terça-feira, 3 de junho de 2014

Maioria dos brasileiros vê a Copa com mau humor, diz instituto americano




Um estudo realizado pelo Pew Center, um dos maiores institutos de pesquisas americanos, diz que há um "mau humor nacional" às vésperas da Copa e descreve uma "mudança dramática" em como os brasileiros veem a situação econômica e a imagem do país no mundo. 

A maioria dos brasileiros acha que abrigar a Copa foi um mau negócio. Entre os pesquisados, mais brasileiros acham que a Copa afetará negativamente do que positivamente a imagem do Brasil no exterior.

A pesquisa aponta que 72% dos brasileiros declaram-se insatisfeitos com a situação atual do Brasil. Essa insatisfação era declarada por 49% dos ouvidos em 2010 e por 55% no ano passado. A margem de erro da pesquisa é de 3,8 pontos percentuais, para mais ou para menos. 

Questionados sobre as vantagens de se abrigar a Copa do Mundo, 61% concordam com a frase que "é ruim abrigar a Copa porque tira dinheiro dos serviços públicos". Só 34% aceitam que "abrigar a Copa é bom porque cria empregos". 

Sobre o impacto da Copa do Mundo na imagem internacional do Brasil, 39% dizem que vai "causar danos"; 35% que ajuda; e 23% que não vai causar nenhum impacto.


A pesquisa realizada pelo Pew em abril e divulgada nesta terça-feira (3) mostra algumas viradas pessimistas. À pergunta "você acha que o Brasil se tornará uma potência emergente?", 53% diziam que sim em 2010; o número caiu para 39%. Além disso, 67% definem a situação econômica do país como ruim (apenas 36% opinavam o mesmo em 2010). 

Para as 1.003 pessoas entrevistadas no Brasil –todas maiores de 18 anos–, entre 10 e 30 de abril, os maiores problemas do país são, em ordem, inflação (85%), insegurança (83%), saúde pública (83%) e corrupção (78%). 

Quanto aos protestos de junho de 2013, a sociedade parece dividida: 47% dizem que foram positivos; 48%, negativos. Entre homens e o grupo de 18 a 29 anos de idade, o apoio aos protestos é maior. Entre as mulheres e aqueles com idade acima de 50 anos, a opinião é mais negativa. 

O estudo completo foi apresentado nesta terça-feira em Washington, com um debate no Wilson Center, centro de estudos na capital americana. 

PRESIDENTES
Outro contraste da pesquisa é sobre a influência positiva dos presidentes. Em 2010, 84% diziam que o então presidente Lula era uma influência positiva. Na atual pesquisa, 48% dizem o mesmo de Dilma Rousseff; 52% dizem que ela é uma influência "negativa" (Lula só era considerado assim por 14% dos ouvidos naquele ano). 

Mas Dilma ainda tem uma imagem favorável bem mais alta que a dos seus adversários na campanha presidencial deste ano; 51% tem imagem favorável dela, contra 27% de Aécio Neves (PSDB) e 24% de Eduardo Campos (PSB). 

Entre as instituições, a mídia e as lideranças religiosas aparecem empatadas como as mais confiáveis (69%). Depois vêm os militares (49%) e governo federal (47%). As instituições menos confiáveis são a polícia (33%) e a Justiça (25%). 

O Bolsa Família é aprovado por 75% dos ouvidos. Apenas 23% dizem que ele é ruim. 



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