quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Comunicação política difere totalmente da publicitária.A batalha da comunicação.


Pedro do Coutto


Torpedeado pela pesquisa do Datafolha, publicada domingo passado pela Folha de São Paulo, o governo Dilma Rousseff passou a tratar da elaboração de um plano estratégico para enfrentar o que classifica como a batalha da comunicação. 

Natuza Neri, em matéria na edição de segunda-feira 9 do jornal, focaliza o tema e as contradições que o envolvem sob o ângulo do Palácio do Planalto. No mesmo dia, Erica Fraga ilumina com nitidez um outro enfoque apontado pelo levantamento. Enquanto Dilma Rousseff perdeu 19 pontos quanto a seu desempenho, o PT descia de 22 para 12% em relação aos eleitores que, no final do ano passado, disseram preferi-lo a qualquer outra legenda. Aliás, vale acrescentar um aspecto importante: 71% da população brasileira afirmaram seu descrédito quanto ao sistema político partidário.


Mas retornando à questão da comunicação, existe uma diferença fundamental entre a comunicação política e social e a propaganda publicitária. Para fazer uma comparação matemática vemos que a primeira, que cabe aos governos, é um teorema. A segunda um axioma. Ou seja: um teorema é algo que exige comprovação prática e substantiva. O axioma, ao contrário, parte de afirmações sem a mesma exigência.


Por exemplo: um governo para se comunicar necessita apresentar provas concretas (positivas) de suas ações e intenções. A publicidade comercial não. Cada empresa afirma que seu produto é o melhor e de menor custo e fica por isso mesmo. Cria fantasias dirigidas aos consumidores, de uns tempos para cá recorrendo intensamente a imagens femininas inseridas em suas mensagens. A propaganda comercial recorre à busca da satisfação, do prazer, do bem estar. A divulgação política e social não pode se socorrer da ilusão. Ao contrário. Para ser efetiva e atingir seus propósitos têm que apresentar medidas concretas destinadas a melhorar os níveis econômicos da vida humana. Não adianta ilusão. Não funciona.


PROMESSAS VÃS
Tal distonia é bem focalizada por Natuza Nery ao destacar opiniões de integrantes do próprio governo no sentido de que as causas principais para a queda da popularidade da presidente da República situam-se no abismo que está separando as promessas da candidata na campanha de 2014 dos atos da presidente em, 2015.


Constituem expressões totalmente diferentes e divergentes. Principalmente as voltadas para a área dos direitos sociais. Como apoiar, por exemplo, a Medida Provisória que corta em 50% as pensões por morte legadas tanto pelos trabalhadores regidos pela CLT quanto os servidores públicos? Impossível.


Uma terceira reportagem publicada na edição de 9 de fevereiro, esta de Cátia Seabra, revela a preocupação que passou a sensibilizar o ex-presidente Lula que se dispõe a percorrer o país inteiro buscando remobilizar as forças aliadas a ele, ao governo e ao PT. Para implantar um denominador comum, ele vai partir do anúncio que, de fato, pretende concorrer à presidência da República novamente em 2018.


PROPOSTA SEM CONTEÚDO
Entretanto, onde está o conteúdo da proposta? Em lugar algum. Qual o caráter substantivo de que se reveste tal candidatura antecipada por quatro anos? Falta conteúdo e só o conteúdo pode viabilizar a comunicação a que se propõe no alvorecer de 2015.


Isso de um lado. De outro, essa investida na maratona das urnas só vai contribuir para enfraquecer ainda mais a posição política de sua sucessora à frente do governo. Pois se Luis Inácio da Silva parte para a dianteira, na busca do tempo perdido, é porque tacitamente Dilma Rousseff não será capaz de fazê-lo. Por tudo isso se constata que os estrategistas do PT, e do próprio governo, estão confundindo o dilema entre a comunicação política e produtos comerciais. Produtos não têm vida, nem desejos, nem emoções. Completamente diferente dos seres humanos, os eleitores e eleitoras do país.

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