quarta-feira, 9 de julho de 2014

Desastre histórico 10 – É preciso importar técnicos para os grandes times e para a Seleção; salários milionários já há; só faltam agora os técnicos talentosos




Em matéria de Seleção Brasileira, há uma contradição que me parece insanável. 

Praticamente a totalidade dos jogadores escolhidos atua em times estrangeiros. Além do seu talento, o que se quer é também a sua experiência internacional em centros de alta performance futebolística — coisa que o Brasil, convenham, há muito tempo não é. 

Na hora, no entanto, de escolher um treinador, ficamos mesmo com a prata da casa — que anda uma lástima. 

Escrevi há dois anos, quando Felipão foi indicado, e repeti ontem no blog: ele foi guindado para a Seleção Brasileira quando havia acabado de contribuir, de modo importante, para mandar o Palmeiras para a segunda divisão. Tem uma carreira com méritos, incluindo uma Copa do Mundo, mas me parece evidente que está ultrapassado. O vexame que a Seleção Brasileira sofreu foi, antes de tudo, tático.

Nesta terça, nós todos vimos Felipão, na beira do campo, a dar um pito em alguém — talvez em David Luiz: “Não adianta! Está seis a zero!”. Repetiu a fala e reproduziu o placar com uma mímica. O que estaria querendo dizer com aquilo? Nem Deus sabe, não é? Se o Altíssimo gostasse de futebol, naquela hora, estaria se regozijando com outras ovelhas, não com as nossas.


A CBF dispõe de condições e recursos para contratar técnicos estrangeiros. Dos que estão na praça, me digam: quem está em condições de oferecer algum diferencial à Seleção? Felipão, com todo o respeito à sua trajetória, transformou-se num distribuidor de camisas. 

A escalação que fez contra a Alemanha não evidencia ignorância apenas sobre o seu próprio time, mas me parece, e isto é mais grave, está a evidenciar também uma leitura errada do time alemão. Não me lembro, no tempo em que acompanho futebol, de ter visto um time montado sem meio de campo.

E fomos amargando, então, alguns recordes negativos:

1: a pior derrota da nossa Seleção em Copas;
2: o pior resultado da equipe em todos os tempos, incluindo amistosos: antes, havia perdido de 5 a 1 para a Bélgica, em 1963, e de 6 a 0 para o Uruguai, em 1920;
3: a pior derrota de um time numa semifinal de Copa do Mundo;
4: tomou o maior número de gols em menos tempo: em 29 minutos, foram cinco;
5: quatro dos sete gols alemães foram feitos em 6 minutos: aos 23, aos 24, aos 26 e aos 29;
6: três gols resultaram de bolas roubadas, como quem toma doce de criança;
7: ao fazer seu sétimo gol, a Alemanha tinha realizado 13 finalizações — 54% de eficiência, o que deve também ser recorde;
8: durante todo o primeiro tempo, o Brasil fez 2 finalizações — a Alemanha, sete, com cinco gols.
9: perder é do jogo; deixar-se humilhar é coisa de quem não respeita a história alheia nem a própria.


Pelas mesmas e óbvias razões por que exportamos jogadores, está na hora de importar treinadores — e isso vale também para os grandes clubes. Está na cara que o Brasil se tornou, no futebol, um país de Jecas-Tatus, eternamente de cócoras sobre a própria incompetência. 


E olhem que não faltam salários milionários aos nossos técnicos. Dá para trazer os melhores que atuam nas grandes praças futebolísticas do mundo.

Os jogadores talentosos estão aí. Continuam a ser fornecidos todos os dias pelas escolinhas e pelas periferias deste Brasil imenso. Mas a  CBF, assim como o país, tem de mudar.

Sim, é preciso aprender com as derrotas. Quando essa derrota é um vexame sem precedentes, é preciso uma terapia de choque.

Por Reinaldo Azevedo

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