidade sobre a Terra. Desde que os europeus atravessaram o Atlântico para conquistar terras do Novo Mundo, pelo menos 363 espécies de vertebrados foram extintas. E existem evidências indicando que em períodos mais recentes a taxa de desaparecimento de espécies pode ser até cinco vezes maior.


“O gênero Homo começou a ocupar o ‘nicho’ de carnívoros há 2 milhões de anos atrás e ocasionou a extinção de diversas espécies de elefantes, hienas e outros carnívoros”, afirma Galetti. “O Homo sapiens saiu da África há 200.000 anos e terminou de ocupar todas as terras agricultáveis no ano 1.200. Nessa diáspora, ele levou a extinção pelo menos 4 espécies de humanos (Homo erectus, Homo floresiensis, Hominídeo de Denisova e Homo neanderthalensis), além de 25% de todos os jabutis e tartarugas terrestres e toda a megafauna da América do Norte e do Sul e da Austrália”, completa.


No artigo, os autores mostram que, apesar de alguns esforços contribuírem para reduzir a perda de biodiversidade, ainda não são suficientes para alcançar objetivos propostos. As razões, segundo Galetti, são: o crescimento da população humana; falta de recursos para resolver os problemas ambientais; questões ambientais ainda são consideradas, de maneira equivocada, empecilho ao desenvolvimento; e ministérios do Meio Ambiente são politicamente mais fracos que outros que podem provocar enorme impacto ambiental, como Agricultura, Desenvolvimento e Fazenda.


As mudanças provocadas pelo homem vão além da biodiversidade, a ponto de já se afirmar que vivemos em uma nova era, o Antropoceno. Galetti explica que o homem tem criado novos elementos químicos, mudando a composição da atmosfera, alterando processos naturais de sedimentação, a composição de oceanos. “Pela primeira vez na história da Terra isso está sendo realizado rapidamente e por uma única espécie”, destaca.

El oscuro sendero de matar al planeta


Estos son las columnas que uno nunca quiere escribir. Porque queremos ser positivos, porque miramos para delante y todo eso está muy bien. Por eso, en los días en que celebramos el Día Internacional de la Madre Tierra, nos llenamos los oídos, ojos y sensaciones de todo lo que debemos hacer para cuidar al planeta.

25/4/2017

Escuchamos cerrar las canillas, reciclar, secar la ropa al sol, cambiar las lámparas por ecoamigables, utilizar pilas recargables y muchos otros buenos consejos.


Pero también debemos mirar nuestro ombligo y reconocer todo lo que, paralelamente, estamos haciendo mal. En ese sendero, no sólo no nos detenemos, sino que tampoco nos damos cuenta del abismo que se acerca. Ahí decimos, irresponsablemente, “eso que anuncian de que subirá la temperatura, que el mar se elevará un metro, eso, es para el 2100 y yo ya no estaré”. Expresión más egoísta, no se puede hallar.


Por tanto, hoy quiero poner énfasis en esas cosas (algunas solamente) que estamos haciendo mal y así hacer campaña y detener esta locura autodestructiva que padecemos.


Empecemos por la polución que es una triste realidad; hay ciudades en las cuales es casi imposible respirar aire puro, y por culpa del smog que flota en el ambiente, sus habitantes no saben lo que es apreciar un cielo nocturno estrellado. La gente sufre enfermedades respiratorias, asma crónica y alergias, debido a la cantidad de partículas que están suspendidas en el aire y a los gases contaminantes emitidos por las industrias y los coches.


Con respecto a la basura, la desidia del ser humano no tiene límites a la hora de deshacerse de los residuos que él mismo genera al consumir. Pero este no es un mal que se circunscriba a las ciudades, ya que en la cima del mundo, en el Monte Everest, los escaladores han dejado una muestra patente de la falta de consideración generalizada y el desinterés por el cuidado del Medio Ambiente.


Es tanta la basura acumulada en las diversas etapas del ascenso a la montaña más alta del mundo, que las autoridades han tenido que tomar medidas extremas y obligar a los escaladores que al bajar traigan al menos 8 kilos de desechos (suyos y ajenos), con el fin de “limpiar” este increíble y casi inaccesible lugar.


El nivel de contaminación que sufren las aguas de nuestro planeta, en especial las fuentes de agua dulce es tan dramático, que los elementos tóxicos han llegado a las capas freáticas más profundas. Esto implica que los detritos (legales e ilegales) industriales, los restos de pesticidas y hasta los desechos cloacales, penetran en la tierra y también han logrado envenenar el agua de abajo hacia arriba durante décadas.


Con respecto a la deforestación, allí donde hay árboles, el ser humano únicamente ve la posibilidad de talarlos y vender la madera, y luego usar las tierras para cultivos, en vez de preservar ese tesoro natural en bien del resto de la humanidad, que crece diariamente y necesita de la oxigenación del aire para vivir.


Y ahora tenemos la basura electrónica porque el afán de tener el mejor móvil, la tablet de última generación o la computadora más rápida, genera una ingente cantidad de residuos que es muy difícil de reciclar o destruir. Los países desarrollados han tenido la “genial idea” de vender esos desechos a países emergentes ávidos de trabajar en lo que sea y de esa forma ciudades como Guiyu en China, el barrio de Agbogbloshie en la capital ghanesa de Acra y Lagos, la capital de Nigeria (por nombrar algunas), se han convertido en verdaderos basurales electrónicos.


Estamos recorriendo el oscuro sendero de destruir a la Madre Tierra y al hacerlo creemos que sólo se trata de ser felices, de ser prácticos y de pensar en el hoy, aunque en este día avancemos un centímetro más en ese camino difícil de revertir. Si leemos más acerca de lo que hacemos y de lo que deberíamos hacer, o las dos cosas en su conjunto, quizás tomemos conciencia de lo que nos está pasando. Al revés del avestruz, sacaremos nuestra vida del hoyo en la que la metimos y afrontaremos la realidad de lo que nos pasa. Sin tener que esperar 100 años más para ver la sutil manera de autodestruirnos.

SOS Mata Atlântica repudia diminuição no Parque Nacional de São Joaquim


Por Sabrina Rodrigues
Parque Nacional de São Joaquim, Santa Catarina. Foto: Dario Lins/Wikiparques.
Parque Nacional de São Joaquim, Santa Catarina. Foto: Dario Lins/Wikiparques.


A SOS Mata Atlântica, ONG que luta pela preservação do bioma mais ameaçado do país, saiu em defesa da manutenção do tamanho atual do Parque Nacional São Joaquim, em Santa Catarina, criado em 1961 para proteger os remanescentes de Matas de Araucárias que se encontram dentro de seus limites.


O recorte de São Joaquim entrou na pauta quando o Congresso modificou a Medida Provisória 756, que altera os limites da Floresta Nacional de Jamanxim, no Pará, e cria a Área de Proteção Ambiental de Jamanxim. O Parque de Santa Catarina entrou de carona na história ao ser incorporado, via emenda parlamentar feita pelo senador Dalírio Beber (PSDB/SC), a proposta de reduzir 20% da área da unidade, excluindo cerca de 10 mil hectares do seu território. Com a mudança, a área protegida deixa de se chamar São Joaquim e passa a ser conhecida como Parque Nacional da Serra Catarinense.
“Considerando que a Medida Provisória 756 versa, originalmente, sobre UCs localizadas no oeste do Pará, na área de influência da BR 163, não há nenhuma razão plausível para que as alterações de limites do Parque Nacional de São Joaquim sejam tratadas nessa mesma MP”, explica, em nota, a ONG ambiental.


Para a SOS Mata Atlântica, a atual onda de redução de áreas protegidas via Medidas Provisórias “impactam negativamente o SNUC ao fragilizar a proteção de áreas sensíveis, sem consulta pública e sem debate com a sociedade brasileira a respeito das implicações dessas medidas”.


“O PNSJ protege formações importantes como matas de Araucárias – espécie ameaçada de extinção – campos de altitude e Mata Atlântica, além de abrigar nascentes de rios importantes para o estado, como o Pelotas e o Tubarão, uma área extremamente relevante para a recarga de aquíferos. A redução dos limites do Parque compromete a oferta de serviços ambientais imprescindíveis para a qualidade de vida e para a manutenção de atividades econômicas que são desenvolvidas no entorno. Cabe destacar que em 2016 o Parque Nacional de São Joaquim foi o 10° parque nacional mais visitados do país, o que demonstra a sua importância para a indústria do turismo na região” diz.

Chapada dos Veadeiros: a quem pertence essa pérola da biodiversidade?

Por Reuber Brandão
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Mauricio Mercadante/Wikiparques.
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Mauricio Mercadante/Wikiparques.

“Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda de que eles as pisem com os pés e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem." Mateus 7:6.

A região geomorfológica denominada Chapada dos Veadeiros é uma pérola da biodiversidade do Cerrado. Todos os estudos com biodiversidade realizados na região apontam para sua importância, sua singularidade e sua fragilidade. Ocorre, nos atuais limites da Chapada dos Veadeiros, ao menos 17 espécies de plantas ameaçadas de extinção, além de algumas das últimas populações de animais raríssimos no Cerrado, como o icônico pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), da onça-pintada (Panthera onca), do socó-boi-rajado (Tigrissoma fasciatum), da águia-cinzenta (Urubitinga coronata), da codorna-mineira (Nothura minor), do tico-tico-mascarado (Coryphaspiza melanotis) e de tantas outras espécies que estão desaparecendo junto com o bioma.


A Chapada dos Veadeiros também é muito importante do ponto de vista evolutivo. Diversas espécies de vertebrados, notadamente de anfíbios, ocorrem exclusivamente lá e apenas lá, podendo ser considerada um “ninho” para a formação de espécies ao longo da evolução. Por conta disso, é corriqueiro o registro de novas espécies, ainda não formalmente descritas em periódicos científicos especializados, como anfíbios, lagartos, roedores, peixes, dentre outros. A Chapada dos Veadeiros parece guardar seus segredos com cuidado, revelando-os apenas àqueles que buscam o conhecimento com dedicação.


A beleza cênica da região é singular e espetacular, sendo o principal motor do ecoturismo. As vastas paisagens, as centenas de cachoeiras e os diversos momentos de contato com a natureza, em suas diferentes dimensões e possibilidades, foram a força responsável por grande parte do crescimento econômico observado nos municípios da região nos últimos 30 ou 20 anos. Foi a força dessa natureza que colocou o norte de Goiás no mapa do mundo e colocou o mundo no norte de Goiás. Em 2016, apenas o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros recebeu aproximadamente 60 mil visitantes. É bem plausível que outro tanto tenha visitado a região sem ter visitado o parque, deixando recursos financeiros e levando saudades.


Se por um lado a visibilidade da Chapada dos Veadeiros tem movimentado economicamente e socialmente a região, por outro lado também está ameaçando a manutenção adequada dos valores ecológicos, evolutivos e sociais da região. A ampliação da Chapada dos Veadeiros não é uma birra de ambientalistas românticos e loquazes. É, acima de tudo, o reconhecimento, baseado em diversos estudos, de que o atual limite do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é insuficiente para proteger adequadamente os atributos da Chapada dos Veadeiros. Essa demanda visa ampliar a proteção sobre ecossistemas frágeis e raros (e as espécies aí presentes), permitir a viabilidade ecológica de predadores de topo de cadeia (as quais precisam de paisagens amplas e bem conservadas para que suas necessidades ecológicas e demográficas), para garantir a conservação dos processos ecológicos e evolutivos que garantem o provimento dos serviços ecossistêmicos (incluindo aí o sequestro de carbono e o tamponamento dos efeitos das mudanças climáticas), a manutenção da diversidade biológica regional, proteger nascentes (466 segundo dados do ICMBio) e garantir a qualidade do meio ambiente às populações humanas.


“Com a ampliação, outros ecossistemas importantes serão inclusos nos limites, como as formações de mata seca que não estão presentes no parque e são um dos ambientes mais ameaçados hoje no Cerrado
Com a ampliação, outros ecossistemas importantes serão inclusos nos limites, como as formações de mata seca que não estão presentes no parque e são um dos ambientes mais ameaçados hoje no Cerrado. Visa também garantir a conectividade do Parque com outras regiões de grande relevância ecológica regional, como a Serra do Tombador (protegida parcialmente pela Reserva Natural Serra do Tombador), o território Kalunga, a Terra Indígena Avá-Canoeiro e as bacias dos rios Tocantinzinho e Paranã. Além disso, a ampliação irá reforçar a proteção dos ecossistemas associados aos cerrados de altitude da região, repleto de endemismos restritos.


Mesmo em um mundo tão atribulado, a humanidade está de olho (e depende) do que acontece na Chapada dos Veadeiros. Basta ver a mobilização e a sensibilização que movimentos sociais têm conseguido para a causa, incluindo aí o apoio de artistas conhecidos (e reconhecidos) pelo grande público. O título de Patrimônio Natural da Humanidade, recebido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2001, só aconteceu devido ao processo de ampliação feito naquele ano, que culminou em uma área total de 235 mil hectares, conferindo à unidade de conservação a relevância mundial necessária para o reconhecimento dessa ação do governo brasileiro. Esse reconhecimento mundial deveu-se à singularidade da natureza da Chapada dos Veadeiros, ao seu papel como abrigo a espécies ameaçadas e/ou endêmicas e pela fragilidade da região frente às mudanças climáticas. O decreto que ampliou o Parque Nacional em 2001, anulado pelo STF em 2002, fragiliza o reconhecimento internacional da Chapada dos Veadeiros e a proposição de novos limites (como indicado pelo próprio STF em 2002), é urgente.


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem feito sua parte, realizando acordos e negociações com diferentes setores dos governos Federal, do estado de Goiás e do município de Alto Paraíso de Goiás, visando viabilizar politicamente a ampliação do Parque Nacional. Até mesmo as consultas públicas já foram realizadas. A postura inicial do estado de Goiás foi positiva e propositiva. Interessantemente, documentos estaduais, como o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual do Pouso Alto, reconhecem que a ampliação do Parque Nacional é essencial para garantir a integridade ecológica da região e a preservação de ecossistemas frágeis e especiais no interior do que hoje é APA.     

   
O ICMBio se comprometeu a atender aos acordos realizados entre os diferentes setores governamentais e a demandas apresentadas durante as consultas públicas (realizadas em Setembro de 2015), especificamente excluir as Reservas Particulares do Patrimônio Natural do polígono de ampliação proposto, excluir as áreas onde exista atividade turística consolidada, áreas com atividades agropecuárias consolidadas, áreas onde são previstos assentamentos rurais, além da área pretendida como Estação Ecológica Estadual de Nova Roma.        


“Essa proposição do estado de Goiás fragmenta internamente a proposta e remove regiões de grande valor ecológico.
Parecia que finalmente a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros iria sair. Havia uma declaração pessoal do governador do estado apoiando a ampliação em um momento festivo, as negociações estavam caminhando e, mesmo em um clima de muita boataria e de atrasos inexplicáveis durante as negociações, havia otimismo entre pesquisadores e ambientalistas. No entanto, em dezembro de 2016, o estado de Goiás apresenta uma proposta onde concorda com 90 mil hectares de ampliação (e não os 156 mil do projeto original). Essa proposição do estado de Goiás fragmenta internamente a proposta e remove regiões de grande valor ecológico. Além disso, não há garantias de que a proposta, apresentada pelo estado, de incluir futuramente outras regiões aos limites do parque, será cumprida, visto as dificuldades de negociação ora existentes.


Devido a isso, ainda em dezembro de 2016, a Coalizão Pró-UCs, que agrega importantes organizações civis que atuam em áreas protegidas no Brasil, encaminhou mensagem ao gabinete do governador do estado de Goiás solicitando audiência com a presença de pesquisadores que atuam com a conservação do Cerrado. Esse pedido contava com a eventual boa vontade do estado em acolher os argumentos das organizações e de pesquisadores experientes, em defesa da proposta do ICMBio para a ampliação. Como resposta, essa demanda foi encaminhada ao Secretário do Meio Ambiente do estado de Goiás. Devido à evidente relevância dada pelo Gabinete à solicitação feita, e à conhecida posição do Secretário de Meio Ambiente de Goiás, essa reunião não aconteceu. Por outro lado, a Coalizão encaminhou petição ao atual presidente da República, solicitando a pronta ampliação do Parque.


Para o Secretário do Meio Ambiente do estado de Goiás, a proposta de ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, nos seus 156 mil hectares, causará “grande impacto ao desapropriar 228 famílias de agricultores familiares, e não latifundiários ou especuladores”, como declara em notícia publicada pela Folha de São Paulo, em 08 de abril de 2017. 


Tal argumento está em clara oposição ao que afirma os estudos na região, conduzidos desde 2000 pelo ICMBio, muitos dos quais participei. Em nota publicada também pela Folha de São Paulo, em 11 de abril de 2017, o presidente do órgão, Sr. Ricardo Soavinski, contrapõe veementemente os argumentos do estado de Goiás e esclarece que a proposta de ampliação apresentada originalmente pelo ICMBio é baseada no levantamento de ocupações, utilizando imagens de satélite, inúmeras horas de sobrevoos e vistorias de campo, e afirma que haverá pouco impacto para agricultores na região. Segundo a nota, existem apenas 15 edificações na área pretendida para ampliação e que a maioria das terras são devolutas e destinadas à proteção na forma de unidades de conservação, como prevê a Constituição Federal e pela Lei Estadual nº 18.826/2015.
Foto: Vitor Augusto Maia/Wikiparques.
Foto: Vitor Augusto Maia/Wikiparques.


Já existem abaixo-assinados on-line onde é solicitado ao chefe do executivo federal a imediata assinatura do decreto de ampliação, onde os argumentos do estado de Goiás são ainda mais fortemente rebatidos. Ao que consta, a proposta de ampliação está sendo obliterada, em sua forma original, devido à demanda de ocupantes de terra específicos, que aguardam a finalização de processo discriminatório para receberem a doação dos espaços pretendidos em terras devolutas, visando uma “posterior” indenização pela desapropriação. Aparentemente, o estado de Goiás está pretendendo proceder à regularização fundiária de terras devolutas, inventando um mecanismo de pagamento de terras que, segundo o governo federal, é ilegal. E pior, parece estar atuando em prol do interesse individual às custas dos interesses da coletividade.

O que impede o governo de Goiás apoiar a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros? Aparentemente essa pérola, joia da biodiversidade, está ironicamente localizada em um estado que não aprecia, não compreende e, até mesmo, não a merece. Talvez não aprecie, porque natureza não é prioridade onde o agrobusiness é religião. Talvez não compreenda, por falta de clareza e coragem. Talvez não mereça, por não ter grandeza. Quem sabe, o grande problema, na verdade, é ter um enclave federal em uma região para a qual os interesses de Goiás eram outros?


Uma recente intervenção do Ministério Público estipulou que, até 2 de maio de 2017, o estado de Goiás deve dizer quais são as 228 famílias inseridas na área prevista para a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e dos proprietários que possuam “posse definitiva”. Como sempre, a lógica fundiária acaba afetando as propostas de criação ou ampliação de unidades de conservação. Os interesses individuais sobre a terra suplantam os interesses da conservação. Nada de novo sob o céu do caos fundiário brasileiro e da lógica do queromeu.

Proposta que extingue parque no Mato Grosso será apreciada por comissão


Por Daniele Bragança
Instalação da comissão que ira discutir a criação do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco. Foto: Angelo Varela/ALMT.
Instalação da comissão que ira discutir a criação do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco. 
Foto: Angelo Varela/ALMT.


O decreto que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, localizado na Vila Bela da Santíssima Trindade, estado de Mato Grosso, será apreciado por uma comissão especial antes de ir a plenário. Aprovado em primeiro turno na Assembleia Legislativa de Mato Grosso na última quarta-feira (19), a proposta que anula o decreto de criação da área protegida vem sofrendo críticas pela votação em tempo recorde.

A proposta foi apresentada no dia 04 de abril. Onze dias depois, o plenário aprovou o texto.
Hoje, deputados se reuniram no final da tarde para dar início a uma comissão especial que analisará a proposta. O colegiado será presidido pelo deputado Wancley Carvalho (PV), um dos deputados que assinou a proposta original do deputado Adriano Silva (PSB), que também está na comissão. Outro apoiador da proposta, o deputado Leonardo Albuquerque (PSD), também está no colegiado, junto com os parlamentares Oscar Bezerra (PSB) e Allan Kardec (PT).


“Não tem proposta de extinção de parque”, explica o deputado Adriano Silva (PSB), na abertura da comissão. “O que nós temos é esse decreto [o de criação da unidade], da década de 1990, que não tem consulta pública nem parecer técnico, o que é obrigatório para qualquer criação de unidade de conservação. Então nós temos aqui com essa comissão a oportunidade de debater, de discutir, e ao final nós encaminhamos todo o debate em cima de questões técnicas (...) para que o povo de Vila Bela da Santíssima Trindade possa usufruir de um parque verdadeiramente ecológico”.
Deputado Adriano Silva (PSB), autor do decreto que susta a criação do parque. Foto: Angelo Varela/ALMT.
Deputado Adriano Silva (PSB), autor do decreto que susta a criação do parque. Foto: Angelo Varela/ALMT.


Hoje de tarde, em nota, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (PSB), afirmou que não permitirá que o projeto que trata da reserva do Parque Ricardo Franco seja aprovado sem debate. "Dou a minha palavra que este projeto não será votado a toque de caixa. Chamei pra mim a responsabilidade e vou segurar o projeto aqui e esperar uma discussão mais aprofundada", afirmou.



Após uma reunião com o procurador de justiça Luiz Esteves Scaloppe, Botelho afirmou que pretende suspender a tramitação do decreto. “Vamos suspender o projeto por enquanto, vamos fazer uma discussão mais ampla e o procurador está pronto para vir na Assembleia Legislativa debater a proposta do Ministério Público. Vamos realizar uma audiência pública, vamos discutir, e não vamos fazer nada a toque de caixa”, afirmou.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apresentação de estratégias e técnicas de recuperação ambiental endossadas pela Embrapa.

Estratégias de recuperação


Estratégia de recuperação
Regeneração Natural sem manejo
Consiste em deixar os processos naturais atuarem livremente. Esses locais apresentam  alta densidade e diversidade de plantas nativas regenerantes, incluindo rebrotas, devido principalmente à proximidade  com remanescentes de vegetação nativa, ao solo pouco compactado, e à baixa presença de espécies invasoras (ex.: gramíneas). Como o potencial de regeneração natural do local a ser recuperado é alto (identificado por levantamento), a tomada de algumas medidas como o isolamento da área por meio de cercas ou da construção/manutenção de aceiros permitirá o retorno da vegetação.
Regeneração Natural sem manejo
Regeneração Natural com manejo
Consiste em adotar ações de manejo que induzam os processos de regeneração natural. Exemplos: Controle de plantas competidoras, que pode ser químico ou mecânico, em área total ou só na coroa, controle de formigas, adubação de cobertura, plantio de enriquecimento, adensamento e nucleação.
Controle de plantas competidoras
Adensamento
Enriquecimento
Nucleação
Plantio em Área Total
Plantio de espécies vegetais (herbáceas, arbustivas e arbóreas), nativas ou não, por meio de sementes e/ou mudas, com uma ou mais espécies, para formação de uma comunidade vegetal. O plantio em área total pode também envolver, adicionalmente, as estratégias adensamento, enriquecimento ou nucleação como formas de acelerar a recuperação da área ao longo do tempo. A opção e a conveniência pelo uso associado das estratégias devem ser avaliadas no início e ao longo do processo de recuperação, durante a fase de monitoramento.
Plantio por mudas
Sistemas Agroflorestais (SAFs)
SAFs para recuperação ambiental são sistemas produtivos que podem se basear na sucessão ecológica, análogos aos ecossistemas naturais, em que árvores exóticas ou nativas são consorciadas com culturas agrícolas, trepadeiras, forrageiras, arbustivas, de acordo com um arranjo espacial e temporal pré estabelecido, com alta diversidade de espécies e interações entre elas.
SAFs

Importante
  • Todas as estratégias têm limitações impostas pelas características ambientais da área a ser recuperada, como, por exemplo, alta declividade do terreno, baixa fertilidade,  presença de erosão e/ou compactação do solo, dentre outros. Para escolha da melhor opção bem como para o planejamento da recuperação ambiental consulte um profissional especializado.

Plantar árvores traz enorme benefício para o clima e para o planeta.


OPINIÃO


21/03/2017 11:26 -03 | Atualizado 22/03/2017 17:10 -03

amenic181 via Getty Images 
"Então, o que impede que se invista mais em florestas?" 
Vivemos numa época em que os recordes de temperaturas altas do planeta vêm sendo quebrados ano a ano, quase que ininterruptamente, desde 2001. O mais quente de todos foi 2016: 0,99 oC acima da média do século 20, como anunciou, em janeiro, a Noaa, órgão norte-americano para assuntos sobre meteorologia, oceanos, atmosfera e clima. Diante desse cenário, muitos caminhos começam a ser construídos para cumprir o Acordo do Clima, firmado em Paris, em 2015, e conter a elevação da temperatura do planeta em menos de 1,5 oC, até 2100.


Acontece que diminuir o desmatamento e reflorestar — em outras palavras, manter florestas em pé e aumentar suas áreas — é atualmente a maneira mais efetiva e competitiva, em termos de custo, de mitigar o aquecimento global, segundo estudo da Mckinsey de 2007. Ou seja, plantar árvores traz enorme benefício para o clima e para o planeta, e o melhor: dependendo do modelo de plantio esse é um ótimo negócio, também, do ponto de vista financeiro.


Portanto, esse é o momento para a agenda de restauração florestal e de reflorestamento decolar, ganhar escala e entrar em qualquer portfólio de investimentos. Atrair capital público e privado para novos modelos de negócios nessa área será, inclusive, fundamental para cumprir uma das metas da NDC brasileira (os compromissos do país para o Acordo de Paris) de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares até 2030.


Investir em árvores pensando em rentabilidade financeira não é novidade no Brasil. Já aconteceu com as chamadas florestas plantadas (pinus e eucalipto). No caso do eucalipto, a produtividade triplicou em um período de 40 anos. A maior parte do sucesso obtido aqui pode ser atribuído à tropicalização da silvicultura, isto é, um jeito nosso e próprio de cultivar essas árvores. Algo que só foi possível graças a recursos aportados em pesquisa e desenvolvimento (P&D).


O mesmo pode ser feito com espécies de árvores nativas do país. O desenvolvimento e a aplicação de tecnologias criarão a base para uma nova economia florestal tropical, que por sua vez abrirá caminhos para o reflorestamento em larga escala. Entre os muitos modelos de plantio possíveis, há aqueles com fins econômicos, que permitirão reflorestar com espécies nativas, mas ao mesmo tempo fazer uso comercial delas.


Então, o que impede que se invista mais em florestas? Uma das principais barreiras, constatadas em discussões internacionais — bem como em uma série de workhops promovida no país pelo projeto Verena (Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas) —, é a falta de incentivo a P&D para nativas. O Verena identificou que é preciso implementar um programa pré-competitivo nesse sentido — um programa que responda às perguntas básicas de quem quer investir.


Por exemplo: por que espécies nativas ainda não são usadas em escala comercial? Quais espécies já foram domesticadas (estão dentro de um sistema de produção, com algum grau de melhoramento)? Como estimular/adotar plantios com modelos biodiversos (várias espécies cultivadas dentro de mesmo sistema)? Onde e em que estado de conservação estão os bancos de pesquisa e material genético dessas espécies (germoplasma)? Por que o eucalipto se tornou um caso de sucesso? A partir daí, será possível identificar quais espécies nativas podem ter sua produtividade aumentada, quais darão retorno financeiro mais rapidamente, quais serão mais valiosas no mercado e assim por diante. Isso inserirá as florestas na visão de futuro de investidores.


Programas de P&D levam décadas para mostrar grandes resultados, o que implica grandes investimentos por um período maior de tempo. Mas a boa notícia vem novamente do Acordo de Paris. O artigo 10 do tratado do clima estabelece uma visão de longo prazo sobre a importância do desenvolvimento e da transferência de tecnologias para reduzir emissões de gases do efeito estufa. Isso significa que países em desenvolvimento poderão captar recursos por meio de fundos bilateriais e multilaterais com o propósito de financiar tecnologias, como a de desenvolvimento de espécies arbóreas.


Não há dúvida de que a implantação de um programa pré-competitivo e robusto promoverá, no curto prazo, a melhoria no ambiente de negócios para o reflorestamento com nativas (menos risco ao investidor, com perspectivas de aumento de produtividade e, consequentemente, maior retorno econômico). Em suma, o acelerador para a implementação do que foi acordado em Paris passará pelo desenvolvimento de espécies nativas. Que tal investir nessa área?


Alan Batista é analista de investimentos do WRI Brasil


Miguel Calmon é diretor de Florestas do WRI Brasil


O WRI Brasil é membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Os autores participam do Grupo de Trabalho de Restauração e Reflorestamento da Coalizão e atuam no projeto Verena.