domingo, 2 de novembro de 2014

A má fé da imprensa e de meia dúzia de manifestantes.



A capa da Folha de hoje: a má fé ao dar o mesmo espaço para uma manifestação de 200 pessoas que se repete há meses, contra Geraldo Alckmin, igualando-a a um protesto dezenas de vezes maior, que nunca havia ocorrido no país. Sem dúvida alguma, a Folha deve ter recebido a sua concessão de TV para virar um panfleto do PT.

Tenho um amigo que conta uma história deliciosa. Estava ele, muito jovem, fazendo o seu doutorado em Stanford, na Califórnia, em plena Guerra do Vietnã. Os protestos eram frequentes na universidade pregando o final do conflito. Um dos preferidos da estudantada era deitar sobre os trilhos de uma linha férrea por onde passavam vagões militares, com suprimentos e armamentos, interrompendo-a. Tudo na maior paz, sob os olhos da polícia. Aquilo foi dando nos nervos do meu jovem amigo que, certo dia, subiu no banquinho e começou a bradar que aquele tipo de ação não adiantava, que tinham que se organizar para derrubar o governo e já começou a gritar um " Fora, Nixon!". Levou uma solene vaia. Desceu desconsolado e foi chamado para o lado por um colega que lhe disse: " meu caro, aqui nós vivemos numa democracia e não costumamos derrubar presidentes, como na América Latina. Nós estamos protestando pelo fim da guerra, não pelo fim de um governo democraticamente eleito. Para isso nós tem o voto."
Lembrei desta história em função dos protestos de ontem. Nixon, por ocasião do Vietnã, não foi impichado mas, algum tempo depois, em função do escândalo de Watergate, teve que renunciar ao cargo. Foi o petrolão de Nixon, denunciado pela imprensa, investigado pela Justiça e que acabou encontrando provas para que o presidente americano renunciasse, na iminência de sofrer o impeachment.

Ontem milhares de pessoas saíram às ruas em algumas cidades do país para protestar pedindo o impedimento da Dilma, em função de que ela sabia, como denunciado pela revista Veja, do propinoduto instalado na Petrobras. De contrabando, foi incluída na pauta a denúncia de fraude nas eleições em função de uma suposta manipulação de resultados.  Em São Paulo, onde houve o maior protesto, juntando alguns milhares de manifestantes, também apareceu um manifestante que roubou a cena, portando uma faixa que pedia "intervenção militar", além de um deputado oportunista a defender uma candidatura do pai, fazendo um discurso totalmente inadequado. Foi o que bastou para a imprensa fazer uma cobertura parcial, afirmando que os manifestantes queriam a volta do regime militar.

Voltando a história do meu amigo, faltou alguém na Avenida Paulista para tirar a faixa do golpista e para cassar a palavra do parlamentar infeliz. Para que protestos sejam legítimos e transparentes, a premissa principal é o respeito à democracia. Que o exemplo de ontem sirva para os próximos eventos, para que aqueles cidadãos brasileiros movidos pelos melhores propósitos não sejam rotulados porque meia dúzia de idiotas quiseram transformar uma manifestação democrática em movimento golpista.

Sobre a imprensa, não deixem de ler este post da Reaçonaria, que mostra o perfil dos jornalistas da Folha e do Estadão que deram um enfoque mentiroso às matérias sobre a manifestação em São Paulo.  Como diria Dilma Rousseff, vocês ficarão estarrecidos.
 

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