quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Os treze ratos




Apareceram no porão de minha casa treze ratos malditos. Foi descoberto, na verdade, que já estavam lá há 12 longos anos. As estruturas da casa estavam completamente corroídas, e havia enorme quantidade de estoque de alimentos reunida ali. Pareciam musaranhos, esses roedores gulosos. Agora entendia por que gastava cada vez mais nas compras do mês e tinha menos comida disponível para a família.

Chamei os dedetizadores. Não aguentava mais esses ratos em minha casa. Eram especialistas, e me ofereceram duas soluções. A primeira era mais cara, custava 45 reais. A segunda, um pouco mais barata, saía por 40 reais. Quais eram as diferenças principais?, perguntei.

A de 45 reais era mais técnica, contava com os melhores dedetizadores disponíveis, gente preparada e com ampla experiência prática. Havia, porém, um problema: os ratos estavam mais acostumados com eles e já tinham desenvolvido formas de derrotá-los, de sobreviver aos seus pesticidas.

Com a solução de 40 reais, eu teria uma turma menos experiente, que oferecia soluções mais românticas, algumas práticas que pareciam com a dos próprios ratos para poder vencê-los em seu território. Era uma “nova forma” de se fazer o trabalho, diziam. Quase fui fisgado pelas emoções. 

Mas a líder da equipe dos dedetizadores é cara de um rato, para ser sincero. Fiquei desconfiado, confesso.

Eis o que acabei decidindo: compraria primeiro a solução de 45 reais mesmo, confiando que é preciso ir com o melhor produto disponível no mercado para acabar com os ratos e colocar a casa novamente livre das pragas, com pilares mais sólidos.

Se esse remédio não surtir efeito e os ratos continuarem por lá, haverá ainda uma segunda chance para gastar mais 40 reais e apelar para a outra alternativa. No dia 5 de outubro, os dedetizadores ficaram de ir lá em casa para a primeira tentativa. Aguardo no local, com alguma esperança. Não suporto mais conviver com aqueles ratos!

Se nenhum dos dois produtos funcionar, receio que minha casa não fique de pé por mais quatro anos, prazo prometido para que um revolucionário método novo esteja disponível no mercado. Vi o que aconteceu com dois vizinhos meus, um venezuelano e outro argentino. Os ratos tomaram conta de tudo e a casa veio abaixo. Deus me livre de tal destino trágico!


Rodrigo Constantino

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