sábado, 30 de maio de 2015

Jornal português caçoa da decadência econômica brasileira. Obrigado, Dilma.


A referência é ao carnaval, que jamais enfrenta crise econômica, aconteça o que acontecer (os bicheiros estão aí pra isso mesmo). Pois é, bem depois do carnaval, a economia brasileira está no brejo, em plena recessão técnica. Doze anos de lulopetismo deram nisto, com a cumplicidade de elites decadentes no Brasil inteiro. Mas vamos ao texto do jornal Observador:



Há apenas alguns anos, este cenário era praticamente impensável: a economia brasileira, até recentemente uma das mais pujantes do mundo, encolheu 0,2% no primeiro trimestre de 2015. E corre agora o risco de cair em recessão técnica no segundo trimestre deste ano. Mas o que terá virado a tendência de crescimento do avesso? As respostas escondem-se por trás dos escândalos de corrupção que abalaram a confiança dos investidores, da desvalorização acentuada do real que contribuiu para uma inflação de 7,8%, muito acima do limite de 4,5% imposto pelo Governo brasileiro, de crises políticas agudas que caminham lado-a-lado com problemas orçamentais.

De 2004 a 2010, o país com cerca de 204 milhões de habitantes registou uma taxa de crescimento na ordem dos 4,5% anuais, segundo os dados do World Bank. Deu-se na altura o chamado “boom das commodities”, durante o qual cresceram as exportações de matérias-primas, sobretudo ferro, petróleo e açúcar. A China, que nesse período também cresceu a um ritmo acelerado, foi o principal destino das exportações brasileiras.

As previsões do FMI apontam, contudo, para uma ligeira recuperação em 2016 com um crescimento de 1%.

O que levou a economia do Brasil a cair?

Marcel Grillo Balassiano, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, afirmou ao Observador que “o Brasil vive um momento muito complicado para a sua economia”. “O crescimento brasileiro nos últimos anos foi influenciado pelo cenário externo, nomeadamente o crescimento da China e o ‘boom das commodities’, e sustentado principalmente pelo consumo, calcado sobre a expansão do crédito“, explicou. Cerca de 50% do produto interno bruto (PIB) brasileiro é constituído por consumo privado, segundoescreve a The Economist.

O economista afirma que existe “um conjunto de fatores”, que caracterizaram uma “nova matriz económica” no Brasil, e que terá levado o país “a enfrentar esta recessão”. São três os principais grupos de fatores destacados por Marcel Grillo Balassiano, que visam explicar a queda da economia brasileira.

“Um dos motivos para o crescimento ser baixo é o investimento fraco“, explica Marcel Grillo Balassiano. “A taxa de investimento em 2014 no Brasil foi de 19,7% do PIB”, sendo que “alguns países vizinhos, que têm apresentado uma situação económica melhor do que o Brasil, também tiveram taxas de investimento superiores, como Chile (21,5%), Colômbia (24,5%) e Peru (28,2%), por exemplo”. Se, no Brasil, o investimento apresentou uma tendência positiva até 2013, em 2015 tem tido uma queda acentuada. A “confiança, tanto de empresários como de consumidores, encontra-se em baixo”, refere o economista do Instituto Brasileiro de Economia.

Para além da confiança, um outro fator que explica a queda do investimento no Brasil é o escândalo de corrupção que envolve a empresa petrolífera Petrobras. A paralisação dos gastos de investimento da empresa semi-pública, que é a maior investidora do país, pode custar até 1% do PIB brasileiro, segundo a The Economist. O rating da dívida empresa foi cortado a 24 de fevereiro pela agência Moody’s para o nível de “lixo” (“junk“).

O chamado “‘Custo Brasil’, que é um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e económicas” é um outro fator que compromete o investimento, explica o economista da Fundação Getúlio Vargas ao Observador. “Problemas como a alta carga tributária, dificuldades para se abrir um negócio, custos elevados de trabalho, burocracia excessiva, entre outros, dificultam o investimento e prejudicam a economia”, afirma.

“É necessário aumentar o investimento”, afirmou Marcel Grillo Balassiano. “Para isso, é preciso combater, para além dos problemas conjunturais (como a falta de confiança dos empresários, aumento das taxas de juros, que enfraquecem os investimentos), os problemas estruturais como o ‘Custo Brasil’. Corrigir as ‘contabilidades criativas’ que eram feitas no passado também é importante para dar uma credibilidade maior à política orçamental, que impacta positivamente o crescimento”.

Mas como se aumenta o investimento? Para o economista, “melhorar o ambiente de negócios e a relação com os investidores faz com que as taxas de investimento aumentem”. Isto irá posteriormente fazer “aumentar o PIB”.

Segundo sugerem os analistas do banco de investimento Morgan Stanley no relatório Spring Global Macro Outlook de abril deste ano, a economia no Brasil deverá recuperar em 2016 devido ao aumento da confiança, que impulsionará o investimento: “Acreditamos que a combinação de taxas de juro de longo prazo mais baixas, uma moeda mais fraca em termos reais e um fraco crescimento dos salários deva aumentar a confiança e consequentemente, o investimento.”

Inflação acima do limite de 4,5% imposto

Em 2015, o Brasil registou uma inflação de 7,8%, de acordo com os dados do FMI. Este é um valor considerado preocupante já que ultrapassa a meta limite de 4,5% definida pelo Governo brasileiro. A inflação, que se reflete num aumento generalizado dos preços, tem sido causada pela erosão do valor da moeda brasileira, o real. Este fenómeno, poderá contribuir para a erosão do poder de compra dos trabalhadores brasileiros já que os salários não estão a acompanhar a subida dos preços.

De acordo com os dados divulgados na sexta-feira passada, 22 de maio, pelo ministro do Planeamento, Orçamento e Gestão do Brasil, Nelson Barbosa, este ano o real deverá desvalorizar cerca de 21% face ao dólar. No final de 2014, um dólar valia cerca de 2,66 reais. No final de 2015, espera-se que o valor aumente para 3,22 reais, afirmou o ministro segundo o Financial Times. (Continua).

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