domingo, 5 de julho de 2015

Vale a pena ler de novo.O início da destruição de Brasília. Invasões crescem no governo de Roriz no DF


Do Diário do Grande ABC

Desde os primeiros dias do ano, o Distrito Federal enfrenta uma onda quase incontrolável de invasões, coincidentemente no mesmo período em que o atual governador, Joaquim Roriz (PMDB), assumiu o poder. Ninguém sabe exatamente o número de pessoas envolvidas nas ocupações, nem a quantidade de áreas invadidas neste ano. No entanto, até novembro, quando foi feito um levantamento pelo governo, a estimativa era de 30 mil famílias invasoras. Hoje, esse número pode ser até maior do que a população das Ilhas Cayman, um dos paraísos fiscais do Caribe, onde vivem 33,6 mil habitantes.


O governo do Distrito Federal possui um cadastro com 52 mil pessoas que estao em busca de um lote, cuja distribuiçao foi prometida por Roriz durante a campanha eleitoral. Até agora, ele tem suportado com surpreendente calma o aumento das invasoes, chegando a ir aos locais ocupados. Sua decisao é bem diferente da atitude de Cristovam Buarque (PT), que reprimia as ocupaçoes com a Polícia Militar, o que ocasionou vários conflitos durante seu governo.


"Não se acaba com a invasão coibindo ou propondo uma política habitacional responsável", diz a secretária de Habitaçao, Ivelise Longhi. Para ela, é necessário, antes de tudo, um crescimento econômico. "Vamos trabalhar para criar empregos." As invasões, porém, não estão limitadas a lotes do governo, mas incluem áreas de preservação ambiental e até complexos turísticos, como o Taguapark, em Taguatinga, com aproximadamente 2 milhões de quilômetros quadrados.


Barracos - As cercas que mantinham a área intocável foram arrancadas e vários barracos começam a aparecer. Alguns sao feitos de alvenaria - uma tentativa de garantir a manutenção das casas. Até mesmo áreas nobres se transformaram, em pouco tempo, em condomínios luxuosos, como o Hollywood e o Porto Seguro, no Setor de Mansões do Lago Norte.



Nem todos os habitantes dessas áreas são vítimas do desemprego ou não possuem fonte de renda. Na semana passada, por exemplo, o jornal Correio Braziliense descobriu na invasão do Areal, em Taguatinga Sul - uma das cidades-satélites de Brasília - a professora aposentada Rosa Maria Silva dos Santos. Ao contrário dos vizinhos, que vão ao local a pé ou de ônibus, ela chegou em um carro Pólo e não escondeu sua condição de moradora de um apartamento no Núcleo Bandeirante - outra cidade-satélite - e sua formação superior em filosofia. Como justificativa, alegou que o terreno que estava demarcando era para a filha.



No Riacho Fundo, uma cidade-satélite que nasceu de uma grande invasão, novos loteamentos irregulares começam a aparecer. Ninguém tem dificuldade em "conseguir" um lote. Basta estar de posse do kit- invasão. Para se construir um barraco de três metros quadrados no Riacho Fundo ou nas quadras QE 38 e QE 44 do Guará, onde surgiu uma ocupação nos últimos dias, necessita apenas de 12 folhas de madeirite, 16 telhas de amianto, sarrafos, prego e as estacas, indispensáveis para "demarcar" o terreno.



E próximos às invasões, também surgem o comércio de kits, que são adquiridos por R$ 130,00. Na semana passada a secretária Ivelise Longhi previu que o problema da invasão estará resolvido em 60 dias, quando a política habitacional deverá estar definida. Ela observa que, quando o governado Roriz assumiu, no dia primeiro do ano, as invasões já estavam em andamento.


De fato, foi a partir da eleição do atual governador que o número de invasores duplicou da noite para o dia. Em dezembro, segundo a Polícia Militar, houve uma média de cinco invasões diárias.


Joaquim Roriz, em resposta às criticas de que seria o culpado por esse aumento, afirmou em artigos publicados em jornais locais que "o excesso de demanda por habitações no Distrito Federal é um problema quase insolúvel". Mas, segundo ele, o "governo não está promovendo, como apregoam os maledicentes, uma farra de lotes".



Em resposta a um artigo de Roriz, o deputado federal do PT Chico Vigilante vai ingressar na Procuradoria Geral da República com uma ação para pedir intervenção federal em Brasília. Vigilante alega que o governador está admitindo que perdeu o controle da situação. Por isso, segundo ele, é preciso intervir para repor a ordem.

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