quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O apartheid na ilha de Fidel e a esquerda caviar



Maradona, ícone da esquerda caviar

A marca da esquerda caviar é o contraste entre discurso e prática, ou seja, aquilo que chamamos de hipocrisia. Impermeáveis aos fatos, seus ícones preservam suas ideologias, pois delas precisam como o viciado precisa do ópio. Focam apenas na retórica, nas palavras, na beleza dos discursos, nas intenções propaladas.

São os igualitários, os justiceiros do mundo, que falam em nome dos pobres e oprimidos, ainda que sejam do andar de cima, da maldita “elite”. Uma “vibe” e tanto que isso produz em seus cérebros, liberando doses cavalares de serotonina. Diga, espelho meu, existe alguém mais abnegado do que eu?
E é assim que ditaduras assassinas como a cubana conseguem ficar imunes ao escrutínio da realidade. Prevalece a versão, o mito, a narrativa. Nenhuma criança dorme na rua. A medicina é um sucesso. A educação é maravilhosa. Não há desigualdade. As conquistas sociais justificam a opressão, se é que ela existe mesmo. E por aí vai…

Claro, basta uma leitura mais imparcial ou isenta para saber que é tudo mentira. Mas os “intelectuais” sacam logo sua arma da cartola: mídia golpista e vendida, lacaios do império estadunidense, elites mentirosas. Leu na Veja? Tinha que ser! Se quiser se informar de verdade, tem que ler a Caros Amigos…

Ou, claro, visitar a ilha de Fidel. O que cada vez mais gente tem feito, pois sentem no ar as mudanças inevitáveis que poderão destruir o museu a céu aberto, uma nação toda parada no tempo há meio século. Mas quem vai lá com um mínimo de honestidade intelectual, e não fica restrito aos belos locais de turismo, só pode sair com uma conclusão: socialismo é sinônimo de inferno!

Foi o caso de Cora Rónai, que escreveu seu diário de Havana. E também o caso do escritor e produtor de cinema José Paulo Lanyi, que publicou um artigo hoje na Folha revelando sua experiência em Cuba. O que mais chamou sua atenção foi o “apartheid” existente no país, claramente dividido entre os privilegiados pela ditadura e o resto, que vive na penúria total. Ele conclui:

O contraste entre o que se pode ter e o que se vê nas mãos dos estrangeiros e da minoria habilitada gera grande insatisfação popular.
Muitos falam mal do governo e dizem que, enquanto a massa se sacrifica, Fidel Castro, integrantes de seu regime, artistas e esportistas famosos vivem em mansões em uma região rica a oeste de Havana.
Voltamos para o Brasil com uma imagem que sintetiza o sentimento desse povo. Em Varadero, um brasileiro deu o seu mergulho, pegou a toalha na cadeira e rumou para um hotel da rede Meliá. Ostentava, no braço bronzeado, uma tatuagem de Che Guevara.

Ou seja, um típico membro da esquerda caviar! Um sujeito que deve se sentir o máximo, uma alma nobre que paira acima dos reles mortais gananciosos e egoístas, tudo porque diz defender o socialismo e gravou na pele a imagem do guerrilheiro assassino eternizada por Korda.

Não basta mais nada. Não precisa viver de acordo com o que prega. Pode continuar desfrutando do que só o capitalismo pode oferecer, e daquilo que os cubanos dariam uma mão para ter. Desde que diga que adora o socialismo e mostre sua tatuagem do Che.

Pronto! Um sujeito sensível, engajado, preocupado com os pobres. Agora pode pedir mais uma rodada de camarão com vinho branco em paz, enquanto os cubanos permanecem presos no inferno e sob um claro “apartheid” que separa o povo da nomenklatura. Somos todos iguais, mas uns mais iguais que os outros…

Rodrigo Constantino

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