quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Decile NO a la destrucción del Gran Bosque Boreal, pulmón del planeta.

Decile NO a la destrucción del Gran Bosque Boreal, pulmón del planeta.

El Gran Bosque Boreal (que se extiende a través de Alaska, Canadá, países escandinavos y Rusia) es un pulmón clave para regular el clima del planeta y está amenazado. Alberga un 25% de los árboles del mundo y todo el bosque almacena más dióxido de carbono que todas las selvas tropicales juntas y devuelven oxígeno a la atmósfera. Pueblos originarios y una gran variedad especies animales como lobos, halcones, osos y tigres dependen de ese ecosistema. Pero la industria maderera lo está destruyendo para fabricar muebles baratos, productos descartables y papel higiénico.

A pesar de haber prometido proteger los bosques del mundo en 2010, los gobiernos de Canadá, Rusia, Finlandia y Suecia todavía permiten a las compañías destruir grandes partes del Gran Bosque. Cada año se destruyen e incendian millones de hectáreas con árboles milenarios, liberando al aire gases de efecto invernadero.

No actuar para proteger este ecosistema sería dar un paso atrás en la batalla contra el cambio climático. Pedí a los gobernantes de Canadá, Rusia, Finlandia y Suecia  que cumplan su promesa y tomen medidas para salvar el Gran Bosque Boreal. Completá el formulario a continuación para enviar tu reclamo.

http://pages.greenpeace.org.ar/bosquesboreal?utm_source=fb_ads&utm_medium=postlink&utm_term=&utm_content=boreal&utm_campaign=Bosques&tracking_key=VTFCAHHCdVUPOSOWBdCQZYOYEEFBhXVUHbXIAeIcPcIdJUPKPS

Parque Estadual Serra Verde registra mais uma espécie rara


Casal de corujas mocho-diabo (Asio stygius). A espécie recebeu esse nome na cultura popular devido a sua coloração escura e pela cor vermelho brilhante dos olhos ao refletir a luz incidente, lembrando a figura de um “demônio”. Foto: Moisés Lima/Parque Estadual Serra Verde
Casal de corujas mocho-diabo (Asio stygius). A espécie recebeu esse nome na cultura popular em 
razão da coloração escura e do vermelho brilhante dos olhos, lembrando a figura de um “demônio”.
 Foto: Moisés Lima/Parque Estadual Serra Verde


O Parque Estadual Serra Verde (MG) registrou mais uma espécie rara, um casal de corujas mocho-diabo (Asio stygius). O registro foi de Moisés  Lima, biólogo da unidade de conservação e um dos vencedores do concursos fotográfico WikiParques de 2015.


Segundo o biólogo, a espécie a mocho-diabo é bastante difícil de ser registrada por ter hábitos exclusivamente noturnos. O casal de corujas foi encontrado em um dos poucos remanescentes de mata que restou do incêndio que assolou o Parque em setembro. “Isso mostra a importância de se ter refúgios verdes em áreas urbanas. Se as unidades de conservação não sofressem tanto com os incêndios, que na maioria das vezes são provocados pela ação humana, poderíamos preservar muito mais espécies”, acrescentou.


No Brasil, a espécie pode ser encontrada em todas as regiões do país. Ela é apontada por pesquisadores com prioridade média de conservação e prioridade alta de pesquisa. Em outras palavras, ainda é um animal do qual se tem pouco conhecimento.

Pesquisa quer identificar entraves à inovação no Brasil


Pesquisa quer identificar entraves à inovação no Brasil
Levantamento será feito com pesquisadores de 40 instituições de ensino do país.[Imagem: CNPEM]
 
 
Do laboratório para o consumidor
Pesquisadores de 40 instituições federais serão convidados a responder um questionário sobre a transformação das pesquisas desenvolvidas na academia em produtos e serviços.
O objetivo é mostrar a percepção do pesquisador brasileiro sobre os entraves à inovação e à parceria entre as universidades e as empresas.



"Foram entregues cerca de 400 questionários que serão distribuídos a diversos pesquisadores em universidades e instituições de pesquisa federais do país. A partir do dia 12 de dezembro todas essas respostas irão voltar para o Confies e vamos poder fazer um levantamento da percepção do pesquisador brasileiro", afirmou Fernando Peregrino, vice-presidente do Confies, conselho que congrega as instituições de ensino superior e pesquisa do país.


De acordo com o conselho, os indicadores internacionais colocam o Brasil numa condição ruim na inovação e na relação entre a pesquisa e a sua transformação em bens e serviços.
Peregrino ressaltou que é preciso acelerar o processo de inovação a partir das pesquisas realizadas nas universidades e instituições de pesquisa, "dado que tais entidades são responsáveis por mais de 90% da produção científica e tecnológica" no Brasil.



Desburocratização
O levantamento é uma parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Confies, Sebrae e Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).


"Para o MCTIC, é fundamental contribuir para a desburocratização da pesquisa científica. É um desafio agilizar, tornar mais rápido esse processo e viabilizar a pesquisa. Os pontos mais relevantes da burocracia devem ser atacados pelo ministério e pelo governo. Temos que pensar soluções para destravar os procedimentos de pesquisa. Esse levantamento vai fazer uma análise importante para orientar políticas e programas relacionados à pesquisa pública no país", afirmou Sávio Raader, do MCTIC.

Traços de bactérias resistentes a antibióticos encontrados no ar




Resistência bacteriana a antibióticos pode ser transmitida pelo ar
As amostras de ar de Pequim contêm genes que tornam as bactérias resistentes aos antibióticos mais poderosos disponíveis.
[Imagem: Wikimedia/Kevin Dooley]



Resistência pelo ar
Inicialmente associada ao mau uso dos medicamentos, incluindo os antibióticos usados na criação de animais, a proliferação das bactérias resistentes aos antibióticos parece contar com uma via ainda mais preocupante.


Pesquisadores suecos acabam de confirmar que o ar poluído das cidades funciona como um meio de transmissão para a resistência bacteriana.


"Este pode ser um meio de transmissão mais importante do que se pensava," explicou o professor Joakim Larsson, da Universidade de Gotemburgo, cuja equipe identificou os genes da resistência bacteriana em amostras de ar poluído coletadas na cidade de Pequim, na China.


Bactérias no ar
A equipe rastreou os genes que tornam as bactérias resistentes aos antibióticos em um total de 864 amostras de DNA coletadas de seres humanos, animais e diferentes ambientes em todo o mundo.


"Nós estudamos apenas um pequeno número de amostras do ar, de forma que, para generalizar, precisamos examinar o ar de mais lugares. Mas as amostras de ar que analisamos apresentaram uma grande mistura de diferentes genes de resistência.


Particularmente preocupante é que encontramos uma série de genes que fornecem resistência aos carbapenemas, um grupo de antibióticos de último recurso usados contra infecções causadas por bactérias frequentemente muito difíceis de tratar," disse Larsson.


O tipo de exame realizado não consegue definir se as bactérias estavam realmente vivas no ar, o que as tornaria uma ameaça imediata. "É razoável acreditar que há uma mistura de bactérias vivas e mortas, com base na experiência de outros estudos do ar," explicou o pesquisador.
Estações de tratamento
A equipe agora pretende descobrir se a resistência bacteriana consegue se espalhar pelo ar a partir das estações de tratamento de esgoto, onde é bem documentada a presença das bactérias resistentes.


"Vamos fazer com que os funcionários das usinas de tratamento de esgotos usem coletores de amostras do ar. Também vamos estudar a sua flora bacteriana e a flora de pessoas que vivem muito perto e mais longe, e ver se pode haver uma conexão com as estações de tratamento," detalhou Larsson.


Os resultados foram publicados na revista Microbiome.

Descoberta proteína capaz de prevenir obesidade e diabetes




Amuc_1100
Pesquisadores da Universidade Católica de Lovaina (UCL), na Bélgica, descobriram uma proteína capaz de prevenir o desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo 2.
A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de um medicamento contra as duas doenças que afetam, respectivamente, 600 milhões e 400 milhões de pessoas em todo o mundo.


Batizada de Amuc_1100, a proteína faz parte da membrana externa da bactéria Akkermansia muciniphila, que vive exclusivamente na flora intestinal de animais vertebrados, como o homem.


Barreira protetora
A equipe liderada por Hubert Plovier e Patrice Cani descobriu que, administrada em grande quantidade, essa proteína bloqueia completamente o desenvolvimento da intolerância à glicose e da resistência à insulina, tanto em um regime normal como em um regime rico em gordura.


Ela atua como uma espécie de barreira protetora, diminuindo a permeabilidade do intestino e impedindo que toxinas presentes na massa fecal entrem na corrente sanguínea.


"A permeabilidade intestinal é responsável pela passagem ao sangue de determinadas toxinas que contribuem para o desenvolvimento do diabetes, de inflamações, e para o fato de que algumas pessoas obesas sintam fome constantemente e para várias desordens metabólicas", explicou Cani.


Essa barreira também reduz a absorção de energia pelo intestino, resultando em menor ganho de massa corporal.


Eficácia dobrada
A bactéria Akkermansia muciniphila é conhecida por sua capacidade de reduzir entre 40 e 50% o ganho de massa corporal e de resistência à insulina em animais de laboratório, mas o teste em humanos esbarrava na dificuldade de reproduzir sinteticamente a bactéria, sensível ao oxigênio.


Para resolver o problema, Plovier optou pela pasteurização, um processo no qual uma substância é aquecida a 70 graus. "Descobrimos não só que a bactéria produzida dessa maneira conserva suas propriedades, mas também que dobra em eficácia, detendo totalmente o desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo 2, independente do regime alimentar", afirma Cani.


Ao investigar as razões do ganho em eficácia, a equipe constatou que a proteína Amuc_1100 continua ativa na bactéria pasteurizada: "Quer dizer, a pasteurização elimina o que é desnecessário na bactéria e preserva a proteína, o que explica essa eficácia multiplicada," disse Cani.


O tratamento com Akkermansia muciniphila pasteurizada já foi submetido a uma primeira fase de testes em humanos e a conclusão é que sua administração não apresenta riscos para a saúde. A segunda fase dos testes, para determinar os efeitos clínicos da bactéria sobre a obesidade e o diabetes, deverá ser concluída no segundo semestre de 2017 e contar com mais de 100 voluntários.

Atemoia: Da casca à semente, tudo se aproveita




Atemoia: Da casca à semente, tudo se aproveita
A polpa da atemoia tem mais fenólicos totais do que outras frutas mais consumidas como abacaxi, goiaba e manga.
[Imagem: Wikimedia/takoradee]
Atemoia
A atemoia é uma fruta híbrida, produzida intencionalmente a partir do cruzamento entre a fruta-do-conde (Annona squamosa, L.) e a cherimoia (Annona cherimola).
Mas o fato de ter a mão do homem em sua criação não reduziu em nada os múltiplos benefícios da fruta.


A atemoia apresenta importantes propriedades funcionais para a saúde, como capacidade antioxidante e antimicrobiana, conforme acaba de ser constatado por um estudo inédito realizado pela pesquisadora Maria Rosa de Moraes, na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.

A atemoia também possui quantidades significativas de compostos fenólicos, como a epicatequina, além de minerais, vitamina E (tocoferóis) e ácidos graxos.


Polpa, casca e semente
O extrato da casca da atemoia apresentou as maiores concentrações de compostos fenólicos, quando comparada às demais frações da polpa e da semente. A casca da fruta se destacou pela elevada capacidade antioxidante e eficiente controle do Bacillus cereus e inibição do crescimento da Escherichia coli e Staphylococcus aureus, bactérias ligadas a doenças transmitidas por alimentos.


Embora com menor quantidade do que a casca, a polpa da atemoia apresentou teor de fenólicos totais superior a outras frutas bastante consumidas como abacaxi, goiaba, maracujá, manga e mamão, além de contar com altas concentrações de potássio.


Já em relação à semente, os resultados demonstraram baixas quantidades de compostos fenólicos. Por outro lado, a fração lipídica da semente apresentou cerca de 80% de ácidos graxos insaturados, com a predominância do ácido oleico e do ácido linoleico, compostos que atuam como fator preventivo em várias doenças cardiovasculares e degenerativas.


"Também encontramos tocoferóis (vitamina E), como alfatocoferol e o gamatocoferol. Isso demonstra que a semente também tem grande potencial para a utilização. Pode-se fazer óleos, sobretudo na área cosmética e medicinal," concluiu a pesquisadora.


Da casca ao fruto
"Nossos resultados demonstraram que tanto a polpa quanto os subprodutos, como a casca e a semente, apresentaram compostos bioativos benéficos à saúde. A atemoia é bastante atrativa dadas as características organoléticas, como aparência, cor, sabor doce, textura e aroma. Apesar disso, a fruta não é muito conhecida pela população, possuindo um elevado preço comercialmente. Acredito que a atemoia poderia ser mais divulgada, sobretudo por conta dos compostos ricos que ela tem," explicou Maria Rosa.


Alimentos com propriedades funcionais e bioativos são aqueles com potencial para a prevenção e combate a diversas doenças. Normalmente, possuem compostos fenólicos e capacidade antioxidante, que previne e retarda a formação de radicais livres no organismo, que podem ser responsáveis pelo envelhecimento precoce e por doenças degenerativas.
Mesmo a deterioração rápida da fruta, com amolecimento e escurecimento da casca, não parece ser um problema.


"Por meio do processamento, a fruta pode ser estocada congelada ou mesmo liofilizada. Durante o processamento, uma grande quantidade de resíduos e subprodutos é gerada. Nosso trabalho demonstra o potencial desses subprodutos, que poderiam ser empregados, por exemplo, como matéria-prima para a indústria cosmética e farmacêutica," contou Maria Rosa.

Novo mapa-múndi mostra Pegada Humana na Terra


Mapa-múndi mostra Pegada Humana na Terra
O mapa não é bonito, mas traz informações inéditas.[Imagem: DLR]
Pegada Humana Global
A ESA (Agência Espacial Europeia) está disponibilizando um mapa-múndi inédito que mostra a pegada humana sobre a Terra.


Embora serviços como o Google Earth e imagens fornecidas por inúmeros satélites de observação mostrem cada centímetro quadrado da Terra, o mapa "Pegada Urbana Global" (ou GUF: Global Urban Footprint) é diferente.


Trata-se de um mapa em preto e branco, onde o branco é solo e cada ponto escuro representa a presença humana - das grandes aglomerações nas metrópoles mundiais a pequenas aldeias, chegando até a casas isoladas no meio rural - qualquer construção humana com mais de 12 metros aparece no mapa como um ponto característico da presença humana.


A partir deste mês, o conjunto de dados está disponível online, gratuitamente, através da Plataforma de Exploração Temática Urbana (U-TEP) da ESA, com resolução espacial total de 12 metros para uso científico, além de uma versão com resolução de 84 metros, mais fácil de lidar, para qualquer uso sem fins lucrativos.


"Anteriormente não estávamos captando todas as aldeias em áreas rurais," contou Thomas Esch, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). "Mas elas podem ser cruciais para entender a distribuição populacional ou vetores de doenças, por exemplo, ou avaliar as pressões sobre a biodiversidade. Essas colonizações rurais são ainda, atualmente, lar de quase metade da população global - cerca de 3 bilhões de pessoas."
Mapa-múndi mostra Pegada Humana na Terra
Sinais da pegada humana na região de Delhi, na Índia [Imagem: DLR]
 
 
Radar detecta construções humanas
Mesmo os astronautas em órbita acham difícil detectar os sinais de habitação humana fora das grandes cidades - até ao anoitecer, quando se ligam as luzes artificiais. Por isso o mapa foi elaborado utilizando principalmente a visão radar, que pode detectar estruturas verticais típicas de ambientes construídos mesmo com observações feitas nas mais diversas condições climáticas.


Os satélites de radar alemães TerraSAR-X e TanDEM-X capturaram, ao longo de dois anos, mais de 180.000 imagens de alta resolução cobrindo toda a superfície da Terra. As imagens têm resolução quase 100 vezes mais detalhada do que os dados ópticos fornecidos pelo Landsat dos EUA, geralmente usados para mapear as áreas urbanas.


Os dados do radar foram combinados com dados adicionais, como modelos digitais do terreno. Ao todo, a equipe processou mais de 20 milhões de conjuntos de dados, com um volume de entrada de mais de 320 terabytes, incluindo uma verificação de garantia de qualidade automatizada - visando garantir a máxima precisão, como um parâmetro de padrões de urbanização.


Pegada Humana Mais
A equipe já está trabalhando em uma nova versão do mapa, quando os dados em preto e branco serão sobrepostos a uma nova camada de fotografias da Terra - usando mais de 400.000 imagens multiespectrais do Landsat e do satélite europeu Sentinel-1 - o que dará uma visão realística da paisagem, além da dimensão informacional inédita da pegada humana em cada região.


Esta nova camada servirá de base para o "Pegada Urbana Global +", inicialmente com uma resolução espacial de 30 metros.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A riqueza dos campos de altitude


História evolutiva da vegetação na área serrana da região Sul ressalta importância de ecossistema não florestal
GILBERTO STAM | ED. 239 | JANEIRO 2016

© EDUARDO CESAR
Paisagens do alto da serra: gramíneas, arbustos, araucárias e despenhadeiros abruptos
Paisagens do alto da serra: gramíneas, arbustos, araucárias e despenhadeiros abruptos
Os campos de altitude da Serra Geral, no sul do Brasil, são encontrados sobre platôs cada vez mais altos à medida que avançam para a borda leste, onde a serra de repente despenca em imensos cânions. Vegetação campestre e arbustos predominam nessa área de invernos frios e solo raso, salpicada por afloramentos rochosos, pequenas manchas florestais e regiões encharcadas e ricas em matéria orgânica (turfeiras).



A aparente monotonia dos campos, que alguns chamam de “mar de grama”, esconde uma rica biodiversidade vegetal, com quase 300 espécies exclusivas da região, muitas delas pouco estudadas até recentemente. “A taxa de endemismo é de 25%, muito maior do que a encontrada na Floresta Atlântica da região”, diz o botânico João Iganci, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).




Embora muitas plantas dali também existam em outras regiões de altitude, tanto tropicais quanto temperadas, é esse endemismo que torna especiais os campos do Sul. “O número total de espécies também é alto e comparável a outros centros de biodiversidade, considerando que a área é pequena.”




Iganci, especialista na vegetação dos Campos de Cima da Serra, como são conhecidos na região, faz parte de um grupo da UFRGS e da Universidade Federal de Goiás (UFG) liderado pela geneticista Loreta Freitas, também da UFRGS, que busca compreender a história evolutiva das espécies da região e localizar áreas prioritárias para conservação. Os pesquisadores dividiram a Serra Geral em quatro regiões (ver mapa), sempre a partir de 900 metros acima do nível do mar, onde a floresta típica da Mata Atlântica dá lugar aos campos e às matas com araucária. A primeira etapa foi mapear a distribuição das espécies usando como indicador três gêneros típicos da região, todos eles com uma abundância de espécies endêmicas (índice de endemismo): Petunia, Calibrachoa e Adesmia.




O estudo, parte do doutorado do biólogo Michel Barros, demonstrou que a Área 1, no cume da serra, abriga a maior diversidade, com 13 espécies, seguida pela Área 2, a oeste, com 10 espécies.




© ILSE BOLDRINI / UFRGS
Gramínea Elyonurus
Gramínea Elyonurus




Altos índices de endemismo geralmente ocorrem em ecossistemas antigos e estáveis, já que demora muito tempo para novas espécies surgirem. Parece que foi isso mesmo que aconteceu nos campos de altitude sulinos, de acordo com simulações do clima desde 21 mil anos atrás, quando o planeta atingiu sua temperatura mais baixa desde o último ciclo glacial.




Os resultados indicam que a Área 1, seguida pela 2, manteve um clima mais estável, confirmando a pista dada pela biodiversidade. “No último máximo glacial o clima era mais frio e seco, propício para o desenvolvimento dos campos, o que permitiu que espécies desse ambiente avançassem sobre áreas mais úmidas e quentes, onde antes predominavam florestas”, conta Loreta.




 “Ao migrar para regiões para as quais não estavam adaptadas, as espécies campestres se diversificavam, dando origem a novas espécies e linhagens.” Durante esse período, houve expansão dos campos em direção a locais de menor altitude, ao norte. Mas, com o aquecimento gradual e aumento da umidade, as florestas voltaram a se expandir e ocupar regiões de campos que, por sua vez, se tornaram restritos às regiões mais altas, onde estão hoje.




As florestas com araucária – que dividem o mesmo ambiente, formando mosaicos com os campos – também tiveram um papel importante. “Ao longo do tempo, ocorreu uma competição constante entre campo e essas florestas, com uma alternância entre ambientes dependendo das condições climáticas”, diz Iganci.




Essa dinâmica, que ainda hoje existe, pode ter sido responsável pela separação de determinadas populações que acabaram formando novas espécies. “Esse parece ter sido o caso de algumas petúnias polinizadas por abelhas”, diz Loreta. “Essas abelhas não conseguiam atravessar as florestas com araucária, que assim provocavam um bloqueio no fluxo gênico entre populações.”





© ILSE BOLDRINI
Cravo-do-campo (Trichocline macrocephala)
Cravo-do-campo (Trichocline macrocephala)





Os pesquisadores observaram também que a biodiversidade fica menor nas direções oeste e norte, conforme diminui a altitude e a umidade que vem do mar. “Os resultados para biodiversidade se referem apenas aos grupos estudados, mas são espécies altamente representativas da região”, diz Loreta.




 “Também observamos uma forte correlação da biodiversidade com o clima e a altitude.” Além de indicar áreas prioritárias e ajudar a entender a origem da biodiversidade da região, o estudo contribui para revelar uma riqueza antes desconhecida.




“Até pouco tempo atrás os Campos de Cima da Serra vinham sendo completamente negligenciados em estudos que levam em conta os aspectos ecológicos, evolutivos e conservacionistas”, diz Iganci. O pesquisador, que fez várias viagens de coleta nos últimos 10 anos, alerta para a degradação do ecossistema e identifica sua principal ameaça: o avanço da silvicultura, que consiste em plantações de pinheiro e eucalipto.





Percepção campestre
O estudo contraria a ênfase dada às florestas que limita os esforços de preservação de campos no mundo todo. Um grupo de especialistas em ecossistemas campestres do Brasil, Estados Unidos, França, Bélgica e África do Sul tenta mudar essa percepção ressaltando, dentro e fora da comunidade científica, a alta biodiversidade dos campos, que devem ser vistos como ecossistemas antigos, cuja história evolutiva de milhões de anos tem íntima relação com o fogo e a presença de animais herbívoros.


Muitas plantas apresentam adaptações como caules subterrâneos e são capazes de brotar rapidamente após a queima e com órgãos subterrâneos como tubérculos, rizomas e bulbos, que armazenam água e amido em local protegido.




© 4 JEFERSON FREGONEZI / UFRGS
Petúnia Calibrachoa sellowiana
Petúnia Calibrachoa sellowiana
“A diversidade de plantas e também de outros grupos dos ambientes de campo e de savana no Brasil pode ser considerada equivalente àquela das florestas”, diz o ecólogo Gerhard Overbeck, especialista em vegetação campestre, também da UFRGS.




 “Temos de levar em conta também a área ocupada por esses ecossistemas. O Pampa, por exemplo, ocupa pouco mais de 2% do Brasil, mas contém mais de 2.150 espécies de plantas apenas em ambientes de campo”, completa. Segundo ele, em algumas regiões campestres no sul do Brasil é possível encontrar mais de 50 espécies de plantas por metro quadrado, incluindo um grande número de espécies de gramíneas.




Muitas plantas de ambientes campestres têm um longo ciclo de vida, como algumas do gênero Vellozia, que ocorrem nos campos rupestres no Brasil Central, que demoram 100 anos para chegar à idade reprodutiva e podem viver até 500 anos. O problema é que os sinais de antiguidade no campo são mais difíceis de visualizar que o perímetro das árvores ou o acúmulo de matéria orgânica nas florestas.





Valorização humana
Os campos também prestam importantes serviços ecológicos. “Esses ecossistemas são fundamentais na regulação do ciclo hidrológico, pois além de a vegetação reter muito menos água das chuvas do que o dossel das florestas, as abundantes raízes finas funcionam como uma esponja que libera a água aos poucos para os rios e aquíferos”, diz a engenheira florestal especialista em Cerrado Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, em Assis.




Além disso, o solo abriga tubérculos, bulbos e rizomas, adaptações das plantas que ajudam a reter água na estação seca e permitem que elas resistam ao fogo e à herbivoria, desafios comuns nesses ambientes. “Essas estruturas contribuem para o sequestro de carbono, embora isso ainda não esteja quantificado”, diz Giselda. “Os solos são complexos e levam muito tempo para se formar. Se degradados, a recuperação é dificílima.”
© VALÉRIO PILLAR / UFRGS





Plantio de Pinus em campo
Plantio de Pinus em campo
A falta de conhecimento sobre a ecologia dos campos tem levado a políticas de conservação equivocadas, como o incentivo à silvicultura, com resultados desastrosos para a biodiversidade e para os serviços ecológicos. “As árvores fazem sombra, impedindo o crescimento das plantas herbáceas ávidas por sol e reduzindo a biodiversidade”, diz Giselda.




“Além disso, fazem com que 20% a 30% da água da chuva evapore antes de chegar ao solo.” Outro exemplo de proteção às avessas é a proibição da “sapecada”, queima provocada pelos pecuaristas serranos para manejo do pasto e proibida em 1992 pelo Código Florestal Estadual do Rio Grande do Sul. Giselda afirma que o fogo, assim como o gado (desde que não sejam excessivos), evita o adensamento das árvores, ajudando a manter estável a estrutura e a diversidade da vegetação campestre. Além disso, a variedade de gramíneas natural desses ambientes pode tornar a carne mais saudável do que a de animais confinados.




060-063_Campos de altitude_239O grupo internacional de especialistas, do qual fazem parte Giselda e Gerhard, publicou em 2015 um artigo no qual propõe o conceito de “campos antigos” (old growth grasslands, em inglês), um adjetivo em geral aplicado a florestas maduras.




Os autores chamam a atenção para características específicas de ecossistemas de campo de savana que exigem estratégias de conservação distintas. Ao ampliar a compreensão desses ambientes, eles também esperam contribuir para inserir os campos na pauta do movimento ambientalista, lançando um novo olhar sobre esses ecossistemas que ajude a enxergar as riquezas escondidas no “mar de grama”.
 




Artigos científicos
Veldman, J. W. et al. Toward an old-growth concept for grasslands, savannas, and woodlands. Frontiers in Ecology and Environment. v. 13, n. 3, p. 154-62. abr. 2015.
Barros, M. J. F. et al. Environmental drivers of diversity in Subtropical Highland Grasslands. Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics. v. 17, n. 5, p. 360-8. out. 2015.

Campos cultivados perdem diversidade na Alemanha


Intensificação do uso da terra, mesmo leve, diminui variedade do ecossistema 


MARIA GUIMARÃES | Edição Online 16:04 2 de dezembro de 2016

© RENATE DODELL/FLICKR
Campos no Parque Nacional Hainich, na região central da Alemanha
Campos no Parque Nacional Hainich, na região central da Alemanha


Na queda-de-braço entre agropecuária e conservação, um enigma é encontrar a medida de quanto se pode alterar um ambiente natural sem destruir suas propriedades ecológicas.


A resposta pode ser desanimadora para muitos: uma intensificação de uso da terra entre pequena e moderada já é suficiente para derrubar a diversidade de um ecossistema. 



Pelo menos em campos na Alemanha, segundo indica um grupo liderado pelo ecólogo alemão Wolfgang Weisser, da Universidade Técnica de Munique (TUM), em artigo publicado no site da revista Nature em 30/11.




“Temos que superar essa guerra crônica”, afirma o ecólogo brasileiro Thomas Lewinsohn, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coautor do estudo junto com Leonardo Ré Jorge, em estágio de pós-doutorado em seu laboratório. “Não há que optar entre produção e conservação, os dois são igualmente desejáveis e necessários.” Essa conjunção se chama sustentabilidade, ele lembra.



O estudo foi feito em três regiões da Alemanha, em cada uma das quais foram estudadas, ao longo dos últimos 10 anos, 50 áreas de campo usadas para pastagem. Classificadas conforme o manejo e a intensidade do uso, parâmetros que levam em conta a densidade de gado (vacas ou ovelhas) no pasto, a frequência e a intensidade de fertilização e o corte regular do pasto para rebrota, essas áreas foram avaliadas quanto à abundância de uma diversidade de organismos de todos os tipos: 4 mil espécies que incluem plantas, animais, fungos, bactérias, habitantes do subsolo, da superfície ou do ar.



Lewinsohn e Jorge contribuíram para a análise dos dados, que inclui modelos ecológicos complexos nos quais o professor da Unicamp é especialista (ver Pesquisa FAPESP nº 248).



Os resultados indicam que o uso intensivo da terra leva à perda das espécies mais raras em todas as áreas. Os campos retêm os organismos mais generalistas, com hábitos muito variados, por isso disseminados. O resultado é uma região empobrecida, com biodiversidade uniforme e reduzida – menor diversidade-β, no jargão da área.



 “Não basta ter algumas áreas menos usadas ou ilhas preservadas”, explica Lewinsohn.


“Haverá perda de biodiversidade.” Isso vale tanto para os organismos acima do solo como os subterrâneos. Estes podem parecer insignificantes, mas têm efeitos importantes para as plantas. Um exemplo são as micorrizas, fungos associados às raízes de alguns tipos de plantas que ajudam na fixação de nutrientes do solo, como nitrogênio.



© ASTRID ECKERT
Lewinsohn com o reitor da TUM, ao receber título de embaixador da universidade
Lewinsohn com o reitor da TUM, ao receber título de embaixador da universidade


O que ainda não é possível saber é se os níveis de uso que permitiriam a manutenção do ecossistema seriam economicamente viáveis. “Na Europa a agropecuária recebe muito subsídio, o que dificulta essas contas”, diz o brasileiro. Também resta investigar se os resultados valem para outros tipos de ecossistemas ou para ambientes semelhantes em outros países.



O Brasil, por exemplo, é rico em ecossistemas campestres, que muitas vezes são usados como pastos em várias regiões: no Pantanal, nas áreas originárias de Cerrado no Sudeste, no Pampa, em áreas de altitude (ver Pesquisa FAPESP nº 239), mas não há estudos do porte do conduzido pelos alemães. “É urgentemente necessário fazer experimentos desse tipo no Brasil, estudando o espectro biológico de maneira ampla, intensiva e no longo prazo”, defende Lewinsohn.



Não por acaso, o pesquisador estava em Munique no momento da publicação do artigo na Nature. Tinha ido receber o título de “Embaixador da TUM” em solenidade realizada no dia 27/11. Ele e mais oito pesquisadores de vários países, incluindo o engenheiro Edson Bim, também da Unicamp, foram selecionados como reconhecimento aos colaboradores que contribuíram de forma excepcional para o avanço da pesquisa e da inovação realizadas pela universidade.



A solenidade incluiu um concerto para o qual é necessário sortear convites, tal a demanda, como parte de três dias em que aconteceram reuniões com o reitor (em almoço com direito a salsichão e cerveja), vice-reitores e conversas com jovens pesquisadores. Sendo um embaixador, Lewinsohn já tem ingresso garantido para outro concerto disputado: o que comemorará os 150 anos da TUM em 2018, no estádio olímpico da cidade.


Artigo científico


 
GOSSNER, M. M. et al. Land-use intensification causes multitrophic homogenization of grassland communities. Nature. on-line, 30 nov 2016.

Os Efeitos Danosos Da Caça Ilegal

terça-feira, 29 de novembro de 2016


Proibida no País desde os anos 1960, a atividade reduziu a população de várias espécies de animais e elevou o risco de desequilíbrio ambiental



O período entre os anos 1930 e 1960 é chamado de “época da fantasia” em muitas partes da Amazônia. “Fantasia” eram as peles de felinos exportadas para o mercado da moda norte-americano e europeu. Só a venda de pele das espécies mais exploradas – que incluíam jacarés, peixes-boi, veados, porcos-do-mato, capivaras e ariranhas – movimentou cerca de US$ 500 milhões (em valores atuais) durante o auge desse comércio.


De 1904 a 1969, algo em torno de 23 milhões de animais silvestres de ao menos 20 espécies foram mortos para suprir o consumo de couros e peles. Esses dados, apresentados em um artigo publicado em outubro na revista Science Advances, referem-se apenas ao que ocorreu nos estados de Rondônia, Acre, Roraima e Amazonas.


O biólogo André Antunes, primeiro autor desse trabalho, calculou o número de animais abatidos no período ao combinar as informações disponíveis nos registros comerciais e portuários com as anotadas nos chamados manifestos de carga, relações detalhadas dos materiais transportados pelos navios que partiam do interior da Amazônia para o porto de Manaus.




Veja o texto na íntegra: Revista Fapesp

Fonte: EcoDebate

Índia inaugura a maior usina solar do mundo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


Até 2020, a Índia quer abastecer 60 milhões de residências a partir da energia fotovoltaica.

Os indianos estão levando a sério o projeto de expandir significativamente a produção nacional de energia fotovoltaica. Recentemente a Índia inaugurou a maior usina solar do mundo. A estrutura tem capacidade instalada para 648 MW, superando a Usina Topaz, na Califórnia, com capacidade de 550 MW.
O objetivo da Índia é chegar a 2022 produzindo 20 GW de energia limpa proveniente do sol. Por isso, o país tem grandes projetos para serem colocados em prática já nos próximos anos. Um dos mais ambiciosos é uma planta 4 GW que deve ser construída em sete anos.
A fazenda solar inaugurada agora está localizada na região sul do país, em Kamuthi. São 2,5 milhões de módulos solares, que cobrem uma área de dez quilômetros quadrados. A estimativa é de que a estrutura gere energia suficiente para alimentar 150 mil casas.


Para aumentar a eficiência de todo o sistema, a usina conta com um sistema automatizado e alimentado pelos próprios painéis solares que limpa diariamente as placas, para que operem sempre no auge de sua capacidade.
Até o momento a Índia soma dez gigawatts de capacidade solar instalada. Quando o objetivo total for alcançado, o país conseguirá abastecer 60 milhões de residências a partir da energia fotovoltaica.
Fonte: Ciclo Vivo

Teresina plantou 320 mil árvores em 3 anos e planeja mais 500 milTeresina plantou 320 mil árvores em 3 anos e planeja mais 500 mil

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


A meta agora é, entre 2017 e 2020, plantar, doar e distribuir 500 mil mudas frutíferas e nativas.




O Projeto Teresina Mais Verde, que tem o objetivo de fomentar a arborização da cidade piauiense, superou a meta para 2016 estabelecida pela administração municipal. Desde que foi implantado, em abril de 2013, já foram plantadas, doadas ou distribuídas quase 320 mil mudas. A meta agora é, entre 2017 e 2020, plantar, doar e distribuir 500 mil mudas, entre espécies frutíferas, como cajueiro e mangueira, e nativas, como ipê e caneleiro.




Em 2013, quando o projeto foi colocado em prática, o objetivo da Prefeitura de Teresina era chegar ao número de 300 mil mudas até o fim de 2016. “Em junho deste ano, batemos a meta. No último relatório, fechado no dia 16 de novembro, verificamos que já superamos esse número em 17.472 mudas”, destaca Eduardo Freitas, coordenador municipal de arborização.



Desse total de 317.472, 28.385 foram plantadas ou transplantadas, 151.641 foram distribuídas de forma gerenciada e 137.446 foram doadas também de forma gerenciada. “Ao que tudo indica, a população aderiu ao Teresina Mais Verde”, comenta Eduardo Freitas.



Além do interesse da população, o coordenador de arborização da Prefeitura de Teresina chama atenção para outros fatores que contribuíram para que a meta estabelecida há três tenha sido superada. “Uma dessas iniciativas é o Caminhão do Verde, que começou a funcionar em novembro de 2015 e já visitou mais de 100 bairros. Por causa dele, são distribuídas de 500 a 1000 mudas por semana na capital”, observa Eduardo Freitas.



A doação e a distribuição de mudas também teve um papel importante. A doação é feita pela Prefeitura a partir de três viveiros, localizados nas zonas Norte, Sul e Leste, onde qualquer teresinense pode solicitar até 10 mudas. “A distribuição gerenciada é mais voltada para entidades e associações que queiram mais de 10 mudas. Nesse caso, é só mandar um ofício à Coordenação de Arborização solicitando”, complementa Eduardo Freitas.



Para os próximos anos, a meta estabelecida pela administração municipal é ainda mais arrojada. “O objetivo é dar continuidade. Queremos que, entre 2017 e 2020, sejam plantadas, doadas ou distribuídas mais 500 mil mudas”, finaliza.


Fonte: Ciclo Vivo

Estudo coordenado pela Fiocruz mapeia mudanças no clima do Mato Grosso do Sul

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


No Mato Grosso do Sul, a porção norte do estado poderá apresentar um aumento de até 5,8°C graus na temperatura e uma redução de até 19% no volume de chuvas nos próximos 25 anos.



Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita sobre o Mato Grosso do Sul, que identificou a vulnerabilidade à mudança do clima nos 79 municípios do estado. Coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o estudo é uma das atividades realizadas no âmbito do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.



Os resultados da pesquisa foram compartilhados durante o Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima, que ocorreu nesta quarta-feira (30/11) em Campo Grande (MS). Para o coordenador do projeto, Ulisses Confalonieri, este trabalho possibilitará aos gestores avaliar, por meio de mapas e gráficos, qual parte do território está mais e menos vulnerável às alterações do clima e os mais aptos a se recuperarem de possíveis impactos climáticos.



 “O Mato Grosso do Sul é o único representante da região centro-oeste a participar do estudo. Além dele, foram escolhidos mais cinco estados para serem avaliados: Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Paraná e Pernambuco. Também foi desenvolvida uma ferramenta, um software, que ajuda a quantificar a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas, conforme cada município”, ressalta o pesquisador da Fiocruz Minas.


Dias mais secos


A pesquisa feita sobre os municípios sul-mato-grossenses indica que a porção sul do estado poderá ser a mais afetada em relação ao número de dias secos consecutivos no ano, índice chamado de CDD. Na cidade de Japorá, por exemplo, o aumento no número de dias seguidos sem chuva poderá chegar a 12,6%, seguida por Sete Quedas (12,2%) e Tacuru (11,5%).


O município de Novo Horizonte do Sul apresentou o CDD mais elevado do estado, com um aumento de 15,2% para os períodos de estiagem. Esta situação é diferente em cidades localizadas na parte central, como Rochedo e Corguinho. Nelas, os dias seguidos sem chuvas permanecerão os mesmos em comparação com o período atual.



Mais calor e menos chuvas
Em relação à temperatura máxima, Corguinho poderá ter um incremento de até 5,8°C para os próximos 25 anos. Os municípios da porção norte serão os mais afetados, assim como algumas cidades localizadas na parte leste do estado. Em Paranaíba e Aparecida do Taboado o aumento pode chegar a 5,7°C para o período de 2041 a 2070.



O Alto do Taquari pode ser uma das regiões mais impactadas pela redução do volume de chuvas. Em Coxim e Rio Verde do Mato Grosso, por exemplo, a precipitação poderá diminuir 19,3%. Na parte leste do estado, a pluviosidade pode reduzir até 17,6%, como é o caso do município de Selvíria.


Campo Grande apresenta uma elevação de 5,4°C na temperatura e uma redução de 8,3% na precipitação. Em relação ao número de dias seguidos sem chuva, a capital pode ter uma diminuição de 5,4%.



Mudança do clima no Pantanal
As projeções feitas no estudo indicam possíveis consequências para o Pantanal. Por ser um bioma úmido, que depende do ciclo de cheias e secas, o aumento da estiagem pode impactar no ciclo de inundações e na diminuição da biodiversidade, por causa das alterações no processo reprodutivo de plantas e animais.


As mudanças do clima também podem provocar transformações em fenômenos naturais recorrentes no Pantanal, como o período das cheias dos rios. Por causa das alterações no volume de chuvas e elevação da temperatura, podem ocorrer eventos extremos, como secas e alagamentos. Estes fenômenos climáticos poderiam impactar no Pantanal, a perda do potencial de pesca e, em outras partes do estado, a redução da produção agrícola, afetando diretamente a segurança alimentar das populações que vivem nessa região. Outro impacto que pode ser apontado nesse cenário futuro é o aumento de doenças, devido à proliferação de vetores.




Vulnerabilidade dos municípios
As pesquisas realizadas sobre o estado consideram informações de cada município relacionadas a fenômenos extremos, a exemplo de tempestades, e doenças vinculadas ao clima, entre elas, dengue, leptospirose e leishmaniose. Dados sobre a população, envolvendo saúde e condições socioeconômicas e a capacidade dos municípios para lidarem com as mudanças climáticas também são utilizados.





As informações coletadas são associadas a três elementos – exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa da população, considerando dois cenários de clima futuro: um com redução nas emissões de gases do efeito estufa e menor aquecimento global, e outro que considera o aumento contínuo dessas emissões com maior impacto no clima. A partir da combinação e análise desses dados, é possível calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade (IMV) e outros indicadores.



As projeções feitas na pesquisa indicaram que os municípios mais vulneráveis à mudança do clima seriam Rio Verde do Mato Grosso, Rio Negro e Sonora e os menos vulneráveis seriam Jateí, Naviraí e Chapadão do Sul. As cidades mais expostas às alterações climáticas foram Maracaju, Três Lagoas e Coxim, em virtude de desmatamentos, variações bruscas de temperatura e ocorrência de eventos extremo, como secas e enxurradas. Em relação à sensibilidade, que indica a intensidade com a qual os municípios são suscetíveis aos impactos do clima, Juti, Taquarassu e Paranhos seriam os mais impactados.



O estudo apontou que Campo Grande, Chapadão do Sul e Costa Rica foram considerados os municípios mais adaptados para lidar com as mudanças clima, devido à existência de infraestrutura de saúde, como leitos hospitalares, plano de contingência de desastres e atuação da Defesa civil. Coronel Sapucaia e Novo Horizonte do Sul seriam os menos adaptados.


Fonte: EcoDebate

Pequim anuncia alerta laranja por poluição

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016


Quando se declara o alerta laranja, ficam suspensas as atividades escolares ao ar livre e as indústrias são obrigadas a reduzir ou interromper sua produção.


As autoridades de Pequim anunciaram nesta quinta-feira (1) a ativação do alerta laranja por poluição - o segundo mais alto - a partir da meia-noite (14h de Brasília) e para os próximos três dias.

O alerta laranja, o segundo em uma classificação de quatro (vermelho, laranja, amarelo e azul), representa uma densidade de mais de 150 microgramas por metros cúbicos de ar de partículas PM 2,5, as mais prejudiciais para a saúde, durante três dias consecutivos.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecer um limite máximo recomendado de 25 microgramas, os medidores de poluição de Pequim marcam atualmente um nível de 34.

Os alertas laranja e vermelho devem ser emitidos pelo menos 24 horas antes que a poluição alcance os picos máximos.

Quando se declara o alerta laranja, ficam suspensas as atividades escolares ao ar livre e as indústrias são obrigadas a reduzir ou interromper sua produção, além de restrições em obras públicas e nas atividades de construção.

Também há limitações ao trânsito de veículos e se recomenda à população que não saia de casa se não for imprescindível, especialmente crianças e idosos.


A previsão é que uma frente fria chegue à capital da China no próximo domingo pela tarde e disperse a poluição, segundo as autoridades meteorológicas locais.

Fonte: G1

Áreas protegidas ou áreas que ninguém quer?


Por Rafael Loyola
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Não adianta proteger apenas áreas que foram desprezadas pela agricultura e outras
 atividades econômicas. Foto: Creative Commons

O Brasil tem uma das maiores redes de áreas protegidas do mundo, com Unidades de Conservação estabelecidas em diversas categorias e esferas de gestão. Toda essa proteção estende-se por cerca de 17% do território brasileiro e tem por finalidade proteger o imenso patrimônio natural do país. Intuitivamente, toda e qualquer nova unidade de conservação criada significa mais um ponto no placar dos conservacionistas. Mas, se não for bem assim?
Globalmente, e no Brasil não parece ser diferente, áreas destinadas à conservação têm uma natureza residual. 


Por residual, me refiro literalmente ao que sobrou e não pôde ser utilizado para agricultura, pecuária, mineração, pesca e assim por diante. Alguns estudos científicos já demostraram que áreas protegidas possuem solos inférteis, terrenos muito acidentados e pouca (ou nenhuma) vocação para o uso econômico. 



Em outros casos, os limites dos parques coincidem perfeitamente com os limites de áreas de pesca de arrasto ou de espinhel, evidenciando que os parques tiveram seus contornos ajustados para permitir a pesca em seu entorno. Há ainda áreas protegidas em locais remotos, como parques marinhos enormes, mas bem distantes da plataforma continental,  onde está a maior e mais ameaçada biodiversidade marinha; ou em áreas inacessíveis em florestas tropicais, e portanto, ainda sem uso econômico.


Mas isso é um problema? Muita gente acha que ter unidades de conservação residuais no Brasil não é um problema, posto que cada vez temos mais áreas sendo protegidas. Mas essa é uma maneira simplista de medir o avanço que estamos fazendo com a conservação da natureza. Pensar apenas na área total sob proteção faria sentido desde que a criação de uma determinada unidade de conservação impedisse a transformação da área em outra coisa; por exemplo, uma monocultura de soja. 



Além disso, seria preciso garantir que dentro da unidade de conservação a biodiversidade que mais precisa de proteção estaria de fato protegida. E quem precisa de mais proteção são espécies e ecossistemas ameaçados por desmatamento, queimadas, mudanças climáticas, mineração, exploração de petróleo e gás, sobrepesca, etc.


"conservamos locais que, analisando friamente, talvez nem precisassem de proteção, uma vez que não seriam convertidos em qualquer outra coisa. Resultado: locais com baixa vulnerabilidade são protegidos e locais que serão riscados do mapa para sempre são liberados para uso."
Eu sei... pode soar um pouco estranho, mas a chave para entender a ideia é fazer uma pergunta simples: o que teria acontecido com essa área (e, consequentemente, com a biodiversidade lá existente) caso ela não houvesse sido protegida? Se sua resposta for: “Nada! Ela estaria do mesmo jeito”, então essa proteção não deveria ser efusivamente comemorada como mais um gol no placar da conservação. 



Em muitos casos – mais do que você imagina – essas áreas estariam muito bem obrigado daqui a 20-30 anos caso não houvessem sido protegidas; pensem no interior da floresta amazônica!



Veja que em ambas as situações, não se trata apenas de proteger o que está dentro das unidades de conservação, mas de fazer a diferença, salvando o que seria perdido, caso essas unidades não houvessem sido criadas. 



Note, também, que não estou falando de números e estatísticas. Para quem pensa em números ou área total protegida, qualquer nova unidade de conservação é lucro. Estou falando de “impacto positivo”, de fazer a diferença com ações de conservação.



Em áreas como a medicina, educação e desenvolvimento social, esse impacto positivo é formalmente definido como “o que teria acontecido caso uma determinada intervenção não houvesse sido implementada ou uma intervenção diferente houvesse sido feita”. Em conservação esse impacto positivo ainda é raramente estimado, mas isso vem mudando. Um exemplo é que no ano passado a conceituada revista cientifica inglesa “Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences” publicou um volume especial sobre avaliação do impacto positivo de ações de conservação no mundo.



O fato é que, com recursos escassos destinados à conservação e muita dificuldade política para implementar ações em locais com vocação para outros usos, principalmente atividades econômicas, corre-se o risco de se optar pelo caminho mais fácil. Esse caminho é o de proteger áreas residuais, que não foram usadas para outros fins e, portanto, poderiam ser transformadas em unidades de conservação. Pior, a biodiversidade perdida em áreas não protegidas normalmente só ocorre ali, onde nunca mais serão encontradas.



A consequência de não se avaliar o impacto positivo da criação de áreas protegidas no mundo e nas unidades de conservação no Brasil é clara: embora tenhamos dobrado a área total protegida no planeta nos últimos 10 anos, nunca tivemos tantas espécies ameaçadas de extinção sem proteção alguma. Isso parece um contrasenso. Parece! Mas isso é esperado porque não direcionamos, necessariamente, nossos esforços para a proteção de ambientes e espécies que estão sumindo devido à exploração humana. Ao contrário, conservamos locais que, analisando friamente, talvez nem precisassem de proteção, uma vez que não seriam convertidos em qualquer outra coisa. Resultado: locais com baixa vulnerabilidade são protegidos e locais que serão riscados do mapa para sempre são liberados para uso.



Enquanto nossos objetivos conservacionistas forem o de aumentar a área total protegida do país e não o de proteger aquilo que pode desaparecer para sempre, o placar continuará a favor da extinção e contra a biodiversidade. O assunto é polêmico, sem dúvida. Espero retomá-lo em outras colunas, pois há muito o que conversar. Ainda assim, está na hora de perguntarmos “o que aconteceria com essas áreas caso elas não houvessem sido convertidas em unidades de conservação?” ou, de maneira mais simples, “nossas unidades de conservação fazem a diferença?”