segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Obama prepara 'plano de ação' contra EI; confira trechos de entrevista

BBC

Atualizado em  7 de setembro, 2014 - 19:21 (Brasília) 22:21 GMT

Entrevista de Obama à NBC | Crédito: Reuters
À rede de TV americana NBC, presidente dos EUA disse querer 'destruir' grupo radical islâmico; neste domingo, jatos bombardearam alvos no Iraque

O presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou, em entrevista a uma TV americana, que anunciará na próxima quarta-feira um 'plano de ação' contra militantes do Estado Islâmico (EI).

O pronunciamento ocorrerá um dia antes do aniversário de 13 anos do ataque terrorista de 11 de setembro.
Obama, que vem sendo criticado pela demora em traçar uma estratégia para conter o crescimento do grupo jihadista islâmico, disse que os Estados Unidos vão desintegrar o EI, reduzir seu território e "derrotá-lo".

Neste domingo, jatos americanos bombardearam alvos do EI no oeste do Iraque pela primeira vez.
Enquanto isso, a Liga Árabe se comprometeu em tomar "todas as medidas necessárias" contra o grupo radical islâmico, que já controla uma parte significativa dos territórios do Iraque e da Síria.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Obama à rede de TV americana NBC. A entrevista completa foi ar no programa Meet the Press na manhã deste domingo nos Estados Unidos.


Apresentador: O senhor está preparando os Estados Unidos para voltar à guerra?

Obama: Estou preparando o país para ter certeza de que vamos lidar com a ameaça do EI. Tenha em mente que isso é algo que sabemos como fazer. Temos lidado com ameaças terroristas por muito tempo.

Essa administração vem sistematicamente desmantelando a al-Qaeda na FATA (Áreas Tribais Administradas Federalmente no Paquistão, na sigla em inglês). Acabamos de anunciar [na sexta-feira, 5] a morte do principal líder do al-Shabaab, a organização terrorista que atua na Somália.

O Estado Islâmico é uma grande ameaça por causa de suas ambições territoriais no Iraque e na Síria. Mas a boa notícia que veio da última reunião da Otan é que toda a comunidade internacional entende que isso é algo com que precisamos lidar.

Então, o que fizemos no curso dos últimos meses é, em primeiro lugar, assegurar que estamos de olho no problema, que direcionamos recursos, inteligência e reconhecimento. Fizemos uma avaliação por terra.

O segundo passo era ter certeza de que o nosso pessoal está protegido, além de nossas embaixadas e consulados. Isso inclui ataques aéreos para assegurar que cidades como Erbil não sejam retomadas pelos rebeldes e infraestruturas cruciais, como a represa de Mossul, estejam protegidas. Foi a partir deste momento que podemos nos envolver em programas de assistência humanitária que salvaram milhares de vidas.

A próxima fase é começar com algumas ofensivas. Nós temos de colocar o governo iraquiano de volta nos trilhos. E estou otimista que na próxima semana poderemos cumprir esse objetivo. E então eu vou me encontrar com os líderes congressistas na terça-feira.

Na quarta, farei um pronunciamento e descreverei qual será o nosso próximo plano de ação daqui para frente.

Mas esse não será um anúncio sobre as tropas americanas em solo. O que está acontecendo agora não tem nada a ver com a guerra no Iraque.

O que vamos fazer é similar aos tipos de campanhas anti-terroristas nas quais estivemos envolvidos consistentemente nos últimos cinco, seis, sete anos. E a boa notícia é que, por causa da liderança dos Estados Unidos nesse processo, eu acredito que uma coalizão internacional ampla regional e internacional será capaz de lidar com esse problema.

Apresentador: O que o senhor vai pedir à população dos Estados Unidos na quarta-feira?

Obama: Eu só quero que o povo americano entenda a natureza dessa ameaça e como estamos lidando com esse problema e que temos confiança que seremos capazes de lidar com ele.

Apresentador: O senhor tem a consciência que fará esse pronunciamento um dia antes do 13º aniversário dos atentados de 11 de setembro?

Obama: Justamente. E quero que todo mundo entenda que nossos setores de inteligência não observaram nenhuma ameaça ao nosso país vinda do EI. Meu pronunciamento não tem nenhuma relação com isso.

O Estado Islâmico é uma organização que, se tomar controle de partes significativas de território, será capaz de acumular mais recursos, mais armas para atrair combatentes internacionais, incluindo de algumas regiões como a Europa, cujos cidadãos têm vistos com os quais podem viajar sem maiores impedimentos aos Estados Unidos. E isso, ao longo do tempo, pode se tornar uma séria ameaça ao nosso país.

A curto prazo, trata-se de uma ameaça a amigos, parceiros na região e está causando todos os tipos de dificuldades. E nós temos visto a selvageria com que esse grupo age, não só em termos de como eles lidaram com os dois americanos sequestrados (ambos foram decapitados), mas com a morte de milhares de inocentes no Iraque e na Síria, o sequestro de mulheres, a completa destruição de vilarejos inteiros.

Então, o que eu vou pedir aos cidadãos americanos é que entendam, em primeiro lugar, que essa é uma ameaça muito séria. Em segundo lugar, que nós temos a capacidade de lidar com esse problema...

...E o que eu quero que as pessoas entendam, no entanto, é que no curso dos próximos meses, seremos capazes de diminuir o ímpeto do Estado Islâmico. Vamos sistematicamente minar suas capacidades. Vamos reduzir o território que controlam. E, por fim, derrotá-los.

Apresentador: E a Síria?

Obama: ...A estratégia tanto para o Iraque quanto para a Síria é que nós vamos caçar os integrantes do Estado Islâmico e os ativos que eles têm onde quer que estejam. Vou-me reservar o direito de sempre proteger os cidadãos americanos e ir atrás de quem está tentando nos machucar em qualquer lugar.

Mas em termos de controle de território, vamos ter de desenvolver uma oposição sunita moderada que possa controlar o território e com quem podemos negociar. A noção de que os Estados Unidos devem fazer uma ofensiva terrestre, no meu entender, é um erro profundo.

PSB lidera as arrecadações entre pessoas físicas




Com apoio de nomes de peso ligados ao setor financeiro, a campanha presidencial do PSB é a que mais recebeu doações de pessoas físicas entre as principais candidaturas ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano.
Ao todo, a campanha da legenda, que conta atualmente com a candidata presidencial Marina Silva, recebeu R$ 826.496 em contribuições individuais de eleitores. A campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) angariou R$ 553.912 e a de Aécio Neves (PSDB), R$ 171.499. O levantamento tem como base a plataforma Estadão Dados, alimentada com os registros contábeis apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral.

No caso da campanha presidencial do PSB, o maior doador é o empresário Guilherme Leal, candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva em 2010, ocasião em que a ex-ministra disputou a Presidência pelo PV. Leal é um dos copresidentes do Conselho de Administração e acionista da Natura. Ele desembolsou R$ 400 mil, quase a metade do que o PSB recebeu em doações de pessoas físicas.

Também está nesta lista de doadores à candidatura de Marina a herdeira do Banco Itaú Maria Alice Setubal. Ela transferiu R$ 200 mil para a conta da campanha do PSB. Atualmente, Maria Alice é uma das coordenadoras do programa de governo de Marina Silva. Fernão Carlos Botelho Bracher,
integrante do Conselho Administrativo do Banco Itaú, doou outros R$ 50 mil à candidatura do PSB.


Além de representantes do Itaú, a campanha de Marina também recebeu recursos (R$ 30 mil) de José Olympio da Veiga Pereira, ligado ao banco de Investimentos Credit Suisse, e do documentarista João Moreira Sales, que desembolsou R$ 10 mil.


Meio milhão
Entre os eleitores dispostos a ajudar a campanha da presidente Dilma Rousseff está Eraí Maggi Scheffer, conhecido como o maior produtor de soja do Brasil. O "rei da soja", com é chamado, fez uma única transferência, no dia 7 de agosto, de R$ 500 mil.

Com uma cifra 12 vezes menor, Antônio Cláudio Brandão Resende aparece como o segundo maior doador da campanha presidencial do PT. Resende, vice-presidente da empresa Localiza, contribuiu com R$ 40 mil. Há também os eleitores que ajudaram com quantias mais modestas. Cerca de 20 destinaram R$ 13 para a campanha presidencial de Dilma, valor pago em sua maioria com cartão de crédito e que representa o mesmo número da legenda.

BRF
No caso da campanha de Aécio Neves (PSDB), ele contou principalmente com a ajuda de empresários que fazem parte do comando da empresa BRF, dona de marcas famosas como Sadia, Perdigão, Batavo, Elegê. Membro do Conselho Administrativo da empresa, Eduardo Silveira Mufarej doou R$ 50 mil para a campanha dos tucanos. Outro conselheiro da BRF, José Carlos Reis de Magalhães Neto ajudou com R$ 25 mil.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo  Jornal de Brasília

A corrupção na eleição da Ficha Limpa - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE


CORREIO BRAZILIENSE - 08/09
Em menos de um mês, o Brasil realizará as primeiras eleições gerais sob a vigência da Lei da Ficha Limpa. Mas a questão é: até que ponto o eleitor está tranquilo de que esse será um pleito limpo, à parte a lisura do processo em si, com a votação e a apuração dos votos há anos conduzidas sob extremo controle pela Justiça Eleitoral do país?


As dúvidas já começam pela articulação das alianças, com os tantos interesses em jogo, incluindo a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na tevê. Seguem com a arrecadação de verbas e a prestação de contas das campanhas, portas de entrada da corrupção, de controle praticamente fictício. Basta ver a quantidade de casos de desvios apurados em operações anticorrupção executadas pela Polícia Federal. 

Conhecido o resultado das urnas, a montagem dos governos, com a livre nomeação de cargos comissionados, é outro problema histórico. E por aí vai, numa escalada sem fim, enquanto o Brasil galga vergonhosos degraus no ranking da ONG Transparência Internacional, que mede a percepção da corrupção em 177 países. Ali figuramos no 72º lugar entre as nações menos corruptas.

Essa triste história tem outros capítulos igualmente vexaminosos. Um exemplo é o fato de a Câmara dos Deputados dar as costas à questão. Segundo o coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM), há seis anos o plenário da Casa não vota um só projeto ligado ao tema. E nada menos do que 141 proposições estão em tramitação, 20 delas há mais de uma década -  uma desde 1990. 

Ressalve-se que lei anticorrupção sancionada um ano atrás pela presidente Dilma Rousseff, prevendo pena para pessoas jurídicas envolvidas em ilícitos com a administração pública, foi iniciativa não do Legislativo, mas do próprio Executivo, proposta pela Controladoria-Geral da União. Mais: continua pendente de regulamentação. E também a Lei da Ficha Limpa nasceu fora do Congresso Nacional, como proposição da sociedade civil, elaborada por um grupo de juristas e apresentada com a assinatura de 1,6 milhão de eleitores.

Não se tem a ingenuidade de imaginar que eficiente arcabouço legal bastará para acabar com a corrupção no Brasil. Há que ter condições também para que as instituições funcionem na direção de assegurar o pleno atendimento ao anseio de limpeza ética reclamado nos quatro cantos do país, ou seja, é preciso fazer valer a lei, fechando as brechas a desmoralizantes recursos judiciais que costumam torná-la letra morta.

A praga da corrupção faz mais do que tirar dinheiro da saúde, da educação, da segurança e dos transportes, para citar quatro áreas essenciais da administração pública, que mais de perto afligem os direitos do cidadão. Ela também violenta a iniciativa privada. Ao encarecer o investimento, com a propina acrescentada ao orçamento das obras, rouba a competitividade do empresariado, desestimula os negócios, reduz a oferta de empregos. O eleitor precisa, pois, estar muito consciente do voto que depositará nas urnas - do presidente da República ao deputado estadual ou distrital.

Dispendiosa caixa-preta - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 08/09


Já virou tediosa — não por desimportante, mas pelo renitente descaso do lulopetismo com a coerência de ideias defendidas antes da chegada ao poder — a discussão sobre o abandono de princípios defendidos pelo PT quando o partido, e suas bases aliadas, eram contra “tudo isso que aí está”. Nesse bolo entravam, por exemplo, o bombardeio contra a CPMF, críticas à voracidade do sistema tributário e à preservação, na estrutura trabalhista do país, de um emaranhado de dispositivos herdados do getulismo. Neste caso, a legislação que sobreviveu a seu criador e às conjunturas que a engendraram — inclusive à ditadura militar de 64, deflagrada, entre outras justificativas, para livrar o país do “perigo da implantação de uma república sindicalista”.

Nessa revisão programática, a CPMF, de combatida, virou tábua de salvação no primeiro mandato de Lula, a ponto de as gestões para sua extinção terem sido tachadas, por PT e aliados, de golpe contra as finanças do país. Também assim se deu com a oposição a dispositivos anacrônicos, criados pelo Estado Novo ou nele inspirados — caso do chamado Sistema S, uma hipertrofiada rede de siglas, 11 no total, abastecida por dinheiro público e por deduções legais nas folhas de pagamento do comércio, da indústria e de atividades rurais. Entre as mais conhecidas entidades nele reunidas estão o Sesi, o Sesc e o Senai.

Estima-se que, por ano, abasteçam o caixa desse sistema algo em torno de R$ 15 bilhões — quantia que, por si só, a exemplo do imposto sindical, outrora combatido, e hoje “cláusula pétrea” na legislação abençoada pelo lulopetismo, explica a ferrenha defesa que dele fazem os aliados do Planalto. Afinal, de combativo adversário dessa eficaz máquina arrecadadora, o PT no governo passou a guardião da chave do cofre. E tem sido generoso ao girá-la em favor dos companheiros.

Tanto é assim que o Sistema S tem sido alvo de denúncias de malversação de recursos, corrupção, apadrinhamento, contratação de parentes de amigos do poder e pagamento de altos salários a companheiros petistas. Recente reportagem da revista “Época”, por exemplo, afirma que a Controladoria Geral da UNião (CGU) detectou alguns desses “malfeitos” na gestão do Serviço Social da Indústria (Sesi). Entre as irregularidades, fruto do aparelhamento da sigla, estão a contratação de funcionários que recebem sem trabalhar, aí incluídas uma nora do ex-presidente Lula e a mulher do ex-deputado e mensaleiro João Paulo Cunha.

Também engordam o prontuário do sistema denúncias de superfaturamento na compra de imóveis — um deles, a aquisição de uma propriedade em Mato Grosso, pela qual o Sesc pagou dez vezes o valor de mercado. Isso sem contar a presença, desde o primeiro mandato de Lula, do ex-deputado e ex-líder sindicalista Jair Meneguelli na cadeira de presidente do Sesi, e de uma sindicalista amiga do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares na folha de pagamento do órgão. São fatos que, a par da discussão sobre seu papel, põem em xeque o Sistema S, uma caixa-preta que precisa ser aberta e um penduricalho no custo das empresas, com bons propósitos, mas impenetrável para a sociedade.

A vida e nosso tempo - FABIO GIAMBIAGI


O GLOBO - 08/09


Vivemos em um país onde o Executivo não executa, o Legislativo não legisla e a Justiça não julga. O Brasil clama por reformas. Não podemos continuar a perder tempo


Nasci em 1962 e tenho 52 anos. Creio que o espírito do que vou expressar é representativo de uma parte da geração que vai dos 40 aos 70 anos e que acompanha de perto os problemas do país. Por que essa faixa etária? Porque antes dos 40 o tempo tende a ser visto como infinito na vida do jovem. Já depois dos 70, são poucos os que contarão ainda 20 ou 25 anos de caminhada pela frente. O grupo etário entre 40 e 70 anos representava 19% da população em 1980 e hoje é de 30%. Trata-se de um contingente expressivo.

Sendo filho dos anos 60, vivenciei alguns momentos importantes e esperançosos da vida nacional: a luta pela anistia no fim dos anos 70 e a expectativa pelo retorno dos exilados; a campanha pelas eleições diretas em 1984 e a consequente eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral, pondo fim ao ciclo de mais de 20 anos de governos militares; as passeatas pelo impeachment de Collor em 1992; e os primeiros passos da estabilização em meados dos anos 90. Finalmente, acompanhei com interesse cívico a eleição de Lula em 2002 e o processo político-social da década passada, caracterizado como uma etapa de inclusão social e que explica a elevada popularidade com que ele concluiu sua gestão em 2010.

Cada uma dessas etapas da vida do país testemunhou avanços: com a anistia e o retorno dos exilados, encerrou-se uma etapa de segregação entre brasileiros; o fim do regime militar distendeu a vida do país e em 1989 levou à retomada das eleições diretas para presidente depois de quase 30 anos; os eventos políticos de 1992, conquanto expressassem um arrependimento amargo da maioria da população em relação ao voto que tinha dado pouco antes, foram sinal de vitalidade e de vigência plena das instituições; a estabilidade implicou deixar atrás a hiperinflação que corroía a auto-estima nacional, além de ser um transtorno na vida de todos; e o Brasil atual é um país socialmente melhor e mais justo que o do começo da década passada.

Apesar de tudo isso, para quem chega à meia-idade e acompanha as mazelas da realidade nacional desde que começou a ficar antenado para a realidade — no meu caso, nos tempos de Geisel — o sentimento de angústia pelo avanço do tempo é a cada dia mais nítido. Não falo de angústia aqui no sentido existencial, pela consciência individual de que o fim da caminhada de cada um vai se aproximando — falo da mistura de tristeza, desconforto e exasperação pela percepção de que nosso tempo vai se esgotando, sem que nos tenha sido dada a chance de conhecer o país com o qual todos sonhamos em nossa juventude. É então que o sentimento de urgência se torna mais palpável. E é aqui, justamente, que o contraste entre essa percepção individual e a ausência total e absoluta de qualquer sentimento de urgência na classe dirigente do país se torna mais dramática para quem compartilha essa idade e foi partícipe daqueles movimentos que antes citei.

Nesse contexto — e não falo isso para expor meu caso pessoal e sim porque considero representar um ânimo difuso e compartilhado, provavelmente, por muitos leitores — lembro-me de conversas, por vezes intensas, com meu falecido pai, nos anos 80, quando eu começava a perceber que mudar o mundo e o Brasil não era tão simples. Naquela ocasião, nos primórdios da minha vida cívica, eu com 20 e poucos anos e ele a caminho dos 60, quando discutíamos sobre o Brasil, eu era otimista pela possibilidade de chegar a ver um país desenvolvido, 30 anos depois. Tive que envelhecer para, retrospectivamente, entender o motivo da irritação do meu pai com aquele raciocínio: é que ele, simplesmente, não dispunha de mais 30 anos pela frente para esperar esse dia chegar. Hoje, o sentimento que me acomete é o mesmo: o tempo está passando — e o Brasil com o qual minha geração sonhou está demorando a chegar.

Costumo dizer em minhas palestras que o Brasil avançou muito nos últimos 20 anos, mas continua sendo um país que não funciona bem. Por quê? Em poucas palavras, porque vivemos em um país onde o Executivo não executa, o Legislativo não legisla e a Justiça não julga. O Brasil clama por reformas. Não podemos continuar a perder tempo e a protelar a solução dos problemas. Seria bom que os candidatos à Presidência tomassem ciência disso.

Enquanto a qualidade do ensino do Brasil despenca e os pacientes do Hospital de Base correm o risco de ficar sem comida, o mensalão da Petrobras pode ter desviado R$ 3,4 bilhões para o PT da Dilma comprar apoio político e enriquecer companheiros.



A área de Abastecimento da Petrobras investiu R$ 112,39 bilhões entre maio de 2004 e abril de 2012, período em que foi gerida por Paulo Roberto Costa, acusado de participar de um esquema de corrupção na estatal. Do total desembolsado nesses oito anos, R$ 108,13 bilhões foram gastos no país e R$ 4,26 bilhões no exterior - já incluídos os aportes referentes à aquisição da refinaria norte-americana de Pasadena. O levantamento foi realizado pelo Valor com base nos balanços divulgados pela Petrobras e publicado ontem no Valor Pro, serviço em tempo real do Valor.

Uma fatia de 3% referente à suposta comissão cobrada sobre esse valor chega, portanto, à cifra de R$ 3,37 bilhões. Segundo declaração de Costa à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF), esse seria o percentual da propina paga a políticos por empreiteiras e empresas sobre os valores dos contratos firmados com a Petrobras. O ex-diretor concordou em ser o delator de um esquema de corrupção que existiria na petrolífera, em troca do benefício da colaboração premiada - instituto da lei penal que prevê a redução da pena ou até mesmo o perdão judicial a réus que colaborem de modo determinante para o deslinde de uma investigação criminal.

Os aportes na área de Abastecimento, que reúne as refinarias da estatal, representam 27,8% dos investimentos totais de R$ 403 bilhões feitos pela Petrobras nesses oito anos, ficando atrás apenas dos desembolsos na área de exploração e produção de petróleo. O cálculo leva em conta apenas os investimentos e não inclui serviços de outra natureza contratados na gestão de Costa, preso preventivamente e réu em processos criminais por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e ainda por integrar organização criminosa com vista à aquisição de contratos milionários junto ao governo federal, relatam os autos em trâmite na Justiça Federal de Curitiba e a acusação formal do MPF.

O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça deverá buscar a repatriação de US$ 28 milhões enviados do Brasil à Suíça. Segundo Ministério Público suíço, foram identificadas contas bancárias de empresas e familiares de Costa que movimentaram os recursos, dos quais US$ 23 milhões seriam diretamente controlados pelo ex-diretor, aponta a investigação. A descoberta do dinheiro motivou a segunda prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras, cumprida em 11 de junho por haver "risco iminente de fuga", segundo a Justiça.

Depois de formalizada pela força-tarefa do MPF em Curitiba, a colaboração premiada será dividida. Parte ficará na esfera do juízo federal de primeira instância. Já a peça envolvendo políticos e servidores com prerrogativa de foro ou função será remetida ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caberá a ele encaminhar parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a delação proposta pela defesa de Costa. Janot deve se reunir hoje sua equipe para discutir o caso. Caberá a ele decidir se há provas suficientes para abrir inquérito e investigar cada um dos mencionados na delação de Costa. (Valor Econômico)
 
 

Não podia ter chegado em pior momento para a presidente Dilma a bomba sobre o esquema de corrupção de políticos montado na Petrobras durante 8 anos em governos petistas.

BLOG do SOMBRA

Política: O fato novo

Não podia ter chegado em pior momento para a presidente Dilma a bomba sobre o esquema de corrupção de políticos montado na Petrobras durante 8 anos em governos petistas. A presidente esboçava uma reação para resistir à investida de Marina, e agora está novamente travada pelos fatos...
 
Marina tem no episódio a prova material de que a “velha política” transformou o Congresso em um balcão de negócios, mas a confirmação de suas denúncias veio junto com a inclusão do ex-governador Eduardo Campos na lista dos beneficiários das negociações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
 
Esse é um empecilho e tanto para a exploração do caso, mesmo que esteja implícito que a candidata não tem nada a ver com os fatos acontecidos antes de ela, por constrangimentos políticos que lhe foram impostos, aderir ao PSB, inclusive o jato que veio junto, ao que tudo indica, nesse mesmo pacote.
 
Se fosse a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina estaria hoje livre, leve e solta para empunhar a bandeira da nova política em contraponto às nebulosas transações que seus adversários comandam nos bastidores políticos de Brasília. Mas terá que pisar em ovos para usar a artilharia pesada que lhe caiu no colo sem que o fogo amigo a atinja.
 
Quem poderá se beneficiar da situação é o candidato do PSDB Aécio Neves, que precisava de um fato novo para turbinar sua campanha, e ele chegou pela delação premiada do ex-diretor da Petrobras. Não é possível dizer agora se mais essa denúncia de roubalheira institucional será suficiente para recolocá-lo na disputa, mas ele tem a vantagem no momento de poder atacar tanto Marina quanto Dilma, reforçando a ideia central de sua campanha de que ele é a mudança segura.
 
A presidente Dilma dificilmente perderá votos do núcleo duro petista, que vota nela mesmo de olhos e narizes fechados, e considera normais esses esquemas corruptos. Veremos agora de que tamanho é o apoio da candidata Marina Silva, e qual a intensidade da revolta de eleitores que estavam fora da eleição por vontade própria e retornaram devido à sua presença.
 
Aécio poderá tentar retomar eleitores que foram para Marina, que também receberá eleitores que voltaram para Dilma e poderão ficar sensíveis a mais esses escândalo. Tudo dependerá de como Marina usará esse episódio. 
 
Quem é Marina de fato, desde a eleição de 2010, já estará convencido de que ela foi apanhada em uma armadilha montada pela “velha política” de que Eduardo Campos se utilizava antes de romper com o governo petista. E a perdoará por isso, entendendo que não tem condições de romper agora com o esquema político que a acolheu em momento difícil.
 
Ainda mais tendo como vice um político orgânico do PSB. Muitos que foram para ela em busca de um refúgio poderão se convencer de que Aécio Neves é a melhor oposição, e muitos outros podem desistir mais uma vez de votar, convencidos pelos fatos de que são todos farinha do mesmo saco.
 
O certo é que a presidente Dilma, que ensaiava uma reação levada pela máquina partidária e pelos militantes petistas, está novamente enredada em um esquema político deletério. Se é verdade que ensaiava retirar do fundo da gaveta a imagem da faxineira ética do início de seu governo para reforçar o combate à corrupção, agora vai ter que desistir da ideia.
 
Já era uma proposta desesperada, pois as contradições são evidentes entre a faxineira e a atual presidente que colocou de volta no ministério praticamente todos os que enxotara, e agora é inviável.
 
Também fica sem sentido a tentativa do presidente do PT Rui Falcão de insinuar que Marina pretende privatizar a Petrobras e os bancos públicos, uma acusação reciclada que por si só mostra a falta de argumentos do partido na disputa política com Marina.
 
O novo escândalo da Petrobras vai reviver a ideia de Aécio Neves de reestatizar a Petrobras, que foi tomada de assalto por forças políticas da base aliada governista, sob o comando do PT.
 
Como disse muito bem o presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, aliás um dos acusados de estar envolvido no esquema de corrupção, “a Petrobras é petista”.

Fonte: Por MERVAL PEREIRA, O Globo / blog do RICARDO NOBLAT - 07/09/2014 - -

Eleições: Arruda vai para o tudo ou nada esta semana

BLOG do SOMBRA



Nesta semana, pode ficar determinada a impunidade do ex-governador José Roberto Arruda (PR), abrindo-se a chance para que ele seja o governador do Distrito Federal nos próximos oito anos.
 
No entanto, o mais provável é que ocorra o contrário. Arruda poderá ser afastado da campanha eleitoral nos próximos dias, sendo substituído pela sua coligação antes de 15 de outubro.
 
Se esta minha previsão se confirmar, e ele realmente não puder ser candidato, terá de responder a mais de 20 processos na Justiça do DF, com penalizações enormes.
 
TODOS DE OLHO NO STJ
 
A grande decisão se dará nesta terça, no Superior Tribunal de Justiça, numa situação muito complicada. Na verdade, Arruda sonha que a Primeira Turma desse tribunal considere nula a sua condenação feita pela turma de desembargadores no Tribunal de Justiça...
 
Seus advogados argumentam que, na primeira instância, Arruda foi julgado pelo juiz Álvaro Ciarlini, da Vara da Fazenda do DF, que eles alegam estar comprometido para aplicar qualquer tipo de sentença ligada à Caixa de Pandora de 2009.
 
Os advogados de Arruda foram bem sucedidos em junho deste ano, quando o ministro do STJ Napoleão Mendes beneficiou Arruda com liminar, impedindo que os desembargadores do TJDF julgassem o ex-governador em segunda instância no dia 25 de junho.
 
 
Vale lembrar que, dias depois, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, concedeu outra liminar, anulando a decisão do ministro do STJ. Nessa condição, o Tribunal do DF pôde condenar Arruda e Jaqueline Roriz pelo recebimento de dinheiro do Durval Barbosa.
 
Graças a essa condenação em segunda instância no TJDF, Arruda e Jaqueline estão impugnados na Justiça Eleitoral e provavelmente não poderão disputar a eleição em 5 de outubro, por serem ficha suja.
 
Arruda sonha, agora, que a Primeira Turma do STJ declare irregular a sua condenação em segunda instância no Tribunal do DF, tendo em vista que, na primeira instância, quem julgou foi Álvaro Ciarlini, sobre o qual eles arguem comprometimento.
 
Na verdade, os advogados de Arruda não têm nenhuma acusação desabonadora contra Ciarlini, um dos juízes mais respeitados do Brasil, que em 2009 teve a grande honraria de ser secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça.
 
Eles apenas alegam que Ciarlini tem prevenção contra Arruda. Um dos maiores fatores dessa prevenção seria a “pressa” de julgar. Nada que tenha a ver com o mérito de processo, ou com possível currículo sujo do juiz.
 
Assim, a Primeira Turma do STJ está nessa encruzilhada. Se decidir anular a condenação do Arruda, estará desautorizando o Tribunal de Justiça do DF, pois a condenação vigente não é mais a do Ciarlini, mas a da turma de três desembargadores.
 
E mais: se Arruda ganhar no STJ, quase certamente o procurador geral Rodrigo Janot recorrerá ao Supremo Tribunal, onde pode ocorrer outra liminar semelhante à de Joaquim Barbosa, contra o candidato a governador pelo PR.
 
Se Arruda ganhar no STJ, o Tribunal Superior Eleitoral não terá motivo para manter sua impugnação, pois ele deixará de ser ficha suja (momentaneamente, mas suficiente para disputar a eleição).
 
Caso Arruda seja eleito governador do DF, estará bastante protegido. O caminhão de processos que hoje atinge o ex-governador subirá para o STJ. Nesse caso, para ele ser julgado, o Superior Tribunal de Justiça terá de obter autorização nesse sentido da Câmara Legislativa do DF, com dois terços dos votos: 16. Isto é, nunca.
 
A impunidade se perpetuará, com o governador que um dia foi preso sendo provavelmente reeleito em 2018. Ficará na história como um homem que escapou da Justiça, mesmo tendo mais de 20 processos cabeludos.

Fonte: Blog do RENATO RIELLA - 07/09/2014 - - 23:36:49

Carlos Chagas DE NOVO, O DILÚVIO!



Publicado: 8 de setembro de 2014 às 0:00 - Atualizado às 8:56

Pelo menos até agora, ninguém ficou chocado com os nomes de políticos revelados   na delação premiada do ex-diretor da Petrobras,  Paulo Roberto  Costa. São  deputados, senadores, governadores e dirigentes partidários há muito   envolvidos em denúncias  que,  mesmo pouco explicadas,  levam-nos à conclusão   de sempre: são bandidos. 


 Vale  esperar pela divulgação da lista completa para saber da existência de surpresas, ou seja, de supostos arcanjos na realidade demônios.


O que emerge dessa nova temporada de corrupção explícita é a certeza de que o mensalão não morreu.  Transfigurou-se. Nos tempos do Lula, os partidos que  apoiavam seu governo  recebiam propinas engendradas por uma quadrilha formada por bancos,   publicitários e altos funcionários do palácio do Planalto. 


No governo Dilma, mudaram as fontes de irrigação do  Congresso com dinheiro podre:  agora são a Petrobras e as  empreiteiras de obras públicas, mas  os beneficiários continuam os mesmos: os partidos da base oficial. 


Certamente mais amplo, esse novo capítulo da corrupção  deslavada aprendeu com os erros anteriores. Agora são contratos superfaturados das atividades da empresa estatal com empresas privadas,  com 3% distribuídos pelos políticos,  destinados a garantir para o palácio do Planalto maioria no Congresso. 


Com passagem pela  caixa dos partidos e para o  bolso de parlamentares e servidores públicos.


Livrou-se o Lula,  alegando nada saber do mensalão. Deve livrar-se Dilma,  com o argumento de ignorar o que se passava nos desvãos da Petrobras. O diabo é que são os mesmos: PT, PMDB, PP, PR, PTB e outros enfiados até  o pescoço na lambança da garantia  de votos. Os números por enquanto variam: 49 ou 62 deputados? Dois ou quatro governadores?  Doze ou quinze senadores?  Um ou cinco ministros?


Não se incluirá as empreiteiras no rol das vítimas, coitadinhas que se não cedessem à chantagem perderiam seus contratos. Pelo contrário, lucraram como nunca ao superfaturar o preço de suas obras.  


Metade para os políticos, metade para elas?


Não escapa ninguém dessa pantomima, a começar pelo PT, que teve seu primeiro tesoureiro, Delúbio Soares, condenado e  hoje na cadeia  por envolvimento no mensalão. 


 Agora,  seu sucessor, João Vaccari Neto, ainda solto. No  episódio inicial  foi necessário o tacape do então  presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. 


Aguarda-se a borduna de Ricardo  Lewandowski, mas garantir, quem garante?

Até os presidentes da Câmara e do Senado aparecem na delação premiada do meliante  comprovadamente tendo enviado  23 milhões para contas secretas na Suiça, felizmente congeladas por  iniciativa do governo daquele país.


Fazer o quê?  Fechar a Petrobras, outrora motivo de orgulho de todos nós?  Extinguir os partidos políticos? Decretar o recesso do Congresso? Votar o impedimento de Dilma Rousseff, por omissão evidente? Chamar de volta os militares, que tanto mal causaram às instituições democráticas?

Melhor seria convocar o   Padre Eterno, com direito à presença de Jeová, Alá, Tupã,  Isis, Osíris, Júpiter, Zeus e quem mais mereça em pouco de fé, fazendo-LHES um desesperado apelo: de novo, o dilúvio…

Frente de sem-terra ocupa cinco usinas no Pontal A ação faz parte dos protestos contra a política agrária



Pontal do Paranapanema

Publicado: 7 de setembro de 2014 às 17:26 - Atualizado às 17:27

invasao do mst no df 01 by marcelo camargo:abr
A Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), coordenada pelo líder sem-terra José Rainha Júnior, anunciou a ocupação de áreas e instalações de cinco usinas de cana-de-açúcar, neste domingo, 7, no Pontal do Paranapanema.

Segundo nota do movimento, foram ocupadas usinas em processo de falência nos municípios de Marabá Paulista, Santo Anastácio, Dracena e Iepê. A ação faz parte dos protestos contra a política agrária do governo no Dia da Independência, segundo Rainha Júnior.

De acordo com o líder, as usinas ocupadas foram construídas ou ampliadas com financiamento público, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 


A Polícia Militar informou ter recebido informações sobre manifestações na usina Decasa, em Marabá Paulista, e Alvorada, em Santo Anastácio, mas ainda não tinha detalhes das ações. 


A Frente é integrada por movimentos como o MST da Base e Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast). (José Maria Tomazela/AE)

Marina cobra de Aécio e Dilma o que ela já tem: programa


Rebatendo críticas
Marina diz que Dilma e Aécio têm apenas ideias vagas, e não programas
Publicado: 7 de setembro de 2014 às 18:44 - Atualizado às 22:30

Marina Silva (PSB)
Marina Silva (PSB)


A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, criticou neste domingo, 7, o fato de Aécio Neves e Dilma Rousseff ainda não terem um programa de governo. “Antes de mais nada, temos um programa. Não existe nada mais genérico do que ter apenas um conjunto de pontos e diretrizes vagas como têm Aécio Neves e Dilma Rousseff que até agora não apresentaram programa”, afirmou ela, em coletiva de imprensa, realizada nesta tarde.


Segundo Marina, seu programa de governo, apesar das críticas que tem recebido, está sendo reconhecido não só pelas propostas de política econômica, mas dos setores de saúde e educação. Ela destacou que foram estabelecidas metas e que sua chapa está comprometida com controle da inflação, responsabilidade fiscal e a autonomia do Banco Central.


A candidata disse que sua meta mais importante é recuperar a credibilidade do Brasil. Segundo ela, de nada adiantará a grande quantidade de números a serem “recitados nos debates”, se o Brasil não tiver credibilidade para voltar a crescer, não se dispor claramente a combater a corrupção e a um novo pacto político, no qual a governança prime pela eficiência do gasto público, citando como exemplo projetos que começam com valores de R$ 6 bilhões e chegam a R$ 20 bilhões.


Ela criticou ainda o uso dos recursos dos bancos públicos, tão importantes para o desenvolvimento econômico social do País, para uma meia dúzia de escolhidos serem campeões. 

E ressaltou a meta de sua chapa, de destinar 10% de recursos para saúde, 10% para educação, escola em tempo integral, nacionalização do debate da segurança pública e realização dos projetos de infraestrutura para o desenvolvimento sustentável do País. “Mais claro do que isso não há como fazê-lo.” 

O candidato a vice, Beto Albuquerque, acrescentou ainda que ele e Marina estão “ávidos” para conhecer o programa de governo dos adversários Dilma e Aécio, que ainda não o divulgaram.


Pré-sal
Questionada sobre o fato de a palavra pré-sal ter sido utilizada apenas uma vez nas 242 páginas do seu programa de governo, Marina disse que o pré-sal é uma realidade. “Esse tema já está resolvido. Na aliança que eu e Eduardo Campos fizemos, colocamos claramente o objetivo de manter e ampliar as conquistas. Estamos comprometidos com sua exploração e o uso correto, honesto e competente dos recursos que serão gerados para a saúde e educação”, afirmou ela.

Para o PT, sem Aécio, Marina venceria no 1º turno




Eleições 2014


PT avalia que se Aécio desistir, Marina Silva vencerá no primeiro turno

Publicado: 8 de setembro de 2014 às 0:15 - Atualizado às 9:08



Marina Silva Dilma Rousseff aecio Neves copy
Marina Silva (PSB), Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)


Sempre que Aécio Neves (PSDB) critica Marina Silva, o comitê de Dilma (PT) celebra. E não é porque ajuda a “desconstruir” a candidata do PSB, mas porque torna mais distante a possibilidade de um acordo que tira o sono da cúpula do PT: Aécio desistindo da candidatura, ainda no primeiro turno, para apoiar Marina. 

Projeções do PT indicam que o impacto dessa aliança poderia levar Marina a vencer no primeiro turno.

Mesmo em dificuldades nas pesquisas, e com a tendência de perder ainda mais eleitores para o “voto útil”, Aécio Neves não cogita desistir.

Esta semana, mesmo sem que isso tenha sido anunciado ou noticiado, Aécio negou que pretenda desistir. Disse estar na briga “para ganhar”.

PT e PSDB se uniram na pancadaria contra Marina, na tentativa de estancar seu crescimento. O excesso poderá “vitimizar” a candidata.

Político experiente e avesso a baixarias, o vice-presidente Michel Temer diverge da estratégia da porrada: “Não vejo necessidade disso”. 


Leia na Coluna Cláudio Humberto.

Mercado financeiro prevê menos crescimento e mais inflação em 2014


08/09/2014 08h30 - Atualizado em 08/09/2014 09h29


Na 15ª queda seguida, previsão de alta do PIB deste ano recua para 0,48%.
Expectativa do mercado para a inflação de 2014 sobe de 6,27% para 6,29%.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília
Os economistas do mercado financeiro revisaram para baixo novamente, na semana passada, sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, ao mesmo tempo em que elevaram sua expectativa de inflação para 2014.


Segundo o relatório de mercado divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (8), que é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, a previsão dos analistas para o crescimento da economia brasileira neste ano recuou de 0,52% para 0,48%. Foi a 15ª queda seguida deste indicador.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. 


No fim do mês passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira teve retração de 0,6% no segundo trimestre deste ano e que estaria em "recessão técnica", que se caracteriza por dois trimestres seguidos de PIB negativo.

Para 2015, a previsão do mercado para a expansão do PIB permaneceu em 1,1%. Na proposta de orçamento do próximo ano, divulgada no fim de agosto, o governo manteve a projeção de alta de 3% para o PIB do ano que vem.
Inflação e juros
 
A expectativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do pais, subiu de 6,27% para 6,29% para este ano. Para 2015, a previsão ficou estável em 6,29%.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%, mas com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Na semana passada, o IBGE informou que o IPCA acelerou para 0,25% em agosto. Em julho, ela havia ficado em 0,01%, a menor taxa desde 2010. No acumulado de 12 meses até agosto, houve alta de 6,51%. O resultado é pouco acima do teto da meta da inflação, que é de 6,5%. Mas, para o Banco Central, ela só é descumprida com base no acumulado em 12 meses até dezembro de cada ano.

Para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que foi mantida estável pelo Banco Central em 11% ao ano na semana passada, a expectativa dos analistas dos bancos é de que ela permaneça neste patamar até o fechamento de 2014. Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico recuou de 11,75% para 11,63% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
 
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 recuou de R$ 2,35 para R$ 2,33 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio caiu de R$ 2,50 para R$ 2,49 por dólar.


A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 subiu de US$ 2,17 bilhões para US$ 2,41 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial avançou de US$ 8 bilhões para US$ 8,50 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte subiu de US$ 55 bilhões para US$ 56 bilhões.

Marina: PT e PSDB estão 'irmanados' para nos destruir




Marina afirmou ainda que a o País está doente da sanha pelo poder que destrói a política

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse neste domingo, 7, que o PT e o PSDB estão irmanados na determinação de destruir a sua chapa. "Tanto representamos a mudança que a sociedade brasileira está assistindo a um degradante espetáculo político inédito: PT e PSDB irmanados na determinação de nos destruir, não importam os meios", disse ela, em coletiva de imprensa, realizada hoje.
 
Marina destacou que a candidata do PT à reeleição, presidente Dilma Rousseff, mostrou falso respeito e admiração no início da campanha e faz hoje ataques caluniosos em sua propaganda na TV. "É impressionante a mobilização de exércitos de propagadores de calúnias, mentiras e distorções nas redes sociais", disse.
 
Para a candidata do PSB, os candidatos da oposição não se conformam em ver o povo brasileiro demonstrando sua vontade de sair da colonização política representada por ambos (PT e PSDB). E os partidos também não se conformam em ver sua "bem treinada" e "confortável polarização" ser quebrada pela primeira vez em décadas e, então, partem juntos para o enfrentamento da manifesta vontade social por mudanças.
 
Marina afirmou ainda que a o País está doente da sanha pelo poder que destrói a política. "Mandatos devem ser exercidos para servir à sociedade e não como profissão. Mesmo diante de momento de degradação do debate político, nossa aliança quer aprofundar a independência do Brasil", disse ela, acrescentando que a manifestação do PSB no Dia da Independência, com a caminhada no Parque da Independência, em São Paulo, mostra a opção da chapa pelo debate.

Campos virou ‘bola de ferro’ que Marina arrasta



Josias de Souza



Vivo, Eduardo Campos dizia que queria virar presidente para enviar à oposição “velhas raposas” como Renan Calheiros. 


Morto, Campos passou a coabitar com Renan uma lista de supostos beneficiários de propinas delatadas pelo ex-diretor preso da Petrobras Paulo Roberto Costa. O que deu à “nova política” de Marina Silva uma incômoda aparência de pão dormido.


Em campanha no interior da Bahia, Marina foi instada a comentar a novidade neste sábado (6). Saiu em defesa do ex-companheiro de chapa. Atribuiu a citação a uma “ilação” do delator. Disse que o fato de a Petrobras construir uma refinaria (Abreu e Lima) em Pernambuco, Estado que Campos governou, “não dá o direito a quem quer que seja de incluí-lo na lista dos que cometeram qualquer irregularidade.''


Em nota, o presidente do PSB, Roberto Amaral, ecoaria a defesa de Marina. “Não há acusação digna de honesta consideração”, escreveu. “Há, apenas, malícia.” 


Acrescentou: “Morto, Eduardo não pode se defender. Mas seu partido o fará,  em todos os níveis, políticos e judiciais, no cível e no criminal, e para esse efeito já está requerendo acesso ao conteúdo integral do depoimento do administrador da corrupção na Petrobras.”


Esta foi a segunda vez que Marina teve de socorrer a memória de Campos desde a morte dele, em 13 de agosto. 

Na primeira, falou sobre o jato que transportou o ex-presidenciável do PSB para a morte. Uma aeronave adquirida em transação milionária, feita por meio de laranjas. 


“Há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal”, disse. “Nosso interesse é que essas investigações sejam feitas com todo o rigor, para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.”


Aos pouquinhos Eduardo Campos vai se transformando numa “bola de ferro” que Marina Silva arrasta na campanha presidencial. Nos lábios dele, a mensagem do novo, que ela personifica, sempre soou artificial. Governara Pernambuco apoiado numa coligação de 14 siglas —um mato do qual não saía coelho; só saía cobra, Inocêncio Oliveira (PR), jacaré, Severino Cavalcanti (PP)…


Em setembro de 2012, quando ainda apoiava Dilma e era adulado pelo petismo, Eduardo Campos assinou um manifesto no qual o PT acusava a oposição de transformar o mensalão num “julgamento político, golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula''.


Na campanha, ao lado de Marina, Campos enrolou-se na bandeira da decência na política e passou a dizer que o PT, com a cúpula na cadeia, precisava se atualizar.


Agora, acomodada na cabeça da chapa da coligação liderada pelo PSB, Marina assiste ao pretérito de Campos passando sem ter condições políticas de tomar distância.


Mantido o discurso da “ilação” e do “vamos aguardar os esclarecimentos”, a viúva política de Eduardo Campos logo, logo será acusada de plágio por Dilma Rousseff.