Filamentos de fungos chamados micélios formam uma rede conhecida como micorriza
Uma
via superrápida para tráfego de dados, que coloca em contato uma grande
população de indivíduos diversos e dispersos. Essa via facilita a
comunicação e colaboração entre os indivíduos, mas também abre caminho
para que crimes sejam cometidos.
Parece uma descrição da internet,
mas estamos falando de fungos. Os fungos – sejam eles cogumelos ou não –
são formados de um emaranhado de pequenos filamentos conhecidos como
micélio. O solo está cheio desta rede de micélios, que ajuda a
"conectar" diferentes plantas no mesmo solo.
Muitos cientistas
estudam a forma como as plantas usam essa rede de micélios para trocar
nutrientes e até mesmo para "se comunicar". Em alguns casos, as plantas
formam até mesmo uma união para "sabotar" outras espécies invasoras de
plantas, liberando toxinas na rede.
Cerca de 90% das plantas
terrestres têm uma relação simbiótica com fungos, que é batizada de
micorriza. Com a simbiose, as plantas recebem carboidratos, fósforo e
nitrogênio dos fungos, que também as ajudam a extrair água do solo. Esse
processo é importante no desenvolvimento das plantas.
'Internet natural'
Filme de ficção 'Avatar' tinha uma ideia parecida com a 'internet natural' que existe na Terra
Para o especialista em fungos
Paul Stamets, essa rede é uma "internet natural" do planeta Terra. Sua
tese é que ela coloca em contato plantas que estão muito distantes de si
e não apenas as que estão próximas. Ele traça um paralelo com o filme Avatar,
de 2009, em que vários organismos em uma lua conseguem se comunicar e
dividir recursos graças a uma espécie de ligação eletroquímica entre as
raízes das árvores.
Só em 1997 é que foi possível comprovar
concretamente algumas dessas comunicaçõeos via "internet natural".
Suzanne Simard, da Universidade de British Columbia, no Canadá, mostrou
que havia uma transferência de carbono por micélio entre o abeto de
Douglas (uma árvore conífera) e uma bétula. Desde então, também ficou
provado que algumas plantas trocam fósforo e nitrogênio da mesma forma.
Simard
acredita que árvores de grande porte usam o micélio para alimentar
outras em nascimento. Sem essa ajuda, a cientista argumenta, muitas das
novas árvores não conseguiriam sobreviver.
Simard conta que as
plantas parecem trabalhar no sentido contrário ao observado por Charles
Darwin, de competição por recursos entre espécies. Em muitos casos,
espécies diferentes de plantas estão usando a rede para trocar
nutrientes e se ajudarem na sobrevivência.
Os cientistas estão
convencidos de que as trocas de nutrientes realmente acontece pelo fungo
no solo, mas eles ainda não entendem exatamente como isso ocorre.
'Conluio'
Uma
pesquisa recente foi além. Em 2010, Ren Sem Zeng, da faculdade de
agronomia da Universidade de Guangzhou, na China, conseguiu observar que
algumas plantas "se comunicam entre si" para formar uma espécie de
sabotagem a espécies invasoras.
A experiência foi feita com
tomates plantados em vários vasos e ligados entre si por micorriza. Um
dos tomates foi borrifado com o fungo Alternaria solani, que provoca doenças na planta.
Depois de 65 horas, os cientistas borrifaram outro vaso e descobriram que a resistência deste tomate era muito superior.
"Acreditamos
que os tomates conseguem 'espiar' o que está acontecendo em outros
lugares e aumentar sua resposta à doença contra uma potencial
patogenia", escreveu Zeng no artigo científico.
Ou seja, as
plantas não só usam a "internet natural" para compartilhar nutrientes,
mas também para formar um "conluio" contra doenças.
Esse tipo de
comportamento não foi observado apenas em tomates. Em 2013, o
pesquisador David Johnson, da Universidade de Aberdeen, na Escócia,
também detectou isso em favas, que se protegem contra insetos mínusculos
conhecidos com afídios.
Lado negro
Experiência mostrou que tomates se 'comunicam' pela micorriza sobre doenças
Mas assim como a internet
humana, a internet natural também possui seu lado negro. A nossa
internet reduz a privacidade e facilita crimes e a disseminação de
vírus.
O mesmo acontece com as plantas na micorriza, segundo os
cientistas. Algumas plantas não possuem clorofila e não conseguem
produzir sua própria energia por fotossíntese.
Algumas plantas, como a orquídea Cephalanthera austiniae,
"roubam" o carbono que necessitam de árvores das proximidades, usando a
rede de micélio. Outras orquídeas que são capazes de fotossíntese
roubam carbono, mesmo sem necessitar.
Esse tipo de comportamento
faz com que algumas árvores soltem toxinas na rede para combater plantas
que roubam recursos. Isso é comum em acácias. No entanto, cientistas
duvidam da eficácia desta técnica, já que muitas toxinas acabam sendo
absorvidas pelo solo ou por micróbios antes de atingir o alvo desejado.
Para
vários cientistas, a internet dos fungos é um exemplo de uma grande
lição do mundo natural: organismos aparentemente isolados podem estar,
na verdade, conectados de alguma forma, e até depender uns do outros. Leia
a versão original em inglês desta reportagem no site
BBC Earth.
Giovanna Ricci, 18, estudou a vida toda em colégio particular. No ano
passado, sua mãe perdeu o emprego. A mensalidade de R$ 680 mais os
gastos com reforço escolar, uniforme e livros didáticos começaram a
pesar no orçamento da família.
A estudante sugeriu mudar para uma escola pública, mas a mãe resistia à
ideia. Giovanna, então, esperou fazer 18 anos e se matriculou por conta
própria na escola estadual Romeu de Moraes, na região da Lapa (zona
oeste de SP).
O número de alunos que, como ela, deixam a rede privada e vão para a
estadual cresceu 25% desde 2011, segundo a Secretaria da Educação de São
Paulo. Neste ano, 190 mil estudantes fizeram esse movimento, dos quais
118 mil na capital e Grande São Paulo. Em 2011, eram 151 mil.
Além de razões econômicas, há quem mude para a rede estadual para entrar
em programas como o ProUni, que oferece bolsas em universidades
privadas para alunos de baixa renda. Para ser selecionado, é preciso ou
ter estudado em escola pública ou em privada com bolsa integral.
Luciano Amarante/Folhapress
Victor Marques e Giovnana Ricci, que mudaram para escola pública
É o motivo apontado por Victtoria Bernardo, 17. "A maioria [migra] por
causa da cota", diz. Quando mudou para a escola estadual, ela achou o
ensino mais fraco.
Pretende fazer um curso para complementar os estudos,
mas se diz satisfeita.
Estudantes que conversaram com a reportagem elogiaram o empenho dos
professores na rede estadual, embora critiquem a frequência com que
faltam às aulas.
A infraestrutura deficitária, às vezes, prejudica atividades letivas. Na
escola Romeu de Moraes, alunas gastam tempo de aula para varrer a sala
quando faltam faxineiras.
A unidade diz que orienta os estudantes a manterem o local limpo, mas não os obriga a fazer faxina.
Priscila Halcsik, diretora, relata que alguns alunos chegam da rede
privada "como se mandassem" na escola. "Coisa de adolescente", diz.
"Depois vão se adaptando."
Victor Hugo Marques, 18, disse que sofreu gozação dos colegas da escola
privada quando contou que mudaria para uma pública. "Disseram que eu era
'moiado' [gíria para dizer que algo é ruim]."
Seu desempenho melhorou, diz, e o interesse pelos estudos cresceu. "Os
laboratórios eram bem mais modernos [na particular], mas nunca pusemos
os pés lá dentro."
No Ideb, índice federal de qualidade da educação, a rede privada de São
Paulo teve nota 5,6 para o último ano do ensino médio em 2013 (escala de
0 a 10). A média da estadual é de 3,7. Nem uma rede nem outra cumpriu a
meta.
Fósseis estão sendo preparados para fazer parte de acervo em Marília.
Museu de paleontologia completa 10 anos com várias novidades.
Do G1 Bauru e Marília
Museu de paleontologia completa 10 anos com novidades (Foto: Reprodução/TV TEM)
Fragmentos de um dinossauro encontrados no distrito de Avencas estão
sendo preparados para fazer parte do acervo do museu de paleontologia de
Marília
(SP), que acaba de completar 10 anos de existência.
Sete pedaços de
titanossauro foram localizados depois que um trator passou por cima do
terreno.
O sitio arqueológico fica na serra do distrito de Avencas e, segundo
especialistas, é mais uma grande descoberta para a ciência.
No entanto,
se com a ajuda da máquina os fósseis ficaram visíveis, por outro lado, o
peso do trator danificou o esqueleto e agora não é possível identificar
a quais partes do corpo do animal os fragmentos pertencem.
Breno de 2 anos é apaixonado pelos dinossauros
Esse é o sexto local, só em Marília, onde fósseis de dinossauros que
viveram há 70 milhões de anos são encontrados. Só que, a partir de
agora, eles não devem ser retirados mais das rochas.
Um projeto vai transformar o campo onde os fósseis são encontrados em
sala de aula e um trabalho educativo com crianças de escolas de toda a
região será realizado. Elas vão aprender, na prática, como um dinossauro
é descoberto e como identificá-los nas rochas. A iniciativa pretende
despertar o interesse delas pela ciência.
E o que parece não ser uma tarefa muito difícil. Os fósseis de
dinossauros já chamaram a atenção do pequeno Breno, de apenas 2 anos. A
mãe de Breno, Daniela Galego, conta que no lugar de parques e desenhos
animados, o menino se diverte mesmo no museu de paleontologia. "Ele é
apaixonado por dinossauros, não sei dizer porque, mas sempre que eu
venho para centro da cidade passo no museu com ele", conta.
Especialistas encontraram possíveis fragmentos de titanossauro
10 anos de história
O museu completa dez anos e surgiu a partir da necessidade de ter um
lugar para guardar os fósseis, que a princípio ficavam na casa do
paleontólogo Willian Nava. Mas, Marília é uma região privilegiada e com o
tempo ele já tinha mais de mil fósseis. “Nós temos na região um tipo de
rocha datado da era cretácea, que são rochas com cerca de 65 até 70
milhões de anos. Por isso é possível encontrar vestígios de animais da
época dos dinossauros”, explica o especialista e coordenador do museu.
Museu tem mais de 1 mil fosseis em Marília
Os fósseis ocupam
atualmente três cômodos de um prédio no centro de Marília e recebe por
mês uma média de 800 visitantes. São oito espécies expostas, algumas
conhecidas, como o crocodilo que recebeu o nome da cidade: Marília Sucus
só encontrado na cidade.
Além disso, é possível ver o esqueleto do
titanossauro mais completo do Brasil retirado de uma estrada rural entre
Marília e Júlio Mesquita, descoberta inspirou inclusive a novela Morde e
Assopra que foi ao ar em 2011 pela Rede Globo.
Uma das atrações do museu é a oportunidade que o visitante tem de tocar
num fóssil de dinossauro. A pata dianteira de um titanossauro pesa mais
de 30 quilos e o fóssil está conservado com um pouco de rocha, mas
mesmo assim ainda é possível ver até o tecido esponjoso do animal.
Serviço
O museu de paleontologia de Marília pode ser visitado de segunda a
sexta-feira das 11h30 às 17h30 na Avenida Sampaio Vidal, 245, no centro
da cidade. A entrada é de graça e outras informações podem ser
conferidas também pelo telefone (14) 3413-6238.
Assista ao curta sobre como
algumas comunidades na cidade dos EUA se organizam para enfrentar os
desafios da gentrificação e da indústria de alimentos, com a criação de
hortas comunitárias
29/11/2014
Carolina Caffé
Em um mundo em que o número de pessoas cresce
exponencialmente, junto aos danos ambientais e à saúde, procurar novos
paradigmas de produção e consumo, alternativos ao modelo de
desenvolvimento urbano atual, deixou de ser uma escolha. É preciso
atuar com urgência, estratégia e criatividade – dentro e fora do
sistema.
No coração da rica ilha de Manhattan, brotaram hortas
comunitárias que fizeram pessoasparar suas corridas diárias e se
perguntar: “Eu ainda sei o que é comer de verdade?”. Esses espaços
verdes se multiplicaram na cidade, e hoje representam não apenas um
símbolo de resistência à privatização do alimento, mas também à
mercantilização do espaço, das relações humanas e da vida.
Assista ao curta produzido por Carolina Caffé para a Revista do Brasil
No início dos anos 1970, em Nova York, a artista Liz Christy
juntou-se a Donald Loggins e outros vizinhos. E resolveram fazer algo em
relação ao quadro de abandono no qual a cidade vivia. Misturaram
sementes e fertilizantes dentro de bexigas e camisinhas e jogaram por
cima das cercas de terrenos baldios. Plantaram girassóis nos cruzamentos
mais movimentados do bairro, frutas e legumes no parapeito de prédios
abandonados.
Em pouco tempo, chamaram a atenção para um terreno na
esquina das ruas Bowery e Houston: onde antes se via um terreno baldio
cheio de entulhos, surgiu um enorme jardim comunitário.
E assim, em 1973, nasceu o Liz ChristyCommunity Garden, primeira horta comunitária de Nova York, e os Green Guerrillas (guerrilheiros
verdes). Não tardou para o movimento ganhar novos ativistas e
simpatizantes, entusiasmados com o poder de transformação urbana das
hortas comunitárias.
O projeto foi reconhecido como ferramenta para
recuperar terras da metrópole e fortalecer laços de vizinhança, além de
fornecer uma alimentação justa e saudável.
RBA
A pioneira Liz Christy faz poda no jardim que leva seu nome, em 1973
“Aos poucos as pessoas começaram a pedir instruções de como
fazer as granadas verdes e replicar a mesma experiência nos seus
bairros, no Brooklyn, no Bronx, no Harlem”, conta Donald Loggins,
cofundador da comunidade.
“As pessoas sentem a necessidade de fazer algo assim pelas suas vidas
e pela cidade, só precisam de algo que desperte nelas esse movimento.”
O jardim Liz Christy Community Garden tem um lago de 2,5 metros de
profundidade, onde convivem peixes e tartarugas. Bancos de madeira e um
caramanchão coberto de uvas oferecem abrigo para o saborear dos figos,
peras e maçãs colhidos direto das árvores.
Dali se pode contemplar o
bosque de bétulas chorando, e uma enorme metasequoia chinesa, além das
flores silvestres. Na casa de ferramentas pode-se encontrar um glossário
com informações dos tipos de pássaros que visitam o jardim. E na horta,
legumes e ervas de tipos variados para levar para casa ou cozinhar ali
mesmo, com a vizinhança nos finais de semana.
Terra e alimento
RBA
Crianças de escola local
trabalham no El Jardin del Pueblo, no Brooklyn. Contato com terra e
produção de alimentos, perspectiva de vida melhor
Nova York conta hoje com mais de 600 jardins comunitários. Na
maioria, eram terrenos abandonados que foram apropriados e trabalhados
de forma voluntária e colaborativa pelos moradores dos seus bairros.
O movimento cresceu e hoje a cidade conta com programas, centros e
fundos públicos dedicados à proteção e manutenção dos jardins. Judith Z.
Miller é uma das mais fervorosas defensoras do Warren Street/St.
MarksCommunity Garden, no Brooklyn.
O local tem 26 anos e, com o comprimento de um quarteirão inteiro,
funciona como um verdadeiro oásis no meio do cenário urbano. Na horta é
proibido o uso de pesticidas não-orgânicos, herbicidas ou fertilizantes.
“Uma vez por mês todos vêm e trabalhamos juntos, no chamado work day.
É ótimo, você acaba conhecendo seus vizinhos, sujando as mãos de terra,
fazendo algo produtivo. Cada vez que a gente vem fica melhor e mais
bonito”, conta Judith, que também usa o jardim para ler e meditar.
“Nós, que vivemos em centros urbanos, estamos muito desconectados da
terra. Crianças acham que comidas vêm das latas, caixas e sacolas
plásticas. Há crianças que moram a três quarteirões daqui e nunca
entraram nesse jardim, nunca viram uma cenoura sendo puxada da terra”,
diz a ativista. Judith diz acreditar que se elas não têm a experiência
prática de, com as próprias mãos, tocar o alimento, nunca irão respeitar
a comida e entender a importância de proteger o meio ambiente, além das
demais questões, como a mudança genética do alimento, os pesticidas e
venenos na comida, na água e no ar. “As crianças que tiverem essa
experiência desenvolverão uma relação muito melhor com a alimentação.”
O professor Nicholas Freudenberg, especialista em saúde pública da
Universidade da Cidade de Nova York, afirma que a maioria das doenças
crônicas está diretamente relacionada ao hábito alimentar. Essas doenças
estão crescendo rapidamente e hoje representam mais de 50% das causas
de mortes em todo o mundo. São elas as cardiopatias, diabetes, câncer e
hipertensão, todas relacionadas à ingestão de alimentos processados por
uma indústria que lucra com produtos que possuem grande quantidade de
açúcar, sal e gordura, além das substâncias químicas para realçar sabor e
fazê-los durar mais tempo.
Melhores alimentos
“Devemos pressionar o setor público responsável, pois apenas o
governo tem a autoridade e os recursos para colocar a pressão necessária
sobre a indústria de alimentos e dizer: ‘Não, você não pode lucrar
fazendo nossos filhos doentes, você não pode promover entre os pobres
produtos que fazem mal à saúde lucrando sobre o fato de eles não terem
acesso aos melhores alimentos’”, afirma o especialista.
Freudenberg aponta também a criação e o fortalecimento de um sistema
alternativo de produção de alimentos como o segundo caminho estratégico.
Os mercados de pequenos agricultores locais, os green cards,
bancos de moedas sociais, as cooperativas de alimentos e as hortas
comunitárias são todas peças desse sistema alternativo que acaba também
por pressionar as forças do mercado, além de dar às pessoas comuns, e
consumidores de baixa renda, uma forma mais direta de garantir uma
comida saudável na mesa.
RBA
Work day no Warren Street/St. Marks Community Garden: trabalho para o lugar onde se vive
Para a pesquisadora Ann Gaba, especialista em saúde pública da
Hunter College, as hortas comunitárias oferecem uma alternativa positiva
não apenas do ponto de vista nutricional, mas também social. É lugar
onde o tempo desacelera, as relações humanas e coletivas acontecem sem a
mediação dos aparelhos eletrônicos, e tudo isso acaba trazendo tantos
benefícios quanto colher um alimento mais saudável.
“A transformação do problemático sistema alimentar atual deve começar
pelo questionamento do próprio consumidor sobre os seus hábitos. As
pessoas não prestam a atenção na qualidade do seu dia a dia”, observa
Ann. “Muitas compram algo pronto pra comer e saem correndo, ou comem na
frente da televisão ou do computador, e estão tão distraídas que nem
prestam atenção no que estão comendo, nem ao menos se tem um gosto bom
ou não.”
Tempo & dinheiro não é a única equação responsável pelo mau
hábito alimentar, mas também a falta de informação, dos conhecimentos
necessários para a conquista de um melhor estilo de vida. Para a
especialista, muitas pessoas não desenvolvem sequer o desejo por uma
comida fresca, pois experimentaram muito pouco, e aquilo já não faz
parte do seu mundo. Passam pelas hortas comunitárias e não sabem o que
fazer com aquilo, não possuem mais este conhecimento. “Aqui é também um
lugar onde as pessoas podem se reunir para discutir o que mais está
acontecendo no bairro, para além do jardim”, conta Donald Loggins,
orgulhoso das conquistas e da diversidade do Liz Christy Community
Garden.
“Já chegamos a passar noites inteiras no jardim debatendo questões do
bairro. Se você faz isso nas ruas a polícia logo aparece pra te tirar
dali. Outra coisa incrível é que o jardim reúne pessoas de diferentes
lugares e formas de pensar. Vêm pessoas de bairros distantes. Temos
jardineiros do Tibete cultivando vegetais tibetanos, outros de Beijing
com suas receitas próprias, e também turistas, que vêm pesquisar para
reproduzirem nas suas cidades.”
Donald lembra que quando começaram o Green Guerrilla, a cidade
achou que eram revolucionários.
“Acharam que estávamos tirando as
terras da propriedade do Estado. Mas acho que chegou uma hora em que
entenderam que fazíamos o trabalho melhor do que eles. Manhattan, por
exemplo, conta no total com 30 jardineiros para todas as áreas verdes da
ilha, incluindo Central Park. Só aqui no Liz Christy Community Garden
temos 24 jardineiros voluntários, entre eles arquitetos, escritores,
babás, cineastas e jornalistas. É realmente um mix de diferentes pessoas
e diferentes formas de colaborar com o espaço.”
Novos tempos
Os lotes abandonados da década de 1970, em uma cidade que ainda
sofria pelos tempos das guerras mundiais e da Grande Depressão, passaram
a ser os espaços mais disputados do mundo hoje. Os verdes oásis
contribuem para a valorização do local, isso quando não são alvo dos
interesses comerciais e imobiliários que pressionam o governo para
retomar os espaços e erguer no lugar empreendimentos lucrativos.
Muitas das hortas comunitárias, que começaram por um movimento de
ocupação civil, ainda lutam para conquistar um status diferente de
“invasores”. Algumas ganham, outras perdem essa batalha. “Esse é o
grande problema, as pessoas querem construir aqui. Esse pedaço de terra
vale hoje milhões de dólares”, afirma Judith Z. Miller. “Lugares como
esse não são populares entre os desenvolvimentistas, mas são essenciais
para a comunidade.”
“Estamos perdendo alguns jardins comunitários, infelizmente”, afirma
Donald, “e também deixei de ver novos jardins comunitários surgindo em
Manhattan, e não acho que vai acontecer. Segundo ele, os guerrilheiros
verdes vivem atualmente o desafio de conseguir o envolvimento e apoio do
público, fazer a vizinhança se importar com a causa. “Fazemos
churrascos e eventos de todo tipo aqui, e todos podem entrar. Chegamos a
fazer uma campanha de postais, entregamos a todos que passavam para
escrever mensagens de apoio para a permanência do jardim. Se você está
com apoio e a opinião pública, o político não vai tirar o jardim de
você.”
O Liz Christy é hoje parte do Departamento de Parques de Nova York,
garantido por lei como bem público, e sua permanência dependerá se seus
membros o mantiverem como horta comunitária. O Warren Street/St. Marks é
uma área de propriedade privada, mas dedicada ao uso público e sem fins
lucrativos, por uma associação comunitária do Brooklyn.
Novos paradigmas de produção e consumo
A filosofia progressista do “autofazer” por trás das experiências dos
jardins comunitários corresponde às características tão presentes da
era digital (user–generated era), das redes sociais e da democracia
(direta, inclusiva e participativa). A tecnologia e a internet foram
apontadas entre todos os entrevistados como campo estratégico na defesa
das hortas comunitárias e da segurança alimentar e nutricional.
As hortas coletivas urbanas de Nova York se diferenciam dos
tradicionais parques da cidade, como o Central Park e o Prospect Park,
áreas verdes desenhadas pela “cidade para nós”, e se alinham mais com a
ideia de fortalecimento local – desenhadas pelo “nós para nós”.
São
espaços concebidos não só para o descanso, contemplação e lazer, mas
também para promover um sentido de pertencimento e de vida em
comunidade. Uma ideia que se alinha às teorias do desenvolvimento local,
e que torna os usuários responsáveis pela concepção e funcionamento dos
espaços públicos abertos.
A crise dos paradigmas neoliberais abre a possibilidade da criação de
uma nova forma de articulação entre os diversos objetivos econômicos,
sociais, ambientais e culturais. E em meio à crise moral e ética
provocada pela ambição e avareza, as hortas urbanas exercem hoje o raro
poder de indagar à comunidade: você tem fome de quê?
Carolina Caffé é socióloga, documentarista e freelancer em Nova York
Para o mineiro Léo Heller, futuro relator das Nações
Unidas para o Direito à Água e ao Saneamento Básico, crise hídrica não
tem solução imediata a não ser chuva e redução do consumo.
A crise hídrica no Sudeste não tem solução a curto prazo a não ser
chuva e redução do consumo, afirma Léo Heller, futuro relator das Nações
Unidas para o Direito à Água e ao Saneamento Básico.
A partir de 1º de
dezembro, o pesquisador e professor da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) vai substituir a portuguesa Catarina de Albuquerque na
ONU. O mandato dura três anos e pode ser renovado pelo mesmo período.
“Já estão adotando todas as medidas necessárias e usando o volume
morto do reservatório. No curto prazo, é muito difícil pensar em outras
soluções”, afirmou Heller, em entrevista à DW Brasil.
Caso não chova nos próximos meses, alerta o engenheiro, a situação pode ficar “dramática”.
Ele considera que o volume de água desperdiçada ao longo do sistema
de abastecimento brasileiro “não é admissível”. “Ao invés de buscar
novos mananciais, é mais ético trabalhar na redução dessas perdas.”
Heller é cauteloso ao falar do tratamento do esgoto para
transformação em água de reúso. Recentemente, o governador de São Paulo,
Geraldo Alckmin, anunciou a construção de uma estação que irá empregar a
técnica, com o objetivo de aumentar a oferta de água.
DW Brasil: O que o senhor acha que poderia ter sido feito para minorar a seca no Sudeste?
Léo Heller: Deveria ter tido um planejamento mais adequado,
que levasse em conta a possibilidade de estiagem, que é um fenômeno
natural e sazonal. Esses momentos precisam ser incluídos no
planejamento. Os atuais mananciais e captações de água têm sido
insuficientes para atender a demanda, isso requer aumentar e
diversificar as fontes de água, não só quantitativamente, mas
qualitativamente. Isso inclui água subterrânea e de chuva, por exemplo.
E do ponto de vista da demanda?
É preciso reduzir as perdas no sistema de abastecimento de água. Além
disso, poderíamos consumir menos água com mudanças nos hábitos da
população e com equipamentos mais econômicos, como a descarga dual (com
dois botões, um para resíduos sólidos e outro para líquidos). Algumas
cidades estão incentivando a captação da água da chuva no nível
domiciliar para alimentar a descarga dos vasos sanitários. É uma solução
muito inteligente, porque usamos uma água de altíssimo padrão, sem
necessidade. E é onde mais se consome água nos domicílios.
O que pode acontecer caso não chova nos próximos meses no Sudeste?
A situação ficaria dramática e precisaríamos intensificar o
racionamento. Eu prefiro pensar no longo prazo, que os gestores tomem as
providencias necessárias para que, no próximo verão, isso não volte a
acontecer.
Então, no curto prazo, não tem muito o que possa ser feito…
Não, não tem. Exceto campanhas para que as pessoas economizem. Já
estão adotando todas as medidas necessárias e usando o volume morto do
reservatório. No curto prazo, é muito difícil pensar em outras soluções.
Que medidas preventivas poderiam ter sido tomadas para economizar água?
Deveríamos ter feito gestão da demanda, trabalhado para diminuir o
consumo de água, com campanhas contra o desperdício e combate às perdas.
A redução da pressão também ajuda a diminuir o consumo. Todas essas
medidas deveriam ter sido tomadas preventivamente.
Como o senhor vê a tentativa transferir água do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira?
A transferência de água de uma bacia para alimentar a captação de
outra, se for realizada e gerenciada de forma inteligente, pode ser uma
solução. Desde que, obviamente, essa transferência não comprometa a água
da bacia doadora. Aparentemente, estudos desenvolvidos pela própria ANA
[Agência Nacional de Águas] mostram que isso não colocaria em risco o
abastecimento dos outros estados. Mas isso precisa ser feito com muito
cuidado.
Há uma mentalidade de que a água é um recurso infinito. Essa crise hídrica pode mudar isso?
A crise no Sudeste alerta para a necessidade de uma mudança de
paradigma da gestão de água. Ela não é infinita e ela não tem um volume
constante ao longo do ano e das décadas. Alguns autores falam que o
abastecimento de água deve mudar de uma lógica linear – captação, uso e
descarte – para uma lógica mais circular, com o reúso e outras fontes.
Precisamos sair de uma acomodação e investir não só em novas obras, mas
na modernização da gestão. É muito possível que uma parte do problema
atual tenha origem nas mudanças climáticas globais, o que sinaliza que
esse fenômeno pode ocorrer com mais frequência.
O que o senhor acha da proposta de multar pessoas que, por
exemplo, seguem lavando carros e calçadas com mangueira, apesar da seca?
Associada a um conjunto de medidas, a multa pode ter efeito.
Isoladamente é quase uma transferência de responsabilidade, como se os
culpados fossem os usuários e o gestor não tivesse nenhuma
responsabilidade. Isso não é correto. De certa forma, os modelos de
tarifação de água hoje já incluem essa lógica, porque quem consome muito
paga mais pelo metro cúbico. Só que esse modelo tarifário se demonstrou
incapaz de coibir esse tipo de desperdício. Mas nós não temos ainda
condições empíricas para dizer que as multas contribuiriam a redução do
consumo. Pode ser que um proprietário muito rico concorde em pagar mais
para continuar desperdiçando.
Estudiosos têm alertado para o desmatamento ao redor de represas,
como o Cantareira, e mesmo na Amazônia, como um dos agravantes da seca. O
senhor concorda que se dá pouca importância a esse fator no
gerenciamento da água?
Sem dúvida. Os profissionais da hidrologia sabem muito bem disso. Não
é apenas o desmatamento ao redor das represas que tem impacto, mas nas
bacias hidrográficas inteiras. Quando há alterações importantes, no
sentido de remover vegetação, ampliar a urbanização e iniciar práticas
agropecuárias, a bacia perde sua capacidade de armazenar água. Ou seja,
em época de estiagem, a vazão dos rios vai ser cada vez menor. As bacias
no Sudeste são muito afetadas pela ação do homem, isso certamente
explica parte do que está ocorrendo. Em relação à Amazônia, esse impacto
ainda carece de uma comprovação mais firme.
Recentemente, o governo de São Paulo anunciou a construção de uma
estação que para fazer o reúso do esgoto. O Brasil está avançado em
relação ao reaproveitamento da água em comparação com outros países?
Nós estamos muito atrasados. Há várias formas de reúso, como
reaproveitar a água para a irrigação ou para o vaso sanitário. Essa de
transformar o esgoto em água potável é a mais radical. Existem
tecnologias para isso, sim, mas são mais sofisticadas e nós estamos
menos habituados a operá-las. É preciso muito cuidado, porque qualquer
falha no processo pode levar a uma insegurança sanitária da população. E
as falhas são possíveis em um processo novo, quando não temos mão de
obra qualificada para isso. Tem que ter um controle muito fino ou
podemos trazer risco para a população.
O senhor mencionou o reúso domiciliar, mas o que poderia ser feito em larga escala?
É possível pensar em grandes reservatórios de água de chuva para usos
menos nobres. O problema é que muitas vezes esse reúso implica uma
grande reformulação dos sistemas, tanto públicos, quanto domiciliares.
Alguns países têm rede dupla na rua, uma para água mais pura e outra
mais impura. Em uma cidade que já esteja totalmente consolidada, essa
transformação é muito penosa. O que parece mais viável são pequenas
mudanças em nível domiciliar, mais do que municipal. A tecnologia existe
para qualquer tipo de reúso, mas precisamos observar a segurança
sanitária, a viabilidade técnica e econômica.
O Brasil tem uma taxa alta de perda de água ao longo do sistema. O que pode ser feito em relação a isso?
Temos uma taxa média nacional de perdas na distribuição de 37%,
segundo o SNIS [Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento]. É bem
alta. Dificilmente chegaria a zero, mas os engenheiros trabalham com
uma meta de 25%. Abaixo disso, costuma ser pouco viável economicamente.
Ao invés de buscar novos mananciais, é mais ético trabalhar na redução
desse desperdício. Para isso, faltam investimentos públicos e um
programa de controle de perdas mais efetivo. Existem incentivos do
governo federal, mas muitas vezes os gestores se acomodam e preferem
fazer novas obras de infraestrutura do que trabalhar nesse ajuste fino,
que requer um trabalho de detetive e dá pouca visibilidade. Do ponto de
vista ético, não é admissível perder tanta água no sistema.
O que o senhor, como brasileiro, acha que o nosso país pode contribuir nesse debate sobre água e esgoto no mundo?
O Brasil avançou muito nos seus marcos legais e institucionais, isso
pode ser um exemplo interessante. Nós temos agora uma lei nacional que
estabelece a regulação da prestação do serviço de água e esgoto, além de
um plano nacional e uma estrutura no governo que cuida disso. Também
tem havido certa estabilidade nos financiamentos públicos federais para a
área. Esse conjunto de medidas terá efeitos de longo prazo, elas
prepararam o país para avançar muito na ampliação do acesso ao
saneamento.
A maior parte dos brasileiros não tem acesso a tratamento de esgoto. Quais são os desafios para a universalização desse serviço?
Sem dúvida isso tem avançado lentamente, mas tem avançado. O Plano
Nacional de Saneamento Básico dá prioridade a isso. A ideia hoje é não
implantar nenhum sistema de coleta de esgoto sanitário que não tenha
tratamento. Isso já vem sendo feito, mas nós temos um passivo muito
grande e superá-lo é um desafio enorme.
Matéria de Marina Estarque, da Deutsche Welle, DW.DE, reproduzida pelo Portal EcoDebate, 26/11/2014
Reunido neste final de semana, o diretório nacional do PT aprovou uma resolução
severa contra a corrupção. “Temos o compromisso histórico de combater
implacavelmente a corrupção”, explicou o presidente do partido, Rui
Falcão.
Impossível discordar.
Nenhuma outra legenda contribuiu tanto
para desnudar os crimes do poder.
Didático e revolucionário, o PT
combate a corrupção praticando-a.
“Foi durante os governos Lula e
Dilma que se estabeleceram, como políticas de Estado, as principais
políticas de combate à corrupção”, anota a resolução do PT.
Movido por
forças antagônicas, o partido agiu mais ou menos como o viciado que,
conhecendo as próprias fraquezas, cerca a bebida e as drogas com um
sistema de câmeras e alarmes contra si mesmo. Os resultados foram
extraordinários.
Em sua resolução, o PT critica os que o acusam de
“ser o partido responsável por um alegado aumento da corrupção no
Brasil.” Ora, francamente. Como realça o texto, “se hoje a corrupção
aparece mais, ao contrário do passado, é porque ela, pela primeira vez
na história do país, está sendo sistematicamente combatida.”
Realmente,
o combate à roubalheira passou a ser sistemático. O PT inovou. Em
governos anteriores, os escândalos eram denunciados por opositores.
Hoje, o próprio PT se encarrega de cometer os crimes que o asfixiam. Nos
seus 12 anos de poder federal, o PT só errou certo. Já na escolha do
elenco de apoiadores, o petismo revelou-se o igual disfarçado de novo. E
passou a deixar os rastros para que o apanhassem.
Foi um aliado
do PT, Roberto Jefferson, quem jogou o mensalão no ventilador. Agora,
são os delatores, com o suor dos seus dedos, que se encarregam de
impulsionar a elucidação do petrolão. Em matéria de corrupção, o
PT é um catalisador do avanço institucional. Ele mesmo planeja os
escândalos, ele mesmo coordena a execução dos crimes, ele mesmo inspira
os denunciantes.
O PT informa em sua resolução que se autoimpôs “o
desafio de reafirmar a sua liderança no combate à corrupção sistêmica
no Brasil.” Bobagem, não é mais necessário. Em matéria de corrupção, o
PT já é visto como líder inconteste. Draconiana, a resolução prevê dias
difíceis para os petistas flagrados no petrolão.
O
documento do diretório informa: “Qualquer filiado que tiver, de forma
comprovada, participado de corrupção, deve ser imediatamente expulso,
como já afirmou publicamente o presidente do partido.”
Bem verdade
que a bancada mensaleira da Papuda continua nos quadros do PT. Mas isso
pode ser apenas mais uma anormalidade proposital do partido para
denunciar a normalidade de um sistema político baseado na hipocrisia.
No
momento, o mais importante é notar que o PT conseguiu mais uma proeza:
dissociou-se das suas próprias ações, mantendo-se incólume a si mesmo.
A
insistência de Dilma 2ª em preservar no segundo mandato as mesmas
criminosas alianças foi a forma que o PT encontrou para esclarecer que,
numa ilícitocracia, tudo é permitido, até o assalto à Petrobras —desde
que feito por gente que tem “o compromisso histórico de combater
implacavelmente a corrupção”, mesmo que para isso tenha de cometê-la.
A educação brasileira está empesteada do vírus ideológico que prostitui a verdade
GUILHERME FIUZA
Atualizado em
27/11/2014 09h05
Teste de história para o 3º ano do ensino médio, numa escola particular do Rio de Janeiro bem colocada no ranking acadêmico:
“O presidente eleito (FHC) governou o Brasil por dois
mandatos, iniciando a consolidação da política neoliberal no país,
principiada pelos presidentes Collor e Itamar Franco. Sobre os dois
mandatos (1995-2002), pode-se afirmar que se caracterizam:
e) pelo limitado crescimento econômico; privatização das empresas
estatais; diminuição do tamanho do Estado; e apagão energético, que
levou ao racionamento e ao aumento do custo da energia.
A alternativa “e”, acima, é a resposta correta, segundo o professor que
aplicou o teste. As quatro alternativas erradas são recheadas de
bondades sociais, naturalmente identificadas pelos isentos elaboradores
do teste com os governos do PT – muito distantes das maldades
neoliberais de FHC. É muito grave o que acontece no Brasil. Um arrastão
que mistura má-fé e credulidade empreende uma lavagem cerebral no país.
Vamos repetir o termo, para destacá-lo da frase anterior, que ficou um
pouco longa: lavagem cerebral.
O exemplo acima é um retrato triste, vergonhoso, do que se passa nas
bases da civilização brasileira. A transmissão do conhecimento no Brasil
está empesteada pelo vírus ideológico – aquele que sabota a cultura e
prostitui a verdade. Nada, absolutamente nada, pode ser mais grave para
uma civilização. A quebra da confiança no saber destrói uma sociedade.
Quando os monstros nazistas e comunistas foram pegos na mentira, o
flagelo social já estava consumado – com a complacência da coletividade.
O PT caminha para 16 anos no poder. Engana-se quem vê inflação e
recessão como os piores produtos de uma gestão desonesta. O pior produto
é o envenenamento das instituições – gradual, sorrateiro, letal. O
brasileiro, esse ser dócil, acha que o julgamento do mensalão foi um
filme de época. Recusa-se a perceber que aquele golpe (submeter o
patrimônio público a interesses partidários) se aprofunda há 12 anos. O
PT montou uma diretoria na Petrobras para a sucção bilionária do
dinheiro do contribuinte. Qual é o grande escudo para mais esse assalto?
É a lavagem cerebral. O Brasil engole o assalto petista porque está
embriagado dos clichês de bondade, associados aos heróis da
vagabundagem. Eles são administrativamente desastrosos e contam com
grande elenco de pilantras condenados, mas pelo menos não são
“neoliberais de direita”. É esse o truque tosco do teste escolar aqui
citado.
O que é uma “política neoliberal”, prezados mestres da panfletagem? Por
acaso vocês se referem à abertura econômica do país, com o avanço de
prosperidade dela advindo? Claro que não. Vocês citaram “neoliberal”
como um palavrão, cuspido pelo filho do Brasil num desses palanques em
que ele mora. Vocês não têm nem uma pontinha de vergonha de resumir os
anos FHC a um “limitado crescimento econômico” – tendo sido esse o
governo que deu ao Brasil uma moeda de verdade?
Não, ok. Vocês não têm vergonha de nada. Nem de escrever que, nesse
período, se deu “a privatização das empresas estatais”. Como assim?
Todas? Acrescentem ao menos: com exceção de empresas como Petrobras,
Correios e Banco do Brasil, que permaneceram públicas para que os
companheiros pudessem fazer nelas seus negócios privados. Vocês também
poderiam, prezados mestres da educação brasileira, escrever que FHC
privatizou a telefonia agonizante e, assim, melhorou a vida dos pobres.
Não, desculpem: os pobres pertencem a vocês, e a seus patrões petistas.
“Privatização das empresas estatais” – mais um palavrão ideológico,
cuspido nos ouvidos de estudantes adolescentes. Prezados professores:
vocês são uns covardes.
Nem merece retificação a referência ao “apagão” – que só aconteceu nas
suas mentes obscuras. O que vocês devem admirar é a mentira progressista
das tarifas de energia e gasolina, que finge dar ao consumidor o que
rouba do contribuinte. Ou os truques da contabilidade criativa e do
adestramento de dados no Ipea e no IBGE.
O país é hoje comido por dentro. Só passará no vestibular se responder a
uma questão, antes de qualquer outra: Dilma sabia ou não sabia do
petrolão? Tapem os ouvidos, prezados lavadores de cérebros.
Ex-gerente
da Petrobras reproduziu na empresa Sete Brasil, criada para coordenar a
construção de navios-sonda para águas profundas, o mesmo esquema de
desvio de dinheiro montado na estatal
Abalado por uma doença grave, Pedro Barusco é temido pelo governo .
Delegados e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato
suspeitam que Pedro Barusco, ex-gerente-executivo da área de Serviços da
Petrobras, comandada pelo diretor Renato Duque, tenha levado o
megaesquema de corrupção que drenou recursos da estatal para dentro da
companhia Sete Brasil.
A empresa foi criada em 2011 com a missão de
gerenciar a construção e o fretamento para a Petrobras de 29
navios-sonda para águas ultraprofundas.
A PF descobriu que Barusco, como
diretor de Operações da Sete Brasil, intermediou os contratos da
empresa com estaleiros, empreiteiras e agentes financeiros nacionais e
internacionais. Réu confesso no inquérito da Lava Jato, em que admitiu
ter embolsado R$ 250 milhões em propinas, Barusco comandou a
estruturação de offshores da Sete Brasil na Holanda, pelas quais
circularam nos últimos três anos quase US$ 7 bilhões – cerca de R$ 18
bilhões...
Para a PF, Barusco trocou a Petrobras pela Sete Brasil com uma missão
clara: montar um novo esquema de propina, exclusivo do PT e sem a
participação de doleiros. PP e PMDB até se queixaram quando a companhia
venceu sozinha a concorrência, mas o executivo os desdenhou.
Passou o
chapéu junto à Petrobras, fundos de pensão e bancos privados. Colocou o
dinheiro num fundo de investimentos e abriu 29 offshores em Amsterdã,
uma para cada navio-sonda. Batizadas com nomes de praias famosas, como
Copacabana e Ipanema, as empresas estão sediadas em endereços virtuais e
não possuem funcionários. Servem apenas para escoar os dólares.
E aí começam os problemas. Com esse esquema, o dinheiro para pagar
materiais e serviços, por exemplo, não caía direto na conta dos
fornecedores. Ele saía da Petrobras, dos bancos e dos fundos de pensão e
passava primeiro nas contas das offshores, dificultando o controle de
órgãos como o COAF e o Banco Central.
Até 30 de setembro, a Sete Brasil
já havia desembolsado US$ 6,5 bilhões para o pagamento dos estaleiros,
quase todos formados por empreiteiras investigadas pela Operação Lava
Jato, como Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Engevix. As obras, porém,
caminham lentas.
O OPERADOR
Abalado por uma doença grave, Pedro Barusco é temido pelo governo
A empresa alega que 16 sondas já começaram a ser construídas e que
cumpriu 23% da execução dos contratos. Mas não há como ter certeza
disso. No Estaleiro Atlântico Sul, por exemplo, as obras estão
paralisadas por falta de um parceiro tecnológico. Segundo um dirigente
ligado ao negócio, a coreana Samsung e a japonesa Mitsui desistiram da
empreitada porque o “pedágio” cobrado era alto demais. Os chineses estão
sendo sondados para assumir a responsabilidade. Oficialmente, ninguém
comenta o caso.
Integrantes da força-tarefa da Lava Jato suspeitam que para o pagamento
de propinas a Barusco e seus parceiros a Sete Brasil usou como
cobertura legal a contratação de serviços de “supervisão e
gerenciamento” das obras, um modelo similar ao utilizado pelo doleiro
Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo
Roberto Costa. No relatório da operação Juízo Final, que prendeu Duque e
os empreiteiros, o juiz Sérgio Moro destacou como principais elementos
probatórios as notas fiscais frias e contratos de prestação de serviços
forjados.
Youssef, por exemplo, firmou com o Consórcio Ipojuca Interligações
(IESA) um contrato de “gerenciamento da implantação do canteiro de
obras” da Refinaria de Abreu e Lima. Costa combinou com a Engevix o
pagamento de propina por meio de contrato de “gestão empresarial”. No
caso da Sete Brasil, os contratos de gerenciamento ganharam um nome
pomposo em inglês: “Construction Management Agreement (CMA)”. Na
descrição do serviço a ser prestado, a empresa diz que a finalidade é “o
acompanhamento dos contratos de EPC”. Os contratados deveriam monitorar
as obras nos estaleiros no Brasil.
Ocorre que o pagamento por esses serviços também foi feito lá fora. Ao
todo, a empresa já desembolsou com os contratos de CMA US$ 181 milhões,
ou R$ 462 milhões, quase o dobro do valor de propinas que Barusco
prometeu repatriar. Até a entrega dos 29 navios-sonda, a Sete Brasil
pretende gastar US$ 828 milhões para supervisionar a construção – o
valor equivale a 3,7% do total das sondas, percentual parecido ao das
propinas da Petrobras. A PF ainda não tem provas de que esses contratos
foram fraudados. Primeiro, ela quer ouvir Barusco sobre o caso. E se
necessário solicitar à empresa cópia dos contratos e das notas fiscais.
“Como as obras estão atrasadas, há um forte indício de que os serviços
de supervisão citados não foram prestados de forma adequada ou
simplesmente não foram executados”, avalia um integrante da
força-tarefa. Barusco, que sofre de um câncer agressivo, tem deixado o
governo preocupadíssimo com suas revelações. A força-tarefa já tem em
mãos cópia de uma auditoria realizada pela PricewaterhouseCoopers, que
encontrou um rombo de R$ 10,9 bilhões nas contas da Sete Brasil.
Situação que, segundo os auditores, indica uma “incerteza material que
pode suscitar dúvidas significativas sobre a continuidade operacional da
companhia”.
A Sete Brasil se defende. Garante que tem cumprido a lei, desconhece
qualquer prática ilícita de Barusco na empresa e trabalha para cobrir os
compromissos de curto prazo. Chegou a recorrer a empréstimos
internacionais e aguarda ansiosa a liberação de um total de R$ 10
bilhões já aprovados pelo BNDES e pelo Fundo da Marinha Mercante.
Ministério
Público pediu a indisponibilidade de patrimônio de políticos e de
empresas que se envolveram no Mensalão do DEM. Advogados dos
ex-ocupantes do Palácio do Buriti disseram que só vão se manifestar na
próxima semana
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou
ações de improbidade administrativa e reparação por danos morais, com
pedido de bloqueio de bens contra envolvidos nas denúncias investigadas
pela Operação Caixa de Pandora, em 2009. O pedido de retenção de
recursos é direcionado contra o ex-governador José Roberto Arruda
(atualmente no PR) e contra o ex-vice-governador Paulo Octávio
(atualmente no PP). Também estão na lista de bloqueio — que totaliza R$
192 milhões — as empresas Call Tecnologia, Unirepro e Vertax, todas
detentoras de contratos de informática com o GDF à época do Mensalão do
DEM...
Para o MP, houve desvio de recursos públicos dos contratos firmados
entre o governo e as firmas. Também foram alvos de ações outros oito
supostos operadores do esquema, que eram assessores e pessoas ligadas a
Arruda e Paulo Octávio: Domingos Lamoglia, Marcelo Carvalho, Márcio
Machado, José Eustáquio, Omézio Pontes, Fabio Simão, Renato Malcotti,
José Celso Gontijo e Durval Barbosa — este o delator do esquema. Dois
ex-deputados que aparecem na investigação e não tinham sido alvo de
ações também estão na lista das novas ações de improbidade. São eles
Berinaldo Pontes e Pedro do Ovo.
As ações foram todas distribuídas para a 2ª Vara da Fazenda Pública do
DF, que até agora foi responsável por condenar o ex-governador Arruda —
em outra ação de improbidade que teve confirmação de condenação em
segunda instância —, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), os
distritais Benedito Domingos (PP), Aylton Gomes (PR), Rôney Nemer (PMDB)
e os ex-deputados Eurides Brito, César Brunelli e Rogério Ulysses.
De acordo com o MP, com base em depoimentos e provas apresentadas por
Barbosa e coletadas posteriormente ao longo da investigação (como vídeos
e áudios), existia no DF uma organização criminosa chefiada por Arruda e
Paulo Octávio e contando com a participação de várias autoridades e
pessoas da sociedade — como secretários, deputados distritais,
servidores públicos e empresários. Segundo a denúncia, o grupo
direcionava e fraudava contratações públicas de modo que as empresas do
esquema fossem beneficiadas com elevados repasses de recursos públicos.
Depois, os recursos eram distribuídos entre componentes da quadrilha.
Parte da arrecadação ilegal era direcionada para corromper agentes
públicos a fim de garantir apoio ao governo.
Próxima semana
O advogado Edson Smaniotto, que representa Arruda nas ações de
improbidade da Pandora, disse ao Correio ontem à noite que não tinha
conhecimento da denúncia. “Como o Ministério Público ajuizou no fim do
expediente da sexta, como o jornal me informa, só vou poder me
posicionar na semana que vem”, resumiu. A advogada Gabriela Bemfica, do
escritório que defende Paulo Octávio, seguiu na mesma linha. “Nós não
temos como antecipar nenhum tipo de posicionamento enquanto não tivermos
acesso aos autos”, concluiu.
Os opositores apontam uma série de irregularidades
A futura ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), é acusada pela
oposição na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) de gestão
temerária à frente da entidade e de não permitir o acesso integral à
prestação de contas de 2013, aprovadas pelo Conselho de Representantes
(órgão deliberativo máximo) no dia 25 de abril deste ano. Kátia foi
reeleita para a presidência da CNA em outubro, em eleição contestada na
Justiça. Por meio de sua assessoria de imprensa, a senadora respondeu
que as acusações não têm fundamento...
Os opositores apontam uma série de irregularidades. As denúncias vão de
gastos de R$ 32,2 milhões com empresas de informática de um aliado da
senadora a não contabilização de recursos que teriam sido recebidos de
convênio com o Sebrae. Além disso, apontam que não haveria comprovação
de despesas de R$ 31,1 milhões na rubrica de “projetos da presidência” e
“serviços de terceiros”.
Em julho de 2014, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do
Paraná, Ágide Meneguette, protocolou uma ação na Justiça Trabalhista de
Brasília na qual acusa Kátia Abreu de aprovar apressadamente as contas
de 2013 sem permitir que os presidentes das federações tivessem acesso à
documentação. Ele argumenta que o exame das contas poderia ser feito
até 31 de maio, mas a presidente da CNA teria exigido a votação em 25 de
abril, mesmo sem a presença do presidente do Conselho Fiscal.
Segundo a denúncia, apesar de faltarem documentos contábeis, as contas
foram aprovadas porque a presidente é apoiada pela maioria dos
presidentes das federações. Na reunião do Conselho Fiscal em 15 de
abril, o conselheiro Carlos Fernandes Xavier chamou a atenção para o
gasto de mais de R$ 9 milhões com “serviços profissionais de pessoas
jurídicas” e pediu mais informações.
No entanto, conforme ata do encontro, a superintendente administrativa,
Benildes de Barros Garção, disse que dependia de outras áreas para
fornecer a relação dos pagamentos, o que não seria possível naquele
momento. Mesmo assim, as contas foram aprovadas, com a ressalva de que
Xavier queria ter acesso aos documentos.
Num demonstrativo das despesas realizadas pela entidade consta
pagamento de R$ 62,5 mil à Talk Comunicação, embora pelo contrato
assinado esse valor refere-se a pagamento mensal, o que daria R$ 750 mil
anuais. A Talk pertence ao empresário Luiz Alberto Ferla, também
proprietário de outras duas empresas que atuam para a CNA — a Knowtec e a
Suiteplus. Juntas, elas receberam R$ 32,2 milhões desde 2009.
A assessoria da CNA informou que todas as contratações e gastos de
Kátia Abreu na presidência foram aprovados pelo Conselho Fiscal, por
auditoria externa independente e pelo Conselho de Representantes.
Fonte: O Globo - Por Chico de Gois - 29/11/2014 - - 20:50:41
Muitos dizem que os socialistas usam em excesso o seguinte recurso
“Acuse-os do que fazemos”. Tecnicamente, pelo paradigma da guerra
política, isso significa usar o princípio 3 (dizendo que o agressor
geralmente prevalece) de forma desonesta. É um método que para o PT
funciona que é uma maravilha.
Todavia, seria um desastre para eles se os
oponentes jogassem a guerra política, pois aí todas as mentiras
petistas teriam um preço, a ser pago pelo partido.
Esses golpistas que hoje têm essa característica, eles
não nos perdoam por estar tanto tempo fora do poder. Temos que tratar
isso com tranquilidade e serenidade, não podemos cair em nenhuma
provocação e não faremos radicalismo gratuito, pois temos a
responsabilidade de governar.
É fato que Dilma nem fica constrangida ao chamar seus adversários de
golpistas. Mas na verdade ela apenas executa um método, por saber que
ele funciona.
Ao chamar seus adversários de golpistas, de forma repetitiva e em
ritmo bate-estaca, ela consegue elaborar projetos golpistas (que são os
principais projetos do PT) enquanto seus adversários já ficaram
rotulados como “golpistas”.
Enquanto isso, nem a oposição do PSDB e nem
mesmo muitos militantes “de direita” (das redes sociais) ainda não
entenderam esse jogo. Aí fica fácil para Dilma.
Já assistimos isso durante as eleições, não?
Dilma foi extremamente agressiva nos debates e também ganhou na
quantidade de vezes em que chamou o oponente de agressivo. Ao invés de
revidar, o que os assessores de Aécio fizeram? Pediram que ele agisse
feito uma moça recatada no debate da Record em 19/10.
Resultado: as
pesquisas o apontaram como “o mais agressivo”. Não por ser agressivo,
mas por ter ficado mais na defensiva, enquanto sua adversária era muito
mais agressiva e, ao mesmo tempo, o rotulava de “agressivo”. É quase um
caso de “perdeu por que quis”.
Aliás, uma parte da direita tem falado do “Foro de São Paulo”, que eu
também reputo como uma ameaça. Mas se a culpa é “do Foro”, então o PT é
apenas uma vítima das maquinações deste Foro, não? Ou seja, enquanto
essa parte da direita ataca “o Foro”, o PT ataca as pessoas da base
adversária.
Quer dizer que enquanto um lado atira em uma abstração
(conforme a visão de muitos brasileiros), os petistas atacam indivíduos
de carne e osso. Não seria melhor então atacar os petistas por desviarem
dinheiro nosso para outras ditaduras, denunciando a “participação no
Foro” ao invés “do Foro”?
Mas aí é o de sempre: cada um que escolha os
seus resultados. É fato que rotular diretamente os seus adversários,
deixando as entidades abstratas em um como coadjuvantes, funciona mais.
O que estamos vendo no comportamento do PT, lançando rótulos
pejorativos sobre seus oponentes, de forma direta, é o que já vimos nas
eleições: um lado jogando a guerra política, de forma esperta, com
objetivos claros de obter resultados políticos, e o outro lado apegado
aos seus hábitos. Enquanto o PT coloca a estratégia acima do ego, a
oposição (seja ela qual for) coloca o ego acima da estratégia.
Depois algumas pessoas ficam indignadas quando eu digo “pare um pouco
para aplaudir as técnicas do adversário, e depois veja se consegue
aprender uma coisa ou duas”. É uma conclusão inescapável: a rejeição de
uma boa parte dos republicanos (muitos deles da direita) em compreender
os jogos políticos é o maior adversário da democracia hoje.
Essa é nossa
maior âncora. Se finalmente conseguirmos soltá-la, o PT passa a ter
motivos para ficar com medo.
O Arquipélago de Alcatrazes, no Litoral Norte de São Paulo, tem uma história de infortúnios ambientais.
As ilhas já foram usadas para extração de guano - fezes de aves ricas
em fosfato - e para exercícios da Marinha. Milhares de aves ali
residentes, especialmente as fragatas, sofreram baixas com bombas
disparadas de navios para alvos pintados nas rochas.
Há dez anos, um
incêndio provocado por projéteis destruiu boa parte da vegetação.
As intervenções militares minguaram com a pressão dos ecologistas e
hoje estão restritas à pequena Ilha da Sapata. A proibição à visitação
imposta pela Marinha, porém, permanece, espantando o turismo e os barcos
de pesca predatória cuja ação dizimou estoques de peixes em águas vizinhas.
Agora, um estudo da Rede Nacional de Biodiversidade Marinha (Sisbiota-Mar) aponta Alcatrazes como um dos mais importantes refúgios de peixes do país. O estudo reafirma a importância ecológica
do arquipélago e fortalece a proposta de criação de um parque nacional
marinho na área, uma reivindicação antiga de ambientalistas e
pesquisadores. "Essas ilhas nos oferecem um vislumbre do que os costões
rochosos do Sudeste e do Sul do Brasil um dia foram.
Quase tudo
lá, em relação aos peixes, é maior do que a média", destaca o biólogo
Renato Morais, da Universidade Federal de Santa Catarina, ao analisar
dados coletados ao longo da costa e em ilhas oceânicas como Fernando de
Noronha e Trindade.
Em relato emocionante, o biológo Fábio Paschoal, colaborador da
National Geographic Brasil, revela como é a vida entre a riqueza da
fauna e da flora de um dos biomas mais importantes e belos do país
O Pantanal foi minha casa durante dois anos. Morava em uma pousada, no meio da maior planície alagável
do mundo, isolado da civilização. Meu trabalho era guiar grupos
interessados em história natural e conduzir passeios para a observação
de animais selvagens. Acabei desenvolvendo uma relação especial com a planície pantaneira e me sentia em casa ao andar pelos campos abertos.
Hoje,
12 de novembro, Dia do Pantanal, gostaria de fazer uma homenagem
compartilhando um pouco da minha experiência nesse lugar extraordinário.
Para isso recorri ao meu diário, que fazia ao final de todas as noites,
e selecionei o texto que escrevi no meu último dia por lá:
"Foi
no ano de 2008 que tudo começou. Estava formado e desesperado para
arrumar um emprego. Mandei currículo para todos os lugares possíveis e
imagináveis. Passei por entrevistas, dinâmicas de grupo e todo aquele
blá blá blá que fazem você passar antes de arranjar um trabalho. Nada
dava certo. Eu era um biólogo que não queria dar aula nem fazer
pesquisa, e os departamentos de RH me achavam uma incógnita.
Então
recebi um telefonema do Refúgio Ecológico Caiman dizendo que havia sido
contratado! Uma semana depois estava no Pantanal, começando o
treinamento para ser guia de ecoturismo. Esse trabalho revelou minha paixão pela vida selvagem e mudou minha maneira de encarar o mundo.
Fábio Paschoal Tucano-toco bebendo água. Durante a seca os animais se concentram em lagos e na beira de rios
O Pantanal é uma terra de extremos, com duas estações bem definidas controladas pelo ciclo das águas. Em abril, com o final das chuvas, começa a estação da seca.
A água que inundava a planície passa a ser cada vez mais escassa e se
concentra em pequenas poças onde os animais se amontoam para matar a
sede.
Fábio Paschoal
As aves
começam a estação de acasalamento e se encontram com a plumagem
exuberante para tentar conquistar um companheiro. As árvores perdem as
folhas para economizar água e o que antes era uma paisagem verde e
exuberante se torna marrom e árida.
É quando um dos eventos mais marcantes do ano se inicia: a floração das piúvas
(ipês). O Pantanal muda de cor e se torna rosa por uma semana. Depois é
a vez do para-tudo colorir a planície de amarelo por sete dias. Em
seguida, as flores roxas do tarumã fecham o espetáculo. Nessa época
(meados de setembro) o capim fica esturricado e um raio pode começar um
incêndio em um piscar de olhos.
Fábio Paschoal
No
Pantanal, o Projeto Onçafari tenta salvar a espécie através do
ecoturismo, mostrando que ela pode ter mais valor se permanecer viva
Nesse
momento, quando tudo está prestes a arder em chamas, chegam as chuvas
que renovam a vida. O rio Paraguai e seus afluentes transbordam, inundam
e transformam o Pantanal na maior planície alagável do planeta. As
terras baixas são ocupadas completamente pela água e os campos abertos
viram leitos de rios.
As plantas, revigoradas, voltam a produzir
folhas e tudo fica verde novamente. As aves, que se acasalaram durante a
seca, aproveitam a época de fartura para alimentar seus filhotes. Os
mamíferos vão para lugares mais elevados, deixando os campos alagados
para cegonhas, patos, jacarés e peixes que procuram por alimento entre
as plantas aquáticas multicoloridas que começam a se desenvolver.
Fábio Paschoal
A floração das piúvas é um dos eventos mais bonitos da temporada de seca
A
paisagem muda completamente e tudo parece tranquilo. Quando o sol está
brilhando e a água acalma fica difícil dizer onde a Terra acaba e o Céu
começa.
O Pantanal também é a terra dos peões. Pessoas
simples e muito contidas, mas com uma sabedoria espantosa construída
pelo dia a dia da vida pantaneira. Eles cuidam do gado, o principal
aliado do bioma para a conservação.
Como os
campos abertos são naturais, não é preciso desmatar para fazer pastos.
Os bois são criados soltos e convivem em harmonia com os animais
selvagens. Muitas fazendas trabalham com ecoturismo, aliando atividade
econômica e conservação do ambiente.
Fábio Paschoal
A
maior arara do mundo (Anodorhynchus hyacinthinus) era extremamente
rara.
Em 1990 a população era de 1500 indivíduos, mas o Projeto Arara
Azul mudou esse cenário. Hoje existem mais de 5000 araras colorindo o
céu do Pantanal
A vida pulsa por todos os lados, e é
impossível não ficar emocionado com tanta beleza. Todos os dias acordo
com a sensação de que o dia será extraordinário e aprendo coisas novos
sempre que ando pelos campos. Após dois anos nesse lugar maravilhoso, é
difícil se despedir. Conheci pessoas incríveis, gente disposta a
sacrificar a vida pela conservação de uma espécie, que me fazem
acreditar que ainda há esperança para a Terra.
O Pantanal me
mostrou o que eu realmente gosto de fazer. Foi aqui que descobri minha
paixão pelos animais e, por isso, amo tanto esse lugar. Mas sinto que
está na hora de procurar novos caminhos.
Saio daqui com a
esperança revigorada e com o desejo de voltar. O Pantanal vai deixar
saudades, mas estará sempre presente na minha memória e no meu coração."
Cientistas estão intrigados com uma doença misteriosa que está matando milhões de estrelas-do-mar. A epidemia atinge
a costa do Pacífico do Alasca ao México. Ela vem reduzindo
drasticamente a população desses animais marinhos e pode chegar a outras
regiões do mundo.
O fenômeno foi observado pela primeira vez em
junho do ano passado, na costa noroeste dos Estados Unidos, como relata
uma extensa reportagem do site The Verge. A estrela-do-mar
doente fica coberta de lesões brancas. Depois, seus órgãos internos
começam se projetar para fora da pele. Por fim, o animal se desintegra,
perde seus braços e morre. A doença atinge mais de 20 espécies.
Ao
longo de um ano, ela se alastrou para o norte, atingindo o Canadá e o
Alasca, e para o sul, chegando à Califórnia e ao México. Até aquários
que recebem água do mar foram contaminados. No aquário de Seattle, quase
todas as estrelas-do-mar morreram. E já se observam alguns casos na
costa Leste dos Estados Unidos, o que mostra que a doença também ocorre no Atlântico.
VÍRUS Biólogos vêm estudando o fenômeno. A principal suspeita deles recai sobre um vírus. O detalhe é que esse vírus já foi encontrado em estrelas-do-mar preservadas em museus, capturadas há mais de 70 anos.
Se o vírus existe há tanto tempo, por que só agora se tornou mortal? "Estou totalmente convencida de que isso tem relação com mudanças climáticas", disse Lesanna Lahner, veterinária do Aquário de Seattle, ao Verge. "Só não tenho nenhuma prova disso ainda", completa ela.
O aumento da temperatura e da acidez do oceano
parecem ser os fatores que propiciaram a propagação da doença. Lesanna
pegou algumas estrelas-do-mar doentes que estavam se desintegrando a
12°C e as colocou num tanque refrigerado a 10°C.
Para surpresa dela, as estrelas se curaram. Isso sugere que o aquecimento do
Pacífico Norte, que foi de 0,5°C entre 1955 e 2013, pode ter
contribuído para o vírus se alastrar. Mas as estrelas que estavam soltas
no mar não se recuperaram no Inverno, quando a água se resfria.
MAR ÁCIDO Isso levou os cientistas a suspeitarem que há outro fator envolvido. O oceano absorve dióxido de carbono, gás que vem sendo produzido em quantidades crescentes desde que o mundo se industrializou. Esse gás reage com a água do mar, tornando-a mais ácida.
Os oceanos,
que foram ligeiramente alcalinos nos últimos 300 milhões de anos, estão
se tornando ácidos. Estudos já demonstraram que a acidez enfraquece as
estrelas-do-mar, tornando-as mais vulneráveis a doenças.
A
matança pode afetar outros animais marinhos. Há um estudo famoso
publicado em 1966 pelo naturalista americano Robert Paine. Durante dois
anos, ele removeu todas as estrelas-do-mar de uma piscina natural num
costão rochoso.
Nesse período, o número de espécies na piscina
rochosa havia se reduzido de 15 para 8. Paine concluiu que as
estrelas-do-mar são espécies-chave, da qual dependem outros animais.
Esse conceito de espécie-chave acabou sendo importante em estudos
ecológicos posteriores.
ESPERANÇA Se essas
são as más notícias, há também dados que trazem esperança. Pelo que se
observou até agora, as estrelas-do-mar não desaparecem completamente das
áreas afetadas. Em geral, morrem as maiores, mas resta um certo número
de estrelas pequenas.
Isso sugere que os indivíduos mais
resistentes sobrevivem à doença. Eles poderão, com o tempo, se
reproduzir e levar a população desses animais a ser recuperar. De fato,
já houve momentos na história em que a população das estrelas-do-mar
declinou, recuperando-se depois. É possível que aconteça o mesmo na
epidemia atual.