quarta-feira, 1 de outubro de 2014

EUA pagarão US$ 300 milhões para Brasil encerrar disputa sobre algodão, diz agência

1/10/2014 01h34 - Atualizado em 01/10/2014 01h34


Em troca, Brasil concorda em não tomar medidas comerciais contra os EUA.
Acordo será formalmente assinado nesta quarta (1º).

Da Reuters
Os Estados Unidos vão pagar aos produtores brasileiros de algodão US$ 300 milhões em compensação para encerrar uma disputa sobre os subsídios do algodão que beneficiam os produtores norte-americanos, afirmaram nesta terça-feira (30) duas autoridades familiarizadas com o acordo.

O acordo será formalmente assinado na quarta (1º) de manhã, em Washington, disse um dos funcionários. Em troca do pagamento ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o Brasil concordou em não tomar quaisquer outras medidas comerciais contra os EUA.

"Todo mundo está aliviado que este caso está finalmente sendo encerrado e que Brasil e EUA podem agora seguir em frente em muitos interesses comuns que nos unem", disse uma das fontes.

Em troca do pagamento ao IBA, o Brasil concordou em não tomar quaisquer outras medidas comerciais contra os EUA. A autoridade afirmou que os EUA poderiam implementar uma nova lei agrícola sem preocupações com retaliações.

"Quando você considera o que estava em jogo para ambos os lados, este é um acordo em que todos ganham", disse a autoridade.

As relações entre Brasil e EUA foram estremecidas no ano passado por revelações de que a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) espionou a presidente Dilma Rousseff com programas de vigilância digital, segundo documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden.

Negociações diplomáticas em diversos setores - desde dupla tributação até regras para emissão de vistos - foram congeladas.

Dilma cancelou uma visita de Estado a Washington e exigiu um pedido de desculpas do presidente Barack Obama. Os EUA disseram publicamente que lamentavam o incidente, mas não emitiram um pedido formal de desculpas.

O acordo para a questão do algodão ocorre poucos dias antes da eleição presidencial em que os dois principais oponentes de Dilma, Aécio Neves e Marina Silva, prometeram reconstituir os laços com Washington para abrir mercados para exportadores brasileiros.

Em 2004, o Brasil venceu na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma disputa contra os subsídios recebidos por produtores de algodão dos EUA, ficando com o direito de impor sanções contra produtos norte-americanos no valor de US$ 830 milhões. O Brasil concordou em suspender a punição caso os EUA depositassem dinheiro em um fundo de assistência para produtores brasileiros de algodão.

Os EUA pararam de pagar a compensação mensal em outubro do ano passado, devido a divergências no Congresso norte-americano sobre o orçamento federal, o que levou o governo brasileiro a ameaçar impor tarifas mais altas para produtos norte-americanos.

Em outro sinal de que as relações estão começando a avançar, os dois países assinaram um pacto de troca de informações fiscais na semana passada que poderá levar a um acordo fiscal que evite dupla tributação de companhias norte-americanas que operam no Brasil, e vice-versa.

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