quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ponha-se no lugar dela antes de criticar!Vaticano diz que suicídio assistido de jovem americana não foi 'digno'


Do UOL, em São Paulo

  • BBC Brasil
    Brittany foi diagnosticada em janeiro com um dos mais graves tipos de tumor cerebral Brittany foi diagnosticada em janeiro com um dos mais graves tipos de tumor cerebral
O Vaticano afirmou, nesta terça-feira (4), que o suicídio assistido da jovem norte-americana Brittany Maynard, 29, foi um "absurdo" e não representa uma "morte digna".

"O suicídio assistido é um absurdo porque a dignidade é outra coisa e não colocar um fim à própria vida", disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Ignacio Carrasco de Paula. "Não julgamos as pessoas, mas o gesto é para se condenar", completou.

A informação da morte de Brittany foi divulgada no último domingo (2) pela ONG "Compassion & Choices", que se dedica a assessorar doentes terminais que desejam uma morte digna. A "Compassion & Choices" não detalhou a data da morte de Brittany, que tinha marcado seu suicídio assistido para 1º de novembro.

Na quinta-feira (30), a jovem havia dito que adiara sua decisão para poder passar mais tempo com os seus familiares.

Brittany teria morrido em sua casa após tomar um medicamento letal prescrito por um médico.

"Hoje é o dia que eu escolhi para morrer com dignidade por causa da minha doença terminal, esse terrível câncer no cérebro que tomou tanto de mim... Mas que poderia ter tomado muito mais", escreveu a jovem em uma mensagem nas redes sociais.

"O mundo é um lugar bonito, viajar tem sido a minha forma de aprendizado... Agora, enquanto escrevo, tenho uma corrente de apoio em volta da minha cama... Adeus, mundo. Espalhem boas energias. Retribuam!".

Para conquistar seu direito ao suicídio assistido, a jovem tinha se mudado com seu marido, Dan Diaz, para Oregon, que é um dos cinco estados dos EUA que permitem a eutanásia. 

  • BBC Brasil
    Brittany foi diagnosticada em janeiro com um dos mais graves tipos de tumor cerebral




Sintomas

Ela começara a sentir enxaquecas fortes e recorrentes no final de 2013, logo após se casar. Em janeiro deste ano, foi diagnosticada com um dos tipos mais graves de tumor cerebral, chamado de glioblastoma. Os médicos lhe deram uma expectativa de vida de seis meses


Ainda na última quinta-feira, Brittany divulgou em seu blog que havia concluído o último item de uma lista de desejos que montou quando decidiu a data de sua morte. Acompanhada de seus pais e seu marido, Brittany visitou o Grand Cânion.


"Tive a oportunidade de desfrutar meu tempo com as coisas que mais amo na vida: minha família e a natureza", afirmou a jovem no blog.


A experiência, no entanto, não foi totalmente positiva porque, segundo ela, "é impossível esquecer do meu câncer". "As fortes dores na cabeça e no meu pescoço estão sempre por perto. E, infelizmente, tive a pior convulsão até agora. Fiquei sem falar por muito tempo, até retomar a consciência."


"Ela era uma viajante aventureira e bem-sucedida que passou muitos meses vivendo sozinha e dando aulas em orfanatos em Katmandu, no Nepal", diz um obituário da jovem divulgado no site www.thebrittanyfund.org.


"Essa experiência mudou para sempre a sua perspectiva em relação a infância, felicidade, privilégio e resultados. Ela adorou seu período no Vietnã, Camboja, Laos, Cingapura e Tailândia. Passou um verão trabalhando na Costa Rica e viajou para a Tanzânia, onde escalou o Kilimanjaro com uma amiga antes do seu casamento. Ela teve aulas de escalada em Cayambe e Cotopaxi, no Equador, e era uma ávida mergulhadora, que experimentou Galápagos, Zanzibar, Ilhas Cayman e basicamente toda ilha que visitou."


Em seu blog, a americana diz que seu sonho é que todos que sofrem de doenças terminais possam morrer da maneira que desejarem. Maynard criou uma plataforma para arrecadar fundos para aqueles que defendem o direito à morte digna.

Mudança para Oregon

A história de Brittany teve uma grande repercussão nos Estados Unidos, onde ganhou fôlego o debate sobre a eutanásia. Após se estabelecer como residente em Oregon, ela teve de provar que tinha menos de seis meses de vida antes de conseguir uma receita com os remédios que a ajudaram a morrer.


A jovem compartilhou sua experiência com a entidade sem fins lucrativos "Compassion & Choices", que faz pressão por uma legislação que legalize a eutanásia. Ela também lançou uma campanha na mídia onde explica a situação junto com sua família. A campanha inclui um vídeo publicado no YouTube, que foi visto mais de 5,6 milhões de vezes.

Em um determinado momento do vídeo, Brittany é vista abrindo a bolsa e retirando dois vidros que, presume-se, conteriam medicamentos para dar fim à sua vida. "Quando eu precisar, sei que estão aqui", ela diz para a câmera, reforçando que se sente aliviada de saber que tem a opção de morrer "nos próprios termos" e quer que outros na mesma situação tenham acesso a esta alternativa.

Segundo registros, 1.173 pessoas já se valeram do Death with Dignity Act (Ato pela Morte com Dignidade) para solicitar receitas de drogas letais no Estado do Oregon. Deste total, 752 pacientes usaram medicamentos para morrer. (Com agências internacionais e BBC Brasil)

Nenhum comentário: