quinta-feira, 12 de junho de 2014

Fogo, feridos e metrô fechado. São Paulo vive primeiro dia de Copa difícil


Vanessa Ruiz
Do UOL, em São Paulo


O número de pessoas não chegou perto das manifestações de 2013 na Copa das Confederações. Mas os protestos causaram problemas em São Paulo nesta quinta, primeiro dia de Copa do Mundo. Começando pela manhã e invadindo a tarde, os movimentos tiveram confrontos violentos com a polícia, prisões, feridos (incluindo da imprensa internacional), barreiras de lixo em chamas e fechamento de estações de metrô e trem.

O início
Os manifestantes se concentraram por volta das 9h da manhã na rua Apucarana, na zona leste, ao lado do metrô Carrão. Às 10h10, houve o primeiro confronto: a polícia, afirmando estar reagindo a agressões, utilizou bombas de gás lacrimogênio para dispersar as cerca de 200 pessoas que se manifestavam. A estação do metrô foi fechada.

Duas jornalistas da rede de TV norte-americana CNN, Shasta Darlington e Barbara Arvanitidis, foram atingidas por pedaços de uma das bombas lançadas e ficaram feridas. Atingidas no braço, foram retiradas do local para atendimento médico. Um manifestante foi detido. Durante toda a movimentação, defensores públicos estavam no local para acompanhar a ação da polícia.

Reagrupamento
Depois do tumulto, os manifestantes foram dispersados, mas reagruparam na rua Serra de Japi, a alguns quarteirões do Carrão. Por lá, receberam apoio de metroviários, que faziam assembleia no sindicato da categoria, que fica na rua. Ali, black blocs depredaram placas e incendiaram sacos de lixo no meio das ruas.

A polícia reagiu de forma enérgica, com novas bombas e balas de borracha. Uma menina passou mal devido ao gás e três feridos foram levados ao hospital em uma viatura da polícia. Assustada, parte dos manifestantes entrou no prédio do Sindicato dos Metroviários.
A PM estabeleceu, então, um prazo de 20 minutos para a evacuação da região e ameaçou invadir o prédio caso algum black bloc fosse abrigado. A cavalaria do Choque foi acionada e conseguiu dispersar os manifestantes violentos.

Radial fechada e confronto na estação
Mesmo assim, a confusão estava longe de terminar: o protesto se dividiu. Parte foi ao metrô Tatuapé, parte para Radial Leste. A avenida foi bloqueada por alguns minutos quando jovens vestidos de preto invadiram a pista e começaram a andar na contramão no sentido centro-zona leste. Policiais voltaram a enfrentar manifestantes, desta vez em meio aos carros, para desbloqueá-la.

Na estação de metrô, o caos foi total: polícia e participantes do protesto se enfrentaram em frente às catracas e bombas de gás foram atiradas dentro da passarela de acesso. Durante o enfrentamento, o local, que tem acesso para as linhas de trem e metrô, foi fechado.

Extintor nos trilhos
Como não conseguiram parar a avenida e não entraram na estação, os manifestantes apelaram para um artifício desesperado: arremessaram um extintor nos trilhos do trem, o que fez com que os vagões circulassem com velocidade reduzida por cerca de sete minutos.
Várias pessoas que passavam pelo local foram surpreendidas com as cenas de violência e ficaram muito assustadas. Uma garota de 18 anos chegou a chorar copiosamente. Mais dois manifestantes foram detidos.

Por volta das 16h, quando a hora do chute inicial de Brasil e Croácia se aproximava, a situação começou e se tranquilizar. Os manifestantes foram removidos da passarela de acesso à estação e parte do efetivo policial se retirou do local.

As três estações paralisadas – Carrão, Tatuapé e Belém – ainda demoraram um pouco para serem liberadas. A circulação dos trens voltou a normal, mas os policiais preferiram aguardar a saída dos manifestantes das imediações para reabrir as estações. Só às 16h45 a situação foi normalizada.

Protestos contra a Copa pelo Brasil

Policiais tentam conter manifestantes do ato Se Não Tiver Direitos, Não Vai Ter Copa nas proximidades do estação Carrão do metrô. Grupo faz protestos por direitos sociais e em defesa dos trabalhadores demitidos do metrô. Leia mais Fabio Braga/Folhapress

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