quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Para Marina, é 'lamentável' Brasil não ter assinado acordo das florestas


23/09/2014 17h19 - Atualizado em 23/09/2014 18h32


Candidata do PSB criticou decisão de Dilma de boicotar proposta da ONU.
Governo brasileiro optou por não endossar iniciativa antidesmatamento.

Géssica Valentini Do G1 SC
Marina Silva e seu vice, Beto Albuquerque, concederam entrevista coletiva em Florianópolis (Foto: Géssica Valentini / G1)Marina Silva e seu vice, Beto Albuquerque, concederam entrevista coletiva em Florianópolis 
 
 
Ex-ministra do Meio Ambiente, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, classificou nesta terça-feira (23) de "lamentável" a decisão do governo brasileiro de não assinar uma iniciativa global antidesmatamento anunciada na Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas, em Nova York (EUA).

A presidenciável do PSB afirmou que o discurso da adversária do PT, Dilma Rousseff, na conferência da ONU ficou limitada às conquistas do passado, em vez de assumir compromissos para o futuro.


Nesta terça, Dilma discursou para uma plateia de autoridades estrangeiras na cúpula do clima. Em seu pronunciamento, a petista disse que a determinação do Brasil em enfrentar as alterações no clima não se limita à conservação da Amazônia. O governo brasileiro, entretanto, optou por não endossar o acordo de proteção às florestas proposto pelas Nações Unidas.

"Infelizmente, a presidente Dilma está participando em Nova York da Cúpula do Clima, a convite do secretário-geral das Nações Unidas, que a chamou para debater o grave problema das mudanças climáticas. Ela fez uma fala se reportando tão somente às conquistas do passado, não assumindo nenhum compromisso para o futuro", criticou Marina durante entrevista coletiva em Florianópolis.


"[Dilma] Não assinou o acordo sobre a proteção das florestas dos países que têm mais florestas. Ela não assinou, o que é lamentável. Nós podemos juntar economia e ecologia", complementou a ex-senadora, ao lado de seu vice, Beto Albuquerque, e do candidato do PSB ao Senado por Santa Catarina, Paulo Bornhausen.

Procurado pelo G1, o Palácio do Planalto não quis comentar as declarações da candidata do PSB. Já a assessoria da campanha de Dilma informou que não costuma comentar declarações de outros candidatos.

De acordo com a atual ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o Brasil “não foi convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração que propôs uma meta para zerar o desmatamento no planeta. Em vez disso, destacou Izabella, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração.


“Infelizmente, não fomos consultados. Mas eu acho que é impossível pensar que pode ter uma iniciativa global para florestas sem o Brasil dentro. Não faz sentido”, disse a titular do Meio Ambiente, em entrevista concedida à Associated Press nesta segunda-feira (22).

Para Marina Silva, a decisão do governo federal "compromete" as florestas, a biodiversidade, as populações locais e, principalmente, a agricultura brasileira. Ela ponderou, por exemplo, que as chuvas nas regiões Sul e Sudeste são produzidas pelas condições climáticas na Amazônia.
"Quando o governo, por políticas erráticas, retrocede em relação a processos que vêm sendo encaminhados para que se tenha uma agenda de desmatamento zero, isso é um grande retrocesso. Não somente  em relação ao acordo de florestas, mas também o protocolo de Nagoya, que o governo brasileiro não ratificou. Foi retrocesso sobre retrocesso”, enfatizou.

Fator previdenciário
Marina Silva desembarcou em Florianópolis por volta das 14h30, após cumprir agenda eleitoral pela manhã em Curitiba. Na capital catarinense, ela conheceu a estrutura local da "Casa de Marina e Beto", uma rede residencial que reedita a estratégia que foi utilizada pela ex-ministra na eleição de 2010 para capilarizar pelo país seus comitês eleitorais.

Políticos e militantes locais do PSB aguardavam Marina no comitê residencial. Após uma rápida reunião com políticos catarinenses, a candidata concedeu a entrevista coletiva.

Aos jornalistas, ela prometeu, se eleita, encontrar uma fórmula alternativa para substituir o fator previdenciário, mecanismo criado no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) para inibir as aposentadorias precoces. Ela, contudo, enfatizou que pretende promover a mudança no sistema previdenciário "em um ambiente em que não haja contaminação por disputas eleitorais".

"Nós sabemos que os aposentados estão sendo penalizados em função da perda de seu poder aquisitivo. Desde o início, quando Eduardo Campos estava vivo, propusemos fazer uma revisão para encontrar a melhor fórmula para corrigir as distorções que acontecem", disse Marina.

Nesta terça, o presidenciável do PSDB, Aécio Neves, também afirmou que, se vencer a eleição de outubro, pretende buscar alternativa ao fator previdenciário.

Ao final da coletiva, Marina se dirigiu a um centro de convenções no centro da cidade para participar de um comício. Cerca de 1 mil pessoas acompanharam o evento eleitoral. Depois de discursar, a candidata circulou pelo pavilhão para cumprimentar tirar fotos ao lado de seus eleitores. Por volta das 17h, ela deixou Florianópolis em direção a Porto Alegre, onde participa de outro comício à noite.

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