quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Marina: ação de Dilma para o meio ambiente é retrocesso

Eleições 2014 VEJA


Candidata decidiu intensificar agenda na Região Sul do país e visita três Estados nesta terça-feira – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Talita Fernandes, de Florianópolis, com fotos de Ivan Pacheco

Candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, participa de evento de campanha em Florianópolis (SC) - 23/09/2014
Candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, participa de evento de campanha em Florianópolis (SC) - 23/09/2014 - Ivan Pacheco/VEJA.com


Depois de cancelar sua ida à Cúpula do Clima, em Nova York, a candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, criticou nesta terça-feira o discurso de sua adversária, a presidente-candidata Dilma Rousseff durante o evento.


"A presidente Dilma fez uma fala se reportando somente ao passado. Não sinalizou nenhum compromisso para o futuro e ainda não assinou o acordo sobre proteção das florestas. Dos países relevantes que têm florestas, o Brasil é um dos maiores e foi um dos únicos que não assinou a carta, o que é lamentável. O Brasil não precisa dar uma sinalização trocada como essa. Nós podemos juntar economia com ecologia", criticou, durante entrevista coletiva em Florianópolis (SC), na tarde desta terça-feira.


Marina disse ainda que a falta de atitude nas questões ambientais não prejudica apenas a floresta e a biodiversidade, "mas também o futuro da agricultura brasileira, porque as chuvas do Sul e do Sudeste são produzidas pela Amazônia". Ela classificou as ações do governo brasileiro em relação ao meio ambiente como "retrocessos".


"Quando o governo, com políticas erráticas, retrocede em relação a processos que vêm sendo encaminhados a muito tempo para que se tenha uma agenda de desmatamento zero, isso é um grande retrocesso. Não só em relação ao compromisso com as florestas, mas também ao Protocolo de Nagoya, que o governo brasileiro não ratificou."


A presidente Dilma Rousseff decidiu fazer uma breve pausa em sua campanha e discursou nesta terça na Cúpula do Clima, apresentando um balanço das ações do seu governo para reduzir o aquecimento global. Embora não seja chefe de Estado, Marina foi convidada para participar da Cúpula do Clima por ser representante da América Latina desde 2011 no Millennium Development Goals (MDG) Advocacy Group, organismo que atua na mobilização global para que os Objetivos do Milênio sejam realizados até 2015. A candidata cogitou ir a Nova York, mas desistiu na última semana depois de sua equipe avaliar que uma pausa na campanha poderia agravar o cenário de queda nas pesquisas eleitorais.

No segundo turno – Embora tenha se mantido sempre reticente a cada questionamento de como serão as alianças no segundo turno, e de repetir com frequência que "segundo turno se discute no segundo turno", a candidata do PSB falou com convicção em seu discurso em Florianópolis sobre disputar a rodada final com Dilma. "A vitória nessa campanha virá de uma nova postura. Esta postura já está dando resultado, estamos no segundo turno, e no segundo turno o tempo é igual, dez minutos a dez. Nós vamos poder falar da nossa proposta."

A candidata tem deixado no ar como fará alianças num eventual segundo turno. Ela tem repetido a cada questionamento que respeitará os governadores eleitos e que é importante que no primeiro turno cada partido defenda sua candidatura. Embora não afirme que fará alianças na segunda etapa do processo eleitoral, Marina também não tem negado essa possibilidade.

Bornhausen – Em agenda de campanha em Florianópolis, capital catarinense, Marina foi questionada sobre sua aliança com a família Bornhausen, ligada à direita. Na chapa estadual, o deputado Paulo Bornhausen disputa o Senado pelo PSB e participou nesta terça de dois eventos ao lado da ex-senadora. "Desde 2010, eu digo que há pessoas boas em todos os partidos e em todos os lugares. Essa é a nova política. Quem está fazendo a nova política é a sociedade brasileira, que não fica mais comprando a ideia de que pessoas boas só existem dentro do partido que se intitula o melhor. Eu repeti desde o início quando me fizeram esse questionamento", disse.

Marina enfrentou protestos de um grupo de jovens da União Jovem Socialista após a inauguração de um comitê na região central da cidade. "O Paulo é herdeiro de um nome, de um pai que tem um posicionamento político e uma ideologia. Se perguntarem aos ambientalistas, das pessoas que viram o seu trabalho como secretário de Meio Ambiente, testemunham que ele tem um posicionamento compatível com a agenda que eu acabei de mencionar com as questões de floresta, de proteção ambiental. (...) Eu não vou dizer que uma pessoa, por ter um laço de parentesco, deva ser punida ideologicamente por esse lado de parentesco."

Diante do crescimento do candidato tucano Aécio Neves nas intenções de voto na Região Sul, Marina decidiu intensificar sua agenda nos três Estados. Nesta terça, ela esteve em Curitiba (PR) pela manhã e cumpre agenda em Porto Alegre à noite.

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