domingo, 11 de janeiro de 2015

Sabesp prevê em 2015 'sofrimento' e cenário pessimista



O novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, traçou um cenário pessimista para a crise da água neste ano, prevendo maior aperto e "sofrimento" da população.


"Seria uma irresponsabilidade, com o quadro que está hoje, 9 de janeiro, olharmos para frente com otimismo", discursou ele na sexta (9), ao assumir a função na gestão Geraldo Alckmin (PSDB).


Além de ressaltar que "não temos boas notícias", Kelman disse que precisará intensificar as manobras de redução de pressão da rede –que têm como efeito a falta de água principalmente à noite e em lugares mais altos e distantes.




Claudio Belli - 30.set.2013/Valor/Folhapress
Jerson Kelman, novo presidente da Sabesp
Jerson Kelman, novo presidente da Sabesp   


"Inescapavelmente, teremos algum tipo de sofrimento pela população", disse ele.


Essa redução de pressão nas tubulações (ou seja, o envio de água com menos força) tem sido uma das estratégias para economizar e, com isso, contornar crise de abastecimento.


Segundo Kelman, esperava-se a melhora das chuvas no final de 2014. Mas os índices de chuva nos mananciais não foram satisfatórios.


"Os últimos meses são piores do que os do ano passado. O ano passado foi uma coisa horrível. Agora é pior. Não nos anima", afirmou.


Ele disse que as recentes chuvas que têm provocado alagamentos e transtornos na capital paulista não atingem em cheio os reservatórios.


"Lamentavelmente, São Pedro tem errado a pontaria. Tem chovido, mas não nos lugares que tem que chover. Temos que torcer que São Pedro melhore a pontaria", disse.


NÍVEIS
Apesar da chuva que alagou a região central de São Paulo na última quinta-feira (8), o nível de cinco dos seis principais mananciais da região metropolitana amanheceu ontem com queda.


O sistema Cantareira, que abastece cerca de 6 milhões de pessoas, foi um dos que voltou a cair, passando de 6,8% para 6,7% de sua capacidade, já contabilizando duas etapas do volume morto, que é a porção de água que fica abaixo dos canos de captação.


MUDANÇA
A postura mais assertiva e menos cautelosa sobre os detalhes da crise é uma mudança que vinha se desenhando na gestão da água, desde o final do ano passado, com o fim da campanha eleitoral.


O término da campanha, com a reeleição de Alckmin também marcou a adoção de medidas mais duras para diminuir o consumo, como a adoção de sobretaxa.
Jerson Kelman é engenheiro civil com doutorado em hidrologia pela Universidade do Estado do Colorado, foi diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas).


Ele assumiu o posto depois do desgaste de Dilma Pena à frente da Sabesp na maior crise.

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