segunda-feira, 21 de julho de 2014

Conselho de Segurança aprova resolução sobre MH-17

Tragédia na Ucrânia


Rússia também votou a favor de texto que cita separatistas pró-Moscou como 'grupos armados'. Representantes do Kremlin e da Casa Branca trocam farpas

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Equipes de emergência fazem a retirada dos corpos das vítimas no local do acidente da Malaysia Airlines, perto da aldeia de Hrabove, ao leste da Ucrânia. O país acusou a Rússia de ajudar rebeldes separatistas a destruir provas no local da queda do avião abatido
Equipes de emergência fazem a retirada dos corpos das vítimas no local do acidente da Malaysia Airlines, perto da aldeia de Hrabove, ao leste da Ucrânia. 


O país acusou a Rússia de ajudar rebeldes separatistas a destruir provas no local da queda do avião abatido - 

O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo uma investigação independente e acesso completo ao local da queda do avião da Malaysia Airlines. A aeronave, que levava quase 300 pessoas a bordo e ia de Amsterdã para a Kuala Lumpur, foi abatida por um míssil ao sobrevoar o leste da Ucrânia. 

O texto aprovado pede uma investigação “completa, rigorosa e independente” do caso.  A aprovação foi por unanimidade, ou seja, a Rússia também votou a favor.

O texto afirma que os separatistas pró-Moscou – identificados simplesmente como “grupos armados” para evitar protestos da Rússia – devem garantir acesso seguro ao local. 

A Rússia havia se posicionado contra uma versão anterior que deixava nas mãos da Ucrânia a liderança da investigação, informou o britânico Daily Telegraph, mesmo que o procedimento padrão nas leis internacionais quando ocorre um desastre aéreo seja deixar a investigação a cargo do país onde a tragédia ocorreu e do país onde fica a sede do fabricante da aeronave.
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O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, afirmou que o país “está pronto para oferecer qualquer ajuda necessária” para as investigações. Acrescentou que o Kremlin apoia totalmente uma apuração que “lance luz sobre a verdade”. E defendeu que todas as provas, incluindo as caixas-pretas, devem ser entregues à Icao), a agência das Nações Unidas que se ocupa da aviação internacional.


A embaixadora americana Samantha Power voltou a pressionar Moscou, dizendo que o apoio à resolução é bem-vindo, mas ressaltando que “nenhuma resolução teria sido necessária se a Rússia tivesse usado sua influência para fazer os separatistas deixarem suas armas”. Ela disse ainda que o silêncio da Rússia manda uma mensagem de apoio aos “grupos armados ilegais” e lembrou que representantes do governo russo insinuaram publicamente que a culpa pelo desastre é da Ucrânia.


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Pouco depois da intervenção americana, Churki fez exatamente o que Samantha havia apontado – tentou responsabilizar o governo de Kiev. “Durante a investigação, a Ucrânia terá de responder a perguntas sobre as atividades de seus controladores de tráfego aéreo e por que um de seus sistemas Buk estava na área”. (Continue lendo o texto)


Brinquedos e flores são colocadas sobre a fuselagem carbonizada no local do acidente do Boing 777 da Malaysia Airlines, perto da aldeia de Hrabove, ao leste da Ucrânia. O abatimento da aeronave na última quinta-feira (17) matou as 298 pessoas que estavam a bordo
Brinquedos e flores são colocadas sobre a fuselagem carbonizada no local do acidente do Boing 777 da Malaysia Airlines, perto da aldeia de Hrabove, ao leste da Ucrânia. O abatimento da aeronave na última quinta-feira (17) matou as 298 pessoas que estavam a bordo - Vadim Ghirda/AP


Os separatistas tiveram acesso a esse tipo de equipamento e não fizeram questão de esconder isso, divulgando imagens do sistema antiaéreo em redes sociais. Para o embaixador russo, no entanto, um vídeo com o Buk “foi filmado, na verdade, em território ucraniano, e, portanto, não poderia ter sido controlado pelos rebeldes”. 


Vale lembrar que os separatistas autoproclamaram independentes áreas do leste da Ucrânia, como Donetsk e Lugansk, depois de a Rússia ter anexado a península da Crimeia, no sul do país, ignorando sanções e violando leis internacionais e a soberania do vizinho. Resta saber a qual território ucraniano o diplomata se referia.

Local da queda do avião na Ucrânia

 

 

Aviões de passageiros abatidos 

Korean Air Lines Voo 007 (1983) -

Caso mais célebre envolvendo um avião de passageiros abatido propositalmente, o voo 007 da Korean Air Lines caiu no mar de Okhotsk, no Oceano Pacífico, após ser atingido por um míssil disparado por um caça soviético. Todas as 269 pessoas que viajavam no Boeing 747 morreram – entre elas estava um deputado americano. O caso provocou ultraje internacional. 


O presidente dos EUA, Ronald Reagan, chegou a afirmar que o ataque foi um "crime contra a humanidade". A União Soviética inicialmente negou ter relação com o incidente, mas depois afirmou que o foi interceptado por ter invadido seu espaço aéreo. Os soviéticos, ainda no período paranoico pré-Perestroika, afirmaram ainda que a invasão havia sido uma provocação instigada pelos americanos e mentiram seguidamente sobre os procedimentos de derrubada. 


O motivo da trajetória errática do avião – que originalmente ia de Nova York para Seul, mas acabou entrando na URSS – foi atribuído a problemas no piloto automático e aos pilotos coreanos, que não notaram o desvio. Como resultado do incidente, os EUA acabaram liberando o sistema GPS, que ainda era exclusivamente militar, para uso civil como forma de dar mais precisão para os voos comerciais.

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