quarta-feira, 11 de junho de 2014

Investigações juntam provas de decisões da diretoria e conselho da Petrobras ligadas à “Lava Jato”




Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net




Réu na “Lava Jato”, Paulo Roberto Costa repetiu ontem, no forninho de pizza da CPI da Petrobras, a tática usada pelo Presidentro Luiz Inácio Lula da Silva para se tornar um inocente prévio, sempre que atacado duramente. O poderoso ex-diretor de Abastecimento da Petrobras jogou toda a culpa na imprensa pela divulgação de acusações, segundo ele falsas, que lhe são imputadas. 



Na ofensiva defensiva de Paulo Costa, sobrou até para o falecido Hugo Chávez, indiretamente apontado como culpado pelos altos custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, sob suspeita de 
bilionário superfaturamento.


A tática de Paulo Roberto Costa – cujo nome andava providencialmente esquecido do noticiário, depois que o ministro Teori Zavascki mandou soltá-lo – pode terminar em um gol contra ao final do trabalho minucioso da força tarefa do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal no processo da Operação Lava Jato. Os investigadores analisam provas que vão sacramentar uma ligação direta entre a atuação de Paulo Costa como gestor e o respaldo que obteve de quem realmente dava as cartas nas decisões da diretoria executiva e no conselho de administração da Petrobras.

Os gênios estratégicos do governo avaliam que o caso Petrobras “já está sob controle”. Na visão deles, tudo já está blindado, e vai acabar em pizza, inclusive com relação a Paulo Costa na Operação Lava Jato. A prioridade dos marketeiros do PT, agora, é a Copa do Jegue. A Seleção Brasileira tem de vencer ou vencer. Do contrário, perdem Lula, Dilma e os demais petistas. Depois de ontem, a ordem é colocar Paulo Costa em banho Maria. Os governistas avaliam que foi bem sucedida a blindagem de bastidores. 


Só falta combinar tal jogada com a turma do MPF, Receita e PF...
Orientado por um dos mais astutos e bem pagos advogados criminalistas do País, Nélio Machado, que o acompanhou na sessão amestrada da CPI, Paulo Roberto Costa chegou a desafiar os investigadores da “Lava Jato” – que apuram um esquema de lavagem de dinheiro estimado, inicialmente, em US$ 10 bilhões, envolvendo doleiros e políticos. No palco armado pelo governo na CPI, Paulo Costa ironizou e deslanchou: “As investigações podem ir até a Petrobras e levantar o que quiserem. Não vão encontrar nenhuma irregularidade”.

Paulo Roberto Costa chegou a fazer voz de choro, e falou em terceira pessoa sobre seu próprio personagem, ao negar que seja uma figura de tanta importância quanto a imprensa lhe atribui: “Não existe homem-bomba nenhum. Dizer que Paulo Roberto Costa comandava uma organização criminosa dentro da Petrobras é uma maluquice. Tenho certeza de que um dia isso vai ser esclarecido na Justiça. Quero que as pessoas que fizeram essa maldade reflitam sobre isso. Foi uma carga muito pesada”.

Paulo Roberto Costa também obedeceu à tática do governo de blindar, no discurso, a Petrobras, para que a empresa não se transforme em prato feito para a oposição engolir o governo na campanha reeleitoral. Paulo Costa fez uma defesa apaixonada da companhia, culpando a imprensa: 


“Disseram que a Petrobras era uma casa de negócios, que tinha organização criminosa na Petrobras. Repudio isso veementemente. Muita coisa foi dita de forma antiética, sem provas. A Petrobras não é uma empresa bandida. E não tem bandidos nos quadros da Petrobras. Isso vai ser esclarecido no momento oportuno. A empresa não é e nunca será uma 


empresa bandida como tem sido colocado nesses tempos”.
Paulo Roberto Costa culpou a PDVSA, a estatal de petróleo da Venezuela, pelo atraso e pela ampliação do projeto inicial da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo ele, a empresa venezuelana demorou três anos para informar à Petrobras as características do petróleo que seria refinado. O ex-diretor de Abastecimento alegou que a Petrobras teve que incluir no projeto a construção de dois trens de refinamento porque só assim seria possível processar o petróleo da PDVSA, petróleo de tipo mais espesso e pouco apropriado para a produção de gasolina.

Nessa linha defensiva, Paulo Costa defendeu que não houve fraudes nas obras da refinaria, mas apenas o equívoco de divulgar, em 2005, três anos antes do início da licitação, que a obra custaria US$ 2.5 bilhões (quando hoje já chega a US$ 18 bilhões). Versão de Paulo Costa: “Não houve má fé. Não houve erro técnico. Houve erro de divulgar um dado que era extremamente preliminar. O projeto da Abreu e Lima, ao invés de ter que ter um trem, teve que ter dois trens de refino, que não era na previsão inicial. Outro prejuízo não teve. A Petrobras precisava da refinaria. Se não tivesse petróleo da Venezuela, teria um trem só. A refinaria sairia mais barata”.

Banco em casa?

Costa alegou que o dinheiro era fruto uma economia que fazia em todos os seus anos de trabalho e que não havia nenhuma irregularidade de procedência.
Sobre os R$ 762 mil encontrados em dinheiro vivo, justificou seria destinado a pagar contas, já que se tratava de um empréstimo feito com um amigo, que declarou à Receita Federal.
No início da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal apreendeu R$ 762 mil e aproximadamente US$ 180 mil num cofre na residência do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Brizolista eterna!

Dilma ontem mostrou o quanto sua cabeça política fica meio confusa, na hora de definir sua postura ideológica.
Na convenção do PDT, que homologou o apoio a sua reeleição, Dilma soltou esta pérola de discurso:

“Eu fui do PDT do Brizola, com ele e com o PDT aprendi muitas coisas da minha vida política. Sou do PDT do Lula, desculpa, do PT do Lula, ato falho. A gente pode fazer uma síntese: é o PDT do Lula e o PT do Brizola. A gente mistura os dois, tudo junto e misturado. Essas duas siglas têm o compromisso histórico, temos a mesmas ambições políticas para o povo brasileiro. Nós juntos somos invencíveis, separados somos fracos. Juntos temos a capacidade de construir um novo Brasil, nós só começamos”.

Decadência

Mais espaço para traição


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 11 de Junho de 2014.

Nenhum comentário: