domingo, 6 de abril de 2014

Fornecedores da Petrobras ameaçam parlamentares com fim das doações para que não haja CPI. Eles representam 30% do caixa das campanhas eleitorais.



 
 
O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) é um exemplo das obras superfaturadas da Petrobras. Ali atuam as grandes empreiteiras e maiores fornecedores da estatal. Andrade Gutierrez, por exemplo, a maior doadora eleitoral das campanhas de 2012, lidera o consórcio para implantação de tubos e participa de outro consórcio, para terraplanagem, junto com Odebrecht e Queiroz Galvão, também grande alimentadores de caixas de campanha. Apenas nesta obra, o TCU encontrou indícios de superfaturamento da ordem de R$ 780 milhões. 

Segundo o Estadão, de cada R$ 10 doados por empresas a candidatos e comitês nas eleições de 2010 e 2012, R$ 3 vieram de fornecedores da Petrobrás. Maior companhia brasileira, a estatal está no centro da mais ampla rede de financiamento privado de campanhas eleitorais no Brasil. Detentores de contratos com a companhia petrolífera desembolsaram ao menos R$ 1,4 bilhão em contribuições às campanhas de postulantes a presidente, governador, prefeito, deputado e senador. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.

Empreiteiras e outros grandes doadores de campanhas eleitorais estão pressionando deputados e senadores governistas e da oposição a desistir da criação de CPIs no Congresso para investigar os negócios da Petrobras e o cartel acusado de fraudar licitações de trens em São Paulo. De acordo com seis parlamentares que transitam no meio empresarial e um assessor presidencial ouvidos pela Folha, os interlocutores das empresas afirmam que uma CPI pode reduzir o "ânimo" dos empresários para financiar candidaturas na campanha eleitoral deste ano.

Os primeiros contatos começaram há duas semanas, depois que a oposição conseguiu as assinaturas para criação de uma CPI para investigar a Petrobras no Senado. Doadores foram estimulados pelo próprio governo a entrar em campo para convencer senadores a retirar suas assinaturas do primeiro pedido de criação da CPI, apresentado pelo PSDB. A tentativa se revelou frustrada.

Houve conversas com parlamentares governistas e da oposição. Um deles, que pediu para não ser identificado, relatou que os interlocutores das empresas pediram "bom senso" aos congressistas, lembrando que sempre há o risco de uma CPI sair de controle.

"O mundo trocou BBM com o doleiro Alberto Youssef", contou um parlamentar governista, citando o sistema de troca de mensagens do celular do doleiro acusado de participar de um esquema de lavagem de dinheiro desbaratado pela Polícia Federal.

Segundo a PF, Youssef tinha relacionamento estreito com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso em Curitiba e guardava planilhas detalhadas com registros do que fazia. Por essa razão, as empresas temem o que pode acontecer se ele contar o que sabe ou se suas planilhas vierem à tona durante uma CPI, "Ele é muito organizado. É batom na cueca", diz um congressista. Esse congressista sustenta também que uma investigação contra as principais doadoras de campanha num ano eleitoral comprometerá o financiamento dos candidatos.

TEMOR

Depois do mensalão, o setor privado passou a temer ainda mais as CPIs. Nos casos da Petrobras e do cartel de trens paulista, lembram congressistas, as investigações poderiam atingir clientes da estatal e empresas que participaram da construção de metrôs em outros Estados. Representantes das empresas também entraram em contato com assessores presidenciais para pedir ao Planalto que desista de partir para a guerra contra as CPIs.

Em reunião recente com sua equipe para avaliar o clima no Congresso, a presidente Dilma Rousseff afirmou ser contra a criação de comissões parlamentares de inquérito, mas disse que, se a oposição vai criar a dela, o governo não pode ficar na defensiva. (Folha de São Paulo)
 

No berço do PT, Aécio diz que é vergonha Dilma impedir CPI da Petrobras.

 
 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) escolheu neste sábado o principal berço político dos seus adversários para defender sua candidatura à Presidência da República. Durante ato organizado pelo pelo PSDB em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, Aécio provou diretamente os petistas, dizendo que tratam a região como "um curral eleitoral fechado". No evento, ele voltou a defender a instalação da CPI da Petrobras.

- Sempre ouvi as lideranças do PT tratarem o ABC quase que como um curral eleitoral fechado. Venho aqui para dizer que nessa eleição eles vão provar do próprio veneno, porque nós vamos ganhar aqui. O ABC é constituído de gente capaz, inteligente, trabalhadora e que está percebendo o mal que o PT vem fazendo ao Brasil - disse o tucano na terra do ex-presidente Lula, completando acreditar que "ninguém é dono do voto e da consciência do trabalhador brasileiro".

Aécio devolveu no ABC o discurso de Lula em visitas recentes à Minas Gerais. Mais de uma vez, em atos das últimas campanhas eleitorais, o ex-presidente declarou que havia pessoas que tratavam Minas como "espécie de quintal em que ele são donos" e insinuou conhecer mais o interior do estado do que o ex-governador mineiro.

- São trabalhadores que veem o mal que o governo está fazendo, inclusive nessa região - disse neste sábado Aécio, no organizado por correligionários.

O tucano afirmou que nada adiantará se a sua campanha à presidência avançar em outras regiões e não avançar em São Paulo. - Me deem a vitória em São Paulo que eu entrego a vocês a Presidência da República - disse no discurso, que contou com a presença de deputados estaduais e federais pelo PSDB, além do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), nome mais cotado para ocupar o lugar de vice na chapa tucana que concorrerá em outubro.

Em entrevista, Aécio citou matéria publicada neste sábado pela revista "Veja", que traz trecho de mensagem em que o doleiro Alberto Youssef diz ao deputado André Vargas (PT-SP) que sua intermediação em contratos do governo garantirá a "independência financeira" de ambos.

- As revistas semanais mostram uma relação incestuosa de uma gravidade enorme, de agentes políticos importantes do PT, com grande influência no PT, dentro da Petrobras, para fazer negócio. Segundo a revista, para garantir a independência financeira deles. Isso é um acinte, uma vergonha - disse Aécio.

A ação de Vargas mencionada pela revista se refere, entretanto, à atuação com Youssef junto ao Ministério da Saúde, e não à Petrobras. O doleiro é investigado por atuar na estatal de petróleo com outro dirigente, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, de acordo com inquérito da Polícia Federal.

Aécio reafirmou neste sábado que a oposição acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir a instalação da CPI da Petrobras, ainda não instalada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o que ele considera uma "violência sem limites ao funcionamento do Parlamento".

- É vergonhosa a tentativa do governo, comandada pelo Palácio do Planalto, de impedir que as investigações em relação à Petrobras ocorram. Na terça-feira estaremos indo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ver respeitado o direito das minorias, disse o tucano, citando jurisprudência que prevê a instalação automática da comissão quando há o número mínimo de assinaturas e a ocorrência de fato grave.

O senador mineiro disse estar disposto a assinar qualquer pedido de CPI feito pela base aliada da presidente Dilma Rousseff. Foi uma resposta à decisão de Renan de permitir aos governistas incluir na CPI investigações que atingem governos estaduais de oposição, como o suposto cartel no Metrô de São Paulo, a construção do Porto de Suape, em Pernambuco, e transações envolvendo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

- O governo quer fazer CPI sobre qualquer outro tema? Que faça, o governo tem maioria. Eu não negarei inclusive minha assinatura pessoal à outra CPI para investigar o que quer que seja, mas não impeçam a sociedade brasileira de entender de que forma a Petrobras vem sendo governada ao longo desses últimos anos - disse Aécio. ( O Globo)
 




Maior companhia brasileira, a estatal está no centro da mais ampla rede de financiamento privado de campanhas eleitorais no Brasil. Detentores de contratos com a companhia petrolífera desembolsaram ao menos R$ 1,4 bilhão em contribuições às campanhas de postulantes a presidente, governador, prefeito, deputado e senador.

 Isso não implica que a Petrobras tenha direcionado as doações - a legislação proíbe que empresas que tenham participação societária do Estado financiem campanhas eleitorais. Tampouco denota ilegalidade. Mostra, porém, o potencial de alcance político e econômico da estatal e ajuda a entender os temores de parte da classe política com a instalação de uma CPI da Petrobras.

Levantamento conjunto do Estadão Dados e da Transparência Brasil revela que 4.792 candidatos e comitês partidários receberam recursos de empresas contratadas pela Petrobras nos últimos quatro anos. Nas eleições parlamentares e para governos de 2010, 1.778 candidatos/comitês receberam desses fornecedores. Na disputa municipal de 2012, foram 3.014 os beneficiários. Os valores doados pelos fornecedores da Petrobras constituem uma estimativa conservadora: o levantamento levou em consideração só os contratos assinados a partir de 2010.

Além de volumosa e extensa, a rede de doações é certeira. Dos 513 deputados federais eleitos em 2010, nada menos do que 330 contabilizaram doações de empresas privadas que mantêm contratos com a Petrobras. Juntos, receberam pelo menos R$ 78 milhões para ajudar a bancar suas candidaturas. O valor pode ser ainda maior, porque não inclui as doações dessas empresas a comitês partidários, que podem beneficiar mais de um candidato.

A regra dos doadores é ter um pé em cada canoa partidária. O dinheiro foi doado indiscriminadamente tanto a partidos que apoiam o governo federal quanto a legendas que lhe fazem oposição. Nada menos que 24 siglas receberam recursos em 2010, e 26 em 2012. Nas eleições realizadas há quatro anos, candidatos e comitês do PT, que disputava o terceiro mandato presidencial consecutivo, receberam 25% do valor total doado pelos fornecedores da Petrobras. Já o PSDB, principal partido da oposição e havia oito anos distante do Planalto, ficou com uma fatia levemente inferior: 24%.

Levando-se em conta as disputas pelos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, candidatos do PT receberam em 2010, em conjunto, R$ 224 milhões de empresas ligadas por contratos à Petrobras. As doações para tucanos somaram R$ 210 milhões. 

O PMDB, que tem influência em diretorias da Petrobras e é segundo maior partido da base governista, recebeu menos recursos do que o oposicionista PSDB em 2010: R$ 165 milhões, o equivalente a 19% do total.


Fonte: Agencia Estado


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