domingo, 20 de abril de 2014

Bolsistas do Ciência sem Fronteiras protestam no Canadá contra regresso





Capes anunciou que eles voltarão ao Brasil por não terem aprendido inglês.


Aluna diz que prova foi aplicada sem aviso prévio e antes do fim do curso.

Do G1, em São Paulo



Estudantes que receberam bolsa do programa Ciência sem Fronteiras (CSF), mas foram informados de que deveriam retornar ao país antes de concluírem o período de intercâmbio, protestaram nesta quinta-feira (10) em frente à prefeitura de Toronto, no Canadá, contra a decisão do governo. 

O Ministério da Educação afirmou que convocou 110 bolsistas para o retorno antecipado porque eles não demonstraram domínio do idioma estrangeiro.

No Canadá, essa é a situação de 80 estudantes. Eles fazem parte de um grupo de 3.445 bolsistas do CSF que haviam sido pré-selecionados para estudar em Portugal, em um edital que não exigia conhecimento de uma segunda língua além do português. Porém, devido ao grande número de bolsistas em Portugal, o MEC solicitou a esses bolsistas que reescolhessem um país de destino, e pagou para que eles estudassem o idioma do novo país durante seis meses antes de efetivamente iniciarem as disciplinas de graduação na instituição do intercâmbio.

Luana Monteiro Leite, estudante de São Paulo que está entre o grupo convocado a retornar, afirmou em entrevista à Globo News que o governo descumpriu o contrato entre as partes (assista no vídeo acima). Segundo ela, o combinado era que o exame de proficiência de inglês só deveria ser feito após a conclusão do curso de idioma, que terminou no fim de março. "Recebemos de repente no dia 16 de janeiro um e-mail dizendo que seríamos obrigados a fazer a prova do Toefl, no outro dia às 9h da manhã. Para ser mais exata, eu recebi esse e-mail às 19h, sendo que deveria estar no local da prova às 9h do outro dia", diz ela.

"Eu não fiz a prova e não passei, como eu sabia que não ia atingir a nota que eles queriam que fosse. Não estava preparada para fazer uma prova do dia para a noite", contou Luana à Globo News. "Essa prova deveria ser aplicada aos alunos ao final do mês de março, que é ao final do curso de inglês que eu acabei na última sexta-feira [4 de abril]."

De acordo com a jovem, os estudantes se reuniram com o cônsul do Brasil em Toronto e apresentaram documentos comprovando sua situação e também os vínculos que já criaram no Canadá.

"Nós temos contratos assinados com canadenses de aluguel, telefone, internet. Planejamos uma vida em Toronto e isso está tudo sendo quebrado", reclamou Luana.

Canadá e Austrália
 
Além dos 80 estudantes no Canadá, outros 30 bolsistas na Austrália estão na mesma situação. Na quinta-feira (9), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou por meio de sua assessoria de imprensa que o motivo do retorno antecipado foi o fato de eles não terem comprovado a proficiência mínima do idioma inglês, um dos requisitos do programa. "Esses bolsistas estão voltando ao país porque não atenderam aos requisitos mínimos estabelecidos pelas universidades para a realização dos cursos acadêmicos", diz nota divulgada pela Capes.


De acordo com a Capes, a grande maioria dos bolsistas cumpriu o requisito e já está com a bolsa garantida no país de destino. Há casos, entre os 110 universitários que agora terão de voltar ao Brasil, em que, além de não demonstrarem domínio do idioma, eles ainda não puderam ser alocados em uma universidade por problemas de incompatibilidade do histórico escolar com o currículo do curso no exterior.

Como esses estudantes representam uma exceção entre os editais do programa, essa avaliação, que é feita antes do início da viagem, só foi realizada quando eles já estavam no Canadá ou na Austrália estudando o idioma local.

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