sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

DF se torna referência em combate contra o tráfico de drogas

Investigações ultrapassam divisas, para evitar chegada de drogas

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br



A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) vem intensificando os trabalhos de repressão ao tráfico de drogas nos últimos anos. O diretor da corporação, Jorge Luiz Xavier, considera o saldo de operações positivo, e revela uma das dificuldades no combate ao crime: a atuação interestadual das quadrilhas. “Dessa forma, temos que atuar antes que a droga chegue ao DF, por isso as inúmeras operações em Goiás, Mato Grosso e Paraná”, explica.


 Outro ponto relevante, aponta Xavier, é que até   2004 a Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) “apreendia pouco e perdia muita droga”. “Como exemplo, temos um caso em que desapareceram cerca de 40 kg de cocaína. Hoje vivemos uma situação  contrária. A  Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) é referência nacional e internacional em investigação, com apreensões recordes e índice de condenação acima de 90%", diz.


Logística
Segundo o chefe da  Cord, Rodrigo Bonach,  as investigações são estendidas até outros estados para entender   a logística do tráfico desde sua origem. “Procuramos saber quem são os fornecedores, como essa droga é transportada e quem está recebendo no DF”, explica.


 Só neste ano, a Cord foi responsável pela apreensão de cinco toneladas e 300 kg de maconha. “São três toneladas a mais em relação a 2013 no que diz respeito à maconha”, afirma Bonach. Além disso, a coordenação  foi responsável pela detenção de mais de 200kg de cocaína e derivados.


“Isso é resultado  do nosso foco em combater organizações criminosas especializadas em tráfico interestadual”, ressalta o delegado, que lembra ainda que Brasília é destino e rota da venda de entorpecentes.


 Por isso, outros dois importantes aliados são a Polícia Rodoviária Federal e a Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos de Goiás (Denarc). As BRs 060 e 020 são canais fortes de remessa de drogas. “Goiás e DF são entrepostos nacionais de drogas.  A gente tem um problema sério com a questão geográfica”, ressalta.


 Prevenção, tratamento e repressão
 
Trabalham   na Cord 72 pessoas, entre investigadores, delegados, agentes administrativos e escrivães, número que deve aumentar nos próximos anos. “A repressão poderia ser mais eficiente se esse corpo fosse mais robusto. Mas, ainda assim, tem feito muito bem o seu serviço.  À medida que especializamos mais policiais, a tendência é de um incremento de prisões e apreensões”, destaca Rodrigo Bonach. 
 
Para o chefe da Cord, a polícia combate a consequência, quando tudo mais já deu errado. Por isso, é preciso investir em prevenção. “Uma questão   fundamental é a relação diplomática com países produtores. Os representantes brasileiros precisam ter uma posição   rigorosa e dizer ‘olha, estamos padecendo de um problema social e criminal grave por conta do tráfico’. Acho que falta isso”, diz. 
 
Outro investimento necessário, ressalta Bonach, é no tratamento dos usuários. “Até pouco tempo atrás, o DF estava na lanterna da quantidade de   centros de atenção psicossocial. Agora deu uma melhorada, mas ainda não está suficientemente aparelhado. Se você trata o consumo, diminui a demanda. Quando a demanda diminuir, a oferta tende a cair. E esse tipo de ação não depende da polícia. Nós ficamos no meio desse sanduíche. Quando dá errado na fronteira e na prevenção, isso deságua em nossas mãos. Aí, fazemos a repressão, que é nossa obrigação”, conclui.
 
Caminho traçado
 
 Para combater o tráfico dentro do DF,   a Cord traçou uma espécie de rota, com as regiões   em que as drogas circulam em maior volume. “Tradicionalmente,   isso acontece mais em Ceilândia,  Gama, em Samambaia, em Planaltina e no Entorno”, explica. No caso das cidades vizinhas, lembra o delegado, boa parte  serve de   depósito. “O tráfico na região central é mais pulverizado. São traficantes médios e pequenos que distribuem as drogas de   maneira mais difusa, ou para traficantes varejistas, que repassam aos consumidores”, detalha o delegado Rodrigo Bonach.
 
 Hoje, o principal produtor da maconha, conta Bonach,  é o Paraguai, país vizinho do Brasil. “No Nordeste  há o chamado Polígono da Maconha. Mas a qualidade da droga é inferior à do Paraguai, que passou   a distribuir a droga lá”, diz o delegado. Já a cocaína e   derivados  são distribuídos principalmente  pela Bolívia, Peru e Colômbia, sendo o primeiro   o principal produtor. 
 
 “A Bolívia tem   fronteira seca gigantesca com o Brasil. Traficantes de lá remetem  as drogas por meio do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre. A Colômbia envia, principalmente, aos Estados Unidos. Por isso, os traficantes daqui preferem buscar a cocaína na Bolívia e do DF remetê-las aos grandes centros”, diz. Já as drogas sintéticas (LSD E ecstasy)   vêm da Europa e chegam de navio  ou avião.
 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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