sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Kátia Abreu vai para a Agricultura; Armando Monteiro, para o Desenvolvimento. E aí?



A senadora reeleita Kátia Abreu (PMDB-TO) vai mesmo para o Ministério da Agricultura, informa Vera Magalhães na Folha, e acaba de confirmar a este blog. Kátia preside a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é líder inconteste do setor, e não lhe falta competência para fazer um bom trabalho na área. Refiro-me a competências pessoais e disposições subjetivas. Mas não será uma tarefa fácil, dado o momento político.



Combativa senadora da oposição ao governo Lula, eleita senadora pelo PFL em 2006, que depois virou DEM (e o partido luta hoje para sobreviver, a despeito do mérito de muitos que estão lá), Kátia migrou para o PSD, mas a aproximação com a presidente Dilma se deu logo nos primeiros meses do governo.



Ou, para ser mais exato, Dilma se aproximou de Kátia, e nasceu uma genuína amizade entre as duas. A senadora passou a ser uma espécie de “conselheira” da presidente em assuntos relativos a infraestrutura, logística e, claro!, agricultura e pecuária. 


Com quantos Dilma concordou e se pôde ou não seguir tais conselhos, bem, aí são outros quinhentos. De todo modo, registre-se: na área do agronegócio, propriamente, o governo se comportou bem. Os desastres se computaram em outros setores.


Vamos ver que perfil Dilma pretende dar ao novo governo. Para o Desenvolvimento, vai Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, o que pode sinalizar que a presidente vai prestar especial atenção à combalida indústria nacional. A questão será como fazê-lo. Com a simples política de desonerações em curso, dá para saber que não se chega muito longe.


Qual será o perfil do governo em outras áreas? Na secretaria-geral da Presidência será mantido alguém como Gilberto Carvalho, um fomentador de conflitos nas cidades e no campo, especialmente em áreas contestadas pelo neoindigenismo? É o que se vai ver.


Katia é muito competente em sua área e tem o respeito de boa parte do país que “votou azul” neste ano. É pouco provável que contribuísse para tornar vermelha essa região do mapa. Mas é possível que, com políticas adequadas à agricultura, diminua o contencioso com o governo.


Confirmado o nome de Kátia, Dilma marca, sim, um tento. Espero é que a senadora tenha condições de fazer adequadamente o seu trabalho, sem ser muito perturbada pelos, como é mesmo?, “movimentos sociais” industriados pelo PT.


Por Reinaldo Azevedo

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