quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O ostracismo como punição social



O que se espera em um país sério é que os corruptos sejam presos e obrigados a devolver os recursos desviados. Isso é, claro, o ideal. Mas há uma alternativa dentro do alcance da população quando as autoridades não cumprem bem sua função e a impunidade campeia: impor o ostracismo aos “malfeitores”.

Em Atenas, o ostracismo era comum no passado, e o político que tivesse atentado contra a democracia era banido e ficava exilado por até dez anos. A punição foi criada por Clístenes, o “Pai da Democracia”. Adaptada para tempos modernos, seria uma espécie de rejeição social aos corruptos.
É o que defende o historiador Pierre Rosanvallon, intelectual francês que está no Brasil para conferências na UFRJ e na PUC. Em entrevista ao GLOBO publicada hoje, diz:

Pierre
A corrupção é generalizada, e foi ainda mais banalizada durante do governo do PT, pois nunca antes na história deste país se viu tanto roubo bilionário. O sentimento de impotência é forte entre a população decente. A justiça precisa fazer seu trabalho, e merece todo nosso apoio. Manifestações nas ruas demandando punição aos corruptos são essenciais como instrumento de pressão popular.


Precisamos das prisões. Mas concordo com ele: as reprovações públicas são cruciais também. Por exemplo: José Dirceu, o “chefe da quadrilha” no mensalão, já está em casa. Um ultraje! Um acinte! Ainda mais quando lembramos que Marcos Valério e Kátia Rabello ainda estão presos. Ou seja, o operador e a banqueira vão em cana por longo período, mas o arquiteto do esquema fica em casa?

Então que ao menos a população faça ele se sentir constrangido em locais públicos, que sinta o desprezo do povo, a revolta daqueles que foram enganados e lesados por seus crimes. É o mínimo que se espera, uma vez que a justiça deixa tantas brechas para os corruptos milionários. Ostracismo: um “exílio” imposto dentro do próprio país. Persona non grata, termo da diplomacia que serve para marcar os rejeitados.


Nós, brasileiros, precisamos acabar de uma vez por todas com essa mania de tratar bandidos de colarinho branco como iguais ou superiores, aplicando a Lei de Gérson de que o malandro se deu bem por meios obscuros e merece nosso respeito. Não merece. Merece nosso desprezo. Dinheiro e poder não são tudo. Mais importante é como chegou lá. Com ética ou sem ética? Respeitando os valores democráticos ou atentando contra eles?


Os corruptos precisam sentir no dia a dia a rejeição daqueles que não aceitam compactuar com esses métodos sujos e práticas nefastas. Para os petistas, os mensaleiros são “heróis injustiçados”. Que busquem refúgio apenas entre seus pares coniventes então. E que o restante da população demonstre com toda a clareza e objetividade o quanto despreza esses corruptos.


De minha parte, recusaria permanecer sentado numa mesa de restaurante ao lado de um corrupto desses, e deixaria evidente o motivo de meu repentino abandono do local…

Rodrigo Constantino

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