sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ceará: PMDB e aliados de Eunício querem palanque só para Aécio. Dilma fora!


Candidato a governador do Ceará em coligação com o PSDB do ex-senador e ex-governador Tasso Jereissati, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, tem dito que vai pedir voto para a presidente Dilma Rousseff e manter seu palanque aberto. Mas aliados do próprio partido defendem que ele garanta palanque exclusivo ao candidato tucano à Presidência da República, senador Aécio Neves.

"Palanque aberto é conversa para boi dormir. Ele tem que fechar com o Aécio. Cachorro que tem dois donos morre de fome", diz o deputado estadual Carlomano Marques (PMDB). Para ele, a candidatura de Dilma "vai derreter como picolé no sol" e a hora de Eunício aderir à campanha presidencial tucana é agora, "para não parecer oportunista".

Afinado ao governo federal como líder do PMDB no Senado, Eunício foi isolado pelo governador Cid Gomes (Pros), que reuniu as forças governistas em torno do seu candidato ao governo, Camilo Santana (PT). Isso forçou o senador do PMDB a se coligar com o PSDB e outros partidos de oposição, como DEM e PPS.

Por sua formação, a chapa tem o carimbo de oposição. O candidato a vice-governador é do PR, Roberto Pessoa, ex-prefeito de Maracanaú, desafeto de Cid. Tasso disputa o Senado tendo como seu primeiro suplente o vice-presidente estadual do DEM, Chiquinho Feitosa.

Mesmo encurralado, mantém o discurso de apoio à reeleição de Dilma e do vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB. Além disso, Eunício diz aguardar o cumprimento de compromisso que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria assumido com ele, de fazer gesto de apoio à sua candidatura.

Mas os aliados são céticos quanto a esse suposto apoio e acham que as chances eleitorais do líder do PMDB estão atreladas às de Aécio. "Ele está sendo solenemente enrolado tanto por Lula quanto pela presidente Dilma. Eles não vão apoiá-lo, porque o PT tem candidato a governador", argumenta Marques. Na sua opinião, o líder está sendo "exagerado" na lealdade a Temer.

Para o deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE), Eunício será definitivamente visto pelo eleitor como candidato da oposição - não só ao governo estadual, como também ao federal - nos primeiros dias da propaganda eleitoral na televisão, quando Dilma aparecer no horário destinado à campanha do candidato a governador do seu partido.

Esse quadro pode levar o PMDB do Ceará a ser mais um a apoiar Aécio Neves. O candidato tucano tem apoio de todo o partido ou parte dele em vários Estados, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Piauí.

"O que vai definir o senador Eunício no campo da oposição é a vinculação do 13 [número do PT] da campanha presidencial com o 13 da eleição estadual", diz Forte. Ele afirma que Eunício ainda não reuniu as bancadas estadual e federal do PMDB para discutir o assunto. Por enquanto, o partido está dividido com relação à eleição presidencial.

Cid Gomes reuniu a maior parte dos partidos da base de Dilma em torno de Camilo Santana. Embora filiado ao PT, ele é tido como político ligado ao governador. A coligação do petista - chamada Para o Ceará seguir mudando - tem 18 partidos (PT, PRB, PP, PDT, PTB, PSL, PRTB, PHS, PMN, PTC, PV, PEN, PPL, PSD, PCdoB, PTdoB, SD e Pros).

Eunício alegava ter compromisso com Cid de lançá-lo candidato a governador e se diz traído. Sem alternativa no campo governista, aliou-se a Tasso, com o objetivo de formar uma chapa majoritária para disputar a eleição. O tucano está sem mandato desde 2011, dedicando-se à atividade empresarial e não pretendia disputar outra eleição. Acabou cedendo aos apelos de Aécio para concorrer ao Senado, dando à campanha presidencial tucana um palanque no Estado.

Aécio participou diretamente dos entendimentos para a formação da coligação do PSDB com o PMDB de Eunício. Pelo acordo feito entre o senador pemedebista e o presidenciável tucano, o palanque de Eunício seria aberto. No horário dedicado à propaganda da disputa ao governo, ele pediria voto para Dilma. E Tasso, na propaganda destinada aos candidatos a senador, faria a campanha de Aécio.

Ex-governador do Ceará por três mandatos (de 1987 a 90, 1995 a 98 e 1999 a 2002), Tasso foi senador de 2003 a 2011 e não foi reeleito. Hoje, ele lidera as intenções de voto para o Senado. A coligação - Ceará de Todos - é formada por PMDB, PSC, DEM, PSDC, PRP, PSDB, PR, PTN e PPS.

O PSB do ex-governador Eduardo Campos (PE), candidato à Presidência da República, lançou a deputada estadual Eliane Novaes à disputa pelo governo do Ceará. Ela registrou sua candidatura sem partidos aliados. Também disputa o cargo Ailton Dantas, do PSOL, coligado com PSTU e PCB.(Valor Econômico)
 
 

Nenhum comentário: