quinta-feira, 26 de junho de 2014

Orgia partidária deturpa política (Editorial)


Enviado por Ricardo Noblat -
26.6.2014


O Globo

A infidelidade partidária, tendo como pano de fundo o toma lá dá cá fisiológico, se firmou como uma das marcas registradas da política brasileira. Mas as alianças com vistas às eleições deste ano prometem atingir níveis ainda mais baixos de descompromisso com projetos efetivos de governo e poder, até mesmo em termos de cinismo com o eleitor.

O que aconteceu nos últimos dias no Rio de Janeiro, tachado com propriedade de orgia política, espelha bem o estilhaçamento do quadro partidário do país, diante de um eleitorado sem entender como adversários históricos, com desavenças que resvalaram para o plano pessoal, aparecem aos abraços para constituir palanques regionais que nada têm a ver com entendimentos nacionais. Ou vice-versa.

A adesão do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) à chapa “Aezão”, nome fantasia criado para designar a aliança de boa parte do PMDB ao PSDB, no apoio à candidatura a presidente de Aécio Neves em dobradinha com a campanha do vice-governador Luiz Fernando Pezão ao Palácio Guanabara, significa colocar a política fluminense de cabeça para baixo.


Significa dizer para o eleitorado que todo tiroteio entre Cesar Maia, Sérgio Cabral, Pezão e respectivos liderados era de mentirinha, deve ser esquecido. Tudo é muito ruim para a democracia representativa.


A deflagradora da barafunda foi a adesão do PSB, do candidato a presidente Eduardo Campos, ao PT de sua adversária Dilma Rousseff, na aproximação dos partidos para sustentar a candidatura em perigo do senador petista Lindbergh Farias ao governo do estado.


Em resposta, o DEM foi convidado a lugar de destaque no “Aezão”. Isso estimulou o prefeito Eduardo Paes, adversário (ainda) de Cesar Maia, de quem foi pupilo, a fundar o “Dilmão”, para apoiar Dilma, sem sair do palanque de Pezão. No troca-troca, Maia ganhou vaga na chapa de Pezão para disputar o Senado.


Na prática, desmonta-se no estado e na cidade do Rio de Janeiro uma aliança, cantada em prosa e verso nos últimos anos por Sérgio Cabral, Paes, Dilma e Lula, entre PMDB e PT, entendida como a que viabilizou uma série de investimentos na região metropolitana carioca, enfim beneficiada — era dito com insistência — pelo raro entendimento político entre estado, município e Executivo federal.


As causas desta e outras orgias que transcorrem pelo país, em ritmo frenético na contagem regressiva do prazo para a realização de convenções partidárias, são várias. 


Há desde a perspectiva de o poder mudar de donos em 2015, no Planalto, fator de excitação de políticos, a raízes históricas e culturais, bem como graves falhas na legislação político-eleitoral. Além do anabolizante das mazelas constituído pelas práticas petistas do fisiologismo.

Espera-se que no ano que vem, enfim, o Palácio, com ou sem Dilma, leve a sério a imperiosa necessidade de uma reforma política efetiva. Mas sem bravatas, voluntarismos, assembleias constituintes e golpismos do tipo.

Rejeitado pela sociedade, PT traz de volta o vermelho do passado.



O partido da corrupção, cujos maiores nomes estão condenados e presos pelos crimes do Mensalão, enfrenta uma rejeição sem proporções na sociedade brasileira. Com promessas velhas que não teve competência para realizar e sem argumentos para trazer de volta o eleitorado perdido, o PT apostatodas as fichas nos pobres, com as velhas ameaças de que os adversários vão acabar com a Bolsa Família, criar desemprego, penalizar os trabalhadores. E, principalmente, tenta atrair uma militância que não existe mais. 

O militante do PT virou um profissional mamador da vaca pública, aboletado em estatais, ministérios e governos. Aquele militante da bandeira no ombro virou um cargo de confiança com um belo salário complementado por gordas diárias e cartão corporativo liberado. Mesmo assim, o PT volta a apostar no vermelho e no símbolo da  estrela, presente no nome da candidata Dilma e na camiseta usada por Lula nos últimos comícios. Junto com a estrela, volta o combate à liberdade de imprensa e à democracia representativa, com propostas esquerdizantes como o controle social da mídia e o Plano Nacional de Participação Social, que acaba com o Legislativo, colocando as leis em discussão com movimentos populares e não com os parlamentares, bem como com o Judiciário, submetendo conflitos ao julgamento de militantes e não dos juízes e dos tribunais. 

É o PT velho, carcomido e desgastado apostando na radicalização e no ódio, no medo e nas ameaças, no jogo bruto e no vale-tudo. A estrela cadente quer sobreviver. Para isso, propõe matar a nossa  democracia. 
 
 
O vermelho que trazem de volta deveria ser de vergonha. 
 
 
Não aprendem. 
 
Só aprenderão com uma derrota fragorosa que os varra da política em outubro próximo. 
 
 

Os olhos vermelhos de Lula não são pelo álcool. São pelo ódio.


Lula é aquele cão traiçoeiro que abana o rabo e, quando você dá as costas, morde o seu calcanhar. É aquela cobra congelada que o incauto penalizado coloca debaixo do fogão e que, aquecida, dá o bote certeiro. É o escorpião caridosamente levado pela rã para o outro lado do rio que, lá chegando, pica a inocente, mortalmente, porque é da sua natureza.

Lula anda com os olhos marejados de sangue e não é a cachacinha companheira de sempre. É o ódio. Ódio que ele tem de você, de mim. Ódio que ele tem da democracia que teve que engolir goela abaixo para poder governar o Brasil, depois de inúmeras desastradas tentativas. Ameaçado de perder o poder antes de 2018, quando pretenderá voltar para governar o país até 2026, despiu a roupa de criador e vestiu a fantasia de salvador da Dilma.  

Nas últimas semanas, Lula só fez instigar o ódio entre brasileiros, fomentou o medo nos mais pobres e atacou furiosamente a imprensa. Ao falar em "elite branca", quis colocar negros contra brancos, trazendo as famigeradas cotas também para tornar o debate político baixo e sujo. Fez um comercial desfiando números de hoje contra números do passado, com a desonestidade de sempre. Participou de convenções partidárias aos gritos, suarento e ameaçador.

Lula voltou a pregar o "nós x eles", apostando na divisão do país. Faz isso comparando 12 anos depois com 8 anos antes, usando mentiras e maquiagens. Não diz que hoje o Brasil tem quase 30 milhões de cidadãos a mais do que em 2002. Que 17 milhões novas famílias foram formadas. Que 3 ou 4 milhões de casas é muito pouco. Que os tais 20 milhões de empregos criados apenas acompanharam o crescimento populacional: o número de pessoas ocupadas passou de 76 milhões em 2002 para 94 milhões em 2012. Que das famílias criadas nos 12 anos de PT mais de 50% vivem de Bolsa Família, uma vergonha social. 

O governo federal faz pesquisas diárias. E os discursos mudam todo o dia. Ontem Lula veio para a imprensa que odeia para dizer que talvez tenha se enganado a respeito da "elite branca". Que o PT tem que saber onde errou para evitar novas manifestações. Que possivelmente o PT tenha "alguma culpa" nas vaias. Também avisou que o PT precisa ter coragem de discutir a corrupção do partido. Lula lê as pesquisas diariamente. E está apenas colocando o lobo em pele de cordeiro. Repaginando o discurso de ontem para buscar os votos que precisa na classe média, porque somente os pobres não reelegerão Dilma. 

Não ouçam as palavras. Não considerem os truques verbais. Não deem importância para as metáforas. Mirem sempre os olhos do animal raivoso chamado Lula. Eles estão sempre marejados de sangue. Infelizmente é ódio, não é álcool. Um ódio que o Brasil não merece mais.
 
 

Força, Aécio.



 
 
De todos os nomes que neste momento formulam e propõem as mais absurdas alianças,  os mais nojentos conchavos,  os interesses mais obscuros, os acordos de ocasião na defesa de seus interesses provincianos, muitas vezes escusos e vingativos, um só podemos ter certeza que está olhando o país como um todo e encarnando as lutas e sonhos de todos nós que queremos varrer do poder esta peste chamada PT. 
 
 
O nome dele é Aécio Neves. Ajudemos Aécio Neves. Apoiemos Aécio Neves. Sejamos nós os mais brasileiros entre tantos covardes e oportunistas. E, com ele, engulamos os sapos de hoje e dos próximos dias que o sacrifício faz parte da vitória.
 
 

Como qualquer acordo partidário da velha politica, PSB-Rede tem prazo de validade: um dia depois da eleição.


O porta-voz do Rede Sustentabilidade em São Paulo, Alexandre Zeitune, disse ontem que o grupo da ex-senadora Marina Silva já se prepara para deixar o PSB após as eleições. Segundo Zeitune, somente os candidatos eleitos do Rede continuarão no partido e deverão sair quando for criada a sigla de Marina. Aliados da ex-senadora, que é vice na chapa presidencial de Eduardo Campos (PSB), articulam-se para voltar a coletar em novembro as cerca de 50 mil assinaturas que faltaram em 2013 para criar o partido Rede Sustentabilidade.

A articulação para deixar o PSB ganhou força em meio a divergências entre o grupo de Marina e a cúpula partidária. Os pedidos feitos pela ex-senadora em 2013, quando se filiou à sigla, não foram acatados e o Rede está enfraquecido dentro do PSB. Marina foi derrotada nas alianças em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de desgastes em outros Estados. "A questão de alianças está crítica", disse o porta-voz.

O porta-voz afirmou que Marina não participará da eleição no Estado. O grupo discorda da aliança do PSB com o governador e pré-candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB). O vice deve ser o presidente do diretório estadual do PSB, Marcio França. "Não espere Marina nem a militância do Rede em São Paulo", disse. "O que nos pauta não são cargos nem o calendário eleitoral. Somos um partido independente dentro do PSB ".

O grupo decidiu adiar para segunda-feira, prazo final, a decisão sobre o lançamento de um candidato próprio para o Senado, por desconfiar as intenções da cúpula partidária. "Não temos garantia nenhuma de que o diretório não vai se aliar ao PSDB também na chapa para o Senado", disse Zeitune.

Marina tem confidenciado a amigos sua angústia com os rumos da aliança entre o Rede e o PSB. Pessoas próximas garantem que a vice de Campos não irá a São Paulo, Rio nem a Minas durante a campanha presidencial, por discordar das alianças.

Disposta a encampar uma terceira via, a ex-senadora tem sérias dúvidas sobre como sua chapa com Campos vai sustentar o discurso da "nova política". Além da aliança com o PSDB no Rio, o PSB firmou acordo com o PT no Rio, e tende a ficar próximo do PSDB em Minas.

"Não esperem que a Marina vá", disse um interlocutor da ex-senadora, que classificou o clima na aliança como "muito ruim". De acordo com a fonte, Marina está decepcionada com os acordos regionais, mas continua convencida de que a chapa com Campos é importante como alternativa à polarização PT-PSDB.

Aliados de Campos procuram minimizar a crise, mas reconhecem os problemas. "Sem dúvida a situação não é ideal, mas não havia possibilidade de ir contra toda a direção do partido em São Paulo", disse um ex-secretário de Campos. Os dois lados insistem, no entanto, que Campos e Marina nutrem expectativa de crescer nas pesquisas quando começar a propaganda na televisão.(Link Valor Econômico)
 
 

Paraíba: PT adere ao PSB de Eduardo Campos


Josias de Souza

Divulgação 


O PT da Paraíba executou dois movimentos inusitados. Num, abandonou a parceria que estabelecera com o PMDB local. Noutro, aderiu ao projeto da reeleição do governador Ricardo Coutinho, filiado ao PSB do presidenciável Eduardo Campos. Surpreendido com a mobilidade dos companheiros paraibanos, o presidente do PT federal, Rui Falcão, ameaça intervir.


Comandado pelo senador Vital do Rêgo, o PMDB paraibano subiu nas tamancas. O partido contava com o apoio do PT a Veneziano Vital do Rêgo, irmão de Vital. Ele era, até esta quinta-feira, candidato do PMDB ao governo do Estado. Em nota veiculada nas redes sociais, abdicou da pretensão.


“…Sinto que, agora, no momento de definições das alianças políticas, cabe-me, em gesto de humildade e desprendimento, devolver ao partido esta pré-candidatura, para que institucionalmente possa avaliar a decisão que venha a nortear os nossos rumos”, anotou Veneziano.


O governador Coutinho esperava que o PMDB também se incorporasse à caravana do PSB. Chegou mesmo a acenar com a hipótese de ceder ao grupo de Vital a vaga de vice na sua chapa. Mas o senador Vital do Rego cogita assumir, ele próprio, a vaga de candidato pemedebista ao governo paraibano. E cobra coerência do PT.


Alheio às pressões, o governador Ricardo Coutinho apressou-se em divulgar uma logomarca de campanha -à esquerda, a estrela do PT, à direita, a pomba branca do PSB. Abaixo, a inscrição: A Paraíba unida segue mais forte.” A aliança decerto não vai obter o selo de qualidade Marina Silva, pregoeira da “nova política”. Na outra ponta, o senador Cássio Cunha Lima, candidato do PSDB, joga parado. Apenas assiste ao vaivém.

Piauí: petista sugere batizar presídio de Mandela


Josias de Souza

Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar, cairá de quatro, para sempre. A nossa doença, diagnosticava o cronista, é que admiramos pouco. Deputado estadual do PT do Piauí, Henrique Rebelo sofre de um mal inverso: ele admira demais.


Admirador feérico de Nelson Mandela, o parlamentar petista decidiu homenageá-lo. 


Apresentou na Assembleia Legislativa piauiense um projeto que sugere batizar com o nome do ex-presidente sul-africano uma penitenciária que está em fase de construção no Piauí.


Protocolada em maio, a proposta foi lida em plenário nesta quarta-feira (25). Seguiu para a análise das comissões. Sobrevivendo, retornará ao plenário. Aprovado, irá à sanção do governador. Sancionado, caberá à Secretaria de Segurança Pública do Piauí providenciar a placa: ‘Presídio Nelson Mandela!’


O barulhinho que você ouve ao fundo é o ruído do Mandela revirando no túmulo. Vivo, Nelson Rodrigues daria um conselho ao petista Henrique Rebelo: “Menos, deputado, admire menos!”

O aloprado Berzoini confessa crime eleitoral.



Para lembrar a trajetória do aloprado Berzoini, clique aqui.

O PSDB nacional fará representação por conduta vedada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a candidata e presidente da República Dilma Rousseff por ser beneficiária direta de ato praticado pelo servidor federal e assessor da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Cássio Parrode Pires, junto ao Diretório do PMDB do Rio de Janeiro, para policiamento de prefeitos do partido com objetivo de ganhos eleitorais.

Na representação à Justiça Eleitoral, o PSDB denunciará a conduta vedada de utilização de equipamento público e de servidor federal para realizar atividade em campanha eleitoral. Os contatos foram feitos por telefone e e-mail pelo servidor federal durante seu horário de trabalho, utilizando-se da estrutura de governo e de equipamentos do patrimônio público com objetivos eleitorais.

A denúncia dos atos praticados no âmbito da administração federal foi publicada pelo jornal O Globo, que revelou o e-mail enviado ao diretório do PMDB pelo assessor, em 12 de junho, às 11h32. Nele, Parrode pede envio dos nomes dos prefeitos que participaram, no Rio, de um encontro político em apoio à então pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência da República.

O PSDB apresentará também representação por improbidade administrativa, junto ao Ministério Público Federal do Distrito Federal, contra o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, chefe de Parrode. “A denúncia contra Berzoini fundamenta-se na declaração dada pelo próprio ministro de que, por meio da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, utilizou o assessor para contactar o diretório do PMDB e solicitar os nomes dos prefeitos”, afirmou o coordenador jurídico do PSDB, deputado federal Carlos Sampaio.

Na declaração ao jornal, Berzoni assume a responsabilidade pelo ato do assessor e afirma, inclusive, o objetivo de aliciamento dos prefeitos: — Prefeito negocia com todo mundo. Enviamos o e-mail para saber quem eram e chamá-los para almoçar. Prefeito, quando você chama para almoçar, para conversar sobre algum assunto, ele vem. O (Jorge) Picciani pode falar o que quiser, mas isso é do jogo — afirmou Berzoini ao jornal.

Ao jornal, o assessor do ministro assume realizar a atividade da Secretaria de Relações Institucionais de monitoramento político com objetivo eleitoral. — É para saber quem está apoiando. A gente faz o controle de todos os pré-candidatos ao governo federal. A gente quer saber quem está do lado do Aécio, do lado da Dilma — disse.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy, apresentou hoje requerimento de convocação para que o ministro de Relações Institucionais explique no Congresso a denúncia e esclareça o tipo de atividades e o monitoramento mantidos pela secretaria ligada à Presidência da República.

“O desespero tomou o lugar da compostura no Palácio do Planalto. Se fosse algo normal, como tenta fazer crer o ministro Berzoini, por qual motivo o servidor evitou utilizar o email institucional e enviou a solicitação por meio de seu endereço particular? Não há mais dúvidas: diante do fim melancólico de seu governo e da rejeição crescente ao seu nome, Dilma passa a utilizar seu ‘exército de aloprados’ para fazer o diabo, algo prometido por ela e esperado desde as nomeações de Aloizio Mercadante e Berzoini”, disse Imbassahy.
 
 

Mais três cubanos deixam o programa Mais Médicos


São Paulo - Mais três cubanos integrantes do Mais Médicos abandonaram o programa federal, segundo o Ministério da Saúde. Os nomes e registros dos médicos desligados foram publicados na edição desta quarta-feira, 25, do Diário Oficial da União. Com os novos casos, o número de profissionais cubanos desistentes chega a 17. Não estão nessa conta casos de médicos que desistiram formalmente por problemas de saúde ou motivos pessoais e retornaram à Cuba; só casos de profissionais que abandonaram o trabalho sem justificativa.

Dois dos profissionais que tiveram sua participação cancelada nesta quarta-feira trabalhavam em Minas Gerais e o terceiro atuava no Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério da Saúde, eles serão repostos. No total, o programa federal tem 14 mil médicos, dos quais cerca de 11 mil são cubanos. Eles são contratados por meio de um acordo entre os governos entre os dois países.



Fabiana Cambricoli

Custo Brasil, custo PT -- Ari Cunha



 
         Custo Brasil é uma expressão corriqueiramente utilizada, pelos especialistas  na tentativa de condensar, numa única denominação, os diversos elementos que contribuem  para explicar o atraso econômico e social do país . 

         Dentre os fatores que entravam o desenvolvimento , a competitividade  e a eficiência do país, alguns convivem por estas bandas desde que o Brasil era uma colônia de Portugal. A burocracia, a corrupção, o déficit público são elementos endêmicos à própria história do Brasil, assim como a baixa qualidade do ensino. 

          Outros elementos mais modernos vieram ao longo do tempo a  se somar ao custo Brasil, compondo o que é hoje  um verdadeiro pântano que impossibilita a nação de se livrar do atraso e do subdesenvolvimento de séculos. Ao lado de alguns fatores como os altos custos trabalhistas e previdenciários, as altas taxas de juros  e de tributos, a falta de infraestrutura adequada, dentre outros, vieram a se somar, hodiernamente,  o alto custo para a administração do país das políticas do tipo ideológicas. 


A impregnação da máquina pública por elementos do tipo ideológicos, ditos de esquerda, representam hoje um dos maiores entraves ao desenvolvimento do país e compõe, ao lado dos fatores tradicionais, a nossa miséria adiada.


         A abolição da eficiência e da meritocracia  e sua substituição por  elementos “modernos” como identificação partidária, camaradagem e fidelidade política, representam hoje, sem dúvida nenhuma, a maior muralha a ser vencida . Não se trata aqui de uma opção à direita ou à esquerda , mas de uma opção pela eficiência e pelo espírito republicano  de honestidade com a coisa pública. 

         O que não se pode tolerar é que elementos do tipo ideológicos venham a compor também o custo Brasil. Neste caso a quem debitar os custos com a compra superfaturada de refinarias de petróleo, com os aumentos dos custos de R$ 2  bi para R$20 bi  na construção da refinaria Abreu e Lima, aos empréstimos, via BNDES à ditadores cubanos, dentre tantas outros desastres “ estratégicos” feitos com o dinheiro público.  O que a nação não suporta mais é que ao custo Brasil venha a se somar também o custo PT.

Administrar o tempo--Merval Pereira

A uma semana do prazo final para a definição das candidaturas para a eleição deste ano, quem soube administrar melhor o tempo de decisões, uma arte da política, levou vantagem na armação das coligações. 

 No lado da oposição o PSDB saiu na frente do PSB nessa primeira etapa da disputa, muito por que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos perdeu tempo administrando sua relação com a Rede de Marina Silva.

A união com a ex-senadora pareceu no primeiro momento uma jogada de mestre de Eduardo Campos para fortalecer a oposição, mas com o passar do tempo Marina mostrou-se mais isolacionista do que Campos se dispunha a ser. 



Marina levou o PSB a se colocar como oposição tanto ao PT quanto ao PSDB, na tentativa de marcar uma diferenciação entre as candidaturas de Campos e Aécio e quebrar a polarização dos dois principais concorrentes à presidência da República.

A estratégia não funcionou, muito também por que Eduardo Campos escolheu a posição dúbia de centrar suas críticas à presidente Dilma e preservar o ex-presidente Lula, o que retirou de sua candidatura a marca de oposicionista, deixando o PSDB de Aécio Neves livre nessa raia.


A união implícita do PSB com o PSDB caracterizava a candidatura de Campos na área oposicionista, e o potencial apoio recíproco no segundo turno fortalecia ambas as candidaturas. Na análise dos tucanos, Campos “piscou” muito cedo ao colocar-se também como oposição ao PSDB, e deixou crescer a impressão de que poderia ser um aliado em potencial do PT no segundo turno devido a sua ligação com Lula.


O ex-presidente também ajudou a colocar Campos na defensiva ao dizer que ele não podia exagerar nas críticas por que até pouco tempo antes estava no campo governista. Lula, como já fizera anteriormente com Serra, deixou sempre claro que sua candidata era Dilma, retirando a chance de que petistas descontentes encontrassem na candidatura de Eduardo Campos uma alternativa na área de influência petista.


O receio de ficar sem identidade diante do eleitor confirmou-se com a queda nas pesquisas de opinião. Por isso, nas últimas semanas, Eduardo Campos voltou ao ponto de partida para fazer alianças pragmáticas como as que fechou em São Paulo, apoiando o governador Geraldo Alckmin, e no Rio em apoio à candidatura de Lindbegh Farias do PT ao governo do estado, contra a opinião de Marina Silva.


O que perdeu em coerência ganhou em apoio político em dois dos principais colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, é possível que acabe mesmo apoiando a candidatura tucana de Pimenta da Veiga, como era o plano original. Já Aécio Neves conseguiu o que era considerado impossível: unir o PSDB.


Por incrível que pareça o PSDB hoje é o único partido na disputa unido em torno da candidatura do senador mineiro, inclusive a regional paulista do partido. A administração inteligente do tempo partidário deu frutos com a adesão do PTB à candidatura nacional e o acordo com o DEM no Rio para apoiar a candidatura de Pezão do PMDB ao governo do Estado.


Deixando as convenções para o último dia do prazo oficial, Aécio Neves ganhou tempo para negociar apoios e ainda espera duas novas defecções no bloco governista. A adesão do PSD, que seria a cereja no bolo com a indicação de Henrique Meirelles para a vice-presidência na sua chapa, parece difícil de concretizar, mas é possível que o PP se decida pela neutralidade, o que tiraria alguns minutos da propaganda oficial de Dilma Rousseff.



A presidente, por sua vez, tem como seu grande apoio o ex-presidente Lula, que traz com ele a expectativa de poder que mantém unida a maioria dos partidos da base aliada. Mas se não reverter a situação de declínio em que se encontra nas pesquisas, mesmo estando à frente da disputa, pode ser simplesmente abandonada por seus aliados durante a campanha eleitoral.


A maioria deles entra dividido na campanha, mesmo os que oficialmente apoiam sua reeleição, até o PT, que tem em Lula seu candidato natural. O PMDB já tem dissidências abertas em vários estados, a maioria do PSD está em coligação com o PSDB nos estados e somente a garantia pessoal do criador do partido, ex-prefeito Gilberto Kassab, mantém o apoio oficial à reeleição de Dilma. O PP, mesmo que dê o tempo de propaganda ao PT, continuará dividido.


O que os une é a expectativa de vitória que, mais que nunca Lula mantém viva no banco de reservas, como principal cabo eleitoral de Dilma ou, em último caso como muitos ainda sonham, esperança de gol nos minutos finais do jogo, como Messi fez com a Argentina.

Ninguém é de ninguém- Merval Pereira



A cada dia que passa, mais a realidade de nossa política justifica a comparação com uma bacanal partidária, onde ninguém é de ninguém. O PTB, que abandonou o barco governista aos 45 do segundo tempo, agora tenta vender apoios isolados à candidatura Dilma, exatamente o mesmo que o PMDB fez no sentido contrário, isto é, apoiando a reeleição da presidente a nível nacional, mas abrindo dissidências regionais.

Quem com ferro fere, com ferro será ferido, não há ninguém a salvo das múltiplas traições que devem acontecer. Os partidos vendem o tempo de televisão, mas não a alma de seus componentes. A alma, esta é negociada isoladamente por cada qual.


Criou-se um mercado secundário nesse comércio eleitoral, onde as coligações regionais ganharam vida própria, independente da decisão das convenções nacionais. Há ainda a negociação da neutralidade. PP e PR estão em meio a essa transação, que retiraria pelo menos dois minutos de televisão da candidatura petista.


O PR retirou seu apoio ao ministro Cesar Borges e ameaça bandear-se para o campo oposicionista, apoiando o candidato tucano Aécio Neves. Quando se imaginava que nenhum partido estivesse negociando lugares no atual ministério, num governo que termina em pouco mais de seis meses, descobre-se que o PR transaciona o apoio futuro por um novo ministro no presente.


Afinal, pouco mais de seis meses é tempo suficiente para fazer grandes projetos na pasta dos Transportes, mesmo correndo o risco de não continuar num próximo mandato, por derrota de Dilma, ou novas negociações partidárias num segundo mandato.


Já o PP faz sua convenção nacional pressionado por regionais importantes como a do Rio Grande do Sul e a de Minas para que, no mínimo, fique neutro na disputa presidencial, como fez em 2010. Seu tempo assim seria dividido entre todos os candidatos, e seus diretórios regionais poderiam tomar a decisão que melhor lhes aprouvesse.


Não é que agirão de outra forma se a decisão de apoiar oficialmente Dilma for tomada pela direção nacional. Mas como a maioria do partido não quer ficar com a candidatura oficial, a neutralidade seria o mais próximo da situação real.


A situação do Rio de Janeiro é emblemática desse encontro de contrários, com quatro candidatos procurando se reforçar sem que questões programáticas estejam em jogo, apenas tempo de propaganda, com todos se acusando mutuamente de traições.


A última jogada foi a aproximação do PROS com Garotinho, do PR, que está se oferecendo para ser o único palanque confiável para Dilma Rousseff no Rio. Líder das pesquisas eleitorais no Estado, Garotinho estava ficando isolado, e também encontrou uma saída no último minuto de jogo para embolar a disputa.


Pode ter o deputado federal Miro Teixeira na chapa como candidato a senador, o mesmo Miro que foi candidato ao governo com o apoio do PSB e, depois de desistir, estava sendo cobiçado tanto por Lindbergh para ser o vice da chapa, quanto por Crivela e Garotinho.


O que havia de mais organizador do sistema partidário brasileiro foi o regime de verticalização, que esteve para vigorar na campanha eleitoral de 2006 graças a uma ação do próprio Miro Teixeira junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão acabou sendo revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois de uma pressão política de líderes do quilate de José Sarney e Antonio Carlos Magalhães.


O mesmo Supremo que já havia derrubado as cláusulas de desempenho, que exigiam uma votação mínima para que partidos tivessem representação no Congresso Nacional. Essas tentativas, e mais outras tantas, já foram feitas para organizar nosso sistema eleitoral-partidário, mas o que prevalece até hoje é essa orgia de siglas que se entrelaçam com interesses meramente eleitoreiros, sem que programas e projetos estejam em jogo.


Está claro que, após essa orgia partidária, alguma reforma política terá que ser feita para organizar essa bagunça.

Merval Pereira-Nem vitimas, nem algozes

Muito embora o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) tenha reformado a decisão monocrática do ministro Joaquim Barbosa com relação à exigência de cumprimento de 1/6 da pena para que o condenado no regime semi-aberto possa ter um trabalho externo, não aconteceu o que os militantes petistas tanto queriam, uma desmoralização do presidente demissionário, identificado por eles como um perseguidor dos mensaleiros condenados.

A começar pela manutenção da negativa de prisão domiciliar para o ex-presidente do PT José Genoino, o plenário do STF analisou as decisões de Barbosa referentes à execução das penas do processo do mensalão dando-lhe razão em alguns casos e discordando em outros, sempre ressaltando, por praticamente todos os membros, que a lei de execuções penais compreende diversas interpretações, não sendo nenhuma das decisões de Joaquim Barbosa questionável por ilegal ou despropositada.

Não há no caso nem vítimas nem algozes, como ressaltou o decano do Supremo, o ministro Celso de Mello, que fez questão de ressaltar a justeza das condenações e o caráter antidemocrático dos atos praticados pelos réus do mensalão.

O caso de Genoino transformou-se em emblemática questão política, já que os militantes petistas utilizaram todos os meios possíveis para espalhar a idéia de que o ex-presidente do PT, contra o que dizem diversos laudos médicos, corre risco de vida se não for liberada sua prisão domicliar.

O ministro Luis Roberto Barroso, que assumiu a relatoria das execuções penais com a demissão de Barbosa, desde o primeiro momento que participou do julgamento do mensalão parece constrangido em condenar Genoino, e ontem voltou a elogiá-lo. No primeiro momento, lamentou “condenar um homem que participou da resistência à ditadura no Brasil, em um tempo em que isso exigia abnegação e envolvia muitos riscos”.

Esse discurso elogioso do condenado provocou a reação de diversos ministros na ocasião. A ministra Carmem Lucia, por exemplo, disse que “o juiz, infelizmente, não julga histórias, porque as histórias às vezes são feitas de desvios que seriam impensáveis de serem praticados em outra circunstância”.

Ontem, Barroso classificou Genoino de “símbolo do republicanismo e do igualitarismo” antes de negar o pedido para que sua prisão fosse transformada em domiciliar. Mas, sem que a questão estivesse em pauta, lembrou, como consolo, que José Genoino cumpre 1/6 da pena dentro de dois meses, dando a entender que a partir daí poderá ir para casa.

A questão do cumprimento de 1/6 das penas para a autorização de trabalhos externos dos condenados suscitou uma boa discussão sobre o sistema penitenciário brasileiro e demonstrou que o presidente Joaquim Barbosa não estava exagerando ao interpretar ao pé da letra a exigência do Código Penal.

O ministro Celso de Mello foi o único voto a apoiar Barbosa, mas não é o único a considerar que a jurisprudência do STF deve prevalecer sobre a do STJ, que desde 1999 vem admitindo o trabalho externo sem o cumprimento mínimo da pena. Mesmo os que votaram contra a posição de Barbosa, a começar pelo novo relator Luis Roberto Barroso, admitiram que a situação de nosso sistema penitenciário é um descalabro, e que a flexibilização da lei penal é necessária para conviver com nossa triste realidade carcerária.

A tese vencedora foi que a razoabilidade exige uma interpretação mais generosa da legislação, sendo lembrado que o Rio Grande do Sul já definiu que os presos em regime semi-aberto devem ir para prisão domiciliar por falta de vagas compatíveis com o tipo de condenação. Esse assunto, aliás, será levado ao plenário do Supremo pelo ministro Gilmar Mendes para que haja uma deliberação sobre essa decisão da justiça gaucha.

Ficou claro que o estilo centralizador e autoritário do presidente demissionário Joaquim Barbosa não é o da preferência do plenário, tanto que a execução das penas será transferida para Vara de Execuções Penais de Brasília, e não centralizada pelo novo relator.

Mas ficou evidenciado também que o ministro Joaquim Barbosa não abusou de seu poder nem tomou decisões sem o apoio da lei. E certamente há um pensamento majoritário na sociedade brasileira, já detectado por pesquisas de opinião: o mensalão petista só levou poderosos para a cadeia e os manteve lá justamente pelo estilo centralizador e autoritário de Barbosa, amplamente aprovado pela população, a ponto de uma parcela representativa querê-lo como candidato à presidência da República.

Justiça: Autorizada recuperação judicial da Marsans Brasil, empresa de Alberto Youssef





Empresa que captou 23 milhões de reais de fundos de previdência de servidores públicos tenta evitar falência. Funcionários afirmam que estão há dois meses sem receber.


O doleiro Alberto Youssef (Folhapress)
 
A agência de viagens Marsans Brasil, controlada pelo doleiro Alberto Yousseff desde 2010, entrou em recuperação judicial. O pedido foi autorizado pelo juiz Gilberto Matos, responsável pela 3ª e pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A recuperação judicial é uma proteção legal, para evitar a falência, que precisa ser aprovada e supervisionada pela Justiça, para empresas em crise econômico-financeira, com dificuldade de saldar compromissos. É uma escolha feita por firmas que precisam de mais tempo para pagar dívidas e acreditam na sobrevivência do negócio. Em casos desse tipo, o juiz costuma autorizar descontos e prolongamentos de dívidas para o salvamento da empresa, ou decretar a falência e a liquidação de bens para pagamento de credores.
 
A recuperação judicial foi autorizada em 5 de junho. A partir deste período, a empresa ganhou um prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial, com datas e estratégias para o pagamento de credores. A concessão da medida suspendeu a execução de dívidas contra a empresa.
 
Mas o caso da Marsans é mais grave do que uma empresa convencional em recuperação, porque o uso da empresa por Youssef é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal nos desdobramentos da operação Lava-Jato, que prendeu o doleiro, o ex-diretor da Petrobras e quadrilhas envolvidas na lavagem de mais de 10 bilhões de reais Leia mais
 
Antes de a agência ficar sem credibilidade perante companhias aéreas e hotéis, a Marsans chegou a captar, entre 2012 e 2013, cerca de 23 milhões de reais de fundos de previdência dedicados ao pagamento de pensões de servidores aposentados, como mostrou reportagem do site de VEJA. Só o Instituto de Gestão Previdenciária do estado do Tocantins aplicou 12 milhões de reais na empreitada. Também se tornaram investidores na empresa do doleiro os fundos municipais de previdência de Cuiabá (MT), que desembolsou 3,4 milhões de reais; e Paranaguá (PR), que gastou 2 milhões de reais. No Nordeste, o fundo de Amontada (CE) gastou cerca de 1,6 milhão de reais e o de Petrolina (PE) desembolsou 980.000 reais. Hortolândia e Holambra, duas cidades do interior paulista, aplicaram respectivamente 1,5 milhão de reais e 980.000 reais para virar sócias de Youssef.
 
Os gastos públicos foram feitos para comprar cotas do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Viaja Brasil, um produto criado pelo banco Máxima com o propósito de impulsionar o crescimento do grupo Marsans Brasil. Este fundo, teoricamente, aplicou os recursos dos fundos de previdência na compra de cotas da Graça Aranha RJ Participações, uma holding que controla as empresas do grupo Marsans Brasil.
 
Mas o fracasso empresarial da Marsans, apesar da milionária injeção de recursos, deixou executivos do setor intrigados, porque contrasta com o bom momento vivenciado por operadoras de turismo.
 
Com a empresa em recuperação, funcionários relatam que estão com dois meses de salários atrasados, sem receber pagamento desde abril. Neste período, também aumentaram denúncias, em sites especializados em defesa do consumidor, de clientes que ficaram sem usufruir de serviços contratados. "Todos os funcionários estão em pânico. Clientes reclamam, porque compraram passagens aéreas que não foram emitidas", relatou um funcionário ao site de VEJA.
 
Capital – Procurado pelo site de VEJA, o juiz Gilberto Matos disse desconhecer que a Marsans seja propriedade do doleiro Alberto Youssef. Durante as investigações da operação Lava-Jato, a polícia descobriu que Youssef controlava a empresa com o auxílio de laranjas. De acordo com documentos da Junta Comercial do Rio, a sócia-administradora da Marsans é a GFD Investimentos. Esta firma era controlada pelo Devonshire Global Fund, organização bancária baseada na Ásia. Mas, depois da prisão de Youssef em 17 de março, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro, jamais escondeu que o doleiro fosse dono da Marsans. Em entrevista ao site de VEJA, afirmou que a agência era um "negócio lícito" de Youssef.
 
“Não há nada que aponte no processo que ela seja de propriedade da pessoa mencionada, porque se trata de uma pessoa jurídica, uma empresa”, afirmou o juiz em resposta ao site de VEJA.
 
O doleiro era apresentado dentro da empresa como o dono da Marsans, de acordo com funcionários entrevistados pelo site de VEJA. Até por isso escritórios da Marsans foram alvos de buscas judiciais e tiveram documentos apreendidos para os processos criminais que correm na 13ª Vara Federal do Paraná.
 
O juiz Gilberto Matos nomeou o advogado e contador Gustavo Licks como administrador judicial da Marsans. Ele  deverá acompanhar mensalmente a prestação de contas do grupo e denunciar eventuais irregularidades na gestão financeira. Como administrador judicial, terá direito a uma remuneração total equivalente a 1,5% do valor da dívida do grupo. A atuação de Licks já foi investigada em sindicância do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aguarda julgamento no órgão. O advogado teve de prestar depoimento ao conselheiro Gilberto Martins e ao juiz Julio Cesar Machado Ferreira, que investigaram irregularidades em varas empresariais do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo do CNJ na sindicância foi o de verificar se magistrados atuaram indevidamente na indicação de Licks, e outras pessoas ligadas a juízes, como administradores judiciais de massas falidas.
 
A nomeação de Licks foi analisada porque a mãe do advogado é sócia de Adriano Pinto Machado, ex-cunhado do desembargador Mauro Pereira Martins. Antes de ser promovido, Pereira Martins foi juiz titular da 4ª Vara Empresarial da capital fluminense. Em entrevista ao jornal O Globo no ano passado, o magistrado destacou que nunca tomou decisões em processos onde o cunhado atuou, com exceção de uma decisão que determinou a penhora de um bem. O Código de Processo Civil proíbe magistrados de exercer suas funções quando no processo estiver postulando, como advogado da parte, "cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta; ou na linha colateral até o segundo grau".
 
Procurado pelo site de VEJA, Licks argumentou que não há impedimento que ele atue como administrador judicial.
 
O juiz Gilberto Matos esclareceu, em resposta ao site de VEJA, que nomeou Licks como administrador judicial da Marsans porque "nunca houve questionamentos acerca de sua conduta profissional ou pessoal, nem mesmo pelo Ministério Público". Ele também ressaltou a "competência profissional" do advogado em "mais de dez processos na 4ª Vara Empresarial". Matos também informou que não possui "relação pessoal" com o advogado.
 
"Não passei por cima de suspeição alguma que existia sobre a conduta do profissional de Gustavo Licks, porque não há qualquer questionamento sobre sua atuação profissional ou moral. O CNJ somente investiga magistrados e não outros profissionais. Então, o profissional Gustavo Licks não consta como investigado pelo CNJ. Essa foi a primeira vez que indiquei Gustavo Licks administrador judicial. Por fim, não tenho qualquer relação pessoal com o administrador judicial Gustavo Licks e o mesmo foi nomeado por constar da relação parcial do cadastro de administradores judiciais do Tribunal de Justiça", afirmou.
 
Confira a íntegra do comunicado divulgado pelo juiz Gilberto Matos:
 
“O motivo de ter nomeado o administrador judicial Gustavo Licks foi a sua competência profissional na atuação em mais de dez processos na 4ª Vara Empresarial da Capital. Nunca houve questionamentos acerca de sua conduta profissional ou pessoal, nem mesmo pelo Ministério Público. Nos autos da ação de recuperação judicial da Varig, o Sr. Gustavo Licks foi nomeado administrador judicial no final da recuperação judicial da Varig por indicação do Ministério Público. É de conhecimento notório que o mesmo atua como administrador judicial na ampla maioria das Varas Empresarias, dada a sua competência técnica.
 
A Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro criou um cadastro de administradores judiciais, para conceder maior transparência nas nomeações. O profissional Gustavo Licks fez o curso do Tribunal de Justiça, apresentou seu certificado e foi indicado para constar da relação de administradores judiciais à disposição dos juízes de varas empresariais. O Conselho Nacional de Justiça foi cientificado da resolução do Tribunal de Justiça e aprovou a iniciativa.
 
Não passei por cima de suspeição alguma que existia sobre a conduta do profissional de Gustavo Licks, porque não há qualquer questionamento sobre sua atuação profissional ou moral. O CNJ somente investiga magistrados e não outros profissionais. Então, o profissional Gustavo Licks não consta como investigado pelo CNJ.
 
Essa foi a primeira vez que indiquei Gustavo Licks administrador judicial. Por fim, não tenho qualquer relação pessoal com o administrador judicial Gustavo Licks e o mesmo foi nomeado por constar da relação parcial do cadastro de administradores judiciais do Tribunal de Justiça.” 


Fonte: DANIEL HAIDAR, do Rio de Janeiro - revista Veja - 26/06/2014 - - 13:29:32  BLOG DO SOMBRA

Opinião: A omissão de Lula

BLOG do SOMBRA


O Lula não foi ao  jogo de inauguração da copa do  mundo, mesmo a poucos quarteirões de seu apartamento, mas apenas para não dividir com Dilma a metade das vaias lá verificadas? Dilma não foi  à convenção estadual do PT que formalizou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, por não fazer fé na sorte desse novo poste inventado pelo antecessor?...
 
A verdade é que o ex-presidente permanece à margem da campanha da sucessora, enquanto essa aproveita, sem ele,  os últimos dias que a lei eleitoral permite para inaugurar obras e distribuir benesses pelo país. Apesar de terem estado juntos na convenção nacional do PT que oficializou Dilma como candidata à reeleição, tratou-se de um relacionamento frio entre criador e criatura.  


Fica difícil supor que não se encontrem em divergência, porque não se trata, propriamente, de uma dupla integrada na campanha pelo segundo mandato,  ainda que os otimistas expliquem como  razão do distanciamento   estarem  as atenções nacionais   voltadas para a copa do mundo de futebol.  Depois de 13 de julho tudo poderá mudar, alegam.    Como também pode ser que  não mudem.  O resultado, até agora, tem sido uma Dilma isolada, meio órfã de apoio do Lula, ao contrário de 2010.



O mesmo clima gelado estende-se entre o  PT e a presidente. Quando ela entrega casas próprias ou tratores pelo interior, o que menos se escuta são aplausos dos companheiros.  A menos que o marqueteiro João Santana tenha armado essa impressão de fraqueza para depois dar ampla volta por cima, prejudicada fica a campanha de Dilma. Jogar todas as fichas no horário eleitoral gratuito é temerário. A rejeição de mais de 50% que a presidente colheu nas pesquisas mais recentes leva para as telinhas o mesmo sentimento de abandono,  bem como desperta  previsões não apenas para a realização do  segundo turno, mas abre perspectivas para Aécio Neves, na decisão final.


Ainda que não existam  milagres em política, a verdade é que além de outros  fatores vem pesando na disputa atual   a omissão do Lula. Se não houver uma virada no jogo, o empate poderá  significar a derrota. Se consciente ou inconsciente,  a postura do primeiro-companheiro    conduz à perda do poder  pelo PT e penduricalhos.   Será esse desfecho  desejado pelo ex-presidente?  Ou, no mínimo, desconsiderado?
 


Sem falar nos negócios escusos e no assalto às estruturas do poder público,  importa registrar que pelo menos 32 mil cargos federais em comissão fazem a felicidade dos atuais detentores do poder. Seria uma contradição imaginar que o Lula não se importasse, a ponto de levar a esse extremo suas divergências com Dilma. O problema é que falta identificar a azeitona  no meio dessa empada. Por que o ex-presidente fechou-se como uma ostra, não apenas deixando  de viajar pelo país, como havia prometido, mas isolando-se em São Bernardo, sem entrevistas, exortações e pronunciamentos em favor da presidente?  


Estaria dando o troco por  nos últimos meses  não ter sido  obedecido como esperava? Seu conceito de madre superiora do convento deveria esgotar-se antes.    Não se trata de estar preparando 2018, porque voltaria em muito  melhores condições caso sucedesse Dilma.  Ou não?


Fonte: Por CARLOS CHAGAS - 26/06/2014 - - 11:55:15