sexta-feira, 27 de junho de 2014

Aécio: Dilma usa Palácio do Planalto como comitê eleitoral. PSDB vai ao TSE.



 
 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência da República, criticou a presidente Dilma Rousseff e o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, pela postura do Palácio do Planalto em relação aos prefeitos do PMDB no Rio de Janeiro que decidiram apoiar a candidatura tucana. Segundo Aécio, o Palácio do Planalto parece fazer uso de uma equipe de servidores públicos, a exemplo do servidor Cássio Parrode Pires, para objetivos eleitorais.

Nesta quinta-feira, uma reportagem publicada pelo EXTRA e pelo jornal “O Globo” mostrou que, no último dia 12, Cássio enviou à assessoria de imprensa do PMDB do Rio um e-mail solicitando a lista dos prefeitos que haviam comparecido, na véspera, ao almoço de lançamento da chapa Aezão — que prega o voto em Luiz Fernando Pezão para governador e em Aécio Neves para presidente.

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República respondeu ao EXTRA que a presidente Dilma Rousseff não comentaria o episódio. A assessoria de imprensa da pré-campanha presidencial de Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco, informou que o presidenciável não comentará o episódio. O PSDB e o PSB vão à Justiça contra a presidente Dilma Rousseff, para solicitar investigação por suspeita de cometimento de crime eleitoral.

Leia abaixo a entrevista com o senador Aécio Neves.

O que o senhor achou do episódio do envio do e-mail pelo Planalto?
 
 
É mais uma lamentável evidência de que lideranças do PT não sabem o que é público e o que é partidário. Não sabem o que é republicano, não sabem diferenciar. Mas, se eles não aprenderam, vão ter que entender isso na Justiça. É o descompromisso do discurso da presidente, que se apresenta falando em novas relações políticas, mas isso contrasta com a prática cotidiana do governo. A que serve isso, se não para retaliar ou constranger? Isso é usar o servidor público, o que é pago com o dinheiro público, para fazer campanha.

O senhor acredita que o servidor Cássio agiu isoladamente?
 
Não, e o próprio ministro Berzoini já disse que não. Isso é uma ação vedada ao servidor público. É uma ação eleitoral. Em 2006, o ministro Berzoini se tornou nacionalmente conhecido como foi pego financiando dossiês falsos contra o Serra. Ele foi denominado pelo ex-presidente Lula como chefe dos aloprados. Ele deve ter gostado desse estilo. É a mesma forma aloprada de agir. É algo absolutamente questionável sob todos os aspectos. 
 
Queremos que ele explique no Congresso Nacional. Isso pode ser uma central eleitoral de constrangimento, de punição de prefeitos que tenham uma orientação política diferente do governo. É aquela velha história. O PT se apropria do estado como se fosse seu e acha que pode utilizá-lo em benefício de seu projeto político. Não pode. O Brasil está cansado desse tipo de atitude não republicana. É ilegal O Palácio do Planalto não pode ser um comitê eleitoral.

Alguns prefeitos criticaram a postura do ministro Berzoini. O que o senhor achou das palavras dele?
 
É um profundo desrespeito aos prefeitos. A presidente Dilma Rousseff está se afastando cada vez mais dos prefeitos por causa disso. O Palácio do Planalto sempre achou que, com a força da caneta e da arrogância eleitoral, podia controlar os votos e a cabeça das pessoas.

Por que o senhor acha que o Aezão incomodou tanto o Palácio do Planalto?
 
Agora, o governo está percebendo que, a cada dia, por mais que cedam ministérios, diretorias de empresas, qualquer coisa em troco de apoio na campanha, cada vez mais eles percebem que o sentimento dessas lideranças se afasta do governo. As pessoas querem mudança. A presidente Dilma não terá o sangue e o suor dos membros desses partidos, que não querem se sujeitar a isso.

As recentes alianças firmadas no Rio foram tachadas de “suruba” e “bacanal”. O senhor acha que, aos olhos do eleitor, elas possam parecer uma incoerência?
 
 
Eu não acredito. Há uma construção política nova no Rio de Janeiro. Quando eu vejo setores do PMDB e de outros partidos vindo para me apoiar, eu tenho que agradecer. Eu não tenho cargos. Eu tenho que oferecer a minha história pessoal, a minha coragem de mudar o Brasil. Quando eu vejo que as pessoas vêm para a minha campanha, eu só tenho a comemorar. As minhas armas são essas. Minha arma não é a máquina pública, o cargo na diretoria de uma estatal ou de um ministério. (Link Extra)


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